Tremembé é uma série de televisão brasileira dos gêneros true crime e drama, produzida pelo Prime Video. Dirigida por Vera Egito, que também assina o roteiro ao lado de Ullisses Campbell, Juliana Rosenthal, Thays Berbe e Maria Isabel Iorio, a produção estreou em 31 de outubro de 2025 na plataforma de streaming.
A trama, baseada nos livros Suzane - Assassina e Manipuladora, Elize - A Mulher que Esquartejou o Marido e Tremembé: O Presídio dos Famosos, de Campbell, além dos autos dos respectivos processos, é ambientada nos presídios de Tremembé, conhecido por abrigar detentos que ganharam notoriedade nacional, explorando as tensões, conflitos e relações entre os personagens dentro do sistema prisional.
Conta com Marina Ruy Barbosa, Carol Garcia, Letícia Rodrigues, Bianca Comparato, Felipe Simas, Kelner Macêdo, Anselmo Vasconcelos e Lucas Oradovschi nos papéis principais.
Sinopse A série mergulha na rotina de presos infames, como Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga e os irmãos Cravinhos, revelando as complexas dinâmicas de convivência dentro do sistema prisional. Além de explorar as relações entre os detentos, a trama revisita os crimes que os tornaram figuras notórias no Brasil. Baseada nos livros de Ulisses, a produção oferece uma visão inédita dos bastidores da vida carcerária, combinando fidelidade aos acontecimentos reais com uma narrativa envolvente. A série também levanta debates essenciais sobre o sistema prisional brasileiro e suas implicações sociais.
Elenco Principal Marina Ruy Barbosa como Suzane von Richthofen Carol Garcia como Elize Matsunaga Letícia Rodrigues como Sandrão Bianca Comparato como Anna Carolina Jatobá Lucas Oradovschi como Alexandre Nardoni Felipe Simas como Daniel Cravinhos Kelner Macêdo como Cristian Cravinhos Anselmo Vasconcelos como Roger Abdelmassih Marcos de Andrade como Acir Filló João Pedro Mariano como Ricardo de Freitas Nascimento (Luka) Cael Benício como Mariano Ilana Kaplan como Dr.ª Odete Solari
Recorrente Miguel Nader como Marco Terremoto Luan Carvalho como Gal Rosana Maris como Dadá Ana Paula Dias como Cássia Silmara Deon como Jussara Letícia Tomazella como Poliana Fabrizio Gorziza como Firmino Leôn Moreno como Gil Rugai Edu Rosa como Lindemberg Alves Ricardo Oshiro como José Tumura
Participações especiais Paulo Vilhena como Gugu Liberato Alexandre Ogata como Marcos Kitano Vinícius de Oliveira como Rogério Duda Siqueira como Celina Giovana Echeverria como Dayse Fábio Herford como Dr. Osvaldo Breno da Matta como Jornalista Amaral
Produção Em 19 de junho de 2024, o Prime Video anunciou oficialmente a produção de Tremembé, uma série de true crime inspirada na história da Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, conhecida como Tremembé II. A produção é baseada nos livros Elize Matsunaga: A mulher que esquartejou o marido e Suzane: assassina e manipuladora, ambos escritos pelo jornalista Ulisses Campbell, que também atua como roteirista. Além de assinar o texto, Egito também exerce as funções de diretora e showrunner. A série é produzida pela Paranoid em parceria com o Amazon MGM Studios, com suas gravações acontecendo no segundo semestre de 2024 para lançamento diretamente no catálogo do Prime Video.
A produção adotou um esquema especial para evitar possíveis processos por parte dos criminosos retratados e de seus familiares. De acordo com a Folha de S.Paulo, uma equipe jurídica analisou o roteiro e auxiliou os roteiristas com orientações sobre como desenvolver a narrativa sem ultrapassar limites legais ou factuais relacionados aos eventos abordados.
Em 21 de novembro, duas semanas após a estreia, a série foi renovada para uma segunda temporada em razão de sua boa recepção. Segundo informações divulgadas junto ao anúncio, os novos episódios devem apresentar a história de dois novos personagens da ala masculina, o empresário Thiago Brennand e no ex-jogador Robinho, ambos envolvidos em casos judiciais relacionados a acusações de estupro e que tiveram condenações em seus respectivos processos.
Escolha do elenco A primeira confirmação foi de Marina Ruy Barbosa, que interpreta Suzane von Richthofen, marcando seu primeiro trabalho após o fim do contrato de vinte anos com a TV Globo, encerrado após a novela Fuzuê. Carla Diaz, que havia interpretado a condenada na trilogia A Menina Que Matou os Pais, foi convidada para reprisar o papel, mas acabou recusando a participação na série. A recusa acabou impossibilitando a participação de outros atores que estiveram nos filmes, como Leonardo Bittencourt e Allan Souza Lima.
Logo depois, foram confirmados Felipe Simas, Anselmo Vasconcelos, Bianca Comparato e Lucas Oradovschi. Vasconcelos como o médico Roger Abdelmassih, enquanto Oradovschi viverá Alexandre Nardoni, formando par com Comparato, que dá vida a Anna Carolina Jatobá marcando seu retorno a uma produção nacional três anos após João Sem Deus: A Queda de Abadiânia, outro true crime. Simas que já estava certo no elenco da novela Paulo, o Apóstolo desistiu da trama bíblica para interpretar um dos irmãos Cravinhos, repetindo sua parceria com Marina Ruy Barbosa em uma terceira produção conjunta. Kelner Macêdo foi escalado para interpretar Cristian Cravinhos, irmão de Daniel e também condenado no caso da família von Richthofen. João Pedro Mariano, reconhecido pelo protagonismo no filme Baby, ganhou papel de destaque na série como Duda, namorado de Cristian. Conhecida por papéis de humor, Carol Garcia foi escalada para viver Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido. A bailarina e artista revelação Letícia Rodrigues ficou com o papel de Sandra Regina, a “Sandrão”, personagem que se envolveu num triângulo amoroso com Suzane e Elize na cadeia. Breno da Matta, após destaque em Renascer também integrou o elenco.
Com a confirmação da segunda temporada, o processo de escalação do elenco teve início. Foi anunciada a volta de Marina Ruy Barbosa e Carol Garcia, para interpretar Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga, respectivamente. Na sequência, confirmou-se também o retorno de Felipe Simas que, na época, estava no ar em Dona de Mim, Anselmo Vasconcelos e de Kelner Macêdo. Durante o período de preparação, foi confirmado o retorno de Bianca Comparato e Lucas Oradovschi nos papéis do casal Nardoni. No mesmo período, foi anunciado que a atriz Letícia Rodrigues deixaria o elenco principal da série. Inicialmente, a atriz chegou a ser rebaixada para o elenco recorrente em função do desfecho de sua personagem ao longo dos episódios. No entanto, não houve acordo para sua permanência, especialmente após declarações de Sandrão em entrevista concedida a Roberto Cabrini, exibida pela Record em novembro de 2025, nas quais afirmou se identificar como homem. Letícia Rodrigues, uma mulher cisgênero, declarou que “entendeu que não seria o caminho mais adequado” seguir com o papel após essas declarações. Entre as novidades no elenco, foi confirmada a escalação de João Vicente de Castro para interpretar Thiago Brennand, marcando seu retorno ao formato de séries desde sua participação em Carcereiros (2019). Posteriormente, Ícaro Silva foi confirmado para interpretar o ex-jogador Robinho. Giovanna Antonelli foi confirmada na segunda leva de episódios, interpretando Dominique Scharf, uma estelionatária que passou 30 anos presa. A produção marca seu segundo trabalho fora da TV Globo desde Beleza Fatal (2025). Complementando o elenco regular, foram escalados Alejandro Claveaux e Adriano Toloza para integrar a trama ambientada na ala masculina, interpretando irmãos que se envolvem com um dos detentos.
Recepção Críticas especializadas A estreia foi amplamente comentada e recebeu elogios da crítica especializada, destacando-se pela qualidade técnica e pelas atuações de seu elenco principal. Segundo o portal Natelinha, a produção foi considerada “a prova definitiva de que a Netflix ainda tem muito a aprender com o Prime Video no Brasil”, elogiando o cuidado técnico e a condução da narrativa: “A produção que conta a trajetória do presídio mais conhecido do Brasil é um sopro técnico e de condução, algo raro no principal streaming do mundo quando o assunto é conteúdo nacional. [...] Tudo funciona e passa credibilidade. O presídio é construído com cuidado e com profissionais que notadamente sabem o que estão fazendo. Cenografia e até a mixagem de som estão à frente de outros produtos que nos acostumamos neste universo, inclusive na HBO Brasil.”
O portal Omelete fez uma análise mais crítica, destacando que a série “não demonstra preocupação em discutir os dilemas morais do gênero true crime”, mas reconhecendo o impacto da obra como produto de entretenimento: “Tremembé é true crime em sua forma mais rasa, mais despreocupada da responsabilidade que pode carregar como narrativa inspirada em fatos reais e, para muita gente, traumáticos. Diante desse desapego desavergonhado, resta ao espectador decidir se abraça a série como entretenimento ou a condena como empreendimento insensato.”
Segundo a colunista Carla Bittencourt, do portal Leo Dias, Carol Garcia se destaca em Tremembé por sua interpretação de Elize Matsunaga, descrita pela jornalista como uma atuação “fria, silenciosa e contida, mas nunca vazia”, construída com camadas visíveis tanto na fala quanto no olhar. Bittencourt afirma que Garcia não busca imitar Matsunaga, embora tenha se aproximado fisicamente da figura real, mas sim interpretá-la com responsabilidade e profundidade, surpreendendo quem a conhecia apenas por papéis mais leves. A colunista também relembra que a atriz já havia chamado atenção em A Dona do Pedaço (2019), quando foi indicada ao prêmio de Atriz Revelação, e posteriormente em Quanto Mais Vida, Melhor (2021), mas considera Tremembé seu trabalho mais desafiador e o melhor de sua carreira até então, defendendo que Garcia “merece personagens complexos e mais espaço no mercado”.
Audiência Em termos de audiência, Tremembé figurou entre os conteúdos mais assistidos da Prime Video logo em seu primeiro fim de semana, alcançando o 1º lugar no Top 10 da plataforma no Brasil e se consolidando como uma das estreias nacionais mais vistas do serviço em 2025. Em 5 de novembro, a série registrou a maior audiência já alcançada por uma produção original da plataforma no Brasil desde o início de suas operações no país, em 2016. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o desempenho superou todas as projeções internas da empresa e ultrapassou o recorde anteriormente mantido pela série nacional Cangaço Novo. Embora os números absolutos de visualizações não tenham sido divulgados por motivos estratégicos, a Amazon confirmou internamente o recorde à equipe de produção e aos setores responsáveis pelo conteúdo nacional. A estreia garantiu o melhor resultado de audiência entre todos os títulos originais do catálogo brasileiro, considerando diferentes gêneros.
O êxito da série também gerou um efeito cascata sobre o consumo de produções do gênero true crime nas plataformas de streaming. Após sua estreia, observou-se um aumento expressivo na procura por títulos similares, tanto na própria Prime Video quanto em serviços concorrentes. A trilogia baseada no caso Richthofen, A Menina que Matou os Pais (2021), O Menino que Matou Meus Pais (2021) e A Menina Que Matou os Pais: A Confissão (2023) — voltou a figurar entre os dez conteúdos mais assistidos da Prime Video no Brasil. O impacto também se refletiu na Netflix, onde a série documental Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime (2021) retornou ao ranking das produções mais assistidas da semana, superando lançamentos recentes da plataforma e reacendendo o interesse do público brasileiro por narrativas criminais baseadas em casos reais.
Controvérsias Representação de Cristian Cravinhos