A Classe Derfflinger foi uma classe de cruzadores de batalha operada pela Marinha Imperial Alemã, composta pelo , e . Suas construções começaram em 1912 e 1913, foram lançados ao mar em 1913 e 1915 e comissionados na frota alemã em 1914, 1915 e 1917. As embarcações foram resultado de pressão pública oriunda do envolvimento britânico na Crise de Agadir, o que fez a Dieta Imperial aprovar o orçamento para a construção de novos cruzadores de batalha. Os três navios da Classe Derfflinger eram bem similares ao seu predecessor , mas possuíam dimensões maiores e também um armamento principal mais poderoso.

Os cruzadores de batalha da Classe Derfflinger eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de mais de 210 metros, boca de 29 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 31 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por 22 caldeiras mistas de carvão e óleo combustível que alimentavam quatro turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 26 nós (47 quilômetros por hora). Eram protegidos por um cinturão principal de blindagem que tinha entre cem e trezentos milímetros de espessura.

Os navios entraram em serviço durante a Primeira Guerra Mundial. O Derfflinger participou da maioria das ações navais alemãs, incluindo as Batalhas de Dogger Bank em 1915 e Jutlândia em 1916. O Lützow só participou da Jutlândia. Durante esta batalha eles afundaram os cruzadores de batalha e , porém o Lützow foi seriamente danificado e precisou ser afundado. O Hindenburg entrou em serviço muito tarde para participar de alguma ação. Os dois sobreviventes foram internados na base britânica de Scapa Flow em 1918 depois da derrota da Alemanha, sendo deliberadamente afundados em junho de 1919. Seus destroços foram depois reflutuados e desmontados.

Antecedentes Discussões começaram em abril de 1910 sobre as exigências básicas para o próximo cruzador de batalha da Marinha Imperial Alemã, o sucessor do . A seção de projeto do Departamento de Construção pediu por especificações gerais, mas o Departamento Geral respondeu que ainda era muito cedo. Este citou o fato que os couraçados dreadnought da Classe Nassau ainda não tinham completado seus testes marítimos e que outros projetos, como uma torre de artilharia tripla e um motor a diesel grande, ainda estavam nos estágios iniciais de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o vice-almirante Adolf Paschen do Departamento Geral destacou que a Marinha Real Britânica tinha aumentado o tamanho dos canhões de seus cruzadores de batalha de 305 para 343 milímetros, assim a Marinha Imperial precisaria aumentar os seus de 283 para 305 milímetros. Ele também argumentou que o sistema de proteção deveria ser alterado de quatro para três hélices, com a central girada por um motor a diesel a fim de melhorar a economia de combustível.

Enquanto isso, o almirante Alfred von Tirpitz, o Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial, fez uma série de reuniões para discutir o projeto do novo cruzador de batalha. A primeira ocorreu em 11 de maio e examinou os recentes testes de disparo dos canhões de 283 e 305 milímetros, bem como uma arma experimental de 320 milímetros. O contra-almirante Gerhard Gerdes, um membro do Departamento de Armamentos, afirmou que a uma distância de oito a dez quilômetros, onde esperava-se que as batalhas ocorressem, o canhão de 283 milímetros não conseguiria penetrar a blindagem dos cruzadores de batalha britânicos mais novos, que os alemães achavam ter 250 milímetros de espessura. Tirpitz argumentou que combates ocorreriam a uma distância muito menor, onde a arma de 283 milímetros ainda poderia penetrar as blindagens. Paschen e o vice-almirante Max Rollmann, este último do Departamento de Construção, também defenderam o canhões de 283 milímetros, com Tirpitz anunciando que este era pelo menos a escolha temporária.

Tirpitz em seguida quis discutir o sistema de propulsão; ele era bastante a favor de adotar motores a diesel, enxergando-os como uma oportunidade de dar um salto qualitativo significante sobre outras marinhas que ainda dependiam de turbinas a vapor. O engenheiro naval Hans Bürkner era contra, dada a natureza ainda não testada do novo motor, os riscos associados caso o projeto falhasse e a quantidade de trabalho excessiva que isso criaria para a equipe de projeto, pois haveria a necessidade de reprojetar o esquema de proteção subaquático e outros aspectos do casco. Os projetistas sugeriram simplesmente encomendar o próximo navio, chamado provisoriamente de "K", como um irmão do Seydlitz. A decisão final sobre os motores a diesel, seja como o único tipo usado ou com uma instalação mista com turbinas, foi forçada depois do chefe da seção de propulsão do Departamento de Construção informar em 1º de setembro que os motores a diesel sendo desenvolvidos pela MAN não ficariam prontos em tempo para "K".

Desenvolvimento Trabalhos detalhados começaram depois das discussões iniciais de 1910. A equipe de projeto começou com as propostas abandonadas para o Seydlitz, os projetos "IIIc" e "IVe". O primeiro era para um navio com quatro torres de artilharia de 305 milímetros, já o segundo tinha dez armas de 283 milímetros em cinco torres de artilharia, todas na linha central. Uma terceira alternativa foi produzida em junho e combinava as duas variantes, tendo quatro torres de 305 milímetros na linha central. Tirpitz nesta altura estava convencido que um canhão maior era necessário, com a decisão sendo formalmente adotada em uma reunião em 1º de outubro e descrita em um memorando no dia seguinte. Neste, Tirpitz expressou sua preferência por duas torres sobrepostas à vante e duas sobrepostas à ré, mas admitiu que se isso fosse impossível, um arranjo en echelon seria aceitável. Também indiciou que uma quinta torre deveria ser incorporada caso limites de custo e peso pudessem ser cumpridos, porém isto mostrou-se proibitivo nos dois casos.

Bürkner apresentou em 22 de setembro sua avaliação de três propostas diferentes, designadas 1, 2 e 3. A primeira usava uma bateria principal no mesmo arranjo en chelon do , enquanto as outras duas tinham um arranjo na linha central. As principais diferenças entre 2 e 3 eram o espaçamento das duas torres de artilharia de ré, com 2 tendo-as muito mais próximas do que 3, e a colocação da bateria secundária, com 2 tendo-a elevada para o convés superior. As três propostas mantiveram o mesmo nível de proteção que o Seydlitz, assim como a mesma velocidade e armazenamento de carvão. Bürkner recomendou o projeto 3, mas com a bateria secundária elevada de 2; este projeto refinado foi designado como 4 e foi aprovado pelo imperador Guilherme II em 26 de setembro. Mais melhoramentos de detalhes produziu 4b.

A equipe de projeto apresentou em 18 de março de 1911 um projeto 5, que incluía várias melhorias internas em relação a 4b. Um dos conveses internos foi removido da parte central do navio, o que permitiu mais espaço para armazenamento de carvão. Os projetistas também escolheram adotar uma nova técnica de construção com o objetivo de economizar peso. Cruzadores de batalha anteriores tinham sido construídos com uma combinação de armações transversais e longitudinais, mas a Classe Derfflinger abandonou as armações transversais e usou apenas longitudinais. Isto permitiu que os navios mantivessem sua resistência estrutural com peso menor. Por fim, por causa da reorganização interna, as salas de caldeira passaram a serem divididas por uma antepara interna que reduzia o risco de inundação em caso de danos subaquáticos. Caldeiras de maior capacidade que tinham sido anteriormente testadas no Von der Tann também seriam usadas, que daria aos novos navios a mesma velocidade do Seydlitz ou mais.

O maior defeito do projeto 5 era sua altura metacêntrica, que ficaria entre 2,7 a 2,9 metros, que seria muito alta e faria o navio a balançar muito rapidamente. O período de balanço muito rápido prejudicaria a mira dos artilheiros. A boca poderia ser reduzida em dois metros, mas isto corresponderia ao espaço entre o casco externo e a antepara antitorpedo, o que pioraria a resistência a danos subaquáticos. Tanques antibalanço Frahm também foram considerados, mas eles causariam um aumento de deslocamento e custo. Outra conferência foi realizada em 30 de março para avaliar as propostas, bem como ideias para economizar peso a fim de acomodar os tanques. Dentre as opções consideradas estavam uma redução na espessura da antepara antitorpedo ou da blindagem da proa, bem como a substituição de algumas caldeiras a óleo combustível por modelos a carvão.

Uma versão final chamada 5b foi completada em 15 de junho. As mudanças incluíram a redução da antepara antitorpedo e diminuição da altura na blindagem de proa, mas não a adoção parcial de caldeiras a óleo combustível. Além disso, a bateria secundária foi abaixada em um convés e colocada nas extremidades do casco, o que teve o efeito de melhorar a navegabilidade. O deslocamento aumentou de 25,9 para 26,6 mil toneladas e o casco foi ligeiramente alongado para acomodar o peso adicional. Guilherme aprovou este projeto pouco depois. A liderança naval se encontrou de novo em 30 de junho para discutir as caldeiras a óleo combustível; aqueles a favor argumentaram que eram mais leves e fáceis de operar, o que permitiria uma redução significativa no número de tripulantes. Aqueles que eram contra citaram a dificuldade em obter óleo combustível, especialmente em uma crise, e que os depósitos de carvão proporcionavam uma proteção impossível com tanques de óleo. Os participantes concluíram que oito das 22 caldeiras deveriam queimar óleo combustível. Também decidiram instalar os tanques Frahm, mesmo com testes no Von der Tann tendo reduzido o balanço em apenas 33 por cento.

A Classe Derfflinger foi encomendada sob a quarta e última Lei Naval, aprovada em 1912. Tirpitz usou a indignação pública sobre o envolvimento do Reino Unido na Crise de Agadir em 1911 para pressionar a Dieta Imperial a conceder um orçamento maior para a Marinha Imperial. A Quarta Lei Naval garantiu o financiamento de três novos dreadnoughts, dois cruzadores rápidos e mais quinze mil oficiais e marinheiros. Os dreadnoughts se tornaram os membros da Classe Derfflinger. Enquanto isso, pressão do público e mídia britânicos forçaram o Parlamento do Reino Unido a aumentar a construção naval. Guilherme pediu para que o tempo de construção dos cruzadores de batalha fosse reduzido para de três para dois anos. Isto foi inviável, pois as empresas de blindagem e armamentos não conseguiam suprir os materiais dentro do cronograma esperado.

Projeto Características thumb|240px|esquerda|Desenho da Classe Derfflinger O Derfflinger e o Lützow tinham 210 metros de comprimento da linha de flutuação e 210,4 metros de comprimento de fora a fora, já o Hindenburg era ligeiramente maior com 212,5 metros de linha de flutuação e 212,8 metros de fora a fora. Os três tinha uma boca de 29 metros e um calado que ficava entre 9,2 metros à vante e 9,57 metros à ré. Os dois primeiros tinham um deslocamento normal de 26,6 mil toneladas e um deslocamento carregado de 31,2 mil toneladas. Já o Hindenburg tinha um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de 31,5 mil toneladas. Seus cascos foram construídos com armações de aço longitudinais sobre as quais as placas externas do casco foram rebitadas. O casco do Derfflinger tinha dezesseis compartimentos estanques, mas os dois outros navios tinham dezessete. Os três tinham um fundo duplo que abrangia 65 por cento do comprimento do casco, o que era uma redução em relação aos cruzadores de batalha anteriores, que tinham um fundo duplo que abrangia pelo menos 75 por cento do casco.