As paixões estoicas são diversas formas de sofrimento emocional no estoicismo, uma escola de filosofia helenística.
Definição As paixões são transcritas como pathê do grego. A palavra grega pathos era um termo abrangente que indicava uma aflição que alguém sofria. Os estoicos usaram a palavra para discutir muitas emoções comuns, como raiva, medo e alegria excessiva. Uma paixão é uma força perturbadora e enganadora na mente que ocorre devido a uma falha em raciocinar corretamente. Para o estoico Crisipo, as paixões são julgamentos avaliativos.Groenendijk, Leendert F. and de Ruyter, Doret J.(2009) 'Learning from Seneca: a Stoic perspective on the art of living and education', Ethics and Education, 4: 1, 81–92 Uma pessoa que experiencia tal emoção valorizou incorretamente uma coisa indiferente. Uma falha de julgamento, alguma falsa noção do bem ou do mal, está na raiz de cada paixão. O julgamento incorreto quanto a um bem presente dá origem ao prazer, enquanto que a luxúria é uma estimativa errada sobre o futuro. Imaginações irreais do mal causam angústia no presente ou medo no futuro.
Estes estados de sentimento são perturbações da saúde mental que perturbam o equilíbrio natural da alma e destroem o seu autocontrolo. Eles são prejudiciais porque entram em conflito com a razão correta. O estoico ideal, em vez disso, mediria as coisas pelo seu valor real, e veria que as paixões não são naturais. Estar livre das paixões é ter uma felicidade autossuficiente. Não haveria nada a temer – pois a irracionalidade é o único mal; não há motivo para raiva – pois os outros não podem prejudicar-te.
Paixões primárias Os estoicos, começando com Zenão, organizaram as paixões em quatro títulos: angústia, prazer, medo e luxúria. Um relato das definições estoicas dessas paixões aparece no tratado On Passions de Pseudo-Andronicus (trad. Long & Sedley, pág. 411, modificado):
Angústia (lupe) A angústia é uma contração irracional, ou uma nova opinião de que algo mau está presente, na qual as pessoas acham certo estarem deprimidas. Medo (fobos) O medo é uma aversão irracional ou uma evitação de um perigo esperado. Luxúria (epithumia) A luxúria é um desejo irracional ou a busca de um bem esperado, mas na realidade mau. Prazer (hēdonē) O prazer é um inchaço irracional, ou uma nova opinião de que algo bom está presente, na qual as pessoas acham correto ficarem exultantes.
Duas destas paixões (angústia e prazer) referem-se a emoções atualmente presentes, e duas destas (medo e luxúria) referem-se a emoções direcionadas ao futuro. Assim, existem apenas dois estados direcionados à perspetiva do bem e do mal, mas subdivididos quanto a serem presentes ou futuros: PresenteFuturoBemPrazerLuxúriaMalAngústiaMedo
Subdivisões Numerosas subdivisões da mesma classe foram colocadas sob o título de paixões separadas:Cicero's Tusculan Disputations by J. E. King.
Angústia: Inveja, Rivalidade, Ciúme, Compaixão, Ansiedade, Pranto, Tristeza, Perturbação, Luto, Lamento, Depressão, Vexação, Desânimo. Medo: Lentidão, Vergonha, Medo, Timidez, Consternação, Pusilanimidade, Perplexidade e Modéstia. Luxúria: Raiva, Fúria, Ódio, Inimizade, Ira, Ganância e Saudade. Prazer: Malícia, Arrebatamento e Ostentação.
Bons sentimentos O sábio (sophos) é alguém livre das paixões (apatheia). Em vez disso, o sábio experiencia bons sentimentos (eupatheia) que são lúcidos. Estes impulsos emocionais não são excessivos, mas também não são emoções diminuídas. Ao invés disso, são as emoções racionais corretas. Os estoicos listavam os bons sentimentos sob os títulos de alegria (chara), desejo (boulesis) e cautela (elabeia). Assim, se estiver presente algo que seja um bem genuíno, então a pessoa sábia experiencia uma elevação na alma – alegria (chara). Os estoicos também subdividiram os bons sentimentos:
Alegria: Prazer, Alegria, Bom ânimo Desejo: Boa intenção, Boa vontade, Acolhimento, Carinho, Amor Cuidado: Vergonha moral, Reverência
Obras citadas
Andronicus, "On Passions I," Stoicorum Veterum Fragmenta, 3.391. ed. Hans von Arnim. 1903–1905. Cicero, Marcus Tullius (1945 c. 1927). Cicero : Tusculan Disputations (Loeb Classical Library, No. 141) 2nd Ed. trans. by J. E. King. Cambridge, Massachusetts: Harvard UP. Long, A. A., Sedley, D. N. (1987). The Hellenistic Philosophers: vol. 1. translations of the principal sources with philosophical commentary. Cambridge, England: Cambridge University Press.
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