alt=|direita|miniaturadaimagem| O presidente do NED, Carl Gershman (segundo da esquerda), entrega um prêmio a um líder tunisiano da Primavera Árabe em outubro de 2011. O National Endowment for Democracy (NED), ou "Dotação Nacional para a Democracia", é uma organização não governamental quase autônoma dos Estados Unidos. Foi fundada em 1983 com o objetivo declarado de promover a democracia em todo o mundo e combater a influência comunista no exterior através do apoio a instituições políticas e econômicas, tais como grupos políticos, grupos empresariais, sindicatos e mercados livres .
O NED foi criado como uma corporação bipartidária, privada e sem fins lucrativos, mas atua como uma fundação que concede subsídios, e seus recursos vêm sobretudo de uma verba anual do Congresso dos EUA. Além do seu programa de bolsas, o NED apoia e abriga o Journal of Democracy, o World Movement for Democracy, o Reagan–Fascell Fellowship Program, a Network of Democracy Research Institutes e o Center for International Media Assistance.
Após sua fundação, o NED assumiu diversas atividades que antes eram exercidas pela CIA. O NED é acusado por grupos políticos, ativistas, acadêmicos e alguns governos de ser um instrumento da política externa dos EUA, ajudando a promover mudanças de regime. Em fevereiro de 2025, o DOGE cortou o financiamento do NED ao bloquear o desembolso do Departamento do Tesouro dos EUA. Isso aconteceu depois de Elon Musk, que vinha executando a agenda de corte de gastos do presidente Donald Trump, pedir o fechamento do NED.
História miniaturadaimagem| Antigo logotipo do NED
Fundação A Decisão de Segurança Nacional 77 foi fundamental para a criação do Projeto Democracia e do seu descendente NED.
Num discurso de 1982 no Palácio de Westminster, o Presidente Ronald Reagan propôs uma iniciativa diante do Parlamento Britânico, "promover a infra-estrutura da democracia: o sistema de imprensa livre, sindicatos, partidos políticos e universidades". A proposta estava em sintonia com os planos já formulados pela American Political Foundation (uma ONG apoiada por membros dos partidos Republicano e Democrata, além de acadêmicos reunidos no CSIS). Tais planos eram o de criar uma fundação de promoção da democracia financiada pelo governo, mas gerida de forma privada, com o fito de apoiar grupos e partidos democráticos da sociedade civil. A ideia foi fortemente defendida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que argumentou que uma fundação não governamental seria capaz de apoiar grupos e organizações dissidentes no Bloco Soviético, além de promover, em ditaduras instáveis aliadas aos EUA, o surgimento de movimentos democráticos, sem provocar uma reação diplomática. O medo era que esquerdistas fizessem uma revolução em tais ditaduras. Após alguma incerteza inicial sobre a ideia por parte dos linha-dura do Governo Reagan, os EUA, através da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), contrataram a American Political Foundation para estudar a promoção da democracia. Isso ficou conhecido como "The Democracy Program", ou "O programa da democracia". O Programa recomendou a criação de uma corporação bipartidária, privada e sem fins lucrativos, conhecida como National Endowment for Democracy (NED). Embora não fosse governamental, o NED seria financiado principalmente por meio de dotações anuais do governo dos EUA e estaria sujeito à supervisão do Congresso.
Em 1983, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara propôs uma lei para fornecer financiamento inicial de US$ 31,3 milhões para o NED como parte da Lei de Autorização do Departamento de Estado (HR 2915). Como o NED estava em seus estágios iniciais de desenvolvimento, a verba foi fixada em US$ 18 milhões. A lei incluía US$ 13,8 milhões para o Free Trade Union Institute, um afiliado da AFL-CIO, US$ 2,5 milhões para um afiliado da National Chamber Foundation e US$ 5 milhões para cada um dos dois institutos partidários, que mais tarde foram eliminados por uma votação de 267–136. O relatório da conferência sobre tal lei (HR 2915) foi adotado pela Câmara em 17 de novembro de 1983 e pelo Senado no dia seguinte. Em 18 de novembro de 1983, os artigos de constituição foram arquivados no Distrito de Columbia para estabelecer o NED como uma organização sem fins lucrativos.
Década de 1980 até o presente Uma análise da cientista política Sarah Bush concluiu que, embora a atividade do NED na década de 1980 focado em desafios diretos aos autocratas (através do financiamento de dissidentes, partidos de oposição e sindicatos), a maior parte do financiamento da NED do século XXI destina-se a programas técnicos que são menos propensos a desafiar o status quo, pois a proporção do financiamento da NED para "programas relativamente mansos" passou de cerca de 20% das subvenções em 1986 para cerca de 60% em 2009. O cientista político Lindsey A. O'Rourke escreveu que "Hoje, os programas da NED são executados em mais de noventa países. Embora o número de programas de promoção da democracia apoiados pelos EUA tenha crescido, a maioria dos programas de hoje tem objetivos menos agressivos do que os seus homólogos da Guerra Fria." Numa entrevista de 1991 ao Washington Post, o fundador do NED Allen Weinstein, disse: "Muito do que fazemos hoje foi feito secretamente há 25 anos pela CIA."
Durante as eleições gerais panamenhas de 1984, o Instituto Americano para o Desenvolvimento do Trabalho Livre e o NED forneceram cerca de US$ 20.000 em apoio aos ativistas envolvidos na campanha de Ardito Barletta.
O NED estava ativo na Iugoslávia antes de sua dissolução. Organizou reuniões entre dissidentes iugoslavos e membros do Congresso dos EUA, funcionários do governo dos EUA e membros da mídia. Também deu à Freedom House dinheiro que foi usado para financiar a oposição iugoslava.
Desde 2004, o NED concedeu 8.758.300 dólares a grupos uigures, incluindo o Congresso Mundial Uigur, o Projeto de Direitos Humanos Uigur, a Campanha pelos Uigures e o Projeto de Base de Dados de Justiça Transicional Uigur. Forneceu grandes subsídios a programas relacionados ao Tibete. Entre 2005 e 2012, financiou a ONG China Free Press e em 2019 doou cerca de 643.000 dólares a programas da sociedade civil em Hong Kong. Em resposta, em 2020, a China impôs sanções ao presidente da NED, Carl Gershman, e a Michael Abramowitz, presidente da Freedom House.
O NED participou da Primavera Árabe de 2011. Por exemplo, o Movimento Juvenil de 6 de Abril, do Egito, o Centro para os Direitos Humanos do Bahrein e o ativista iemenita Entsar Qadhi receberam formação e financiamento do NED. No Egito, entre 2008 e 2012, o NED apoiou o Coronel Omar Afifi Soliman, um policial exilado que se opôs às presidências de Hosni Mubarak e Mohamed Morsi, bem como a Academia Democrática Egípcia, do ativista secularista Esraa Abdel-Fatah em 2011.
Segundo governo Trump Em 2025, Elon Musk criticou o NED. Disse que é "cheio de corrupção" e culpado por "crimes", chamando-o depois de uma "organização maligna" que "precisa ser dissolvida". Ele também escreveu "NED é um GOLPE". Em fevereiro de 2025, o Departamento de Eficiência Governamental de Musk cortou o financiamento para o NED ao bloquear o desembolso do Departamento do Tesouro dos EUA, causando interrupções significativas na organização. Em 12 de fevereiro, o NED informou às organizações que financia que suspenderia os pagamentos imediatamente. Além disso, as organizações apoiadas pelo NED começaram a despedir funcionários e a cortar despesas. Em 1 de março, o Fórum Internacional de Estudos Democráticos da NED suspendeu as suas operações devido à incapacidade de acesso ao financiamento. Eles também tiveram que licenciar a maior parte dos funcionários. Em 5 de março, o NED entrou com uma ação judicial contra o governo dos EUA no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia.
Financiamento e estrutura O NED é uma fundação que concede bolsas e distribui fundos para organizações não governamentais privadas com o fito de promover a democracia em cerca de 90 países estrangeiros. Metade do financiamento do NED é alocado anualmente em quatro das principais organizações dos EUA: o Centro Americano para a Solidariedade Trabalhista Internacional (associado à AFL-CIO ), o Centro para a Empresa Privada Internacional (afiliado à USCC), o Instituto Nacional Democrático para Assuntos Internacionais (associado ao Partido Democrata) e o Instituto Republicano Internacional (anteriormente Instituto Nacional Republicano para Assuntos Internacionais, ligado ao Partido Republicano). A outra metade do financiamento do NED vai para centenas de organizações não governamentais sediadas no estrangeiro que solicitam apoio. Em 2011, os Institutos Democrata e Republicano canalizaram cerca de 100 milhões de dólares através do NED.
Fonte de financiamento O NED recebe uma verba anual do orçamento dos EUA (está incluído no capítulo do orçamento do Departamento de Estado destinado à USAID) e está sujeito à supervisão do Congresso, mesmo como uma organização não governamental.
De 1984 a 1990, o NED recebeu US$ 15 a 18 milhões por ano do Congresso; e, de 1991 a 1993, foram US$ 25 a 30 milhões por ano. Na época, o financiamento veio da USIA. Em 1993, o NED quase perdeu seu financiamento do Congresso, depois que a Câmara dos Representantes votou inicialmente para aboli-lo. O financiamento (de 35 milhões de dólares, um aumento em relação aos 30 milhões do ano anterior) só foi mantido graças a uma vigorosa campanha dos apoiadores do NED.
Além do financiamento governamental, o NED recebeu financiamento de fundações privadas, como a Fundação Smith Richardson, a Fundação John M. Olin e outras. A Fundação Bradley apoiou o Journal of Democracy com 1,5 milhões de dólares de 1990 a 2008.
Em 2018, o presidente Donald Trump propôs cortar o financiamento do NED e cortar as suas ligações aos Institutos Democrata e Republicano.
Centro de Assistência à Mídia Internacional (CIMA) Em 2006, o CIMA foi fundado como uma iniciativa do NED, com o incentivo do Congresso e uma bolsa do "Bureau of Democracy, Human Rights and Labor", do Departamento de Estado. O CIMA promove o trabalho de jornalistas que considera "independentes" no exterior, tendo seu foco no mundo em desenvolvimento, mídia social, mídia digital e jornalismo cidadão. A CIMA publicou o seu primeiro relatório, Empowering Independent Media: US Efforts to Foster Free and Independent Media Around the World, em 2008, e depois publicou outros relatórios. Entre eles, um sobre os meios de comunicação digitais em sociedades propensas a conflitos e outro sobre a utilização de celulares na África.
Recepção Na Slate em 2004, Brendan I. Koerner escreveu que, "A depender de para quem você pergunte, o NED é um defensora da liberdade sem fins lucrativos ou um intruso guiado por ideologia, metendo-se em assuntos mundiais."