António Vera, nome artístico de José António Vera de Azevedo (Freguesia das Mercês, 22 de junho de 1923 - Lisboa, 2012), foi um poeta e representante do Governo Português para os Assuntos da Emigração que viajou muito.
Após um hiato de meio século, aos 75 anos, começa a publicar livros de poesia. Para a Arte, nunca é tarde: “ars longa, vita brevis”. António Vera foi poeta por excelência.
Biografia José António Vera de Azevedo nasceu em Lisboa (Freguesia das Mercês) a 22 de junho de 1923, filho de Albina Vera de Azevedo, de ascendência espanhola de Valladolid, e de António Nunes de Azevedo, natural de Venda da Serra, Concelho de Ferreira do Zêzere.
1930 – começou a frequentar a escola;
1934 – nasceu a irmã Maria Alice;
1936 – enamorou-se de Maria Eduarda Fernandes Martins, a quem escrevia diariamente poemas.
1939 – começou a trabalhar como administrativo na Companhia de Seguros Fidelidade, situada no Largo do Corpo Santo, em Lisboa, enquanto completava o Curso Complementar de Comércio no Instituto Comercial de Lisboa, situado no Largo de Camões.
1940 – terminou o Curso Comercial da Escola Ferreira Borges.
1943 – Concorreu e entrou para a Direção Geral da Contabilidade Pública no Ministério da Educação Nacional.
1944 - 19 de outubro - casou com Maria Eduarda na Igreja de Alcântara.
1944 – 1957 - tinha na sua casa uma tertúlia poética com os poetas Daniel Filipe, Raul de Carvalho e José Terra.
1945 – Concluiu o Curso Complementar de Comércio.
1947 – Conheceu o poeta Raul de Carvalho e o professor de Latim, Xavier Roberto, figura singular que havia estudado em Roma e lhe deixou uma influência marcante.
1948 – Entrou na Faculdade de Letras e, como não era permitido aos funcionários da Contabilidade Pública frequentarem o ensino noturno a não ser nos cursos de Direito ou de Finanças, teve de interromper o curso de Letras, que continuou posteriormente.
1951/1952 – Foi convocado à polícia política, PIDE-DGS, para prestar declarações por o seu nome ter sido escrito por inteiro na revista Árvore no outono de 1951, o que levou à sua identificação. Deixou de publicar nas revistas, continuou a “escrever para a gaveta”, especialmente poemas.
1957 – Concorreu e entrou nos serviços de Emigração.
1958 – trabalhou durante dez anos para o Estado Português, o seu posto publicado na Portaria de 8 de julho, anotada pelo Tribunal de Contas a 10, seguido do respetivo Decreto de 17 de julho, publicado pelo Diário do Governo.
1959 - 5 de junho – Nasceu a sua única filha, Maria José Martins de Azevedo.
1964 – Morreu o seu pai.
1965 – Entrou no quadro definitivo dos Serviços de Emigração - até 1970 – Na qualidade de Técnico Superior no Serviço de Emigração – representava o Estado Português e defendia os direitos dos emigrantes. Mais tarde, a partir de meados da década de oitenta, veio a aposentar-se da ex-Secretaria de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas.
1973 – Concluiu o Curso do Instituto de Estudos Sociais, tendo-lhe sido conferido o diploma de Política Social pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
Viagens 1958 – 1975, ao serviço da Emigração, viajou por Portugal e suas Regiões Autónomas e fez viagens marítimas contínuas, aéreas e intercontinentais pelo estrangeiro: Espanha, França, Suíça, Itália, Grécia, Inglaterra e Alemanha. Frequentava os navios de linha com trajeto regular, da Europa para todas as Américas, nomeadamente os países da América do Sul: Cuba, Haiti, Jamaica, Aruba, os Andes, Guadalupe, Martinica, Porto Rico, Trindade, Panamá, Colômbia, Venezuela, Brasil, Uruguai, Argentina e Curaçau). Visitou o Canadá, os Estados Unidos (Boston, Nova Iorque, Miami). Visitou o Irão, Dakar, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Senegal.
Quando a emigração se tornou intraeuropeia, foi colocado nas fronteiras de Portugal com a Espanha, e de Espanha com a França.
Falava fluentemente o Francês, o Inglês, o Castelhano e o Italiano.
1975 – Em novembro de 1975, numa das suas viagens de serviço no navio Eugénio C. ao fazer escala em Génova, e em consequência de uma atribulada mudança de camarote, António Vera teve a infelicidade de perder a pasta que continha as suas poesias, as quais tencionava publicar.
1976 – Na qualidade de Técnico Superior Principal é enviado para o Irão. Observando as condições em que se encontravam os emigrantes contratados pelas companhias estrangeiras de transportes de camionagem entre Teerão e Korramashar, no Golfo Pérsico, constatou o sofrimento destes, as doenças: anorexia, insónia, depressão, as condições desumanas em que trabalhavam, os impedimentos sociais e religiosos que os impossibilitavam de entrar em certos lugares ou de estar na companhia das suas mulheres. Redigiu um auto de reclamação, assinado pelos emigrantes. Na sua qualidade de representante do Estado português, pediu ao Ministério solução. Melo Antunes mandou a Teerão um avião militar e os emigrantes foram repatriados.
1977 – No final da sua atividade, enquanto Inspetor da Emigração, angariou um razoável número de crianças e idosos, incentivando-os a visitar a sua terra natal, ao mesmo tempo que recebia entidades da Emigração de outros países.
1978 – Manteve a mesma atividade até 1987, ano em que Manuela Aguiar entrou para a Secretaria de Estado da Emigração. Representou o Instituto de Apoio à Emigração no âmbito das atividades desenvolvidas de aproximação cultural do emigrante, quer no Instituto Universitário de Évora quer no Instituto Universitário de Trás-os-Montes e Alto Douro, nos quais conferencia e para os quais convida a participar vários conferencistas de origem portuguesa residentes no estrangeiro.
1988 – Aposentou-se aos sessenta e quatro anos.
2009 – Morre Maria Eduarda, companheira e apoiante de toda a vida, com 85 anos, após uma relação de 73 anos.
2012 – Devido a um grave problema respiratório, vem a falecer no Hospital Garcia de Horta, em Lisboa.
Atividade literária de António Vera
a) Período da juventude 1947 – 1952 Revista Seara Nova 13 de setembro de 1947 - poesia e prosa curta n.º 1057 de 1 de novembro de 1947: “Três sonhos do ex-menino” 24 de fevereiro de 1949.
António Vera (1947) é o nome literário sugerido por José Osório de Oliveira ao escolher a parte central do seu nome, com a qual assina a sua obra literária.
1947 e 1952, Revista Távola Redonda (5.º e 7.º fascículos - poesia), fundada por António Manuel Couto Viana e por David Mourão-Ferreira;
Atlântico-Revista Luso Brasileira no n.º 5, bem como na revista de outono de 1951.
Árvore - folhas de poesia.
O seu nome é mencionado no 1.º fascículo do outono de 1951 da revista Árvore, nas edições Távola Redonda, por Daniel Filipe (O viageiro solitário – 1951, p. 2) e António Manuel Couto Viana (O coração e a espada – 1953, p. 4.)
b) Período da maturidade 1972 – 1974 como voz institucional funda o Correio do Secretariado Nacional de Emigração, dedicado às comunidades portuguesas, com o apoio do Conselho Superior de Ministros e do Secretariado Nacional de Emigração, órgão surgido em 1972.
Havia sido o único responsável e redator do Boletim do Secretariado da Emigração do Ministério do Trabalho, distribuído em França, Espanha e Alemanha, com informação útil sobre os direitos locais dos trabalhadores, distribuído nos Consulados e nas associações de emigrantes.
1974 – Cria uma revista dirigida aos jovens filhos dos emigrantes: o Boletim da Amizade.
No dia 26 de abril de 1974 torna-se sócio da Sociedade Portuguesa de Autores com o n.º 4824.
c) Período frutuoso da senectude 1998 – Pública o seu primeiro volume de poesia cursivo menor.
À insistência da sua filha Maria José, (39 anos na altura) e incentivado por Maria Lúcia Lepecki publica o seu primeiro volume de poesia: cursivo menor (101 poemas numerados).
Tertúlia Rio de Prata Convida o poeta António Manuel Couto Viana para assistir ao lançamento do seu livro de poesia cursivo menor (101 poemas numerados) que, por sua vez o convida para a Tertúlia Rio de Prata. Num meio fértil de criatividade recomeça a sua atividade como autor de artigos em prosa em diversas publicações literárias e entra em várias antologias poéticas
Obras do autor
Livros de poesia cursivo menorcursivo menor, Lisboa, Edições Colibri, 1998.;
Palavras com rostoPalavras com rosto, Lisboa, Universitária Editora, 2000.;
As pestanas de AfroditeAs pestanas de Afrodite, Lisboa, Universitária Editora, 2001.;
Escrito na margemEscrito na margem, Lisboa, Edições Colibri, 2003.;
Sons que falam<ref>'Sons que falam, Lisboa, Edições Colibri, 2004.</ref>;De amor e desengano'De amor e desengano, Lisboa, Edições Colibri, 2005.</ref>;Dedicado aos chiquinhosDedicado aos chiquinhos, Vila Nova de Gaia, Lavra... Editorial, col. «Literatura d’agrafo» n.º 18, 2005 [Opúsculo. Edição fora do mercado editorial].;Estrofes elementaresEstrofes elementares, Lisboa, Edições Colibri, 2007.,;Amor sempre e a seguirAmor sempre e a seguir, Lisboa, Edições Colibri, 2009.;Folha a folha os diasFolha a folha os dias, Lisboa, Edições Colibri, 2010.;O frio das metáforasO frio das metáforas, Lisboa, Edições Colibri, 2011.;ApostilaApostila, edição póstuma, organizada, anotada e editada por Maria José Martins de Azevedo, Lisboa, Edições Colibri, 2015.;Obra CompletaObra Completa, edição organizada por Maria José Martins de Azevedo e José Fernando Tavares, vol. I (poesia), vol. II (poesia e prosa), Calçada das Letras, 2023..
2. Colaboração em Livros Homenagem a Almeida GarrettHomenagem a Almeida Garrett, volume organizado por Ulisses Duarte, com a participação dos escritores da Tertúlia Rio de Prata, Lisboa, Universitária Editora, 1999, p. 9.;Florilégio de Natal, pelos escritores da Tertúlia Rio de PrataFlorilégio de Natal, pelos escritores da Tertúlia Rio de Prata, Lisboa, (editoras diversas), 1999, p. 10; 2000, pp. 10-11; 2001, p. 7; 2002, p. 10; 2003, p. 9; 2004, p. 11; 2005, p. 14; 2006, p. 11; 2007, p. 9; 2008, p. 14; 2010, pp. 10-11; 2011, p. 14; 2012, p. 14.;Millenium – 77 Vozes de poetas portuguesesMillenium – 77 Vozes de poetas portugueses, coordenado e editado por Cristino Cortes, Lisboa, Universitária Editora, 2001, pp. 345-348.;Homenagem a José Régio<ref>'Homenagem a José Régio, compilação de Ulisses Duarte e coordenação de Pedro Valdoy, Lisboa, Editora Autores, 2002, p. 19.Timor, do poder das armas à força do amorTimor, do poder das armas à força do amor, coordenação de Maria Teresa Carrilho, Lisboa, Universitária Editora, 2002, pp. 245-247.;Interlúdios poéticosInterlúdios poéticos, organizado por Maria Teresa Maia Carrilho e Emanuel Sabino, Lisboa, universitária, 2002, pp. 131-134.;Louvor a Cascais – Antologia coordenada por Nídia HortaLouvor a Cascais – Antologia coordenada por Nídia Horta, Cascais, Câmara Municipal de Cascais, 2003, pp. 78-80.;Homenagem a Teixeira de Pascoaes, pelos escritores da Tertúlia Rio de Prata e convidadosHomenagem a Teixeira de Pascoaes, pelos escritores da Tertúlia Rio de Prata e convidados, Lisboa, 2004, p. 24.;Neruda, cem anos depois – Reflexos na poesia portuguesaNeruda, cem anos depois – Reflexos na poesia portuguesa, Coord. Cristino Cortes, Lisboa, Universitária Editora, 2004, pp. 120-121.;Poetânea 4, antologia poéticaPoetânea 4, antologia poética, coordenação de Julião Bernardes, 2006, pp. 21-32.;Crónicas do passado e do presenteRui Cacho, Crónicas do passado e do presente, Porto, Edium Editores, 2010, pp. 253-255.;
3. Colaboração em periódicos