Nébia Maria Almeida de Figueiredo (Crato, 09 de março de 1943) é uma Enfermeira, Pesquisadora e Escritora brasileira reconhecida por sua contribuição acadêmica e profissional na área da Enfermagem. Professora Emérita da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), destacou-se na pesquisa sobre Corpo, Cuidado e Saúde escrevendo e publicando diversas obras científicas.

Biografia

Nascida no Crato, no interior do Ceará, Nébia Maria Almeida de Figueiredo cresceu em um ambiente marcado pela solidariedade e pelo cuidado ao próximo. Desde cedo, a convivência com pessoas carentes e a influência de sua mãe, sempre atenta aos necessitados, moldaram sua sensibilidade para o cuidado. No entanto, foi uma experiência dolorosa que a fez enxergar sua verdadeira vocação: a perda precoce de sua irmã, que faleceu por complicações pós-operatórias de uma apendicite. Durante esse período difícil, a presença cuidadosa de sua tia enfermeira foi um exemplo marcante. O carinho e a dedicação nos últimos momentos da vida de sua irmã despertaram nela um profundo desejo de seguir o caminho da enfermagem.

Ainda jovem, engajou-se em atividades sociais, participando de ações na cidade que morava no Colégio Santa Tereza de Jesus e na Igreja Nossa Senhora da Penha, levando alimento, medicamentos e conforto às famílias nascidas em sua cidade natal, Nébia Maria Almeida de Figueiredo cresceu em um ambiente marcado pela solidariedade e pelo cuidado ao próximo. Determinada a se tornar Enfermeira, tomou a difícil decisão de deixar sua terra e seguir para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Escola de Enfermagem Anna Nery, da então Universidade do Brasil (hoje UFRJ). Lá, percebeu que a Enfermagem ia além das técnicas e procedimentos: exigia humanidade, sensibilidade e um olhar atento às necessidades do paciente. Nos corredores da escola e no Hospital-Escola São Francisco de Assis, aplicava os conhecimentos adquiridos, aprofundando sua compreensão sobre o que realmente significava ser Enfermeira.

Como estudante, enfrentou reflexões profundas sobre os estigmas da profissão. Sentia-se dividida entre os papéis de "sagrado" e "profano", imagens socialmente atribuídas às Enfermeiras. No entanto, compreendeu que a Enfermagem era, acima de tudo, a arte do cuidado, que unia técnica e emoção, intuição e conhecimento.

Ao concluir sua formação, lançou-se ao mundo profissional, acumulando experiências em diferentes áreas. No Instituto de Doença do Tórax (UFRJ), trabalhou com pacientes com doenças pulmonares, especialmente tuberculose. No Departamento de Saúde Pública do Estado do Rio de Janeiro, aproximou-se das políticas de saúde coletiva. No Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), dedicou 25 anos ao cuidado em diversas unidades, onde participou na elaboração de diversos documentos, como em 1984, em que atuou ativamente para a criação do Primeiro Manual de Normas, Rotinas e Procedimentos de Enfermagem do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG). Nesse trabalho, foram elaborados todos os protocolos do Serviço de Obstetrícia.

Ao longo de sua trajetória, não se limitou aos espaços hospitalares. Trabalhou com adolescentes em situação de vulnerabilidade, presidiários, prostitutas, idosos e pacientes com HIV/AIDS. Cada experiência a ensinou mais sobre a importância do cuidado e da enfermagem como ferramenta de transformação social. Sua atuação também se estendeu à gestão. Como diretora do Hospital Escola São Francisco de Assis (HESFA/UFRJ), em 1988, implementou um dos mais avançados projetos de saúde com enfoque interdisciplinar que apoiava-se em três princípios norteadores: cuidado de qualidade a partir da visão dos clientes, administração através de uma estrutura leve e flexível e interdisciplinaridade como marco de referência e método de trabalho. Mais tarde, criou a Superintendência de Enfermagem no HUGG/UNIRIO, a primeira do país, reforçando sua visão inovadora para a profissão.

Na docência, encontrou um novo propósito. Durante 19 anos, lecionou na Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ), compartilhando sua experiência e incentivando reflexões sobre o papel social e político da enfermagem. Preocupada em compreender melhor a relação entre saúde e cuidado, buscou um novo espaço de conhecimento concluiu seu doutorando em 1994 e mudou-se para a Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em 1996.

Nessa nova fase na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto criou, em 1997, o Programa de Extensão Fábrica de Cuidados que consolidou-se como uma referência na comunidade em que foi implementado. Seu principal objetivo consiste na análise das respostas biológico-sociais dos pacientes aos estímulos ambientais e aos cuidados oferecidos pelos profissionais de saúde. Para isso, fundamenta-se em três pilares essenciais: a prestação de assistência de qualidade, a administração participativa voltada para a gestão da excelência e a produção de novos conhecimentos científicos.

O Programa disponibiliza serviços de cuidado à população residente nas proximidades da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP), abrangendo comunidades como a Associação de Moradores da Lauro Muller e Adjacências (ALMA) e a Associação de Moradores da Vila Benjamin Constant (AMOVILA). Além disso, estende suas ações à comunidade acadêmica da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atendendo discentes, docentes, servidores técnico-administrativos e trabalhadores terceirizados.

Durante sua trajetória na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) lutou pela implantação do periódico científico “Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online”, atuou diretamente para o fortalecimento do primeiro Programa de Pós-Graduação com curso de mestrado acadêmico da UNIRIO criado na área da Enfermagem, PPGENF (Programa de Pós Graduação em Enfermagem), do qual foi coordenadora em 1999, e propôs junto com sua equipe de trabalho a criação do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Biociências (PPGENFBIO) – Doutorado (criado em 2010) e posteriormente propôs o Programa de Pós-Graduação em SAÚDE E TECNOLOGIA NO ESPAÇO HOSPITALAR (PPGSTEH) – Mestrado Profissional (criado em 2013).

Nessa trajetória pela Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, tornou-se Diretora em 2010 e consolidou-se como referência acadêmica na área de Enfermagem, aprofundando ainda mais sua pesquisa sobre os aspectos subjetivos e científicos do cuidado. Atualmente, é Professora Emérita da UNIRIO, onde segue formando novas gerações de enfermeiros e pesquisadores. Com uma carreira com inúmeras produções, publicou mais de 230 artigos em periódicos especializados, escreveu mais de 230 capítulos de livros e possui mais de 58 livros publicados. Entre 1997 e 2012, coordenou sete projetos de pesquisa e, atualmente, lidera dois projetos voltados para o avanço da enfermagem no Brasil. Em sua atuação na pós-graduação orientou 80 dissertações de mestrado e 35 teses de doutorado.

Obras Entre as diversas produções científicas destacam-se a publicação de livros e capítulos, artigos científicos, produções autorais de pinturas e desenhos artísticos.