José Agnaldo de Jesus (Macambira, 12 de outubro de 1967), mais conhecido apenas como Agnaldo (quando jogava, normalmente como volante) ou como Agnaldo de Jesus (após parar de jogar), é um ex-futebolista e treinador de futebol brasileiro, notabilizado sobretudo no Remo, em ambas as funções e também em cargos administrativos.

Mesmo não sendo considerado dos mais técnicos futebolistas que o clube teve na década de 1990,TAVERNARD, Mauro (2018). Especial Clube do Remo 113 Anos - Ídolos Eternos #1. Fenômeno Azul - a Revista da Torcedor Azulino n. 1. Diário do Pará, pp. 16-17 foi reconhecido como um volante de liderança, bravura e chegada ao gol, sendo eleito com ampla margem em 2020 como o melhor jogador nesse posição na história remista.

Agnaldo, como jogador, foi um dos ícones de um pentacampeonato paraense seguido dos azulinos junto a uma série de 33 clássicos Re-Pa seguidos sem derrotas. Como técnico, obteve o único título com 100% de aproveitamento do certame na era profissional e também promoveu a estreia de Rony no futebol adulto, ambos também a trabalho do Remo. Em ambas as funções, também foi campeão no próprio rival Paysandu.

Pela semelhança física com o personagem de Lug de Paula no programa televisivo Escolinha do Professor Raimundo, também se tornou conhecido como “Seu Boneco”.

Carreira de jogador Início Nascido no interior de Sergipe, iniciou-se já no Santos, ainda na categoria infantil, em 1981. Chegou a ser integrado à equipe adulta em 1984, mas faria por ela uma única partida, já no ano de 1987.OLIVEIRA, Evaldo Rodrigues (2021). AGNALDO (1987). Almanaque dos Craques - Santos F.C.. São Paulo: Editora Onze Cultural, p. 20 Antes, chegou a integrar entre 1986 e 1987 o São Bento de Sorocaba. Também em 1987, reforçou o VOCEM, de Assis, clube ao qual creditaria o verdadeiro início da carreira, conseguindo um título de acesso nas divisões inferiores do campeonato paulista.

Ao longo do ano de 1987, o Santos, por sua vez, teve para posições de volante jogadores como César Sampaio, Hugo de León e Dema, todos em algum momento premiados com a Bola de Prata da revista Placar. Em sua única partida pelo clube, Agnaldo entrou no decorrer de amistoso contra o Araçatuba (vitória de 1-0 no Adhemar de Barros), em 2 de dezembro, jogo no qual o treinador Geninho utilizou outros volantes na formação encabeçada pelo goleiro Rodolfo Rodríguez. Foi a última partida do Santos naquele ano.

Agnaldo inicialmente seguiu no VOCEM para 1988, ano em que também atuou pelo XV de Novembro, de Jaú. Em 1989, rumou ao Catanduvense, destacando-se na primeira divisão estadual também pelos cinco gols marcados – incluindo um sobre o Corinthians, em partida televisionada nacionalmente. Terminou contratado pelo Sport, vencendo em 1990 a Série B do Brasileirão naquele ano.

Pelo clube do Recife, disputou a Série A de 1991, em elenco que tinha também Paulo Victor, Mirandinha e Sérgio Alves.Sport C. Recife (1991). As figurinhas do Campeonato Brasileiro 91. São Paulo: Panini Group, pp 32-33 Naquele mesmo ano, reforçou pela primeira vez o Remo, que naquele primeiro semestre havia chegado às semifinais da Copa do Brasil de 1991.

Primeira passagem pelo Remo

Seus primeiros Re-Pas foram em triangular internacional amistoso com a equipe surinamesa do Transvaal; em dois clássicos com o Paysandu, em julho, empatou em 0-0 e perdeu de 2-1. Posteriormente, esteve em três dos quatro clássicos válidos pelo Estadual, sem perder: 1-1 pelo primeiro turno, 1-0 na final do primeiro turno e 0-0 pelo segundo turno.DA COSTA, Ferreira (2015). 1991. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 164-166 Na campanha campeã paraense de 1991, Agnaldo ausentou-se das cinco últimas partidas, mas foi titular na maior parte da trajetória, incluindo participações em triunfos de 3-0 e de 4-0 no clássico com a Tuna Luso.DA COSTA, Ferreira (2013). 1991 - Remo traz o técnico Waldemar Carabina, que comanda a conquista do Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 256-260

No primeiro semestre de 1992, Agnaldo contribuiu com três gols na campanha 4ª colocada na Série B do Brasileirão, suficiente ao acesso à primeira divisão para 1993.DA COSTA, Ferreira (2018). 1992 - Remo reedita bela campanha, termina em 4º lugar e ascende à 1ª Divisão em 1993. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 155-156 Aquela campanha nacional foi por mais de trinta anos a última vez em que o Remo subiu à Série A, com o rebaixamento sofrido dela em 1994 sujeitando o "Leão" a aguardar até 2025 para comemorar novamente nova promoção à elite.

No segundo semestre de 1992, Agnaldo inicialmente seguia invicto no Re-Pa: duas vitórias de 1-0 e um empate em 0-0 contribuíram para o “Leão” vencer o primeiro turno. O empate foi o 600º clássico, altura em que o Remo possuía 207 vitórias e 194 derrotas. Contudo, na sequência o rival obteve quatro vitórias seguidas por 1-0 e terminou campeão - além de, consequentemente, reduzir para nove jogos a desvantagem no duelo.DA COSTA, Ferreira (2015). 1992. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 166-168 Naquele momento, Agnaldo chegou a ser bastante criticado, sofrendo inclusive insinuações de que teria "se vendido" ao arquirrival.

Porém, o encontro seguinte, um 0-0 pelo amistoso Torneio Pará-Ceará em janeiro de 1993, daria início ao famoso tabu de 33 partidas de invencibilidade azulina no duelo. Agnaldo esteve presente ali e no clássico seguinte do torneio, partida que estava igualada em 1-1 e acabou oficializada em vitória de 1-0 após o rival abandonar o campo, protestando contra a marcação precisamente do pênalti que resultaria no gol do empate remista. Na sequência, o volante esteve em todos os duelos pelo estadual, que passava a realizar-se no primeiro semestre.DA COSTA, Ferreira (2015). 1993. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 169-171

O Remo foi o campeão paraense de 1993 com Agnaldo só ausentando-se de dois dos vinte jogos da equipe treinada por Givanildo Oliveira. O volante deixou gols no 2-2 com o Pinheirense e no 2-0 no Bragantino (primeiro turno), 4-0 no Santa Rosa, 2-0 no Pinheirense, 10-0 no Tiradentes (três jogos seguidos do segundo turno) e do 1-0 no jogo final com o Paysandu.DA COSTA, Ferreira (2013). 1993 - Remo contrata Cacaio, artilheiro, e se torna campeão invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 261-266 Foi o vice-artilheiro do elenco, com apenas um gol a menos que os sete anotados pelos artilheiros Cacaio e Tarcísio.DA COSTA, Ferreira (2018). 1993 - Campeão paraense, invicto. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 158 Ter feito o gol do título (em cabeceio forte, aproveitando lançamento de Cacaio) inclusive serviu-lhe para desabafar publicamente contra as insinuações ventiladas contra sua honestidade um semestre antes.

No segundo semestre de 1993, em elenco que possuía Giovanni, Alex Dias, Biro-Biro e Mauricinho, foi um dos líderes da melhor campanha de uma equipe do Norte do Brasil na primeira divisão do Brasileirão, um oitavo lugar. Ela também incluiu os dois últimos Re-Pas válidos pela Série A. Agnaldo esteve em ambos: vitória de 2-1 e empate em 1-1.

Em 1994, atuou apenas no mês de maio pelo Remo. Na campanha campeã paraense daquele ano, participou somente da vitória de 3-0 sobre o Tiradentes no dia 15, pelo segundo turno.DA COSTA, Ferreira (2013). 1994 - Remo investe alto, forma um grande time e se sagra bicampeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 271-275 Na segunda quinzena do mês, tomou parte da excursão à Europa, a primeira de uma equipe paraense, disputando em Toulon torneio amistoso contra clubes franceses e uma seleção de Bucareste.DA COSTA, Ferreira (2018). 1994 - Remo é o 1º time paraense a fazer excursão à Europa . A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 160 Agnaldo não esteve em nenhum dos dez Re-Pas do ano,DA COSTA, Ferreira (2015). 1994. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 172-174 tendo passado a temporada de 1994 basicamente como jogador do Taquaritinga e do Operário de Campo Grande.

O Remo acabaria o ano de 1994 rebaixado, sem voltar mais à primeira divisão até 2025. Procurado pelo Diário do Pará após essa espera de 31 anos terminar, Agnaldo comentou sobre 1994 que "o erro foi administração, vaidade e desorganização", relembrando as trocas frequentes de treinador e sequência de atrasos salariais - tônica que também teria contribuído para que elencos considerados fortes nos anos seguintes da década de 1990 não lograssem um retorno mais rápido à elite: "foram muitos anos de retrocesso, gestões erradas e contratações equivocadas. Mesmo assim, nós íamos para campo e conseguíamos grandes conquistas, porque o time era muito bom. Faltava uma gestão profissional e nós pecamos muito".

Segunda passagem pelo Remo

Agnaldo retornou do Mato Grosso do Sul ao Remo em 1995. Na campanha campeã paraense daquele ano, se ausentou de duas das quatorze partidas e fez gols no 5-0 no Pinheirense e então em três jogos seguidos: 2-0 no Pedreira, 4-0 no Sport Belém e 1-0 no Bragantino.DA COSTA, Ferreira (2013). 1995 - Remo traz Luis Muller que desequilibra e conquista o tricampeonato paraense. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 276-278 Foi o terceiro na artilharia do elenco treinado por Hélio dos Anjos.DA COSTA, Ferreira (2018). 1995 - Remo levanta mais um tricampeonato sem perder nenhuma partida . A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 161-162 Além dos dois Re-Pas ocorridos no Estadual (ambos vencidos por 1-0), Agnaldo também esteve em dois amistosos em agosto, válidos pela Taça Yamada (0-0 e vitória de 1-0, com gol dele).DA COSTA, Ferreira (2015). 1995. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 174-176 Posteriormente, com seis gols, acabou artilheiro azulino da campanha 5ª colocada na segunda divisão do Brasileirão.DA COSTA, Ferreira (2018). 1995 - Remo termina na 5ª colocação. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 162-163

O tetracampeonato paraense seguido do Remo veio no estadual de 1996. Ausente de três dos 22 jogos, Agnaldo fez gols no 6-1 no Bragantino, no 1-0 no Paysandu e em 2-0 novamente no Bragantino.DA COSTA, Ferreira (2013). 1996 - Remo consegue trazer Waldemar Carabina e levanta o Tetracampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 279 - 283 Em todos os Re-Pas do ano, só não atuou no primeiro e acabou protagonista naquela vitória estadual de 1-0 não apenas pelo gol: uma falta que ele cometera no adversário Sandro acabou assinalada pela arbitragem como favorável ao Remo e rendido um segundo cartão amarelo ao oponente. O rival já jogava sem outros dois expulsos e, revoltado, iniciou batalha campal antes de retirar-se do gramado. A partida, então empatada em 1-1, foi encerrada aos 39 minutos e o resultado foi alterado para 1-0 pela justiça desportiva. Adiante, o título fez o Remo ultrapassar o Paysandu em número de conquistas estaduais, 35 contra 34.DA COSTA, Ferreira (2015). 1996. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 176-178

Agnaldo também esteve nos dois Re-Pas pela Série B de 1996: 3-2 e 1-1. Naquela segunda divisão, o Remo acabou eliminado nos pênaltis pelo Londrina nas quartas-de-final, terminando na 7ª colocação geral.DA COSTA, Ferreira (2018). 1996 - 7º colocado na Série B do Brasileiro. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 164-165 No ano seguinte, a série de invencibilidade no Re-Pa prosseguiu inicialmente em triunfo de 4-2, com Agnaldo em campo, pela seletiva à Copa Norte de 1997. O 32º jogo seguido sem perder do rival veio já pelo estadual, triunfo de 2-1.DA COSTA, Ferreira (2015). 1997. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 178-180