Flowers for Algernon é um conto do autor americano Daniel Keyes, posteriormente expandido em um romance por ele e depois adaptado para cinema e outras mídias. O conto, escrito em 1958 e publicado pela primeira vez na edição de abril de 1959 da The Magazine of Fantasy & Science Fiction, ganhou o Prêmio Hugo de Melhor Conto em 1960. O romance foi publicado em 1966 e foi co-vencedor do Prêmio Nebula de Melhor Romance daquele ano (junto com Babel-17).
Algernon é um rato de laboratório que passou por uma cirurgia para aumentar sua inteligência. A história é contada por uma série de relatórios de progresso escritos por Charlie Gordon, a primeira cobaia humana submetida à cirurgia, e a história aborda temas éticos e morais, como o tratamento de deficientes mentais.
Embora o livro tenha sido frequentemente contestado para remoção de bibliotecas nos Estados Unidos e no Canadá, às vezes com sucesso, ele é frequentemente ensinado em escolas de todo o mundo e foi adaptado muitas vezes para televisão, teatro, rádio e também como o filme vencedor do Óscar Charly.The 100 Most Frequently Challenged Books of 1990–1999 -ALA.org
História As ideias para Flores para Algernon se desenvolveram ao longo de 14 anos e foram inspiradas por acontecimentos na vida de Keyes, começando em 1945 com o conflito de Keyes com seus pais, que insistiam em uma educação pré-médica, apesar de seu desejo de seguir a carreira de escritor. Keyes sentiu que sua educação estava criando uma barreira entre ele e seus pais, e isso o levou a pensar no que aconteceria se fosse possível aumentar a inteligência de uma pessoa. Com base nessas considerações, Keyes desenvolveu ainda mais as suas ideias para Flowers for Algernon, transformando o conceito inicial no que Keyes afirmou ser "uma tragédia clássica". Keyes, em seu livro de memórias de 1999, Algernon, Charlie and I: A Writer's Journey, explica mais sobre seu processo de escrita criativa e relata os principais pensamentos para a concepção de Flowers for Algernon. Ele disse que se inspirou no ditado de Aristóteles na Poética, que afirma que uma tragédia só pode ocorrer para os nobres, porque só se pode sofrer uma queda trágica de uma grande altura. O pensamento de Keyes foi: “vamos testar isso”. Assim, ele fez do personagem principal de sua história uma pessoa inicialmente "de origem inferior" (um jovem com deficiência mental), que depois se tornou um "de origem nobre" após os procedimentos de aprimoramento da inteligência. Seu objetivo era elevar tal personagem às alturas da genialidade ao custo de ser desconectado antes de perder tudo.
Um momento crucial ocorreu em 1957, quando Keyes ensinava inglês para alunos com necessidades especiais, e um deles perguntou se seria possível o aluno ser colocado em uma classe norma se ele se esforçasse e se tornasse inteligente. Keyes também testemunhou a mudança drástica em outro aluno com dificuldades de aprendizagem que regrediu depois de ter sido afastado das aulas regulares. Keyes disse que "Quando ele voltou para a escola, ele havia perdido tudo. Ele não sabia ler. Ele voltou a ser o que era. Foi de partir o coração."
Os personagens do livro foram baseados em pessoas da vida de Keyes. O personagem Algernon foi inspirado em uma aula de dissecação universitária, e o nome foi inspirado no poeta Algernon Charles Swinburne. Nemur e Strauss, os cientistas que desenvolvem a cirurgia de aprimoramento da inteligência na história, foram baseados em professores que Keyes conheceu enquanto estava na pós-graduação. Os eventos que Charlie vivencia também foram baseados na vida de Keyes, incluindo o teste de Rorschach e a frustração de Charlie com ele, que foi inspirada na experiência anterior de Keyes com o teste quando ele explorava as causas de sua ansiedade como estudante universitário. Enquanto desenvolvia sua história, ele transformou satiricamente seu frustrante orientado de testes e medições em Burt, o testador que também frustra Charlie.
Em 1958, Keyes foi abordado pela revista Galaxy Science Fiction para escrever uma história, momento em que os elementos de Flowers for Aglernon se encaixaram. Quando a história foi submetida ao Galaxy, no entanto, o editor Horace Gold sugeriu mudar o final para que Charlie mantivesse sua inteligência, se casasse com Alice Kinnian e vivesse feliz para sempre. Keyes recusou-se a fazer a mudança e, em vez disso, vendeu a história para a The Magazine of Fantasy & Science Fiction.
Keyes trabalhou no romance expandido entre 1962 e 1965 e inicialmente tentou vendê-lo para a Doubleday, mas eles também queriam mudar o final. Novamente, Keyes recusou e devolveu o adiantamento à Doubleday. Cinco editoras rejeitaram a história ao longo de um ano até que ela foi publicada pela Harcourt em 1966.
História de publicação O conto "Flowers for Algernon" foi publicado pela primeira vez como conto principal na edição de abril de 1959 da The Magazine of Fantasy & Science Fiction. Foi posteriormente reimpresso em The Best from Fantasy and Science Fiction, 9ª série (1960), o Fifth Annual of the Year's Best Science Fiction (1960), Best Articles and Stories (1961), Literary Cavalcade (1961), The Science Fiction Hall of Fame, Volume One, 1929–1964 (1970), e The Magazine of Fantasy & Science Fiction: A 30-Year Retrospective (1980).
A Magazine of Fantasy & Science Fiction reimprimiu o conto original em sua edição de maio de 2000 junto com um ensaio intitulado "Algernon, Charlie and I: A Writer's Journey" pelo autor. A capa da revista anunciava a combinação com “Flores para Algernon / Daniel Keyes / a história e sua origem”.
O romance expandido foi publicado pela primeira vez em 1966 por Harcourt Brace com a brochura Bantam em 1968. Desde 1997, o romance não tinha esgotado desde sua publicação. Em 2004, foi traduzido para 27 idiomas, publicado em 30 países e vendido mais de 5 milhões de cópias.
O romance teve sua primeira edição brasileira em junho de 2018, traduzido por Luisa Geisler e publicado pela Editora Aleph. Em dezembro de 2022, uma edição foi lançada em Portugal pela Editora Relógio D'Água, com tradução de José Mario Silva.
Sinopse O conto e o romance compartilham muitos pontos de trama semelhantes, mas o romance expande significativamente o estado emocional em desenvolvimento de Charlie, bem como sua inteligência, suas memórias de infância e o relacionamento com sua família. Ambos são apresentados como uma série de entradas de diário ("relatórios de progresso") escritas pelo protagonista, Charlie Gordon. O estilo, a gramática, a ortografia e a pontuação desses relatórios refletem mudanças em seu crescimento mental e emocional.
Conto Charlie Gordon é um homem de 37 anos com QI de 68 que trabalha como zelador em uma fábrica. Em seu trabalho, seus principais "amigos" são seus colegas de trabalho Joe Carp e Frank Reilly, mas mal sabe ele que Joe e Frank frequentemente o intimidam e zombam dele pelas costas. Charlie frequenta um programa de alfabetização ministrado pela Sra. Kinnian na esperança de melhorar sua inteligência. Ele é selecionado para se submeter a uma técnica cirúrgica experimental para aumentar sua inteligência. A técnica já foi testada em vários animais não humanos; o grande sucesso foi com Algernon, um rato de laboratório. Embora estes testes tenham sido frutíferos, os resultados completos do procedimento eram desconhecidos. A cirurgia de Charlie também é um sucesso e seu QI triplica.
Com uma inteligência aumentada, ele percebe que seus colegas de fábrica, que ele pensava serem seus amigos, só gostavam de tê-lo por perto para poderem provocá-lo. Sua nova inteligência assusta seus colegas de trabalho, e eles iniciam uma petição para que ele seja demitido. Além disso, a perspectiva de Charlie sobre seus professores muda negativamente quando ele reconhece que o Dr. Nemur está apenas usando Charlie para avançar em sua carreira científica, em vez de altruisticamente ajudá-lo a se tornar mais inteligente. Mais tarde, Charlie demonstra coragem ao defender um lavador de pratos oligofrênico de 16 anos que é ridicularizado pelos clientes em um restaurante local. À medida que a inteligência de Charlie atinge o pico, a de Algernon diminui repentinamente. O rato perde a inteligência aumentada e a idade mental antes de morrer; Charlie o enterra no quintal de sua casa. Charlie percebe que seu aumento de inteligência também é temporário e que seu destino será o mesmo de Algernon. À medida que os efeitos de sua deterioração mental se tornam mais evidentes, ele encontra falhas no experimento, que chama de "Efeito Algernon-Gordon". Quando termina o seu trabalho, a sua inteligência regrediu ao seu estado original. Charlie está ciente e magoado com o que está acontecendo com ele, pois perde o conhecimento e a capacidade de ler e escrever. Ele retoma seu antigo emprego como zelador na fábrica e tenta voltar a ser como as coisas costumavam ser, mas não consegue suportar a pena e a culpa das pessoas ao seu redor, incluindo seus colegas de trabalho, sua senhoria e a Sra. Kinnian. Charlie afirma que planeja "ir embora" de Nova York, e seu último desejo é que alguém coloque flores no túmulo de Algernon.
Romance O romance abre com uma epígrafe retirada do Livro VII de A República de Platão:
Charlie Gordon, 32 anos, demonstra um QI de 68. Seu tio providenciou para que ele tivesse um emprego braçal em uma padaria (não em uma fábrica), para que ele não tivesse que morar na Warren State Home and Training School, uma instituição estatal. Desejando melhorar, Charlie frequenta aulas de leitura e escrita, ministradas pela senhorita Alice Kinnian, no Beekman College Center for Retarded Adults. Dois pesquisadores de Beekman, Professor Nemur e Dr. Strauss, estão procurando uma cobaia humana para testar uma nova técnica cirúrgica destinada a aumentar a inteligência. Eles já realizaram a cirurgia em um rato chamado Algernon, resultando em uma melhora dramática em seu desempenho mental. Com base na recomendação de Alice e em sua motivação para melhorar, Nemur e Strauss escolhem Charlie em vez de alunos mais inteligentes para se submeter ao procedimento.
A operação foi bem-sucedida e o QI de Charlie chega a 185 durante os próximos três meses. Ao mesmo tempo, ele começa a relembrar sua infância e lembra que sua mãe, Rose, abusou dele fisicamente e desperdiçou dinheiro em tratamentos falsos para sua deficiência, enquanto sua irmã mais nova, Norma, se ressentia dele. À medida que a inteligência, a educação e a compreensão do mundo de Charlie aumentam, seu relacionamento com as pessoas se deteriora. Seus colegas de trabalho na padaria, que costumavam se divertir às suas custas, agora temem e se ressentem de sua inteligência crescente e convencem seu chefe a demiti-lo. Alice inicia um relacionamento com Charlie, mas termina com ele depois de perceber que não consegue mais se identificar com ele e afirma que sua inteligência mudou sua personalidade. Mais tarde, Charlie perde a confiança em Strauss e principalmente em Nemur, acreditando que eles o consideravam uma cobaia de laboratório e não um humano antes da operação. Durante uma convenção científica em Chicago, Charlie se sente humilhado ao ser tratado como um experimento e foge com Algernon em retaliação.
Depois de se mudar para Manhattan com Algernon, Charlie se envolve em um relacionamento com Fay Lillman, sua vizinha, que diminui sua solidão. Após um incidente com um ajudante de garçom deficiente, Charlie se inspira para continuar a melhorar o experimento de Nemur e Strauss e se candidata a uma bolsa. No entanto, ele percebe que Algernon está começando a se comportar de maneira irregular. Em sua pesquisa, ele descobre uma falha por trás do procedimento de Nemur e Strauss que indica que ele pode perder sua inteligência e possivelmente regredir ao seu estado anterior. Antes que isso aconteça, Charlie publica suas descobertas como o "efeito Algernon-Gordon", enquanto Algernon morre.