O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, conhecido pela sigla Coppe (grafada institucionalmente também como COPPE), é um instituto de pós-graduação e pesquisa em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediado na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. A instituição teve origem em março de 1963, quando foi criado, na então Universidade do Brasil, o Curso de Mestrado em Engenharia Química, primeiro núcleo do que viria a se tornar a Coppe.
A formação da Coppe esteve ligada à tentativa de implantar no Brasil um modelo de pós-graduação em engenharia baseado na integração entre ensino e pesquisa, no trabalho acadêmico em tempo integral e na formação de pesquisadores. O principal articulador do projeto foi o engenheiro químico Alberto Luiz Galvão Coimbra, professor da Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil, que havia obtido o mestrado em Engenharia Química na Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, em 1949.
A Coppe mantém treze programas stricto sensu de mestrado e doutorado. Em setembro de 2024, registrava 2 268 alunos de mestrado e doutorado, 365 professores doutores, 219 pesquisadores de pós-doutorado e 170 laboratórios; até dezembro de 2023, haviam sido defendidas 18 713 teses e dissertações. Sua atuação inclui pesquisa acadêmica e projetos em cooperação com empresas, governos e instituições científicas, com destaque histórico para a colaboração com a Petrobras e seu Cenpes em tecnologias offshore e de produção de petróleo em águas profundas.
História
Antecedentes e criação do primeiro mestrado esquerda|miniaturadaimagem|Busto de Alberto Luiz Galvão Coimbra, idealizador e fundador da Coppe. Alberto Luiz Galvão Coimbra ingressou em 1943 no curso de Química Industrial da Universidade do Brasil e concluiu a graduação em 1946. No ano seguinte, seguiu para os Estados Unidos com bolsa para estudar Engenharia Química na Universidade Vanderbilt, no Tennessee, onde obteve o título de mestre em 1949. A experiência norte-americana aproximou Coimbra de um sistema universitário em que ensino de pós-graduação, pesquisa e formação de docentes eram atividades articuladas, em contraste com a estrutura predominante nas escolas de engenharia brasileiras da época.
Já como docente da Escola Nacional de Química, Coimbra passou a defender a criação de um curso de pós-graduação que desse maior peso aos fundamentos científicos da engenharia e à pesquisa. Em 1961, apresentou na Escola Nacional de Química o documento Oportunidade para instalação de um curso de pós-graduação de Engenharia Química no Brasil, no qual propunha a implantação de um curso de mestrado na área.
A internacionalização esteve presente antes mesmo da abertura do curso. No início da década de 1960, Coimbra selecionou três de seus alunos que se formavam em Engenharia Química na Universidade do Brasil, em um núcleo acadêmico ligado à Escola Nacional de Química — Affonso Silva Telles, Giulio Massarani e Maurício Leonardos — e obteve bolsas da Organização dos Estados Americanos para que cursassem mestrado na Universidade de Houston, nos Estados Unidos. O objetivo era que regressassem ao Brasil com experiência em ensino e pesquisa de pós-graduação e participassem do novo programa. Massarani, formado em Engenharia Química e Química Industrial pela Escola Nacional de Química, concluiu seu mestrado em Houston em 1963 e, anos depois, obteve o doutorado na Universidade Paul Sabatier, em Toulouse, na França, em 1971.
Outra figura importante na preparação do curso foi o professor norte-americano Frank M. Tiller, que havia orientado Coimbra em Vanderbilt e depois se transferira para a Universidade de Houston. Tiller colaborou na articulação com professores estrangeiros, no recrutamento de docentes visitantes e na obtenção de apoio para o projeto. Athos da Silveira Ramos, então dirigente do Instituto de Química da Universidade do Brasil, cedeu duas pequenas salas no campus da Praia Vermelha para o funcionamento inicial do curso.
Em março de 1963 começaram as aulas do Curso de Mestrado em Engenharia Química da Universidade do Brasil. Entre os primeiros professores estavam Alberto Coimbra, os norte-americanos Donald Katz e Louis Brand e os brasileiros Nelson de Castro Faria, Affonso Silva Telles e Giulio Massarani. A primeira turma tinha nove alunos: Gileno Amaral Barreto, Walmir Gonçalves, Túlio Bracho Henriques, Jair Augusto de Miranda, Carlos Augusto Guimarães Perlingeiro, Paulo Ribeiro, Nelson Trevisan, Edgard Souza Aguiar Vieira e Liu Kai. Em 1964, Nelson Trevisan defendeu a primeira dissertação de mestrado do curso.
Um dos princípios adotados por Coimbra foi o regime de tempo integral e dedicação exclusiva para professores e alunos, então incomum nas escolas de engenharia brasileiras. O modelo procurava reduzir a dependência do magistério em tempo parcial e criar condições para que a pesquisa se tornasse uma atividade contínua dentro da universidade.
Financiamento, expansão e adoção da sigla Coppe A consolidação do curso dependeu de recursos para bolsas, salários e laboratórios. Coimbra aproximou-se do economista José Pelúcio Ferreira, do então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, atual BNDES). Dessa articulação surgiu, em 1964, o Fundo de Desenvolvimento Técnico-Científico (Funtec), que passou a financiar, a fundo perdido, a formação de professores e pesquisadores nas universidades; o primeiro financiamento foi destinado ao curso de Engenharia Química.
Em 1965 foi criado o mestrado em Engenharia Mecânica. A existência de mais de um curso levou à agregação das iniciativas de pós-graduação e, em junho daquele ano, à criação da Coordenação de Programas Pós-Graduados de Engenharia, da qual se consolidou a sigla Coppe. A documentação histórica registra uma pequena alteração de denominação a partir de 1969, para Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia; a sigla foi mantida mesmo depois da adoção do nome atual, em 1995.
miniaturadaimagem|Vista aérea da Cidade Universitária em 1968. A Coppe havia se transferido para a Ilha do Fundão no ano anterior.
A expansão foi rápida. O Programa de Engenharia Elétrica foi criado em 1966. Em 1967, a Coppe mudou-se para a Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, adquiriu um computador IBM 1130 e criou o Departamento de Cálculo Científico, que se tornaria um dos antecedentes do Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ. Naquele ano também foram estruturados programas de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, Engenharia Civil, Engenharia de Produção e Engenharia Naval, posteriormente denominada Engenharia Oceânica.
Em 1968 foi criado o Programa de Engenharia Nuclear. No mesmo período, a instituição recebeu docentes estrangeiros de diferentes origens, inclusive professores soviéticos convidados em plena ditadura militar brasileira, como Victor Lenski, da área de resistência de materiais, e Dimitri Vastvoscev, da engenharia naval. A experiência da Coppe, centrada em programas de pós-graduação, pesquisa e dedicação acadêmica integral, ocorreu em paralelo à institucionalização nacional da pós-graduação realizada pela reforma universitária do fim da década de 1960.
Em 1970 foi defendida a primeira tese de doutorado da Coppe, de Alcebíades de Vasconcellos Filho, no Programa de Engenharia Civil, sobre o método dos elementos finitos. No mesmo ano foi criado o Programa de Engenharia de Sistemas e Computação e surgiu a Coppetec, inicialmente como estrutura interna para organizar projetos, consultorias e serviços tecnológicos realizados em cooperação com empresas e órgãos públicos. Em 1971, a Coppe foi formalmente reconhecida como órgão suplementar da UFRJ e foi criado o Programa de Engenharia Biomédica.
Crise institucional na década de 1970 A primeira década de expansão foi seguida por uma crise institucional. Em 18 de maio de 1973, o reitor Djacir Menezes afastou Alberto Coimbra da direção da Coppe, em meio a disputas administrativas e políticas ocorridas durante o período mais repressivo da ditadura militar. O afastamento gerou incertezas sobre a continuidade da instituição, além da saída de parte do corpo docente.
Coimbra passou a trabalhar na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O processo judicial que o envolvia foi extinto em 1976. Em 1981, recebeu do Ministério da Educação o Prêmio Anísio Teixeira; em 1983 retornou à Coppe e voltou a atuar no Programa de Engenharia Química, permanecendo na universidade até receber o título de professor emérito da UFRJ, em 1993.A documentação institucional apresenta uma divergência de um ano: a linha do tempo dos 60 anos da Coppe e a nota oficial da UFRJ sobre a morte de Coimbra registram o retorno em 1983, enquanto o texto narrativo da página histórica da Coppe menciona 1984. O ano de 1983 foi adotado aqui por ser corroborado por duas fontes institucionais distintas. Em 1995, a instituição passou a se chamar oficialmente Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, mantendo a sigla Coppe.
Apesar da crise, novos projetos continuaram a ser implantados. A Coppead, escola de pós-graduação em administração criada dentro da Coppe em 1973, tornou-se posteriormente uma unidade autônoma da UFRJ. Outras estruturas que surgiram vinculadas à Coppe também ganharam autonomia, como a área de Planejamento Urbano e Regional, que deu origem ao atual IPPUR, e a Divisão de Cálculo Científico, relacionada à formação do atual Núcleo de Computação Eletrônica.
Cooperação com Petrobras e Cenpes miniaturadaimagem|O Cenpes, centro de pesquisa da Petrobras, na Cidade Universitária. A cooperação entre Cenpes/Petrobras e Coppe tornou-se uma das principais relações universidade–empresa da instituição.
A relação com a Petrobras começou ainda nos primeiros anos da Coppe, mas ganhou escala a partir de um convênio de cooperação assinado em 1977. O acordo foi voltado inicialmente ao desenvolvimento de ferramentas de engenharia capazes de apoiar o projeto de plataformas offshore e de estruturas submetidas às condições do mar brasileiro.
Pesquisadores do Programa de Engenharia Civil trabalharam no desenvolvimento de sistemas computacionais de análise estrutural para plataformas. À medida que a exploração avançou para águas mais profundas, foram incorporadas competências de Engenharia Naval e Oceânica, Metalúrgica e de Materiais, Química e Elétrica. O trabalho conjunto passou a abranger temas como hidrodinâmica, integridade estrutural, corrosão, materiais, escoamento e sistemas submarinos.
Estudo acadêmico publicado na revista Sociedade e Estado descreve a cooperação entre Cenpes/Petrobras e Coppe como parte relevante da formação de capacidades tecnológicas brasileiras em petróleo e gás, especialmente em exploração e produção offshore. Segundo a história institucional da Coppe, a parceria havia gerado mais de 3 mil projetos até 2022, além de teses, dissertações e cursos de especialização.
A ampliação dos projetos com empresas também reforçou a função da Coppetec. Criada em 1970 como setor interno, ela foi transformada em 1993 na Fundação Coppetec, responsável por administrar contratos e convênios de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços vinculados à UFRJ.
Infraestrutura e diversificação a partir dos anos 1990 A década de 1990 marcou a ampliação da infraestrutura experimental. Em 1992, a área interdisciplinar de energia tornou-se o Programa de Planejamento Energético, que passou a integrar pesquisa em energia, economia e meio ambiente. Em 1994 foi criada a Incubadora de Empresas da Coppe, voltada à formação de empresas de base tecnológica, e em 1995 foi criada a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, posteriormente incorporada às atividades de inovação social da incubadora.