Sobragil Gomes Carollo (Alegrete, 1896 — Rio de Janeiro, 1974) foi um pintor, decorador, caricaturista e carnavalesco brasileiro.
Biografia Pintor Começou a trabalhar cedo como representante comercial em Porto Alegre, e em 1912, quando estava em Canoas tratando de negócios de um comércio de fumo da capital, sofreu um roubo seguido de uma tentativa de assassinato."Porto Alegre". O Paiz, 11 de abril de 1912, p. 6 Casou em 1915 com Izolina Adelaide da Rocha Martins."Casamentos". A Federação, 14 de fevereiro de 1915, p. 8 Seu filho Edy Carollo também seria pintor de renome e um constante parceiro do pai em projetos de carnaval e exposições de pintura.Freitas, Nelson. "Históricos: Carollo, Pai e Filho". Museu de Arte do Rio Grande do Sul, consulta em 5 de abril de 2025
Sua formação artística iniciou em 1919 no curso noturno do Instituto de Belas Artes de Porto Alegre,Simon, Círio. Origens do Instituto de Artes da UFRGS: etapas entre 1908-1962 e contribuições na constituição de expressões de autonomia no sistema da artes visuais do Rio Grande do Sul. Doutorado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2003, p. 193 sendo aluno de Eugênio Latour. Em 1922 ingressou como ouvinte na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, estudando com Rodolfo Amoedo.
Participou do Salão da Primavera em 1924, no Liceu de Artes e Ofícios, e do Salão Nacional de Belas Artes no mesmo ano, recebendo uma menção honrosa de 2º grau, mas o prêmio concedido pelo Júri foi revogado pelo Conselho Superior, junto com vários outros premiados."Artes e Artistas". O Paiz, 7 de dezembro de 1924, p. 2 Fez uma individual no Rio em 1925 com cerca de 40 trabalhos e recebeu muitos elogios, abordando temas de marinhas, paisagens e retratos,"Exposição de pintura". A Federação, 2 de julho de 1925, p. 5 e logo em seguida levou suas obras para Porto Alegre, montando uma individual no Palácio do Governo, que um artigo no jornal A Federação disse ter sido "concorridíssima", com muitas peças vendidas, acrescentando que "Carollo é um artista de mérito que está indicado necessariamente para figurar entre os melhores pintores do Rio Grande. [...] É até ocioso que façamos comentários e apreciações sobre este talento invulgar de artista de escol, a respeito de quem se mostrou unânime em elogios a crítica de todos os centros onde a cultura artística é apuradíssima, e mais a opinião de todos os mestres entre nós"."Notas de Arte". A Federação, 2 de julho de 1925, p. 5
Em 1925 disse à imprensa que pretendia passar dez anos na Espanha em estudos de aperfeiçoamento."Notas de Arte". A Federação, 2 de setembro de 1925, p. 3 Não há registro de ter realmente viajado nesta época, mas de toda forma em 1928 estava em Pelotas fazendo a decoração em pintura mural no Teatro Guarani, que mais tarde foi recoberta por outra pintura.Isquierdo, Mariana de Araujo et al. "Pintura Mural do Theatro Guarany: Intervenção realizada na janela prospectiva da sala da bilheteria". In: 21º Congresso de Iniciação Científica / 4ª Mostra Científica. Pelotas, 2012 No mesmo ano decorou o Cine Capitólio na mesma cidade, incluindo paredes, teto e o pano de boca, em estilo renascentista com detalhes em ouro, sendo muito elogiado na imprensa, chamado de "decorador genial" e "pintor extraordinário", "mais que decorador, fora criador de símbolos. Fizera uma simbolização rápida, expressiva, de toda história artística do Ocidente".Monquelat, A. F. "O Cine Capitólio (parte 1)". Pelotas de Ontem, 9 de março de 2016 Monquelat, A. F. "O Cine Capitólio (parte 2 e final)". Pelotas de Ontem, 16 de março de 2016
Por muitos anos participou regularmente do Salão Nacional, em 1945 recebeu medalha de bronze, e fez uma individual no Museu Nacional de Belas Artes."Evolui de maneira significativa o meio artístico brasileiro". Gazeta de Notícias, 7 de janeiro de 1945, p. 16 Em 1947 com seu filho fez uma exposição em Ouro Preto, que foi muito elogiada pelo crítico Torres Pastorino. Referindo-se ao pai, disse: "Pintor maduro, bem conhecedor dos segredos de sua arte, experimentado, com uma chama de entusiasmo a inflamá-lo continuamente, espicaçado pelo desejo de sempre fazer melhor e produzir mais, Sobragil Carollo é um dos artistas mais perseverantes e teimosos na procura da perfeição, na busca do Belo, na luta pela melhoria de seus trabalhos". Pastorino, Torres. "Carôllo, pai e filho, em Ouro Prêto". Gazeta de Notícias, 13 de abril de 1947, p. 6
Em 1948 participou de uma grande coletiva no Museu Nacional promovida pelo American Jewish Joint Distribution Committee."Belas Artes". Gazeta de Notícias, 6 de setembro de 1947, p. 6 No mesmo ano, participou do Salão Nacional recebendo uma medalha de prata,"Os Prêmios do Salão". Diário da Noite, 28 de dezembro de 1948, p. 14 e ao expor com o filho no salão do Palace Hotel, o critico Matheus Fernandes disse: "Conhecedor da técnica a fundo e sendo ótimo desenhista, todos os seus quadros têm uma madureza perfeita. Carollo pai, bastante conhecido fora de nossas fronteiras, alcançou grande sucesso com seus quadros em Montevidéu e Buenos Aires; dentro em pouco partirá para o Chile, atendendo a um convite especial, para lá fazer uma exposição".Fernandes, Matheus. "Sobragil e Edy Carollo". Gazeta de Notícias, 23 de outubro de 1948, p. 7 Ainda em 1948 apresentou "ótimas caricaturas" no III Salão dos Humoristas."Notas de Arte". Jornal do Commercio, 27-28 de março de 1948, p. 9
Em 1954 recebeu o Grande Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional. Dirigindo-se a Paris com o filho, estudaram nas academias La Grande Chaumière e Julian. Neste período, sua obra, antes fortemente vinculada ao Academismo, se transformou. Depois dos estudos, em 1957 apresentou com o filho uma grande mostra com cerca de 300 obras na Maison de France, no Rio, que foi vivamente elogiada pela crítica. No ano seguinte expôs em Porto Alegre, novamente sendo apreciado. Uma matéria na imprensa disse que "o povo gosta de suas pinturas porque realmente transcendem sinceridade, sensibilidade e encanto poético". Em 1961 foi outra vez premiado no Salão Nacional."Salão de Belas Artes mostra tudo: píntura". Diário Carioca, 21 de outubro de 1961, p. 10
Foi membro do Conselho Deliberativo da Sociedade dos Artistas Nacionais do Rio em 1949,"Sociedade dos Artistas Nacionais". Jornal do Commercio, 31 de agosto de 1949, p. 7 e foi o terceiro ocupante da Cadeira 27 da Academia Brasileira de Belas Artes.Nominata 70 Anos. Academia Brasileira de Belas Artes. Academia Brasileira de Belas Artes, 2019, p. 81 Tem obras no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, no Museu Nacional de Belas Artes e no Palácio Cruz e Sousa em Florianópolis."Carollo, Sobragil Gomes". Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, consulta em 5 de abril de 2025
Estilo Começou sua obra trabalhando com a paisagem, e depois passaria a abordar também marinhas, retratos, interiores, flores, o nu feminino, cenas urbanas e casarios.Campofiorito, Quirino. "Carollo". O Jornal, 23 de outubro de 1948, p. 2 Na primeira parte de sua carreira permaneceu fiel aos princípios do Academismo, rejeitando com veemência as inovações do Modernismo.Fernandes, Matheus. "Belas-Artes". Gazeta de Notícias, 9 de novembro de 1947, p. 7 Contudo, após sua temporada de estudos em Paris, sua abordagem mudou, o que levou o crítico Fernando Corona a dizer: "É simplesmente extraordinário o que vejo agora na transformação que tiveram estes dois velhos amigos, artistas natos, na sua campanha de Paris. [...] Carollo, pai, pinta os clochards [miseráveis, sem teto] de Paris com uma simplicidade e uma expressão local como se ele ali tivesse vivido sempre. São obras de real valor artístico e nada acadêmicas, são libertas de preconceitos [...] A tela 46, Clochard dormindo, onde Carollo, pai, sentiu amor pelos humildes, é de uma beleza de tons que só Paris poderia lhe inspirar".Rossi, Elvio Antônio. Pensando com Arte: as críticas de Fernando Corona sobre artes plásticas (1958-1970). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2013, p. 85
Carnavalesco Como carnavalesco, projetou e executou os carros alegóricos da sociedade Paladinos Carnavalescos de Porto Alegre em 1920, que foram considerados muito bons."Carnaval". A Federação, 18 de fevereiro de 1920, p. 8 No ano seguinte foi encarregado da criação do carro "Aviação" do Bloco dos Improvisados, dito ter uma "alta concepção artística"."Carnaval". A Federação, 7 de fevereiro de 1921, p. 4 Também criou carros para sociedades carnavalescas de Pelotas, com muito sucesso. Em 1925 já começava sua atividade no Rio como carnavalesco da sociedade Os Tenentes do Diabo."Carnaval". O Paiz, 23 de janeiro de 1925, p. 5 Em 1948 foi membro da Comissão Julgadora do desfile oficial do Carnaval do Rio,"Majestoso desfile abre o Carnaval de 48". A Manhã, 7 de fevereiro de 1948, p. 10 em 1949 com o filho foi contratado para criar os carros do Clube dos Fenianos,"Cidade se diverte". Gazeta de Notícias, 28 de janeiro de 1949, p. 7 foi o carnavalesco do desfile da sociedade Os Democráticos em 1950, recebendo o segundo prêmio na disputa oficial."Dos Tenentes do Diabo o melhor préstito de terça-feira última". O Jornal, 23 de fevereiro de 1950, p. 8 Em 1951 com o filho criou as alegorias da Embaixada do Silêncio, "dois conhecidos cenógrafos, elementos de consagrados dotes artísticos, tantas vezes vitoriosos no Carnaval do Rio"."Temporada Carnavalesca". Diário de Notícias, 11 de janeiro de 1951, p. 9 Em 1953 fez parte da Comissão Julgadora da seção de Ranchos do Carnaval do Rio,"Será mantida a ornamentação da cidade até sábado que vem". Última Hora, 18 de fevereiro de 1953, p. 11 mas o julgamento foi contestado em meio a uma polêmica."Incompetente a Comissão de Julgamento dos Ranchos". Última Hora, 19 de fevereiro de 1953, p. 8 Em 1963, com o filho, projetou e executou a decoração da sede da sociedade carnavalesca Embaixada do Sossego."Roteiro: Sociedades". Diário Carioca, 28 de fevereiro-1 de março de 1965, p. 18
Ver também Pintura no Rio Grande do Sul Academismo no Brasil
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