A Operação Mascote foi um ataque aéreo britânico realizado durante a Segunda Guerra Mundial que teve como alvo o couraçado alemão . Ele ocorreu em 17 de julho de 1944 quando mais de oitenta aeronaves da Marinha Real Britânica atacaram o navio em seu ancoradouro no Fiorde de Kå, no norte da Noruega ocupada. Este fez parte de uma série de ataques de porta-aviões contra o navio entre abril e agosto, iniciados depois da inteligência Aliada ter determinado que os danos ao Tirpitz infligidos no início de abril durante a Operação Tungstênio tinham sido consertados.

Estações de radar alemãs na área detectaram as aeronaves britânicas enquanto aproximavam-se do Fiorde de Kå e o couraçado foi protegido por uma cortina de fumaça antes da força de ataque chegar. Consequentemente, poucos aviadores conseguiram avistar o Tirpitz e seus ataques não infligiram danos significativos. As perdas alemãs foram limitadas a um barco-patrulha, enquanto três aeronaves britânicas foram abatidas ou danificadas além de qualquer possibilidade de reparo pela artilharia antiaérea. Um grupo de submarinos alemães tentou interceptar a força naval britânica enquanto esta recuava de volta para sua base, mas sem sucesso. Dois submarinos foram afundados e vários outros danificados.

A Marinha Real lançou mais quatro ataques no final de agosto na Operação Goodwood, porém novamente fracassou. Depois disso a responsabilidade por afundar o navio foi passada para a Força Aérea Real, que realizou três ataques entre setembro e novembro. O Tirpitz foi finalmente afundado na última dessas ações em 12 de novembro.

Antecedentes O couraçado alemão representava desde o início de 1942 uma ameaça para os comboios Aliados que transportavam suprimentos pelo Mar da Noruega até a União Soviética. O navio ficava ancorado nos fiordes do litoral da Noruega e era capaz de sobrepujar as forças de escolta designadas para esses comboios. Ele também poderia possivelmente tentar entrar no Oceano Atlântico e atacar comboios viajando para o Reino Unido. Os Aliados, para fazer frente a essas ameaças, precisavam manter uma força poderosa de navios de guerra com a Frota Doméstica britânica, assim navios capitais passaram a acompanhar a maioria dos comboios que seguiam para a União Soviética.

thumb|260px|esquerda|O Tirpitz ancorado no Fiorde de Kå, com uma neblina artificial sendo lançada Vários ataques aéreos foram realizados contra o Tirpitz entre 1942 e 1943. Torpedeiros do porta-aviões atacaram o couraçado em 6 de março de 1942 enquanto ele tentava interceptar o Comboio PQ 12, mas não conseguiram acertá-lo. Bombardeiros da Força Aérea Real e das Forças Aéreas Militares da União Soviética tentaram atacar o navio várias vezes em seus ancoradouros, mas fracassaram em infligir danos em todos os casos. Dois minissubmarinos britânicos da Classe X conseguiram penetrar as defesas ao redor do Tirpitz no Fiorde de Kå em 23 de setembro de 1943 durante a Operação Fonte, plantando explosivos na água abaixo dele. Este ataque causou enormes danos à embarcação e a deixou fora de serviço por seis meses.

O Tirpitz ainda era considerado uma ameaça para os comboios, assim os britânicos procuraram danificar ou destruir o couraçado antes que pudesse voltar ao serviço. Outro ataque de minissubmarinos não foi considerado prático por causa de melhorias na defesa do Fiorde de Kå, enquanto o marechal da força aérea sir Arthur Harris, chefe do Comando de Bombardeiros da Força Aérea Real, negou qualquer tentativa de ataques com bombardeiros pesados porque acreditava que tais operações teriam pouca probabilidade de sucesso e resultariam em grandes baixas. Consequentemente, os porta-aviões da Frota Doméstica foram considerados os melhores meios de ataque, com o Almirantado Britânico direcionando a frota no final de 1943 a começar o planejamento. Após meses de preparações, o primeiro ataque ocorreu em 3 de abril de 1944 na Operação Tungstênio e envolveu cinco porta-aviões. Duas forças de vinte bombardeiros de mergulho Fairey Barracuda escoltados por quarenta caças conseguiram chegar no Fiorde de Kå sem serem detectados e acertaram quinze bombas no Tirpitz. Sua tripulação sofreu várias baixas, mas o navio em si não foi muito danificado. Mesmo assim, os danos infligidos na superestrutura, armamentos e motores foram suficientes para deixá-lo fora de serviço por vários meses enquanto reparos eram realizados. O grande almirante Karl Dönitz, o comandante da Marinha de Guerra Alemã, colocou prioridade em trazer o couraçado de volta ao serviço para que pudesse continuar prendendo recursos navais Aliados na região. Ele e outros oficiais reconheceram que a ameaça de mais ataques aéreos significava que o Tirpitz não mais conseguiria operar contra comboios Aliados.

A inteligência britânica avaliou que o Tirpitz poderia ser consertado em seis meses e o Almirantado ordenou que mais ataques de porta-aviões fossem lançados. O almirante sir Andrew Cunningham, o Primeiro Lorde do Mar, não acreditava que Barracudas poderiam carregar bombas capazes de afundar o navio, mas esperava que mais ataques aumentassem o tempo que o couraçado ficasse fora de serviço e também prejudicassem a moral de sua tripulação. O vice-almirante Bruce Fraser, o comandante da Frota Doméstica, inicialmente resistiu à ordem de atacar por acreditar que mais operações de porta-aviões contra o Fiorde de Kå provavelmente fracassariam, pois as defesas do local tinham sido reforçadas e as condições climáticas provavelmente seriam piores do que aquelas encontradas durante a Operação Tungstênio. Fraser discutiu a questão com Cunningham, mas por fim concordou em atacar de novo. Muitos dos aviadores da Frota Doméstica tinham sido transferidos para outras unidades depois da Operação Tungstênio e isso prejudicou mais ações contra as forças alemãs na Noruega, pois os novos aviadores eram menos experientes do que aqueles que tinham substituído.

Três ataques foram cancelados entre abril e maio por causa de condições climáticas desfavoráveis. O primeiro foi a Operação Planeta, que começou em 21 de abril. Esta operação envolvia os mesmos porta-aviões que tinham participado da Operação Tungstênio, exceto pela substituição do porta-aviões de escolta por seu irmão HMS Striker. A frota alcançou três dias depois uma posição em que suas aeronaves poderiam ser lançadas, mas o ataque foi cancelado quando agentes noruegueses infiltrados próximos do Fiorde de Kå relataram condições climáticas ruins sobre a área alvo. A frota então navegou para o sul e atacou um comboio alemão perto de Bodø, afundando três navios mercantes e perdendo seis aeronaves. A tentativa seguinte da Frota Doméstica foi em meados de maio com a Operação Musculoso. Uma força de 27 Barracudas escoltados por caças Vought Corsair e Supermarine Seafire decolaram do Victorious e na tarde do dia 15, mas encontraram muitas nuvens sobre o fiorde e voltaram sem atacar. O próximo ataque foi a Operação Garra de Tigre no final do mês. O ataque planejado envolveria novamente o Victorious e Furious, mas precisou ser cancelado em 28 de maio por causa do clima ruim. Os porta-aviões em vez disso foram para o sul à procura de comboios alemães. Um ataque em 1º de junho afundou quatro navios mercantes perto de Ålesund. Nenhum ataque foi tentado em junho porque os navios da Frota Doméstica eram necessários para apoiar os Desembarques da Normandia.

Preparações

O Almirantado e o almirante sir Henry Moore, que assumiu o comando da Frota Doméstica em 14 de junho de 1944, permaneceram comprometidos com mais ataques de porta-aviões contra o Tirpitz apesar dos fracassos. O Almirantado recebeu no decorrer de junho vários relatos de inteligência que indicavam que os reparos do couraçado estavam progredindo bem e que ele logo estaria pronto. Espiões Aliados no mesmo mês avistaram o navio realizando testes de navegação no Fiorde de Kå e relataram que ele era capaz de alcançar vinte nós (37 quilômetros por hora) e girar suas torres de artilharia principais. Consequentemente, o Almirantado ordenou no final de junho que outro ataque de porta-aviões ocorresse em meados de julho. A intenção era para que esse ataque ocorresse antes da retomada dos comboios para a União Soviética, que estavam suspensos desde abril a fim de liberar embarcações para a invasão da França.

Os britânicos estavam certos e os reparos do Tirpitz após a Operação Tungstênio realmente progrediram rápido. Os trabalhos de reparo começaram no final de abril e 157 trabalhadores com equipamentos especiais foram transportados de Kiel na Alemanha até o Fiorde de Kå com o objetivo de acelerar o projeto. Três turnos de trabalhadores atuaram no navio diariamente, auxiliados pelas longas horas de luz do dia possibilitada pela latitude do fiorde durante o verão. O couraçado foi capaz de navegar por conta própria em 2 de junho e ficou pronto para começar exercícios de artilharia no final do mês. Os trabalhos de reparo terminaram em meados de julho, porém o eixo da sua hélice de estibordo só podia ser usado para fazê-lo navegar para frente. O capitão de mar Wolf Junge assumiu o comando do Tirpitz em maio, substituindo o capitão de mar Hans Meyer, que tinha sido ferido durante a Operação Tungstênio.

Forças O Victorious foi enviado para o Oceano Índico em junho, assim os porta-aviões selecionados para a Operação Mascote foram o recém-comissionado e os veteranos Furious e . Eles foram escoltados pelo couraçado , quatro cruzadores e doze contratorpedeiros. Moore comando a força a bordo do Duke of York, enquanto o grupo de porta-aviões foi comandado pelo contra-almirante Rhoderick McGrigor a bordo do Indefatigable.

A força de ataque era bem similar àquelas de ações anteriores contra o Tirpitz. A bordo do Formidable estava a Asa de Reconhecimento de Torpedeiros Nº 8 com os Esquadrões Aeronavais 827 e 830, cada um operando doze Barracudas, bem como o Esquadrão Aeronaval 1841 com dezoito Corsairs. No Indefatigable estava a Asa de Reconhecimento de Torpedeiros Nº 9, também equipada com 24 Barracudas divididos entre Esquadrões Aeronavais 820 e 826, mais o Esquadrão Aeronaval 894 com Seafires e o Esquadrão Aeronaval 1770 com doze caças Fairey Firefly. O Furious, diferentemente dos ataques anteriores, desta vez não embarcou Barracudas, em vez disso operando vinte caças Grumman Hellcat do Esquadrão Aeronaval 1840, três Seafires do Esquadrão Aeronaval 880 e aeronaves antissubmarinas Fairey Swordfish do Esquadrão Aeronaval 842.

As defesas do Fiorde de Kå foram melhoradas depois da Operação Tungstênio. Antes deste ataque consistiam em onze baterias de armas antiaéreas, várias embarcações antiaéreas e um sistema de geradores de fumaça que era capaz de rapidamente esconder o Tirpitz de aeronaves. Depois do ataque foi reforçada pela adição de novas estações de radar e postos de observação, enquanto o número de geradores de fumaça ao redor do navio foi aumentado. As defesas melhoradas na época da Operação Mascote também incluíam um posto de observação à beira de um penhasco próximo do fiorde que era capaz de direcionar as armas antiaéreas do couraçado se necessário. As defesas antiaéreas do próprio Tirpitz também foram fortalecidas durante o período em que ficou sob reparos com a adição de mais canhões antiaéreos de 20 milímetros, modificação de seus canhões secundários de 149 milímetros para que pudessem atacar aviões e entrega de projéteis antiaéreos para sua bateria principal de 380 milímetros.

Também havia uma linha de patrulha de doze submarinos designada de Grupo Truta ao redor da ilha Jan Mayen e encarregada de interceptar quaisquer forças de porta-aviões que se aventurassem no Mar da Noruega. Os submarinos designados para essa força na época eram o U-347, U-361, U-365, U-387, U-636, U-716, U-742, U-921, U-956, U-965, U-992 e U-995. A Força Aérea Alemã tinha poucos caças em bases próximas do fiorde e suas operações eram restringidas pela escassez de combustível.

Ataque