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A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) é uma denominação protestante brasileira, que pertence ao grupo das igrejas herdeiras da Reforma Protestante do Século XVI. Sua sede fica em Vitória (Espírito Santo).

É uma das várias denominações presbiterianas do Brasil, que conta ainda com a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPI), Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil (IPCB), Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (IPRB), dentre outras.

Com cerca de 2.350 membros em 2020, a IPU se diferencia das demais denominações presbiterianas brasileiras por uma postura mais progressista e inclusiva. Destacam-se como posicionamentos da denominação: a ordenação de mulheres, a participação em organizações ecumênicas nacionais e internacionais e a plena inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ como membros e oficiais da denominação.

Histórico A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil - IPU foi organizada em 10 de setembro de 1978, com o nome de Federação Nacional de Igrejas Presbiterianas (FENIP) na cidade de Atibaia - SP. Por decisão dos delegados presentes, a instalação efetiva da igreja ficou para o ano de 1979, na cidade de Vitória- ES que é, desde aquele época até os dias atuais, a sua sede administrativa. As razões de sua criação estão contidas nos seus documentos fundantes, que são: o Manifesto de Atibaia, o Pronunciamento Social da Igreja Presbiteriana do Brasil, documento escrito em 1962 pelos Teólogos da Igreja Presbiteriana do Brasil, o Compromisso e o Relatório da Comissão de Fé e Ordem. Em julho de 1983, para poder se filiar ao Conselho Mundial de Igrejas, a FENIP alterou sua razão social para Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, adotando a sigla IPU.

Por conta do seu pensamento teológico, que incluía o compromisso social da Igreja, a abertura ao diálogo ecumênico e a defesa do ministério feminino, alguns dos seus líderes sofreram forte oposição dentro da denominação presbiteriana a qual pertenciam (IPB), enfrentando processos conturbados que resultaram no desligamento, sendo alguns deles expulsos da igreja, enquanto outros optavam por deixar a denominação.

A partir de 1976, alguns presbíteros, professores e professoras, pastores e teólogos presbiterianos deram início ao movimento que culminou, em 1978, com a criação da FENIP. O processo de fundação da IPU foi antecedido por três encontros de presbiterianos: O primeiro em Vitória – ES, nas dependências da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, na Reforma de 1977; o segundo na Páscoa de 1978, em Belo Horizonte, nas dependências da Segunda Igreja Presbiteriana e o terceiro e último nas dependências da Igreja Presbiteriana de Atibaia, por ocasião do feriado da Independência de 1978, quando a Igreja foi oficialmente organizada.

Demografia

Ano IgrejasMembros 2006 51 4.762 2011 48 3.466 2020 44 2.350

A IPU é um dos menores ramos do Presbiterianismo no Brasil, representando apenas 0,25% de todos os presbiterianos do país. Além disso, é um grupo que enfrenta um forte declínio no número de membros, conforme as estatísticas da própria denominação.

Em 2006, no relatório apresentado ao Conselho Mundial de Igrejas, a denominação relatou ser formada por 51 igrejas e 4.762 membros.

Em 2020, a estatística mais recente da denominação, foi relatado que ela era formada por 2.350 membros. Sendo assim, entre 2006 e 2020, a denominação teve seu número de membros reduzido em 50,65%.

Em 2026, o Jornal Traço de União, publicado pela denominação, listou as igrejas integrantes, relatando 41 igrejas e congregações.

Estrutura Organizacional A IPU é uma igreja que busca uma maior ênfase no papel das igrejas locais, visando incentivar a participação e comprometimento de seus membros. Ao contrário da Igreja Presbiteriana do Brasil e da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, não possui sínodos. As igrejas locais são jurisdicionadas a presbitérios e possuem autonomia administrativa, financeira, orçamentária e patrimonial. No entanto, a autonomia das igrejas locais não alcança os aspectos teológicos e eclesiológicos. Neste sentido, as igrejas devem se submeter ao governo da IPU, aos seus Princípios de Fé e Ordem (PFO) e cumpri-los integralmente. Há na IPU, ao contrário das demais igrejas presbiterianas, uma força na igreja local, um certo viés congregacionalista, haja vista que cada igreja local tem direito a quatro assentos na Assembleia Geral, ao passo que cada presbitério tem, apenas, dois assentos.

O órgão máximo da IPU é a Assembleia Geral' e, no seu interregno, a igreja é administrada por um Conselho Coordenador (CC-IPU) constituído de cinco membros titulares, além dos suplentes, eleitos em assembléia geral para um mandato de três anos. O Conselho Coordenador é formado por representantes de Presbitérios, jurídica e eclesiasticamente constituídos, escolhidos por um sistema de representação conciliar regional. Cada Igreja local escolhe em Assembleia Geral Extraordinária, dentre seus pastores e presbíteros, seu representante pré-candidato ao Conselho Coordenador e o encaminha ao seu Presbitério. Cada Presbitério ao receber os representantes pré-candidatos das igrejas jurisdicionados, escolhe dentre eles, o seu candidato ao CC-IPU.

Além do Conselho Coordenador, a denominação conta com os seguintes órgãos de assessoria e fiscalização:

1. Conselho Consultivo: composto pelos moderadores dos presbitérios, tem a função de assessorar o Conselho Coordenador no desempenho de suas funções administrativas, bem como analisar e dar parecer à Assembleia Geral sobre o relatório do CC-IPU.

2. Conselho de Doutrina e Ética: composto por um representante e um(a) suplente, eleitos em cada presbitério, tem por competência, analisar assuntos de ordem Ética, Teológica, Doutrinária, Litúrgica e outros, que exijam orientações ou decisões jurisdicionais para preservar a unidade da igreja e a plenitude da vida cristã.

3. Comissão de Exame de Contas: composta de três membros efetivos e dois suplentes, tem atribuições de examinar e dar parecer sobre a movimentação financeira e a proposta orçamentária da IPU.

Presbitérios da IPU Atualmente a IPU está organizada em 7 presbitérios.

Presbitério de Vitória (PVTR) Formado pelas igrejas: 1ª de Vitória (1928), 1ª de Colatina (1938, filiado ao PVTR em 2008), 2ª de Vitória (1940), Maruípe (1952), Ibes (1967), Campo Grande (1969), Laranjeiras (1983), Jardim Tropical (1986), Jardim da Penha (1988).

Presbitério de Jundiaí (PJDI) Composto por: Jundiaí, Atibaia, Indaiatuba e Jardim Califórnia (Indaiatuba).

Presbitério São Paulo (PSPL) Composto por: 1ª IPU Barueri; Jardim Renzo (Guarulhos); Jandira; IPU Bereia (Osasco). Na cidade de SP, há as seguintes igrejas: Vila Yolanda; Zimbro; Jardim das Oliveiras.

Presbitério do Salvador (PSVD) No PSVD, 12 Igrejas aderiram à IPU no seu início. Fazem ou já fizeram parte do PSVD: Cachoeira (fundação: 1875; volta IPB em 1985), Salvador (1938), Governador Mangabeira (1949), Feira de Santana (1950), Valério Silva (1960, Salvador), Itapagipe (1965, Salvador), Muritiba (1968), Iaçu (volta IPB em 1985), Caetité, Castelo Branco (Salvador, saiu em 1996), Liberdade, Sítio do Mato.

Presbitério Cidade do Rio de Janeiro (PCRJ) O Presbitério Rio Norte, jurisdicionado ao Sínodo da Guanabara, decide se desligar da IPB em 6 de junho de 1982, passando a adotar o nome de Presbitério Cidade do Rio de Janeiro. Composição na época da fundação: Acari (1958), Parque Acari (1981), Jardim América (1964), Nova Jerusalém (1964), Praia de Botafogo (1964), Ramos (1922), Penha (1966), 2ª da Penha (1973), Vila da Penha.

O Presbitério Cidade do Rio de Janeiro se filiou à FENIP em 1983. Organizou as igrejas de Piabetá (1986) e Jacarepaguá (1987).

Em 1985 o presbitério sofre sua primeira divisão, com a criação do Presbitério Bethesda. Em 1999, veio a segunda divisão, com a saída das igrejas de Ramos, Penha, Piabetá, Jacarepaguá e Queimados para formar o Presbitério Rio Novo (PRNV). A congregação de Campos Elíseos desligou-se em 2005 e foi para a Igreja Presbiteriana Renovada.

Composição atual: Acari, Parque Acari, Jardim América e Nova Jerusalém.

Presbitério Rio Novo (PRNV) Fundado em 28/11/1999, reunindo as igrejas de Ramos (1922), Penha (1966), Piabetá (1986), Jacarepaguá (1987), Queimados. Posteriormente, a igreja de Vila Proletária da Penha (1977) filiou-se, em 2009, ao PRNV. A Igreja de Vila Valqueire filia-se em 2016. Ramos retornou para a IPB. Atualmente é composto por Bonsucesso (1999), Penha, Queimados e Vila Proletária da Penha.

Presbitério Erasmo Braga (PEB) Atualmente composto por: 2ª IPU de Belo Horizonte (1951); 1ª IPU da Amazônia (1982, Ananindeua, PA); Brasília (1984, DF); Bairro Goiânia (1987, BH, MG); Formosa (1990, GO); Pains (1997, MG); Emaús (BH, MG); .

Já fizeram parte: Formiga (1984, MG); Uberlândia (1984, MG); Contagem (1997, MG).

Presbitérios extintos ou que se desligaram da IPU:

Presbitério Bethesda/Haroldo Cook (Extinto) Organizado em 11/09/1985. Igrejas: Acari, Bethesda (Copacabana e Barra da Tijuca), Shalon (Niterói-Sul), Lapa, Morro da Pedreira. Praia de Botafogo filia-se em 1993 (veio do PCRJ). Em 1994 mudou o nome para Presbitério Haroldo Cook. Em 2001 recebe filiação de Jaconé. O Presbitério Haroldo Cook desligou-se da IPU em 21/05/2002.

Presbitério Esperança (Extinto) Fundado em 13 de maio de 1989, reunia as igrejas de Piedade (Jaboatão dos Guararapes, PE; advinda da IPB em 1988, encerrou atividades em 1992), San Martin (Recife, PE, retornou IPB logo); Ananindeua (1982, Pará) e a congregação presbiterial de Cardeal Silva (Recife, PE).

Presbitério Eudaldo Lima (Extinto) Organizado em 1992, reuniu 4 igrejas e 1 congregação: Brasília (DF), Formosa (GO), Porto Velho (RO), Altinópolis (SP) e Araguaína (TO).

Presbitério Centro-Norte do Espírito Santo (Desligado) Composto pelas igrejas: Bereia Unida (São Judas Tadeu), São Silvano e Maria Ortiz, foi um dos presbitérios fundadores da IPU, porém solicitou desligamento em 2023 alegando divergências teológicas e litúrgicas. O presbitério se organizou como Igreja Presbiteriana Avivar.

Doutrina e diferenças teológicas A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil subscreve: Credo dos Apóstolos, Credo de Nicéia-Constantinopla; Confissão Escocesa, Catecismo de Heidelberg, Segunda Confissão Helvética, Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Menor de Westminster, Declaração Teológica de Barmen, Confissão de 1967, Confissão de Accra.

Ordenação de mulheres A IPU foi a primeira denominação presbiteriana, no Brasil, a ordenar pastoras em 30 de junho de 1991. A decisão da IPIB de ordenar mulheres ao pastorado ocorreu em 1999, após as ordenações promovidas pela IPU. Desde a sua fundação, em 1978, a IPU já trazia entre as diversas propostas de construção de uma igreja alinhada ao pensamento reformado contemporâneo, a ideia do ministério feminino. Os primeiros ministérios femininos ordenados na IPU foram o diaconato e o presbiterato. Embora fosse possível, eclesiologicamente, a presença de mulheres no pastorado, isto só veio a acontecer treze anos após a fundação da IPU, em 1991, quando o Presbitério Erasmo Braga - PEB, ordenou Maria Luiza Rückert, esposa do Rev. Paulo Roberto Rückert, então pastor titular da Segunda Igreja Presbiteriana de BH. O casal Rückert, egresso da IECLB, possuía sólida formação pastoral e teológica. Em 1993 foi ordenada a primeira pastora formada em seminário mantido pela IPU, a Revda. Sônia Gomes Mota, membra do Presbitério do Salvador e Diretora Executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço, a CESE.

Ecumenismo