Ugo Benelli (Génova, 20 de janeiro de 1935) é um tenor italiano, associado a papéis para Tenor leggero. Ficou notório por interpretar papéis de Gioachino Rossini.

Biografia Benelli nasceu em Genova, em uma família sem ligação com o meio musical — todos os seus parentes trabalhavam na fabricação de chapéus. Quando tinha 8 anos, seu pai foi deportado para a Alemanha, possivelmente por conta da origem de seu sobrenome, Ben-Eli, que em hebraico significa "filho de Eli" ou "filho de Deus". Durante esse período, Benelli foi criado pela mãe e pelo avô materno. O pai retornou ao fim da guerra, sendo um dos poucos sobreviventes genoveses entre os que haviam sido capturados.

Desde jovem se interessou pelo mundo da música, começou a cantar no coral da Igreja e depois de se formar em contabilidade, iniciou os estudos com Piero Magenta, e por influência dele, mais tarde, ingressou na Accademia Teatro alla Scala, onde completou sua formação com os mestres Giulio Confalonieri e Ettore Campogalliani.

Estreou nos palcos em 1958, em Montevidéu, na opereta "Arlecchinata" de Antonio Salieri, mas o início verdadeiro de sua carreira internacional foi em 1960, com "Falstaff " numa apresentação no Gran Teatre del Liceu de Barcelona.Roberto Iovino, Benelli, ottant'anni di lirica "Il canto da sempre nel sangue", «la Repubblica», 28 de março de 2015.

Em 1969, substituiu Luciano Pavarotti em La figlia del reggimento (versão italiana da ópera La fille du régiment) sendo o momento mais importante da sua carreira.

Seu repertório no início de sua carreira concentrou-se principalmente em produções leves de bel canto, com obras compostas entre a segunda metade do século XVIII e a primeira metade do século XIX, de Haydn a Auber, e principalmente Rossini (Benelli reacende o interesse na ópera Conde Ory pelo grande público).

Cantou inúmeras obras, dentre as quais se destacou interpretando os personagens Rossinianos: Conde D'Almaviva (de Il Barbiere di Siviglia), Don Ramiro (de La Cenerentola), Conde Ory (de Le Comte Ory) e Lindoro (de L'italiana in Algeri). Além de personagens de compositores como Donizetti, interpretando Nemorino (de L'elisir d'amore), Ernesto (de Don Pasquale) e Tonio (de La Fille du régiment); e de Bellini, no personagem Elvino (de La Sonnambula).

Benelli também cantou no repertório barroco (interpretando Ormindo de Cavalli, em que cantou em alemão), e no repertório do final do século XIX e até mesmo na produção do século XX.

Na década de 1960, Benelli também participou da estreia mundial de quatro inéditas obras:

A "comédia histórico-pastoral" de três atos e quatro cenas em Il diavolo in giardino (O Diabo no Jardim), de Franco Mannino, com libreto de Luchino Visconti, no Teatro Massimo em Palermo, 1963; A ópera radiofonica La Signora Paulatim (A Senhora Paulatina), de Gino Marinuzzi Jr., baseada no conto homônimo de Italo Calvino, 1965; A cantata I Rabbini (Os rabinos), de Jan Meyerowitz (1913-1998), para solistas, coro e orquestra, produzida pela RAI em 1965; O drama musical em um prólogo e dois atos: Le metamorfosi di Bonaventura "As Metamorfoses de São Boaventura", de Gian Francesco Malipiero, no Gran Teatro La Fenice em Veneza, 1966. Esteve nos Teatro Regio de Turim, Teatro dell'Opera de Roma, Teatro San Carlo de Nápoles, Teatro Comunale de Florença, Teatro Carlo Felice de Gênova, Teatro Comunale de Bolonha, dentre outros italianos, também nos europeus (Ópera de Paris, Royal Opera House de Londres., Gran Teatre del Liceu de Barcelona, Teatro Nacional de São Carlos de Lisboa, Théâtre de la Monnaie de Bruxelas, Gaiety Theatre de Dublin, Deutsche Oper am Rhein de Düsseldorf, Oper Frankfurt de Frankfurt am Main, Cuvilliés Theatre de Munique), e nos americanos (Metropolitan Opera de Nova Iorque, Lyric Opera de Chicago, San Francisco War Memorial Opera House) além de teatros na América do Sul. Participou também nos festivais de Salzburgo, Glyndebourne, Wexford, Aix en Provence, Pesaro, dentre outros.

Em 2004, perto do seu aniversário de 69 anos, encerrou sua carreira, que durou longos 46 anos, fazendo uma "participação especial", como Dom Basílio em As Bodas de Fígaro, no Carlo Felice de GénovaAngelo Foletto, Scene da un matrimonio con signora in rosso, «la Repubblica», 19 de janeiro de 2004

É torcedor declarado do Sampdoria.

Características artísticas

Benelli foi um "tenor de grazia" a nível internacional,"One of the leading tenore di grazia of the 1960s and 1970s" (James Anderson, The Complete Dictionary of Opera & Operetta, New York, Wings, 1993, ad nomen, ISBN 0517091569). mas, a partir dos anos oitenta, seu repertório se restringiu ao de um tenor buffo, além de ator secundário.Fabio Bardelli, Ugo Benelli, il tenore considerato antesignano del canto rossiniano, «OperaClick», s.d. Também possuía excelentes qualidades como ator cômico."An accomplished comic tenor" (Anderson, ibidem).

Elvio Giudici, ao analisar a famosa gravação de Silvio Varviso (1924–2006), feita em estúdio de O Barbeiro de Sevilha pela Decca, declarou:

Bibliografia Giorgio De Martino: Cantanti, vil razza dannata. Una dichiarazione d'amore contraddittoria attraverso la vita e gli incontri di Ugo Benelli, Varese, Zecchini, 2002, ISBN 9788887203189

Ligações externas Interviste online dell'artista: Fabio Bardelli, Ugo Benelli, il tenore considerato antesignano del canto rossiniano, s.d., em «OperaClick» Call me McBenelli, «The Irish Times», 10 de outubro de 1998 (EN) Gianguido Mussomeli, Intervista a Ugo Benelli 23 de março de 2010, em «Mozart2006 - Classica, opera e tutto quanto riguarda la musica» Jan Neckers, A meeting with Ugo Benelli, s.d., in «Opera Nostalgia» (EN) al soprano Astrea Amaduzzi, Belcanto Italiano - intervista il tenore Ugo Benelli, 25 de janeiro de 2015, in «Belcanto Italiano - Técnica, estilo e história do Belcanto Italiano»

Categoria:Tenores da Itália