Capitaloceno é um termo utilizado por alguns cientistas para determinar a atual época geológica do Planeta Terra, como substituto do Holoceno. A nomenclatura foi cunhada em 2009 por Andreas Malm como alternativa ao Antropoceno, criticando a ideia de "Era do Humano" e construindo uma noção de "Era do Capital", e melhor desenvolvida e popularizada pelo sociólogo Jason Moore e pela teórica feminista Donna Haraway a partir de 2012. Da mesma forma que com o Antropoceno, os teóricos do Capitaloceno divergem sobre a sua data de início. Malm situa este início ao uso de carvão como combustível fabril, no século XIX, enquanto Moore defende que o seu início está vinculado ao da expansão colonial europeia, ainda no século XV, por exemplo. O Capitaloceno "entende o capitalismo como uma maneira de organizar a natureza - como uma ecologia-mundo multiespécie, situada e capitalista".

Histórico O desenvolvimento dessa nomenclatura acontece a partir do entendimento de problemas na etimologia do Antropoceno. Enquanto este considera que as mudanças climáticas e ambientais do Planeta são produzidas pela atividade humana, os teóricos do Capitaloceno defendem que essa atividade é perpassada por relações politicas e econômicas de poder contextualizadas no sistema capitalista. Moore argumenta que mudanças climáticas serem exclusivamente categorizadas como antropogênicas é uma forma de culpar as vítimas de exploração, violência e pobreza por problemas que não são sua responsabilidade. O filósofo Anselm Jappe reitera que essas desregulações e desequilíbrios na estrutura geológica da Terra acontecem somente após a entrada da humanidade na sua fase capitalista.

Ver também

Antropocentrismo Antropoceno Donna Haraway Extinção em massa do Holoceno Fronteiras planetárias Geoengenharia

Bibliografia

Borinelli, B.; Coltro, F.; Rowiechi, J.; Da Silva, K. R. Natureza Barata e Desigualdade Hidrossocial no Capitaloceno, Revista Gestão & Conexão, 9(3), 122-146, 2021. Arons, W. We Should Be Talking about the Capitalocene. TDR, 67(1), 35-40, 2023. Arons, W. Tragedies of the Capitalocene. Journal of Contemporary Drama in English, 8(1), pp. 16-33, 2020 Haraway, D. (2016). Staying with the Trouble: Making Kin in the Chthulucene. Durham: Duke University Press. ISBN 978082236224. Haraway, D.; Ishikawa, N.; Gilbert, S. F.; Olwig, K.; Tsing, A. L.; Bubandt, N.. Anthropologists Are Talking – About the Anthropocene, Ethnos, 81:3, pp. 535-564, 2016. Moore, J. The Capitalocene Part II: accumulation by appropriation and thecentrality of unpaid work/energy. The Journal of Peasant Studies, 45(2), pp. 237–279, 2018. Moore, J. (org.) (2022) Antropoceno ou Capitaloceno? Natureza, história e a crise do capitalismo. São Paulo: Editora Elefante. ISBN 9786587235790.

Ligações externas

Editorial. "O que é o Antropoceno e por que esta teoria científica responsabiliza a humanidade?" National Geographic, 13 de julho de 2023. Ulloa, Astrid. "Vivemos no Capitaloceno?" Goethe-Institut, abril de 2019. Entrevista. "Capitaloceno e o desequilíbrio irreversível da Terra. Entrevista especial com Anselm Jappe" Instituto Humanitas Unisinos (IHU), 03 de junho de 2022. Simon, Matt. "Enter the Capitalocene: How Climate Change Will Ruin Capitalism" WIRED, 20 de setembro de 2019 Moore, Jason. "Who is responsible for the climate crisis?" MAIZE, 4 de novembro de 2019 Haraway, Donna. "Tentacular Thinking: Anthropocene, Capitalocene, Chthulucene" e-flux Journal #75, setembro de 2016. Editorial. "The Term “Anthropocene” Is Popular—and Problematic". Scientific American, 1 de dezembro de 2018. Instituto Humanitas Unisinos (IHU). "Antropoceno ou Capitaloceno?", 16 de julho de 2020.

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