A Operação Obviar foi um ataque aéreo britânico realizado na Segunda Guerra Mundial que teve como alvo o couraçado alemão . A intenção era destruir o danificado navio depois dele ter mudado de ancoradouro para próximo de Tromsø, no norte da Noruega. A ação foi realizada por bombardeiros da Força Aérea Real em 29 de outubro de 1944.
O ataque ocorreu depois da bem sucedida Operação Paravane em 15 de setembro, que incapacitou o Tirpitz. A inteligência Aliada não sabia que o navio não era mais capaz de operar no mar e navios necessários em outros locais estavam sendo mantidos no Reino Unido para contê-lo, assim foi decidido lançar outro ataque. Após um período de planejamento e treinamento, 38 bombardeiros e uma aeronave de filmagem deixaram bases na Escócia na madrugada de 29 de outubro. O ataque ocorreu pela manhã, mas foi frustrado por nuvens baixas que dificultaram a tarefa de mirar corretamente no Tirpitz. O couraçado não foi acertado diretamente, mas foi danificado por uma bomba que detonou próxima do seu casco. Um bombardeiro precisou fazer um pouso forçado na Suécia depois de ser atingido pela artilharia antiaérea alemã.
Apesar do fracasso da Operação Obviar, os Aliados permaneceram comprometidos com o objetivo de afundar o Tirpitz. Os planos deste ataque foram reutilizados para o seguinte, a Operação Catecismo, que ocorreu em 12 de novembro de 1944. As condições climáticas desta vez estavam muito melhores para os britânicos e o navio foi finalmente afundado.
Antecedentes O couraçado alemão representava desde o início de 1942 uma ameaça para os comboios Aliados que transportavam suprimentos pelo Mar da Noruega até a União Soviética. O navio ficava ancorado nos fiordes do litoral da Noruega e era capaz de sobrepujar as forças de escolta designadas para esses comboios. Ele também poderia possivelmente tentar entrar no Oceano Atlântico e atacar comboios viajando para o Reino Unido, como seu irmão tentou fazer em maio de 1941. Os Aliados, para fazer frente a essas ameaças, precisavam manter uma força poderosa de navios de guerra com a Frota Doméstica britânica, assim navios capitais passaram a acompanhar a maioria dos comboios que seguiam para a União Soviética.
O Tirpitz foi atacado repetidas vezes por forças britânicas. Bombardeiros pesados da Força Aérea Real realizaram quatro ataques fracassados contra o couraçado entre os meses de janeiro e abril de 1942, enquanto ele estava ancorado no Fiorde de Fætten. Foi transferido em março de 1943 para o Fiorde de Kå no extremo norte norueguês. Foi seriamente danificado em 22 de setembro de 1943 durante a Operação Fonte, quando explosivos foram colocados embaixo do seu casco por homens da Marinha Real Britânica que conseguiram chegar no fiorde usando minissubmarinos. Aeronaves oriundas de porta-aviões da Marinha Real atacaram o navio em 3 de abril de 1944 na Operação Tungstênio e infligiram mais danos. Este ataque foi planejado para coincidir quando acreditava-se que os reparos dos danos causados na Operação Fonte estariam sendo finalizados. Vários ataques aéreos subsequentes, incluindo a Operação Mascote em 17 de julho e a Operação Goodwood entre 22 e 29 de agosto, fracassaram.
Passou-se a acreditar que mais ataques oriundos de porta-aviões seriam infrutíferos por conta das limitações das aeronaves e armamentos da Marinha Real, assim a responsabilidade por afundar o Tirpitz foi transferida para o Comando de Bombardeiros da Força Aérea Real. Os esquadrões de elite Nº 9 e Nº 617 atacaram o navio no Fiorde de Kå em 15 de setembro durante a chamada Operação Paravane. Esta ação usou bombardeiros pesados Avro Lancaster armados com bombas Tallboy e minas Johnnie Walker, sendo lançada a partir de Iagodnik na União Soviética. O Tirpitz foi acertado por uma única Tallboy na proa, que causou enormes danos e o deixou incapaz para combate.
Prelúdio
Uma reunião envolvendo o grande almirante Karl Dönitz, o comandante da Marinha de Guerra Alemã, ocorreu em Berlim em 23 de setembro para se discutir o futuro do Tirpitz. Ele foi informado que demoraria nove meses para reparar o navio e que todos os trabalhos teriam de ser feitos no Fiorde de Kå, pois o couraçado ficaria extremamente vulnerável caso tentasse navegar para um porto grande. Forças soviéticas estavam na época avançando rapidamente em direção do norte da Noruega, assim Dönitz julgou que não era viável restaurar o Tirpitz para uma condição de navegação oceânica ou mantê-lo no Fiorde de Kå. Ele decidiu usá-lo como uma bateria de artilharia flutuante para defender Tromsø de desembarques anfíbios e fortalecer a linha defensiva que estava sendo preparada na área do Fiorde de Lyngen. Dönitz também expressou esperança de que manter o couraçado em comissão continuaria a "prender as forças do inimigo e por sua presença ... confundir as intenções do inimigo".
O contra-almirante Rudolf Peters, o comandante das forças da Marinha de Guerra no norte da Noruega, recebeu ordens de posicionar o Tirpitz próximo de Tromsø onde as águas fossem rasas o bastante para impedir que afundasse completamente caso sofresse mais danos. O ancoradouro ficava próximo da pequena ilha de Håkøya, 5,6 quilômetros ao oeste de Tromsø. Este local carecia das defesas naturais que existiam nas suas bases anteriores, onde ficava protegido em fiordes com montanhas íngremes subindo do mar; isto dificultava aeronaves de avistarem e mirarem no couraçado. Por sua vez, o terreno em Håkøya era razoavelmente plano e próximo do mar. Um navio de reparos foi enviado a fim de preparar o Tirpitz para a viagem de 270 quilômetros para o sudoeste, ajudando a soldar placas de aço sobre os buracos no casco.
Os Aliados conseguiram confirmar que o navio tinha sido seriamente danificado na Operação Paravane usando informações adquiridas por fotografias de reconhecimento, sinais de inteligência e agentes noruegueses, mas não tinham certeza se ele fora permanentemente tirado de serviço. Não se sabia da decisão tomada por Dönitz em 23 de setembro. Consequentemente, a Marinha Real continuou a designar navios capitais para a Frota Doméstica a fim de proteger contra a possibilidade do Tirpitz ir para o mar, mesmo com a necessidade de enviar essas embarcações para o Oceano Pacífico com o objetivo de reforçar a Frota Britânica do Pacífico em ataques contra forças japonesas.
A viagem do Tirpitz para Tromsø ocorreu em 15 e 16 de outubro. Ele deixou o Fiorde de Kå ao meio dia do dia 15 sob escolta de vários navios. O couraçado era capaz de se mover por conta própria, mas a flotilha incluía rebocadores caso sua proa danificada se soltasse. Os alemães prosseguiram lentamente e o Tirpitz chegou em Håkøya às 15h00 do dia 16. Seiscentos marinheiros, em sua maioria da equipe de engenharia, foram removidos do navio pouco depois da chegada. Ficaram a bordo por volta de 1,7 mil homens.
Os Aliados responderam rapidamente à relocação do couraçado. Agentes noruegueses do Serviço Secreto de Inteligência nas áreas do Fiorde de Kå e Tromsø proporcionaram relatórios enquanto o navio navegava, com transmissões de rádio em 16 de outubro confirmando a chegada em Tromsø. Em resposta, o porta-aviões deixou a base de Scapa Flow no dia 16 e foi encarregado de confirmar a localização do Tirpitz. A Força Aérea Real também foi instruída a realizar surtidas de reconhecimento fotográfico sobre a área de Tromsø. Como precaução caso o Tirpitz estivesse em condições de realizar operações de combate, o couraçado foi desviado de uma iminente transferência para o Oceano Índico a fim de reforçar a Frota Doméstica até que o , seu único couraçado, finalizasse reparos.
Aeronaves de reconhecimento localizaram o navio durante a tarde de 18 de outubro. O primeiro avião a sobrevoar a área foi um de Havilland DH.98 Mosquito do Esquadrão Nº 540, que decolou da base de Dyce na Escócia. A tripulação tirou fotografias do Tirpitz de uma altitude elevada e retornaram para base, apesar de terem sido danificados pela defesa antiaérea. Pouco depois, aviões Fairey Firefly do Implacable também sobrevoaram a área de Tromsø e tiraram várias fotografias a baixa altitude do couraçado; também foram alvos da artilharia antiaérea alemã, mas não foram atingidos. O comandante do Implacable tentou ainda no dia 18 conseguir permissão para atacar o Tirpitz no dia seguinte, mas isto foi negado pelo almirante sir Bruce Fraser, o comandante da Frota Doméstica, porque o porta-aviões tinham zarpado sem quaisquer caças Supermarine Seafire que seriam necessários para suprimir as armas antiaéreas inimigas. Fraser também sabia a partir dos ataques anteriores que os dois esquadrões de bombardeiros de mergulho Fairey Barracuda do Implacable provavelmente não seriam capazes infligir danos significativos, com mais ataques dos bombardeiros pesados da Força Aérea Real sendo necessários.
Preparações Britânicas thumb|240px|Bombas Tallboy antes de serem carregadas em aeronaves do Esquadrão Nº 9 em outubro ou novembro de 1944 Preparações para atacar o Tirpitz começaram assim que foi confirmado que ele estava em Tromsø. Esta ação seria mais simples do que a Operação Paravane, pois Tromsø estava dentro do alcance dos Lancasters caso decolassem do norte da Escócia equipados com tanques de combustível extras e outras modificações. Mesmo assim, exigiria uma longa viagem de volta de quilômetros.
Os Lancasters dos Esquadrões Nº 9 e Nº 617 foram modificados para ampliar sua autonomia. Todas as aeronaves selecionadas foram equipadas com poderosos motores Rolls-Royce Merlin 24, obtidos às pressas de unidades de manutenção e campos de pouso pelo Reino Unido. Os Lancasters também receberam dois tanques de combustível adicionais dentro de suas fuselagens: um normalmente equipado em bombardeiros Vickers Wellington e um alijável usado por Mosquitos. O combustível adicional deixou os bombardeiros muito acima de seu peso máximo autorizado para decolagem. Para resolver isso, eles tiveram duas de suas armas removidas, junto com três mil projéteis de munição para a arma de cauda, o paraquedas sinalizador, as placas de blindagem ao redor do assento do piloto e algumas das garrafas de oxigênio e nitrogênio. A redução do armamento deixou os Lancasters extremamente vulneráveis a caças alemães, pois também teriam que fazer o voo sem a escolta de caças próprios, que não tinham autonomia para chegarem em Tromsø.
A ordem operacional para atacar o Tirpitz foi emitida em 24 de outubro pelo Grupo Nº 5. Ela especificou que o couraçado deveria ser atacado por 36 Lancasters, com os Esquadrões Nº 9 e Nº 617 contribuindo com dezoito cada. Outro Lancaster da unidade de filmagem do Esquadrão Nº 463 da Força Aérea Real Australiana também participaria, mas sem levar bombas. As minas Johnnie Walker não funcionaram durante a Operação Paravane e assim apenas as bombas Tallboy seriam usadas neste ataque, cada bombardeiro carregando uma. Essas bombas pesavam 5,4 toneladas e eram as maiores da Força Aérea Real, sendo capazes de penetrar alvos blindados. Os dois esquadrões permaneceriam em suas bases até que fosse julgado que as condições climáticas sobre Tromsø provavelmente seriam adequadas. Os aviões então seriam armados e decolariam das bases de Kinloss, Lossiemouth e Milltown no norte da Escócia. A ordem operacional também afirmava que o ataque era necessário porque "parece provável que os alemães talvez tentem levar o couraçado de volta para uma base na Alemanha, onde reparos e reformas necessárias podem ser realizadas".