Neotrygon kuhlii é uma espécie de arraia da família Dasyatidae. Em 2008, foi reclassificada de Dasyatis kuhlii para o gênero Neotrygon, após análises morfológicas e moleculares confirmarem sua distinção. Possui corpo romboidal, de coloração verde com manchas azuis, e sua largura máxima de disco é estimada em 46,5 cm. É popular em aquários, mas frequentemente confundida com Taeniura lymma, que tem corpo mais arredondado, coloração verde mais brilhante e manchas azuis mais vívidas, embora Neotrygon kuhlii seja maior. A longevidade estimada é de 13 anos para fêmeas e 10 anos para machos. Alimenta-se de peixes e pequenos moluscos e é encontrada geralmente da Indonésia ao Japão e em grande parte da Austrália. A espécie também é hospedeira de diversos parasitas, como tênias, platelmintos e trematódeos.

Taxonomia A arraia Neotrygon kuhlii foi descoberta por Heinrich Kuhl em Java, Indonésia. O tamanho populacional é difícil de estimar devido à presença de cinco espécies de arraias na Indonésia, com duas formas distintas conhecidas: a de Java e a de Bali. A principal diferença entre elas é o tamanho, com a forma de Bali sendo significativamente maior que a de Java. No nível de família, Dasyatidae inclui 9 gêneros e 70 espécies. As espécies do gênero são chamadas de arraias-de-máscara devido ao padrão de cores ao redor dos olhos.

Descrição e comportamento esquerda|miniaturadaimagem|Corpo completo de uma arraia Neotrygon kuhlii, mostrando a cauda listrada em preto e branco. Neotrygon kuhlii possui um corpo achatado, em forma de disco romboidal, com até 47 cm de diâmetro e 70 cm de comprimento total. Sua coloração é verde-escura com manchas azuis e ventre branco, caracterizando o . O focinho é curto e amplamente angular, assim como o disco. A coloração vibrante serve como alerta para seus espinhos venenosos. A cauda, cerca de duas vezes o comprimento do corpo, possui dois espinhos venenosos na base, um grande e outro médio. Seus olhos amarelos brilhantes permitem ampla visão, e as espiráculos, localizadas atrás dos olhos, facilitam a respiração enquanto descansam ou se alimentam no fundo do mar. A boca, na face ventral, auxilia na técnica de forrageamento. Geralmente solitárias, as arraias podem formar grupos. Diferentemente de outras arraias, N. kuhlii enterra-se na areia apenas para se esconder de predadores, não para caçar. miniaturadaimagem|Camarão, uma das fontes de alimento de Neotrygon kuhlii.

Dieta Neotrygon kuhlii alimenta-se de camarões, pequenos peixes ósseos, moluscos, caranguejos e vermes. Por ser uma predadora de fundo raso, sua dieta é limitada à fauna marinha disponível. Imobiliza suas presas pressionando-as contra o fundo com suas nadadeiras. Possui dentes pequenos e uma mandíbula inferior ligeiramente convexa, com dentes em forma de placa para triturar presas.

Reprodução A arraia Neotrygon kuhlii é ovovivípara. Os embriões desenvolvem-se em ovos dentro do corpo da mãe até estarem prontos para eclodir, recebendo nutrientes do fluido uterino. As fêmeas dão à luz até sete filhotes por ninhada, com comprimento de 15 a 33 cm ao nascer. A espécie transmite 32 conjuntos de cromossomos aos filhotes. O ciclo reprodutivo é anual, com a temporada de acasalamento em outubro e novembro, e a ovulação no verão australiano (1 de dezembro a 28/29 de fevereiro), coincidindo com o desenvolvimento embrionário.

Habitat A arraia Neotrygon kuhlii é comumente encontrada em águas com menos de 90 m de profundidade, em áreas de areia, lodo, próximo a recifes de coral rochosos e leitos de ervas marinhas. Habita climas tropicais entre 29°N e 31°S, e 20°E a 171°W. Durante a maré alta, move-se para lagoas rasas e plataformas de recifes. Está presente no norte da Austrália, Quênia, Madagascar, Maurício, Somália, leste da África do Sul, Índia, e em quase todas as águas continentais da Ásia, incluindo o mar do Japão, mar Amarelo, mar da China Oriental, mar das Filipinas, mar de Sulu, mar de Java, mar de Banda, mar de Celebes, mar de Andamão, Golfo de Bengala e mar Arábico. esquerda|miniaturadaimagem|O corpo da arraia Neotrygon kuhlii é mais angular, distinguindo-a da arraia Taeniura lymma.

Ameaças e áreas protegidas Queensland, Austrália, possui áreas de alta proteção para Neotrygon kuhlii, como Shoalwater, o Sítio Ramsar da e o Parque Marinho da Grande Barreira de Corais. A destruição de recifes de coral, especialmente no noroeste do Pacífico, é uma grande ameaça, já que a espécie habita esses ambientes. A poluição por fertilizantes e pesticidas também a afeta. É frequentemente capturada no mar de Java por pesca de arrasto e redes de cerco dinamarquesas em grandes quantidades, sendo a segunda espécie mais significativa entre tubarões, arraias e quimeras pescadas, contribuindo com cerca de 700 kg por embarcação em 2006–2007.

Predadores Grandes elasmobrânquios, como os tubarões da família Sphyrnidae, predam Neotrygon kuhlii. Sua coloração vibrante alerta sobre os espinhos altamente venenosos, desencorajando predadores. O tubarão usa sua cabeça para imobilizar a arraia, aproveitando seu estado de choque.

Interação com humanos Devido às suas características únicas, Neotrygon kuhlii é comum no comércio de animais de estimação, mas muitos ignoram que seu tamanho adulto excede a capacidade de aquários domésticos. Sua carne é pescada para consumo, sendo defumada, salgada ou seca para mercados locais, mas é barata devido ao tamanho pequeno. É capturada em grande escala com redes de emalhar e armadilhas. A arraia é altamente venenosa, com um espinho de cerca de 30 cm de comprimento, contendo serotonina, 5'-nucleotidase e fosfodiesterase.

A pele da arraia é frequentemente usada em tambores, como o darbuka árabe e turco e o pandeiro riq.

Parasitas Diversos parasitas podem habitar a arraia Neotrygon kuhlii: Classe comumGrupoParasitaTêniasCestodes, CephalobothriidaeCephalobothrium longisegmentum e Tylocephalum kuhliTêniasCestodes, MixodigmatidaeTrygonicola macroporusTêniasCestodes, OnchobothriidaeAcanthobothrium bengalens, A. confusum, A. herdmani e A. pingtanensisTêniasCestodes, PhyllobothriidaeEcheneibothrium trygonis, Phyllobothrium ptychocephalum, Rhinebothrium shipleyi, Scalithrium shipleyi e S. trygonisPlatelmintosMonogeneans, MonocotylidaeDendromonocotyle kuhlii, Heterocotyle chinensis, Monocotyle kuhlii e M. tritestisTrematódeosTrematodes, MonocotylidaeProsorhynchus clavatumTrematódeosTrematodes, DidymozoidaeLarva de Didymozoid

Aplicações Dois peptídeos curtos identificados a partir de desta espécie demonstraram efeitos protetores contra a oxidação de lipídios, DNA e proteínas. Foi proposta sua aplicação como ingredientes de alimentos funcionais ou nutracêuticos.

Ver também

Neotrygon annotata Hypanus dipterurus Hemitrygon fluviorum Diplobatis ommata Gymnura poecilura

Referências

Leitura adicional

Ligações externas

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