Jorge Alves de Lima (Joaquim Távora, ) é um escritor, historiador, pesquisador, colunista, advogado, estrategista e articulador político brasileiro. Reconhecido por sua trajetória notável tanto na literatura quanto no direito, destacou-se por suas pesquisas detalhadas sobre Campinas e pela contribuição à biografia do maestro e compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes. Como advogado, dedicou mais de quatro décadas de sua vida à Prefeitura Municipal de Campinas, entrando como chefe de gabinete do prefeito e aposentando-se em 1995 como Consultor Geral do Município. Foi coordenador de diversas campanhas eleitorais. No campo literário e histórico, é autor de obras que exploram o final do século XIX na região de Campinas, incluindo crônicas sobre a história da cidade, uma série sobre a Febre Amarela e a mais abrangente biografia de Carlos Gomes, composta por quatro volumes. Essa importante obra aborda toda a trajetória do compositor, desde seu nascimento e ascensão até sua morte, culminando na construção de seu imponente Monumento-Túmulo. Foi também representante do Brasil no Prêmio Internacional Luís de Camões, sendo eleito em 2022 Presidente da Comissão Julgadora da 34ª edição da premiação.
Biografia
Carreira política Jorge Alves de Lima, nascido em 4 de agosto de 1937, em Joaquim Távora, Paraná, mudou-se para Campinas em 1954, para cursar a Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Iniciou sua vida pública ainda estudante de Direito, aos 24 anos, como coordenador da vitoriosa campanha para prefeito do então ex-prefeito e ex-deputado federal Ruy Hellmeister Novaes. Com a posse de Ruy Novaes, em 1964, recém-formado, foi nomeado chefe de gabinete do prefeito, cargo que ocupou durante os quatro anos da gestão, antes de ser transferido, ao final do mandato, para a Secretaria de Negócios Jurídicos. Foi o chefe de gabinete mais jovem da história da Prefeitura de Campinas.
Continuou envolvido com a política local e, em 1974, foi coordenador da campanha de Orestes Quércia, seu amigo de faculdade, para o Senado Federal. Com a vitória de Quércia, tornou-se presidente do MDB de Campinas e assessor do senador, sem deixar seu trabalho como advogado da Prefeitura. Foi nesse período que passou a conviver com Natal Gale, Franco Montoro, Ulysses Guimarães e outras importantes figuras da política estadual e nacional.
Em 1982, deixou o MDB e filiou-se ao PTB, a convite de Jânio Quadros. Em 1989, foi convidado por Leopoldo Collor, principal estrategista de seu irmão, Fernando Collor, para coordenar a campanha de Collor de Mello à Presidência da República em muitas cidades do interior do Estado de São Paulo. Apesar da vitória de Collor, permaneceu em Campinas para cuidar de problemas de saúde e, em 1994, a pedido do prefeito de Campinas, Magalhães Teixeira, coordenou a campanha de Franco Montoro para deputado federal, em um momento em que o ex-governador se encontrava politicamente desacreditado e abandonado por antigos aliados. Em 1998, voltou a coordenar a campanha de Montoro ao mesmo cargo.
Quando se aposentou, optou por não trabalhar mais como coordenador de campanhas, preferindo dedicar-se a outros projetos, entre eles a pesquisa histórica e a vida cultural de Campinas. Sua atuação como colunista do jornal Correio Popular teve início em decorrência de suas relações políticas e de seu crescente interesse em resgatar a memória de Antônio Carlos Gomes, considerado o mais ilustre cidadão de Campinas e o maior operista das Américas.
Lima trabalhou pela adoção da peça O Progresso, de autoria do compositor, como Hino Oficial do Município de Campinas. Para isso, articulou-se com os vereadores da época e mobilizou a opinião pública por meio de uma série de artigos publicados no jornal. Nesse processo, foi particularmente decisivo o artigo intitulado “Em defesa de Carlos Gomes”, publicado no sábado 4 de setembro de 1993, na segunda página do Correio Popular.Arquivo do Correio Popular, 04 de setembro de 1993, página 2, Opinião O Progresso foi oficializado como Hino Municipal de Campinas em 27 de junho de 1994, e Lima continuou escrevendo para o Correio Popular.
Até hoje, permanece como uma figura política influente no município. Filiado ao partido Republicanos, mantém contato constante com o atual prefeito, Dário Saadi, com o presidente da Câmara Municipal, Luiz Rossini, e com o grupo político do governador Tarcísio de Freitas.
Carreira como Advogado Jorge Alves de Lima exerceu a advocacia na Prefeitura Municipal de Campinas por 40 anos. Como servidor público, foi primeiro admitido no gabinete do então prefeito Ruy Novaes; quando se aposentou, ocupava o cargo de Consultor Geral do Município. Durante sua trajetória, também atuou como assessor jurídico do Ceasa, contribuindo de forma significativa para a administração pública local. Em suas entrevistas, Lima orgulha-se muito de sua carreira na Prefeitura, nunca tendo a deixado, embora tivesse seus projetos políticos particulares.O tempo dedicado a Prefeitura pode ser verificado no perfil pessoal do Linkedin do biografado.
Após sua aposentadoria, foi entrevistado pelo Espaço Memória do Camprev, sendo posteriormente incluído no quadro “Servidor que Fez História”. Sua dedicação ao serviço público e seu profundo amor por Campinas o inspiraram a explorar e documentar a história da cidade, consolidando seu papel como pesquisador e historiador de destaque. O lema que deixa para todos os servidores públicos é “Eu não fui funcionário de um prefeito específico, fui funcionário da entidade Prefeitura Municipal de Campinas”.
Pesquisa histórica e produção literária Jorge Alves de Lima é amplamente reconhecido por suas pesquisas históricas, com foco especial na cidade de Campinas no final do século XIX e no inicio do século XX. Como historiador e escritor, figura entre os principais memorialistas e pesquisadores da região, sendo uma importante referência, principalmente nos estudos históricos do interior paulista. Sua obra mais destacada é a biografia de Carlos Gomes, considerada a mais abrangente já publicada sobre o compositor e que lhe rendeu o título de maior especialista em Carlos Gomes na atualidade. Dividida em quatro volumes, a biografia abrange desde o nascimento e ascensão de Gomes até sua morte e o legado perpetuado pelo Magnifico Monumento-Túmulo. Outro destaque de sua produção acadêmica é a investigação sobre a epidemia de Febre Amarela que assolou Campinas no mesmo período. Esses estudos resultaram na criação da Coleção Campinas Mártir, Porém Heroica, uma coleção de livros que examina o impacto da doença na história e sociedade campineira. Atuou como consultor da EPTV na produção da série "A peste", que cobriu em reportagens especiais o histórico da doença na cidade. Em 2027, lançará o 4° volume da pesquisa, focado no ano de 1892 e que levou mais de seis anos para ser escrito, cobrindo o dia a dia da cidade no referido ano. Correio Popular, Caderno C, 21/08/2026 - Marina Franco
Jorge Alves de Lima também atua como colunista fixo, às terças-feiras, no jornal Correio Popular, onde compartilha suas análises e reflexões sobre história, cultura e temas relacionados à cidade de Campinas. É também membro do Conselho Editorial do Grupo RAC, junto a Almir Reis, João Marcos Lucas, Mário Garneiro e José Renato Nalini.Expediente do jornal Correio Popular
Presidente da Academia Campinense de Letras Desde 2011, Jorge é Acadêmico Titular da Academia Campinense de Letras. Presidiu a entidade por três mandatos consecutivos, de janeiro de 2019 a dezembro de 2024. Durante sua gestão, promoveu significativas reformas e avanços, destacando-se a revitalização do prédio histórico, ampliações estruturais e o fortalecimento dos laços da Academia com a sociedade. Um dos projetos de maior impacto foi a aproximação com os alunos das escolas municipais da periferia, que eram convidados a participar das sessões solenes, recebendo livros como presente e estímulo à leitura. Antes de Jorge, a presidência esteve a cargo do desembargador Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, falecido em 2020, que liderou a instituição no biênio 2017-2018.
Desde janeiro de 2025, a sucessora de Alves de Lima é a pesquisadora e professora Dra. Ana Maria Melo Negrão. Dos 16 ex-presidentes da casa, Dr. Agostinho Toffoli Tavolaro e Dr. Jorge Alves de Lima são os únicos ainda vivos e atuantes. Alves de Lima segue como diretor-adjunto da entidade, organizando eventos especiais, como o concerto comemorativo de 70 anos de fundação da ACL, realizado em parceria entre o sodalício, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e o maestro Júlio Medaglia, amigo pessoal de Jorge.
Participação em Academias e Instituições Culturais Jorge Alves de Lima é membro de diversas instituições culturais e acadêmicas:
Academia Campinense de Letras (ACL): Foi presidente da ACL por três mandatos consecutivos e é Acadêmico Titular. Sua cadeira na ACL é a n°2, cujo antecessor foi José Antônio Moraes Busch e o patrono é Dom João Batista Correira Nery.
Academia Paulista de História: Membro. Ocupa a cadeira n°31.
Conselho Científico do Centro de Memória da Unicamp: Membro. Conselho do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas: Membro.https://ccla.org.br/sobre
Instituto Histórico e Geográfico de Campinas (IHGG Campinas): Membro. Ocupa a cadeira de n°42, cujo patrono é Francisco Glicério de Cerqueira Leite.
Academia Campineira de Letras e Artes: Acadêmico Honorário.
Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGG-SP): Membro Correspondente Nacional, ocupando a cadeira de Guilherme de Almeida, primo-irmão de sua avó. Academia Nacional de Instituições Literárias, Culturais, Históricas e Cívicas: Presidente de Honra, cujo patrono é Ives Gandra Martins.
Contribuições ao Prêmio Camões Em 2021, Jorge Alves de Lima foi escolhido pelo Governo Federal para representar o Brasil no Prêmio Luís de Camões, perante Portugal e os países africanos de língua portuguesa. Sua nomeação representou um marco significativo não somente na sua vida, mas também para a cidade, especialmente ao ocorrer em detrimento de diversos candidatos fortes e influentes. Nunca antes na história de Campinas um de seus habitantes havia sido escolhido para tão honrosa função, evidenciando o reconhecimento de sua trajetória e contribuições culturais como determinantes para a escolha. Em 2022, foi eleito Presidente da Comissão Julgadora da 34ª edição da premiação. Sua participação destacou e reforçou seu papel como uma figura relevante na literatura e na cultura brasileira.
Reconhecimentos e homenagens Sendo uma figura importante, tem sido amplamente reconhecido por sua destacada participação e contribuição no meio acadêmico, recebendo diversas homenagens ao longo de sua carreira. Entre as honrarias, destacam-se a Medalha da Biblioteca Nacional, concedida em reconhecimento às suas contribuições enquanto representante do Brasil e Presidente do Júri do Premio Camões; a Medalha Carlos Gomes, que celebra sua atuação como um dos principais biógrafos do maestro campineiro e reconhece seu papel na divulgação e preservação do trabalho do compositor; e a Medalha-Troféu Samuel Lisman, atribuída por seu impacto no cenário cultural e histórico. Jorge Alves de Lima também foi agraciado com a Challenge Coin Guilherme de Almeida, uma distinção especial que valoriza sua ligação com o renomado poeta e a preservação da memória cultural, além da Medalha MMDC, símbolo de patriotismo e dedicação à preservação da história paulista e nacional e a Medalha Pela Lei, condecorado juntamente com o prefeito de Campinas Dário Saadi. Em março de 2026 recebeu a Medalha Ouro do Mérito Judiciário da Justiça do Trabalho da 15ª Região, a mais alta condecoração desta corte, em reconhecimento a sua trajetória como advogado.
Principais obras