A Classe Lexington foi uma classe de cruzadores de batalha planejada pela Marinha dos Estados Unidos, composta pelo , Constellation, , Ranger, Constitution e United States. Pedidos por cruzadores de batalha foram feitos desde 1911 em resposta à Classe Kongō da Marinha Imperial Japonesa, porém isto foi negado pelo Congresso dos Estados Unidos por motivos políticos. O que se tornaria a Classe Lexington foi finalmente aprovado em 1916, porém suas construções foram adiadas devido ao andamento da Primeira Guerra Mundial em favor de outras embarcações consideradas mais importantes. Durante este período seu projeto acabou sendo modificado várias vezes.
O projeto foi realizado pelo Escritório de Construção e Reparo da Marinha, que enfrentou dificuldades consideráveis em combinar as exigências ideais de poder de fogo, velocidade e proteção. Seu armamento originalmente seria de dez canhões de 356 milímetros, mas acabou alterado para oito armas de 406 milímetros a fim de permitir melhor blindagem e poder de fogo. A velocidade necessitaria de um sistema de propulsão de tamanho inédito em um navio capital norte-americano, demorando anos entre o projeto inicial e final para que a tecnologia de motores e caldeiras se desenvolvesse o suficiente para que o sistema ficasse compacto o bastante para permitir um nível prático de proteção.
Os cruzadores de batalha da Classe Lexington, como originalmente projetados, seriam armados com oito canhões de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Teriam um comprimento de fora a fora de 266 metros, boca de 32 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 45 mil toneladas Seus sistemas de propulsão seriam compostos por dezesseis caldeiras a óleo combustível que alimentariam quatro turbo-geradores, que por sua vez proporcionavam energia para oito motores elétricos até uma velocidade máxima de 33 nós (61 quilômetros por hora). Os navios teriam um cinturão principal de blindagem com 127 a 178 milímetros de espessura.
A construção dos navios finalmente começou em 1920 e 1921 depois do fim da guerra, porém eles foram cancelados em fevereiro de 1922 depois dos Estados Unidos ter assinado o Tratado Naval de Washington. Os termos do tratado permitiam a conversão de duas embarcações em construção para porta-aviões, com o Lexington e o Saratoga sendo escolhidos pois eram os dois que estavam com suas obras mais adiantadas. Suas conversões foram finalizadas em 1927 e os dois se tornaram membros da Classe Lexington de porta-aviões. As quatro embarcações restantes foram vendidas como sucata em 1923 e desmontadas ainda em suas rampas de lançamento pelos anos seguintes
Antecedentes Primeiros esboços Questões começaram a surgir no Colégio de Guerra Naval a partir de 1903 sobre a eficácia de cruzadores blindados grandes como aqueles da Classe Pennsylvania e Classe Tennessee que estavam na época entrando em serviço. O relatório da conferência anual de verão de 1903 do Colégio incluía um memorando sobre navios capitais armados apenas com armas grandes, também sugerindo um novo tipo de cruzador que seria armado e protegido de forma similar a um couraçado. A conferência de verão do ano seguinte considerou táticas para um navio armado com quatro canhões de 305 milímetros, 22 de 76 milímetros, quatro tubos de torpedo submersos e proteção estilo de um couraçado. Embarcações deste tipo eram essencialmente membros da Classe Tennessee com a bateria intermediária de 152 milímetros trocada por um armamento principal maior e blindagem mais pesada. Navios como esse figuraram pelos estudos do Colégio por anos, com o relatório da conferência de 1906 sobre o programa de construção naval dos Estados Unidos defendendo fortemente a construção das embarcações como batedores e alas rápidas em ações de frota, além de que fossem resistentes a projéteis de 305 milímetros. Tanto o Conselho Geral da Marinha dos Estados Unidos quanto o Secretário da Marinha se recusaram a adotar as propostas dos novos cruzadores blindados, possivelmente porque o país já tinha dez cruzadores blindados em serviço. Mesmo assim, o Colégio continuou testando o projeto contra uma variedade de navios estrangeiros.
A conferência de verão de 1908 passou a favorecer cruzadores de batalha sobre cruzadores blindados. O alcance cada vez maior de torpedos e as distâncias em que esperava-se que duelos de artilharia fossem ser travados pareciam favorecer velocidade sobre blindagem. Oficiais de artilharia destacaram o "valor de chegar ao alcance primeiro e então sufocar ou derrotar o fogo do inimigo antes dele chegar no alcance". A conferência concluiu que valeria a pena construir cruzadores de batalha, mas que deveriam ser considerados na mesma catedoria de cruzadores blindados, dando apoio para a frota mas sem lutarem em linha como os couraçados. Uma velocidade máxima pelo menos vinte por cento acima daquela dos couraçados foi recomendada. Esperava-se que os couraçados norte-americanos sendo construídos na época alcançassem 21 nós (39 quilômetros por hora), assim a velocidade para os cruzadores de batalha deveria ser de pelo menos 25 nós (46,3 quilômetros por hora). O Escritório de Construção e Reparo esboçou alguns navios no ano seguinte à pedido do Secretário da Marinha, sendo equivalentes mais rápidos dos couraçados da Classe Wyoming. Um casco de 204 metros com deslocamento de 26,4 mil toneladas poderia permitir 25,4 nós (47 quilômetros por hora), armado com oito canhões calibre 50 de 305 milímetros e blindagem equivalente. A economia de peso vinda da eliminação de duas das seis torres de artilharia da Classe Wyoming mais do que equilibriam o comprimento maior e altura do cinturão principal. Um cinturão ampliado era necessário devido ao casco mais profundo, pois todos os estudos de cruzadores de batalha norte-americanos necessitavam de cascos profundos a fim de manter a força de suas vigas, já que esses cascos teriam de ser muito compridos para poderem alcançar as velocidades exigidas. Caso o cinturão principal tivesse sua espessura reduzida em média em 76 milímetros, uma quinta torre de artilharia poderia ser adicionada. Quatro propostas intermediárias incluíam uma com blindagem intermediária e oito canhões de 305 milímetros e uma com a blindagem da Classe Wyoming com seis armas. O Conselho Geral ficou com esses esboços, mas não recomendou suas construções.
Pacífico e Japão Enquanto isso, a Marinha Imperial Japonesa aniquilou a Marinha Imperial Russa em 1905 na Batalha de Tsushima. O Japão já era uma preocupação dos Estados Unidos. O almirante Alfred Thayer Mahan tinha em 1897 avisado Theodore Roosevelt, então Secretário Assistente da Marinha, sobre a probabilidade muito maior de uma guerra no Oceano Pacífico do que no Oceano Atlântico. Roosevelt, depois quando Presidente dos Estados Unidos e antes de Tsushima, escreveu ao diplomata britânico Cecil Spring Rice que "Os Japas me interessam e eu gosto deles. Estou perfeitamente consciente de que se eles vencerem isso possivelmente significa uma disputa entre eles e nós no futuro". Tsushima selou o resultado da Guerra Russo-Japonesa, cimentou a ascensão do Japão como potência mundial e iniciou um período de rivalidade com os Estados Unidos sobre intenções no Oceano Pacífico, pois agora os dois países tinham se transformado nas potências militares dominantes da região. Uma consequência imediata foi a construção de quatro cruzadores blindados da Classe Tsukuba. Estes foram armados com quatro canhões de 305 milímetros, armas geralmente destinadas à navios capitais e inéditas em cruzadores blindados. Seu cinturão principal e torres de artilharia tinham blindagem de 203 milímetros de espessura, convés de 76 milímetros e velocidade máxima de 20,5 nós (38 quilômetros por hora). A intenção da Classe Tsukuba era substituir os couraçados japoneses mais antigos, demonstrando assim a intenção da Marinha Imperial de continuar a usar cruzadores blindados em batalhas de frota. Também eram exatamente o tipo de navio que o Colégio tinha defendido antes de passar a defender cruzadores de batalha.
thumb|240px|esquerda|O , o primeiro cruzador de batalha japonês e que levou ao desenvolvimento da Classe Lexington A Marinha dos Estados Unidos não reagiu à medida que a Marinha Real Britânica e Marinha Imperial Alemã construíam números cada vez maiores de cruzadores de batalha, porém sua atitude mudou completamente quando o Japão iniciou as obras do primeiro membro da Classe Kongō no Reino Unido em janeiro de 1911. A Inteligência Naval confirmou em 13 de junho que este seria o primeiro de quatro navios, com os três restantes construídos no Japão, formando assim uma divisão. O Secretário da Marinha pediu ao Conselho Geral no dia seguinte que considerasse a construção de cruzadores de batalha para serviço no Oceano Pacífico, pois os navios da Classe Pennsylvania e Classe Tennessee não eram mais considerados viáveis diante de tal oposição. O Conselho Geral recusou, pois não estava disposto a abrir mão da construção de couraçados em favor de embarcações auxiliares como cruzadores de batalha. Foi sugerido em 29 de agosto que o Escritório de Construção e Reparo pesquisasse um navio de trinta mil toneladas com velocidade de 29 nós (54 quilômetros por hora), armado com oito canhões de 356 milímetros, 24 canhões de 127 milímetros e um sistema de proteção comparável aos couraçados da Classe Nevada. Este pedido era essencialmente uma versão norte-americana da Classe Kongō.
O Escritório de Construção e Reparo, devido à falta de urgência do Conselho Geral, demorou quase um ano para pesquisar o projeto. A bateria principal de oito canhões de 356 milímetros foi mantida constante enquanto outros fatores eram calculados: velocidades de 26, 29 e 32 nós; autonomias de cinco, sete e oito mil milhas náuticas; e cinturão principal de 203, 283 e 256 milímetros de espessura. O construtor naval R. H. Robinson apresentou estes estudos em uma palestra no Colégio em 12 de julho com o Conselho Geral na plateia. Ele enfatizou que 203 milímetros era o mínimo absoluto para proteção de blindagem e recomendou uma autonomia de oito mil milhas náuticas (14,8 mil quilômetros), a mesma dos couraçados. O Conselho Geral pediu dois cruzadores de batalha para o Programa de Construção Naval de 1914 e uma versão ligeiramente modificada do navio proposto ao Escritório de Construção e Reparo, porém o Colégio achou que o projeto tinha problemas sérios e que um couraçado rápido seria uma opção mais prática.
Entretanto, o clima político não era favorável. Acreditava-se que o Congresso dos Estados Unidos não aprovaria a construção de cruzadores de batalha sem reduzir o número de couraçados, assim a Marinha decidiu que couraçados, como aqueles da Classe Nevada que tinham acabado de ter suas obras iniciadas, eram mais importantes, pois achavam que o Congresso não estava aprovando couraçados o suficiente. O Conselho Geral presumiu em 1903 que os Estados Unidos iriam construir dois couraçados por ano, porém o Congresso acabou aprovando apenas um navio em 1904, dois em 1905, um tanto para 1906 quanto para 1907, dois para 1910 e depois um para 1912 e 1913.