miniaturadaimagem|A magnanimidade de Alexandre para com o cativo Poro. Magnanimidade (do latim magnanimitās, de magna "grande" + animus "alma, espírito") é a virtude de ser grande de mente e coração. Engloba, geralmente, a recusa à mesquinharia, a disposição de enfrentar o perigo e ações com propósitos nobres. Sua antítese é a pusilanimidade (latim: pusillanimitās). Embora a palavra "magnanimidade" venha da filosofia aristotélica, seu significado em português hoje é mais amplo, o que às vezes gera certa confusão.Veja por exemplo: IV.3 Na tradução de Sachs (em inglês) é observado que duas traduções possíveis, "orgulho" e "alta mentalidade", ambas captam apenas metade do significado, enquanto magnanimidade apenas "transfere o problema para o latim": Aristotle (2002). Nicomachean Ethics. Translated by Sachs, Joe. Focus Publishing. footnote 85.
Aristóteles A palavra latina magnanimitās é um calque da palavra grega μεγαλοψυχία (megalopsiquia), que significa "grandeza de alma". Aristóteles associa a megalopsiquia mais a um sentimento de orgulho e autoestima do que ao moderno senso de magnanimidade. Ele escreve: "Agora, considera-se que uma pessoa tem grande alma se reivindica muito e merece muito" (δοκεῖ δὴ μεγαλόψυχος εἶναι ὁ μεγάλων αὑτὸν ἀξιῶν ἄξιος ὤν).Aristóteles. Ética a Nicômaco. IV.3 (1123b1–2). Aristóteles continua:Aristotle (1926). Nicomachean Ethics. Translated by Rackham, H. New York: G.P. Putnam's Sons. IV.3 pp. 215, 221–225.
WD Ross traduz a declaração de Aristóteles ἔοικε μὲν οὖν ἡ μεγαλοψυχία οἷον κόσμος τις εἶναι τῶν ἀρετῶν· μείζους γὰρ αὐτὰς ποιεῖ, καὶ οὐ γίνεται ἄνευ ἐκείνων como o seguinte: "O orgulho [megalopsychia], então, parece ser uma espécie de coroa das virtudes; pois as torna maiores, e não é encontrado sem elas."Aristotle. Ethica Nicomachea. the Works of Aristotle. Vol. IX. Translated by Ross, W.D. 1124a.
Outros usos Noah Webster definiu a magnanimidade desta forma:Webster, Noah (1828). Dictionary of the American Language.
Tomás de Aquino adotou o conceito de Aristóteles, acrescentando as virtudes cristãs da humildade e da caridade.
Edmund Spenser, em A Rainha das Fadas, fez com que cada cavaleiro representasse alegoricamente uma virtude. O Príncipe Arthur representava a magnificência, que geralmente é entendida como a magnificência aristotélica.Spenser, Edmund (1596), The Faerie Queene A obra incompleta não inclui o livro do Príncipe Arthur, e o significado não é claro.
Demócrito afirma que "É magnanimidade suportar a inconveniência com calma".
Thomas Hobbes define magnanimidade como "desprezo por pequenas ajudas e obstáculos" para os próprios fins. Para Hobbes, o desprezo representa uma imobilidade do coração, que é movido por outras coisas e desejos.Hobbes, Thomas (1651). Leviathan or The Matter, Forme and Power of a Common-Wealth Ecclesiasticall and Civil. London: Crooke. pp. 24, 26.
Como adjetivo, o conceito é expresso como "magnânimo", por exemplo, "Ele é um homem magnânimo". Um exemplo de como alguém se refere a si mesmo como magnânimo pode ser visto no Hrólfs saga kraka, onde o rei Hrólfr Kraki muda o nome de um servo da corte de Hott para Hjalti em homenagem à sua recém-descoberta força e coragem, após o que Hjalti se recusa a insultar ou matar aqueles que anteriormente o ridicularizaram. Por causa de suas nobres ações, o rei então concede o título de Magnânimo a Hjalti.
Uma forma de magnanimidade é a generosidade do vencedor para com o derrotado. Por exemplo, a magnanimidade foi codificada entre as sociedades pelas Convenções de Genebra.
Esforços de socorro magnânimos podem servir para compensar os danos colaterais da guerra.
C. S. Lewis, em seu livro A Abolição do Homem, refere-se ao peito do homem como a sede da magnanimidade, ou sentimento, com essa magnanimidade funcionando como o elo entre o homem visceral e o homem cerebral.Lewis, C. S. (1943). The Abolition of Man. Lewis afirma que, em sua época, a negação das emoções encontradas no eterno e no sublime — aquilo que é humilhante como uma realidade objetiva — levou a "homens sem peito".
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