O SMS Prinz Heinrich foi um cruzador blindado operado pela Marinha Imperial Alemã. Sua construção começou em dezembro de 1898 no Estaleiro Imperial de Kiel e foi lançado ao mar em março de 1900, sendo comissionado na frota alemã em março de 1902. Seu projeto serviu de base para os cruzadores blindados seguintes e foi baseado no predecessor , mas sacrificando poder de fogo e tamanho por limitações orçamentárias. Era armado com uma bateria principal composta por dois canhões de 240 milímetros montados em duas torres de artilharias únicas, tinha um deslocamento de quase dez mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de vinte nós.
O Prinz Heinrich teve um início de carreira tranquilo e sem grandes incidentes. Ele começou servindo em águas territoriais, servindo de capitânia para as forças de reconhecimento da frota alemã durante este período, com suas principais atividades consistindo em treinamentos com a frota. Atuou ativamente por anos apenas quatro anos e foi tirado de serviço em 1906. Permaneceu inativo até meados de 1908 e então foi reativado como um navio-escola de artilharia, função que exerceu até 1912. Passou mais dois anos inativo e então foi modernizado em meados de 1914 para continuar atuando como um navio-escola, com os trabalhos sendo finalizados um mês antes do início da Primeira Guerra Mundial.
Com o início da guerra voltou ao serviço ativo e colocado para atuar na Frota de Alto-Mar. Foi usado para defesa litorânea no Mar do Norte e participou em dezembro de 1914 de uma surtida para atacar o litoral britânico. O Prinz Heinrich foi transferido para o Mar Báltico no início de 1915 por ser considerado obsoleto, dando apoio para operações de criação de campos minados e patrulhas contra forças russas, mas nunca encontrou navios inimigos. Proporcionou suporte de artilharia em ataques contra Libau e o Golfo de Riga em 1915. Foi descomissionado e desarmado em março de 1916, sendo usado em diversas funções secundárias pelo restante da guerra e depois desmontado em 1920.
Desenvolvimento O Prinz Heinrich foi o segundo cruzador blindado construído para a Marinha Imperial Alemã, tendo sido autorizado sob a Lei Naval de 1898, o primeiro programa de construção naval iniciado sob a direção do então contra-almirante Alfred von Tirpitz, o Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial. O projeto do navio foi preparado no final da década de 1890 enquanto o , o primeiro cruzador blindado alemão, ainda estava em construção. Alguns historiadores navais mais antigos, incluindo John Taylor e Hugh Lyon, escrevendo em 1969 e 1979, respectivamente, afirmaram que a intenção original era de que o Prinz Heinrich servisse no estrangeiro, mas o historiador mais recente Aidan Dodson salientou em 2016 que o casco não era revestido com madeira e cobre ou com camadas de zinco, o que seria necessário para qualquer embarcação enviada para o estrangeiro, onde estaleiros não estariam prontamente disponíveis. Dodson também comentou que o cruzador jamais foi para o exterior ou em uma designação mais longa.
A equipe de projeto se baseou no Fürst Bismarck, mas por questões orçamentárias seu tamanho foi reduzido em aproximadamente 1,5 mil toneladas. Esta redução de peso foi alcançada principalmente pela redução da espessura da blindagem, porém avanços na tecnologia de metalurgia significaram que não houve uma redução de proteção e seu esquema de blindagem era significativamente mais eficaz que o do Fürst Bismarck. A Krupp tinha desenvolvido recentemente placas de blindagem cimentadas, consideravelmente mais fortes que a anterior blindagem Harvey, então menos poderia ser usado a fim de alcançar a mesma proteção. Além disso, o cinturão principal poderia ser mais alto e se estender até o nível do convés principal, protegendo mais do interior do navio. A blindagem do convés se angulava para baixo nas laterais, conectando-se à extremidade inferior do cinturão, o que fortalecia consideravelmente a proteção ao criar outra camada de blindagem que precisaria ser penetrada antes das partes vitais serem danificadas.
O armamento principal foi reduzido para economizar peso e dinheiro, de quatro canhões em duas torres de artilharia duplas para dois canhões em duas torres únicas, também tendo um número menor de armas secundárias do que o Fürst Bismarck. Estas foram concentradas em uma bateria à meia-nau em vez de ser espalhada pelo comprimento do casco em casamatas e plataformas, o que reduzia a quantidade do casco que precisava ser blindada, economizando mais peso e permitindo que uma blindagem mais espessa ficasse concentrada na bateria. Mais economias de peso foram alcançadas por meio da adoção de uma superestrutura menor e descarte de mastros militares pesados em favor de mastros de poste mais leves. Por outro lado, seus motores eram aproximadamente dois mil cavalos-vapor mais potentes, possibilitando uma velocidade máxima mais elevada.
O projeto mostrou-se influente e todos os cruzadores blindados seguintes eram desenvolvimentos do Prinz Heinrich. Seu esquema de blindagem foi a base para todos os projetos de navios capitais alemães pelos quarenta anos seguintes, incluindo os últimos couraçados da Classe Bismarck e Classe H. Mesmo assim, houve críticos, como o vice-almirante Albert Hopman, que o chamou de "barato, mas ruim". Os historiadores navais Hans Hildebrand, Albert Röhr e Hans-Otto Steinmetz consideraram as críticas de Hopman como um exagero, destacando como o cruzador se comparava favoravelmente diante de contemporâneos como o francês Desaix, o russo e o italiano Giuseppe Garibaldi, porém era inferior aos britânicos. O Prinz Heinrich teve uma carreira ativa em tempos de paz de apenas quatro anos antes de ser substituído por navios mais novos e poderosos".
Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho do Prinz Heinrich O Prinz Heinrich tinha 124,9 metros de comprimento da linha de flutuação e 126,5 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 19,6 metros e um calado de 7,65 metros à vante e 8,07 metros à ré. Tinha um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. O casco foi construído com armações de aço transversais e longitudinais, tendo treze compartimentos estanques e um fundo duplo que se estendia por 57 por cento do comprimento do navio. A Marinha Imperial considerou que o cruzador era uma boa embarcação com movimentos gentis, mas sofria de um balanço sério. Tinha uma altura metacêntrica transversal de 73 centímetros. Sua tripulação consistia em 35 oficiais e 532 marinheiros. Sua tripulação foi aumentada por nove oficiais e 44 marinheiros durante toda a sua carreira como a capitânia do segundo em comando da Divisão de Cruzadores. Também levava várias embarcações menores, incluindo dois barcos de piquete, uma lancha, um escaler, dois cúteres, dois yawls e dois botes.
O sistema de propulsão era composto por três motores verticais de tripla-expansão com quatro cilindros, cada um girando uma hélice. A central tinha quatro lâminas e 4,28 metros de diâmetro, enquanto as duas laterais também tinham quatro lâminas e diâmetro de 4,65 metros. Os motores eram alimentados por catorze caldeiras de tubos d'água Dürr produzidas pela Düsseldorf-Ratinger Röhrenkesselfabrik que funcionavam a uma pressão de quinze atmosferas (1,5 mil quilopascais). A exaustão das caldeiras eram canalizada para duas chaminés. O sistema tinha uma potência indicada de quinze mil cavalos-vapor (onze mil quilowatts) para uma velocidade máxima de vinte nós (37 quilômetros por hora), porém durante seus testes marítimos alcançou cavalos-vapor ( quilowatts) para 19,9 nós (36,9 quilômetros por hora). Foi projetado para poder carregar novecentas toneladas de carvão, mas armazenamentos adicionais permitiam até toneladas. Isto permitiu uma autonomia máxima de milhas náuticas ( quilômetros) a dezoito nós (33 quilômetros por hora) ou milhas náuticas ( quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora).
Armamento O armamento principal consistia em dois canhões calibre 40 de 240 milímetros montados em duas torres de artilharia únicas, à vante e à ré da superestrutura. Cada arma tinha um carregamento de 75 projéteis, podiam abaixar até quatro graus negativos e elevar até trinta graus, tendo um alcance máximo de 16,9 quilômetros. Disparavam projéteis de 140 quilogramas a uma velocidade de saída de 835 metros por segundo. A bateria secundária tinha dez canhões calibre 40 de 149 milímetros, seis em casamatas à meia-nau nas laterais do navio e as quatro restantes em torres de artilharia únicas acima das casamatas. Cada arma tinha um carregamento de 120 projéteis. Estes pesavam quarenta quilogramas e tinham uma velocidade de saída de oitocentos metros por segundo. Os canhões podiam elevar até 25 graus para um alcance máximo de 13,7 quilômetros.
A defesa contra barcos torpedeiros era composta por dez canhões calibre 30 de 88 milímetros. Cada um tinha um carregamento de 250 projéteis. Estes pesavam sete quilogramas e tinham uma velocidade de saída de 670 metros por segundo, tendo um alcance de 7,3 quilômetros a uma elevação de vinte graus. O armamento também inicialmente incluía quatro canhões automáticos, mas estes foram depois removidos. Por fim, o Prinz Heinrich também foi equipado com quatro tubos de torpedo de 450 milímetros: um ficava na popa em uma montagem giratória, um ficava submerso na proa e os restantes ficavam submerso em cada lateral perto da primeira torre de artilharia principal.
Blindagem O cinturão principal tinha cem milímetros de espessura na cidadela blindada central, que protegia os depósitos de munição, salas de máquinas e outras áreas vitais. Sua espessura diminuía para oitenta milímetros nas extremidades do cinturão, enquanto a proa e a popa eram desprotegidas. Uma camada de pranchas de teca de mesma espessura ficava atrás de todo o comprimento do cinturão. O convés blindado tinha 35 a quarenta milímetros e se conectava ao cinturão por uma blindagem inclinada de cinquenta milímetros nas laterais. A torre de comando de vante tinha laterais de 150 milímetros e um teto de trinta milímetros, já a torre de comando de ré era bem menos protegida e era coberta por placas de apenas doze milímetros. As torres de artilharia principais também tinham laterais de 150 milímetros e tetos de trinta milímetros. As torres de artilharia secundárias possuíam blindagem de cem milímetros, enquanto os canhões nas casamatas tinham escudos de setenta milímetros. Em casamatas em si eram blindadas com placas de cem milímetros.
Carreira Tempos de paz thumb|240px|Desenho do Prinz Heinrich de 1901