Luciany Aparecida Alves Santos (Vale do Jequiriçá, 1982) é uma escritora, pesquisadora e professora brasileira. Embora seja natural da região do Charco, no Vale do Jiquiriçá, no estado da Bahia, ela agora mora em São Paulo e é professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Com o livro Mata Doce, foi finalista do Prêmio Jabuti 2024, e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2024, na categoria Melhor Romance do Ano de 2023.

Biografia e Vida Pessoal Luciany Aparecida nasceu em 1982 em Jaguaquara, no Vale do Jequiriçá, Bahia, e foi criada entre a comunidade do Charco, na zona rural de Irajuba, e o município de Santa Inês (Bahia). Sua mãe, Luci Iara Vieira Alves, teve um parto difícil e foi falsamente declarada morta. Durante o alarme falso, a prima Nilza deu o nome Aparecida à criança sobrevivente, e a Luci acordou. Então, o nome Luciany Aparecida vem da combinação do nome da mãe com o da Nossa Senhora, a quem é atribuído o milagre da sua salvação.

Até os cinco anos de idade, Aparecida foi criada na casa dos avôs, junta com a mãe, sete tias e seis tios. Por ser cercada de adultos, idosos, e vários formas de mídia, Luciany ouvia muitas histórias e ideias da família e das pessoas ao seu redor. Porém, aos cinco anos, a avô, Maria Ruth Vieira, a levava a Santa Inês, onde viviam sozinhas para a Luciany ir à escola e receber uma educação de melhor qualidade do que se oferecia no Charco. “Minha palavra tem uma geografia e ela sempre vai ser o que ficcionalizamos como Nordeste, sempre terá mulheres, mulheres mais idosas e tensões raciais e com o patriarcado [...] Fui criada por uma idosa, então eu escutava histórias bem antigas, dos avós de minha avó, das minhas bisavós e tataravós, do século XIX [...] Quando as amigas da minha avó começaram a morrer, percebi que tinha convivido com uma geração diferente da experiência das minhas amigas. Não convivi com a geração da minha mãe, mas com mulheres de 60, 70 anos.” Até seus 19 anos, elas somente visitavam Charco quando estavam de férias, mas a Aparecida estava aprendendo habilidades que serviam para o escrito dela, e publicou os primeiros 200 exemplares de um dos primeiros romances, Ezequiel, em maneira artesenal, costurando cada um a mão.

No dia 27 de novembro de 2025, se noivou com escritora e tradutora Natalia Borges Polesso.

Educação e Carreira Aparecida recebeu sua Licenciatura em Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) em 2007, seu Mestrado em 2011 em Letras e seu Doutorado em 2015 em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). No âmbito da crítica literária, os estudos da autora versam sobre a teoria literária, a literatura contemporânea, na interface entre história, memória, ancestralidade, afro-diáspora, imigração, nação e performances. Sua tese de doutorado recebeu parecer “aprovada com distinção”, devido ao estudo do Poemário Modelosvivos (2010), de Ricardo Aleixo. Atualmente, trabalha no Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) como Professora Doutora no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária.

Além de ser professora, Luciany Aparecida é uma autora prolífica, escrevendo sob vários pseudônimos sobre assuntos que geralmente incomodam, como violência colonial, patriarcado e questões de gênero. Porém, é assim mesmo que ela pretende: "a escritora espera, deliberadamente, nos desassossegar de nossos possíveis lugares de naturalização do machismo e do racismo, tecnologias de poder que operam na manutenção de uma lógica colonial não aniquilada no país." As obras da Aparecida servem como mensagens ativistas pelas comunidades afro-brasileiras, LGBTQ+ e feministas.

Luciany também participa em vários foruns, entrevistas, podcasts e outras aparências da mídia para promover tanta a literatura quanto o ativismo e especialmente a combinação dos dois. Assim, ela se tira dos limites de um plataforma só e se coloca em frente de vários alunos sociais e literários.

Assinaturas Estéticas Luciany Aparecida, além do seu próprio nome, tem três pseudónimos principais, ou, como ela prefere chamá-los, assinaturas estéticas: Ruth Ducaso, Margô Paraíso e Antônio Peixôtro. Ao inventar nomes, heterônimos, não elaboro um trabalho de criatividade literária apenas. Pois, não é permitido a mim, nesse contexto rançoso das violências coloniais (patriarcalismo, machismo, racismo e LGBTQIAP+fobia), ser apenas criativa. Sempre tenho que ser criativa e algo mais. Assim digo que realizo, com as assinaturas, uma criação teatral contracolonial. E não um heterônimo marcador de tradição pessoana. Ela é conhecida pelo seu trabalho em poesia, teatro e ficção, sob cada pseudónimo. Aparecida prefere chamar os seus pseudónimos de assinaturas estéticas ou poéticas, pois usa cada um deles de acordo com o estilo geral de escrita que planeia usar ou o efeito que deseja causar nos seus leitores.

Ruth Ducaso é usada para prosa, cujos textos eram frequentemente melancólicos, depressivos ou tratavam de suicídio. O nome Ruth Ducaso foi inspirado por duas fontes. A primeira foi a sua avó, Maria Ruth Vieira, uma professora de alfabetização, que incentivou Aparecida a escrever e também lhe ensinou sobre os problemas do racismo e outras questões sociais. A segunda foi o desejo de homenagear todas as mulheres latino-americanas que vieram antes dela, usando o nome Ducaso (ao caso = o caso) para fazer referência às mulheres durante o período colonial da escravatura que tiveram de mudar os seus nomes de origem africana para nomes europeus a fim de sobreviver.

Margô Paraíso é usada para poesia e é frequentemente violenta. Margô é a abreviação de Margarida. Durante a infância de Aparecida, a sua avó costumava recolher garrafas de vidro para trocar por margaridas, um sinal da sua situação financeira precária. Paraíso é usado para se referir a questões relacionadas com o cristianismo. Aparecida disse que este nome foi fortemente inspirado por cenas grandiosas e terríveis da Bíblia.

Antônio Peixôtro é ilustrador. O nome foi escolhido em homenagem ao seu avô, um agricultor tranquilo com quem Aparecida passava o tempo observando as nuvens e ouvindo poesia no rádio.

Luciany Aparecida decidiu começar a escrever sob o seu próprio nome durante a pandemia da COVID-19. Ela decidiu que precisava de uma nova narrativa para usar e que queria criar mais representatividade para grupos minoritários, muitos dos quais ela própria faz parte, como mulher negra e lésbica. Assim, decidiu apresentar-se de forma mais aberta ao mundo.

Obras Todas as obras a seguir pertencem a Luciany Aparecida, independente do nome na publicação. Ela também pretende publicar o seu próximo livro, Tinta da Bahia, em 2026, sob o nome de Luciany Aparecida. +Título da obraGêneroNome da autoriaEditorAno de publicaçãoEdiçãoNúmero de páginasContos Ordinários de MelancoliaRomance/novela/contoRuth DucasoSalvador: Paralelo13S2019282FlorimRomance/novela/contoRuth DucasoSalvador: Boto cor-de-rosa livros, arte e café/paralelo13S2020167Mata DoceRomance/novela/contoLuciany AparecidaRio de Janeiro: Alfaguara20231305EzequielPoesiaMargô ParaísoSalvador: Pantim2018180MacalaPoesiaLuciany AparecidaSão Paulo: Círculo de Poemas2022124Joanna MinaDramaturgiaLuciany AparecidaSalvador: selo editorial paralelo13S20221134Dramaturgias em processo: 2021 JOANNA MINADramaturgiaLuciany AparecidaSão Paulo: Teatro da Universidade de São Paulo2021148040 em quarentena. Festejos de Liberdade. In: Jorge MarquesAntologiasLuciany AparecidaRio de Janeiro: Oficina Raquel202011851Memória de Passarinho. In: Tiburi, Marcia. (Org.). Ato Poético.AntologiasRio de Janeiro: Oficina Raquel202011Descuidosa de sua beleza. In: Nívia Maria Vasconcellos. (Org.)AntologiasItabuna: Mondrongo20201135-144Correio literário. De Luciany Aparecida para Gloria AnzaldúaAntologiasLuciany AparecidaRio de Janeiro: Bazar do Tempo2024 -- --Auto-retratoNão-ficçãoRuth Ducaso e Antônio Peixoto como ilustradorSalvador: Pantim2018140Cadernos AraxáNão-ficçãoSalvador: Pantim20181307Estudos de literatura brasileira contemporânea. Vaga carne: a visão da vozNão-ficção --202311-3AFROASIA, Poesia e sociedade na literatura brasileira contemporâneaNão-ficção --202265839-844A Journal of Brazilian Literature. Fernanda Bastos. Selfie-purpurinaNão-ficçãoBrasil/Brazil202235186-188Revista Brasileira de Literatura Comparada. Não quero mais negar minha almaNão-ficção --202123140-145Cerrados. Metamorfose das Feridas: Formação diaspórica na literatura contemporâneaNão-ficção --2021301Modelos vivos em uso: Poesia e performance de Ricardo Aleixo (em) um exercício crítico de literatura contemporâneaNão-ficçãoLuciany AparecidaDissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa20151254

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