miniaturadaimagem|Montagem de fotos da cidade de São Paulo, Brasil. Do alto, em sentido horário: Catedral da Sé; visão geral do centro velho da cidade a partir do Edifício Copan; Monumento às Bandeiras; Museu de Arte de São Paulo (MASP) na Avenida Paulista; Museu do Ipiranga e Ponte Octávio Frias de Oliveira na Marginal Pinheiros. Esta lista de patrimônios culturais da cidade de São Paulo é uma lista que inclui todos os patrimônios ainda existentes reconhecidos pelo Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, que tem como atribuição a função de proteger e valorizar o patrimônio cultural e a memória da cidade, por meio de resoluções do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), tombamentos, registros na lista de Patrimônio Cultural e Imaterial do Município de São Paulo, inserções no Inventário Memória Paulistana, na distribuição de Selos de Valor Cultural do Conpresp e pela Legislação de referência com inserções na lista por meio de decretos.

Em todas categorias se encaixam bens móveis, imóveis, edificações, monumentos, bairros, núcleos históricos, áreas naturais, bens imateriais, e outros locais relevantes à cultura, patrimônio público ou a memória histórica da cidade.

História A cidade de São Paulo é um entrelaçamento multifacetado e complexo de elementos que desafiam a compreensão histórica. Sua essência está enraizada na constante transformação, que alternadamente esconde e disfarça o que existia anteriormente, criando falsos antagonismos entre os diversos períodos históricos que a constituem.Guia de bens culturais da cidade de São Paulo. [s.l: s.n.].

A cidade de São Paulo foi moldada por sua localização natural, que direcionou sua formação e crescimento. Sua paisagem revela a interação entre as colinas e planícies, os rios e as várzeas, adaptados por configurações e formas espaciais diversas, bem como por práticas sociais distintas, que deram origem a suas múltiplas identidades. Outro aspecto fundamental na configuração da cidade é a relação entre espaços cheios e vazios, que com o tempo se inverteu, conferindo novos significados às ruas que uma vez foram antigos caminhos, responsáveis pela expansão do núcleo original que se estabeleceu entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Esses caminhos, muitos deles utilizados anteriormente pelos povos indígenas, deram origem a assentamentos primários que se tornaram futuros bairros.

A paisagem urbana atual de São Paulo é rica em contrastes e resulta da dinâmica que se estabeleceu a partir do século XIX, quando a ferrovia e a indústria se tornaram os principais impulsionadores da urbanização. A cidade atraiu levas de trabalhadores, imigrantes e brasileiros, brancos e negros, que contribuíram para seu desenvolvimento. miniaturadaimagem|267x267px|Vale do Anhangabaú em São Paulo, um dos centros urbanos mais densos de São Paulo na década de 30. No entanto, a dificuldade de acesso e uso da terra, já presente desde o período colonial, se intensificou, especialmente após a Lei de Terras de 1850, que regulamentou a compra e venda de propriedades territoriais. Isso teve grandes repercussões na estrutura urbana da cidade, levando ao loteamento de vastas áreas ao redor da cidade de acordo com as demandas do mercado, dando origem a novos bairros. O processo de expansão da cidade incluiu obras de saneamento e de infraestrutura viária, bem como a oferta de serviços públicos, como transporte, abastecimento de água e iluminação, frequentemente concedidos a particulares pelo governo. Além disso, surgiram órgãos públicos especializados para lidar com as novas questões urbanas. A legislação de uso do solo, refletindo o conceito moderno de zoneamento funcional, favoreceu algumas áreas em detrimento de outras, resultando em bairros-jardins, áreas verticalizadas e periferias irregulares.

A década de 1950 marcou uma transformação fundamental na paisagem urbana, à medida que a cidade passou a se verticalizar, abandonando seu perfil predominantemente horizontal. Esse período também testemunhou a adoção do ideário norte-americano, consolidando São Paulo como uma metrópole através da substituição de antigas estruturas no centro da cidade por novos edifícios e amplas avenidas.

A partir dos anos 1960, a construção da cidade passou a focar cada vez mais em questões de mobilidade urbana e metropolitana. Além de alterar as configurações espaciais, as obras de vias e transporte modificaram as práticas sociais e as relações de vizinhança nos bairros, afetando o senso de pertencimento à cidade.

Além das camadas de geografia, infraestrutura, equipamentos e legislação, também existem camadas formadas por elementos históricos, arquitetônicos, sociais e interpessoais, que conferem uma variedade de significados à cidade como um artefato cultural e afetivo.

Centro histórico (Núcleo original) No início do século XIX, a área urbanizada de São Paulo estava limitada ao Triângulo, uma colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, com ruas, igrejas e conventos. A partir dos anos 1860, o Triângulo se tornou o centro das transformações da cidade, com investimentos em setores financeiros, industriais e de infraestrutura urbana. Isso levou a uma mudança nas práticas sociais, tornando-as mais cosmopolitas e burguesas. A cidade se expandiu além do Triângulo, com novos estabelecimentos, estações ferroviárias e edifícios modernos substituindo as construções antigas de taipa. Em 1914, o Triângulo tinha edifícios de vários pavimentos, bancos e escritórios. Nas décadas de 1950, outros bairros assumiram a função de centros regionais, mas a área central foi revitalizada a partir dos anos 1990 com investimentos públicos. +NomeImagemNotasBeco do Pintosemmoldura|126x126pxCasa da Bóiasemmoldura|100x100pxCasa Número Umsemmoldura|133x133pxCatedral Metropolitana de São Paulosemmoldura|135x135pxCentro Cultural Banco do Brasilsemmoldura|150x150pxEdifício Casa das Arcadassemmoldura|100x100pxEdifício do Banco de São Paulosemmoldura|100x100pxEdifício do London & River Plate Banksemmoldura|100x100pxEdifício do Banco Paulista do Comérciosemmoldura|100x100pxEdifício Guinle e Cia.semmoldura|166x166pxEdifício Riachuelosemmoldura|151x151pxEdifício Saldanha Marinhosemmoldura|100x100pxEdifício Sampaio Moreirasemmoldura|100x100pxEdifício Tereza Toledo Larasemmoldura|100x100pxEdifícios das Secretarias da Agricultura e da Fazendasemmoldura|100x100pxEdifício Triângulosemmoldura|133x133pxProjeto da década de 1950 do renomado arquiteto Oscar Niemeyer. Seu interior dispõe de um grande painel do artista modernista Di Cavalcanti.Escola de Comércio Álvares Penteadosemmoldura|100x100pxFaculdade de Direito de São Paulosemmoldura|100x100pxIgreja da Ordem Terceira da Nossa Senhora do Carmosemmoldura|133x133pxIgreja de Nossa Senhora da Boa Mortesemmoldura|100x100pxIgreja de Santo Antôniosemmoldura|178x178pxIgreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceirasemmoldura|100x100pxIgreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menoressemmoldura|100x100pxIgreja e Mosteiro de São Bentosemmoldura|100x100pxLargo de São Bentosemmoldura|100x100pxLargo de São Franciscosemmoldura|100x100pxPalácio da Justiça de São Paulosemmoldura|100x100pxPátio do Colégiosemmoldura|100x100pxPraça da Sésemmoldura|100x100pxPraça do Patriarcasemmoldura|100x100pxSolar da Marquesa de Santossemmoldura|100x100pxViaduto do Chásemmoldura|100x100pxViaduto Santa Ifigêniasemmoldura|100x100px

Parque Dom Pedro II Localizado no Vale do Rio Tamanduateí, a área atual do Parque Dom Pedro II, na Várzea do Carmo, já foi uma região atravessada por trilhas indígenas em tempos remotos. Durante muito tempo, representou um desafio para a expansão da cidade na direção leste, devido às frequentes inundações. Até o início do século XIX, o rio serpenteava pelo vale, era navegável e abrigava portos importantes, como o Porto Geral, que era o principal ponto de abastecimento da cidade. Nesse período, a várzea era utilizada para várias finalidades, incluindo a lavagem de roupa, o pastoreio, o despejo de lixo e como um ponto de passagem pelo Aterrado do Carmo, ligando a colina central ao Caminho do Brás, que se estendia em direção a Penha, São Miguel e Rio de Janeiro.

A partir de 1867, a Várzea do Carmo passou a desempenhar um papel determinante devido à implantação da estrada de ferro de Santos a Jundiaí e ao desenvolvimento de bairros industriais ao redor do Rio Tamanduateí. Também houve várias tentativas de saneamento e transformação em uma área arborizada.

A primeira dessas tentativas ocorreu durante o governo de João Teodoro, de 1872 a 1875, quando foi criada a "Ilha dos Amores" na região, um local de lazer com atividades como banhos, esportes náuticos e diversões, mas que logo foi abandonado. Somente no início do século XX, a ideia de criar um jardim público na Várzea do Carmo foi retomada com a proposta de 1911 do arquiteto francês Joseph-Antoine Bouvard, que também coordenou o projeto do Parque do Anhangabaú. No entanto, foi apenas entre 1916 e 1918, com as obras de saneamento e canalização do rio, que o projeto do parque pôde ser efetivamente desenvolvido pelo arquiteto franco-suíço Francisque Couchet, que manteve a concepção original de Bouvard com poucas alterações. O Parque Dom Pedro II, com suas áreas de recreação, lago, caminhos sinuosos, arborização e o Palácio das Indústrias, um pavilhão de exposições, foi inaugurado em 1922, integrando os bairros da Zona Leste ao centro da cidade.

Entretanto, o Parque começou a ser modificado com as obras do Plano de Avenidas de Prestes Maia na década de 1940 e enfrentou uma situação ainda mais desafiadora a partir do final dos anos 1960, com a realização de obras viárias de ligação metropolitana. Nos últimos trinta anos, as propostas de recuperação do Parque não foram totalmente implementadas ou o foram de maneira parcial, não sendo suficientes para revitalizar a área. Isolado na malha urbana e com espaços fragmentados, o Parque Dom Pedro II representa o descuido em relação às soluções viárias e de transporte público em detrimento de seu valor histórico e ambiental. +NomeImagemNotasMercado Municipal de São Paulosemmoldura|100x100pxPalácio das Indústriassemmoldura|100x100pxProjetado pelo renomado arquiteto Ramos de Azevedo e resturado posteriormente pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi.Complexo do Gasômetrosemmoldura|100x100px

Vale do Anhamgabaú O Vale do Anhangabaú passou por diversas transformações ao longo de sua história, refletindo as mudanças sociais e urbanas da cidade. Originalmente, era um obstáculo natural na colina onde a cidade teve origem, mantendo um aspecto semirrural até o final do século XIX. Era ocupado por quintais a leste e pela Chácara do Chá a oeste. Com a chegada da ferrovia em 1867 e a expansão da "cidade nova" a oeste do vale, a paisagem urbana começou a se desenvolver. Em 1892, o primeiro Viaduto do Chá foi construído, e em 1906, o Ribeirão do Anhangabaú, já canalizado, foi coberto.

Em 1910, o vale passou por um projeto de embelezamento urbano nos moldes parisienses, sob a orientação do arquiteto Joseph Antoine Bouvard. O "Parque Anhangabaú" foi criado, transformando-o em um amplo passeio público ajardinado. Na década de 1920, edifícios de concreto armado começaram a surgir, alterando a paisagem. Nas décadas seguintes, o Plano de Avenidas de Prestes Maia substituiu os jardins por vias de tráfego rápido.

Em 1991, um projeto dos arquitetos Jorge Wilheim, Jamil Kfouri e Rosa Klias transformou o vale novamente. Vias de tráfego rápido foram direcionadas em túneis, permitindo a criação de uma grande laje com jardins, devolvendo o espaço aos pedestres. O vale é agora ladeado por edifícios de concreto armado e vidro, lembrando cidades norte-americanas do século XX, com elementos europeus do século XIX. Com os viadutos do Chá e Santa Ifigênia como moldura, o Vale do Anhangabaú reflete o dinamismo da cidade em constante transformação.