thumb|280px|Representação do Sendratari Ramayana, conhecido , no Templo de Sarasvati de Ubud. A dançarina em primeiro plano representa Sita, esposa de Rama e uma avatar da deusa hindu Laxmi
thumb|280px|Sessão de , mais uma dança com cenas do Ramáiana
thumb|280px|Dançarino representando Barong, um demónio do bem
thumb|280px|Espetáculo de Pendet
A dança balinesa (; ) é uma antiga tradição de dança que faz parte da expressão artística e religiosa do povo da ilha de Bali da Indonésia. É uma dança dinâmica, angular e intensamente expressiva. Os dançarinos e dançarinas balinesas expressam as histórias de através de gestos do corpo, nomeadamente com os dedos, mãos, cabeça e olhos.
Há uma grande riqueza de formas de dança na ilha e são particularmente notáveis as dança dramáticas ritualísticas que envolvem Rangda, a bruxa e o grande demónio Barong. A maior parte das danças do Bali estão ligadas ao hinduísmo ou a rituais folclóricos, como a , que evoca os espíritos benevolentes , que se acredita que possuem os dançarinos num estado de transe durante as atuações. Há também danças balinesas que não estão ligadas a rituais religiosos e que se realizam em certas ocasiões ou para certos propósitos, como as danças de boas vindas Baris e Pendet, ou a , uma dança social para entretenimento.
No hinduísmo, na dança são representadas simbolicamente a perpétua dissolução e reformação do mundo. O equilíbrio criativo e reprodutivo é muitas vezes personificado pela deusa Durga, a esposa de Xiva, que por vezes é chamada Uma, Parvati ou Cáli. Isto é significativo para o hinduísmo balinês, pois a figura comum de Rangda é semelhante em muitos aspetos a Durga.
Reconhecimento Três géneros de dança tradicional de Bali foram reconhecidos pelo Comité Intergovernamental para a Preservação do Património Cultural Imaterial da Humanidade na sua 10.ª sessão, realizada em 2015 em Vinduque, a capital da Namíbia. A classificação estava proposta desde 2011. Os três géneros classificados são representados por nove danças: Wali (danças sagradas) — dança cerimonial sagrada da região de Klungkung realizada por jovens mulheres com vestes cerimoniais. — da região de Karangasem, realizada por duas jovens, para neutralizar forças sobrenaturais negativas. Baris — danças religiosas da região de Bangli, que transmitem um espírito heróico, realizada por números pares de homens.
Bebali (danças semisagradas) — realizada na região de Tabanan por dançarinos com máscaras para neutralizar espíritos malignos. — que antigamente era um espetáculo teatral para a realeza, atualmente realizada por 25 a 40 dançarinos na região de Gianyar para acompanhamento de cerimónias. — combina dança com drama épico e música; realiza-se na região de Buleleng.
Balih-balihan (danças de entretenimento) — realizada em Dempassar, é uma dança baseada na Sanghyang e na Gambuh, envolvendo duas ou três dançarinas mulheres. — dança social de pares, popular de Buleleng, que se realiza durante a estação das colheitas e dias importantes. — realizada na região de Badungue, representa um combate entre dois personagens mitológicos, Barong na forma de um leão, simbolizando o bem, e Rangda, uma bruxa má.
Variantes Em Bali há numerosas categorias de dança, que incluem representações épicas como os omnipresentes Mahabharata e Ramáiana. Algumas cerimónias em templos de aldeias incluem uma representação especial de dança dramática duma batalha entre os personagens mitológicos Rangda, representando o mal, e Barong, representando o bem. Este tipo de espetáculo era tradicionalmente realizado durante surtos epidémicos, que se acreditava que eram o resultado dum distúrbio no equilíbrio das "forças boas e más", representadas por Barong e Rangda. A batalha geralmente termina com uma reconciliação ou equilíbrio harmonioso entre os dois personagens e não numa derrota do mal.
Além dos géneros e e tradições classificadas pela UNESCO já descritas, cabe mencionar as seguintes: — inspirada no acasalamento da (chamada Cendrawasih no Bali). — uma dança básica, que geralmente antecede os espetáculos da dança Legong; o termo é também usado para o arquétipo de personagem duma criada doméstica que aparece nas danças Legong, Gambuh e . — também conhecida com "cântico dos macacos", é uma representação duma batalha do Ramáiana em que vanaras (raça mitológica de símios) liderados pel deus macaco Hanuman ajudam Rama a derrotar Ravana; as representações envolvem numerosos dançarinos, que podem chegar aos 150. — dança social que envolve duas filas de dançarinos (kecak) inicialmente sentados frente a frente e várias dançarinas (janger) que cantam e dançam com movimentos fluidos e ondulantes dos braços. Pendet — realizada por jovens mulheres com taças de flores que são espalhadas, geralmente antes de fazer oferendas num templo ou em cerimónias de boas vindas. — representação de mulheres tecendo; tenun é uma técnica tradicional indonésia de produção de tecidos.
Tradicionalmente, as danças sagradas só podem ser realizadas em tempos, mas foram criadas novas coreografias devido à procura pelos turistas. Por exemplo, a Tari Sekar Jagat (tari significa dança em ) é um tipo de dança relativamente recente que se tornou popular. Nas novas coreografias, os coreógrafos têm liberdade criativa para os movimentos e há novos movimentos que seriam considerados "inapropriados" para danças sagradas. Um exemplo disso na Tari Sekar Jagat haver um momento em que os dançarinos seguram o dulang abaixo dos ombros. O dulang é uma espécie de pedestal cerimonial, que pode ser de madeira ou cerâmica; normalmente é mantido alto devido à sua sacralidade e segurá-lo abaixo do nível dos ombros representa um estado comum ou quotidiano.
Técnicas e aprendizagem Os dançarinos balineses aprendem a dançar e tocar gamelão quando ainda são crianças e são ensinados a dançar com as mãos antes quando ainda não sabem andar. A formação oficial como dançarino começa aos 7 anos. Na dança balinesa o movimento está intimamente associado aos ritmos produzidos pelo gamelão, um instrumento musical originário de Java e de Bali. Vários níveis de articulações no rosto, olhos, mãos, braços, quadris e pés são coordenados para refletir camadas de sons percussivos.
O número de mudras (posições e gestos codificados das mãos) é maior na Índia do que em Java ou em Bali Especula-se que alguns foram esquecidos no processo de transmissão da dança da Índia para Java. No entanto, os gestos das mãos são tão importantes na dança javanesa e balinesa como na Índia. Seja na Índia, na Indonésia ou no Camboja, as mãos desempenham um papel tipicamente ornamental e enfatizam a complexidade delicada da dança.
Notas e referências
Categoria:Património Cultural Imaterial da Humanidade na Indonésia