A Classe Moltke foi uma classe de cruzadores de batalha operada inicialmente pela Marinha Imperial Alemã, mas também pela Marinha Otomana e depois pela sucessora Forças Navais Turcas. Era composta pelo e SMS Goeben. Suas construções começaram em 1908 e 1909 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo, foram lançados ao mar em 1910 e 1911 e comissionados na frota alemã em 1911 e 1912. O projeto dos navios foi muito baseado no predecessor , mas incorporando alguns pequenos melhoramentos, como por exemplo um esquema de blindagem mais pesado e também um poder de fogo maior por meio de uma torre de artilharia principal a mais.

Os cruzadores de batalha da Classe Moltke eram armados com uma bateria principal composta por dez canhões de 283 milímetros montados em cinco torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 186 metros, boca de 29 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 25 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por 24 caldeiras a carvão que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 25 nós (46 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem que tinha entre cem e 270 milímetros de espessura.

Os dois navios tiveram inícios de carreira tranquilos que consistiriam principalmente em exercícios de rotina e viagens internacionais. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o Goeben atuou durante todo o conflito como parte da Frota de Alto-Mar. Participou da maioria das ações navais alemãs, incluindo várias incursões contra o litoral britânico e as Batalhas de Dogger Bank e Golfo de Riga em 1915, a Batalha da Jutlândia em 1916 e a Operação Albion em 1917. A Alemanha foi derrotada no final de 1918 e o navio internado em Scapa Flow. Ficou no local até ser deliberadamente afundado em meados de 1919, com seus destroços sendo reflutuados em 1927 e depois desmontados.

O Goeben por sua vez estava no Mar Mediterrâneo quando a guerra começou, escapando de uma frota da Marinha Real Britânica e fugindo para Constantinopla. Foi transferido para o Império Otomano e renomeado para Yavuz Sultan Selim, atuando principalmente no Mar Negro em várias operações contra a Marinha Imperial Russa, incluindo na Batalha do Cabo Saric no final de 1914. Ele foi mantido pelo Império Otomano e depois pela sucessora Turquia após o fim da guerra, sendo renomeado para TCG Yavuz em 1936. Seu restante de carreira foi tranquilo e sem incidentes, servindo até ser descomissionado no final de 1950. Permaneceu inativo na reserva até ser desmontado entre 1973 e 1976.

Desenvolvimento O comando da Marinha Imperial Alemã começou no início de 1907 a discutir ideias para um novo cruzador de batalha que sucederia o , antes mesmo da construção deste navio começar. O novo navio foi provisoriamente chamado de "G" e seria encomendado sob os termos da Lei Naval de 1906. A questão do armamento principal logo veio à tona, parcialmente porque os correspondentes couraçados da Classe Helgoland tiveram seus canhões principais aumentados de 283 para 305 milímetros. O almirante Alfred von Tirpitz, o secretário de estado do Escritório Naval Imperial, emitiu em 23 de abril uma orientação geral que o novo cruzador de batalha deveria ser uma melhora em relação ao Von der Tann. O Departamento de Construção apresentou suas ideias em 2 de maio, argumentando que apesar do orçamento disponível permitir que os oito canhões de 283 milímetros fossem substituídos pelo menos número de armas de 305 milímetros, o fato da frota alemã provavelmente ficar em inferioridade numérica diante de seus oponentes significava que um número maior de canhões era mais importante, pois facilitaria enfrentar mais de um navio ao mesmo tempo. Desta forma, o departamento defendeu manter a arma de 283 milímetros e aumentar seu número para doze.

Uma nova reunião ocorreu em 7 de maio e o capitão de mar August von Heeringen, o chefe do Departamento Naval Geral, afirmou que a lógica que levou ao aumento dos canhões dos couraçados também deveria ser aplicada aos cruzadores de batalha. Taticamente, a nova embarcação precisaria lutar na linha de batalha contra couraçados, assim um aumento do poder de fogo era necessário. Ele argumentou que dez canhões de 305 milímetros poderiam ser arranjados dentro do orçamento. Ele pediu que a equipe de projeto analisasse o potencial para tal navio com um armamento no mesmo padrão do couraçado britânico . Heeringen especificou que a blindagem fosse a mesma do Von der Tann e que a velocidade máxima deveria ser de pelo menos 24,5 nós (45,4 quilômetros por hora). Vários projetos preliminares foram preparados com configurações diferentes, incluindo um navio com oito canhões de 305 milímetros, um com dez armas de 283 milímetros e uma alternativa com oito de 283 milímetros mas com um esquema de blindagem aprimorado. Tirpitz concordou com o Escritório de Construção e recomendou a versão com dez canhões, que foi aprovada em 28 de maio pelo imperador Guilherme II.

O projeto, chamado de "G2i", foi passado para que o Departamento de Construção produzisse um projeto final. Este trabalho durou mais do que o esperado, pois a equipe de projeto estava ocupada finalizando a Classe Helgoland e não havia arquitetos navais suficientes para trabalharem simultaneamente nos dois projetos. Alguns discussões ainda estavam ocorrendo sobre a alternativa "G5", que essencialmente seria uma repetição do Von der Tann com uma blindagem aprimorada. Tirpitz informou outros oficiais graduados durante uma conferência em 26 de março de 1908 que o projeto "G5" era politicamente inviável, pois o deslocamento aumentaria além do limite de 22 mil toneladas. Ele ordenou que a equipe de projeto prosseguisse com o "G2i", mas que fizesse melhoramentos na blindagem se possível. Dois projetistas escreveram um memorando para Tirpitz pouco depois em que se opunham à repetidos navios com projeto único, afirmando que essa prática criava uma carga de trabalho excessiva. Eles pediram que o próximo cruzador de batalha fosse simplesmente uma repetição do Von der Tann. Mesmo assim, a equipe de projeto logo terminou os trabalhos no "G2i", que por sua vez foram aprovados pelo imperador.

Vários refinamentos à "G" foram incorporados durante o processo de projeto. Estes incluíram a adição de dois canhões secundários de 149 milímetros, a remoção de quatro canhões de 88 milímetros de posições que foram consideradas impraticáveis e substituição dos planejados mastros de treliça por mastros de poste mais leves. Além disso, a cidadela blindada foi revisada, a espessura da blindagem aumentada e carregamentos de munição reduzidos para economizar peso. Internamente, as salas das caldeiras foram rearranjadas em um planta mais larga, porém ao mesmo tempo mais curta, com o objetivo de encurtar a área que precisaria ser protegida pelo cinturão principal de blindagem lateral. Várias mudanças significativas foram feitas à forma do casco, incluindo o abandono da obsoleta proa com rostro. Por fim, Tirpitz decidiu alterar o tradicional arranjo lado a lado dos dois lemes para um projeto em que um ficava atrás do outro, o que reduzia perdas hidrodinâmicas, eliminava vibrações e melhorava a manobrabilidade e velocidade.

Projeto Características thumb|esquerda|260px|Desenho da Classe Moltke Os navios da Classe Moltke tinham 186,6 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 29,4 metros e um calado máximo de 9,19 metros. O deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado era de 25,4 mil toneladas. Seus cascos eram subdivididos em quinze compartimentos estanques e tinham um fundo duplo que cobria 78 por cento do comprimento da quilha. Tinham um castelo de proa longo com quase o mesmo comprimento dos navios, terminando a ré da quarta torre de artilharia. A superestrutura era pequena, consistindo de uma grande torre de comando blindada à vante e uma torre de comando menor à ré. Mais adiante em sua carreira, o Moltke teve uma ponte de almirante fechada instalada em cima de sua torre de comando de vante. Os conveses interiores foram cobertos de linóleo e superfícies externas receberam 65 milímetros de pranchas de teca. As duas embarcações foram equipadas com oito holofotes para uso em combate noturno: quatro ficavam na primeira chaminé e as outras quatro ficavam na torre de comando de ré. O Moltke tinha outros dois holofotes menores para propósitos de sinalização, enquanto o Goeben tinha apenas um.

A direção era controlada por dois lemes posicionados um atrás do outro. Foi considerado que os dois navios eram bem estáveis e possuíam movimentos gentis mesmo quando enfrentando mares agitados. Entretanto, eram lentos para responder ao timão e não eram muito manobráveis em baixa velocidade. Tinham um círculo de virada fechado em velocidades elevadas; à dezessete nós (31 quilômetros por hora), o círculo de virada era de 620 metros, mas a 22 nós (41 quilômetros por hora) ele diminuía ligeiramente para 610 metros. Ao tentarem iniciar uma virada a partir de uma posição parada, os lemes não tinham efeito, assim a virada precisava ser iniciada ao virar as hélices em velocidades diferentes. Os dois navios perdiam até sessenta por cento da sua velocidade e alteavam em até nove graus com os lemes virados totalmente.

Tinham uma tripulação padrão de 43 oficiais e marinheiros. O Moltke serviu como capitânia do I Grupo de Reconhecimento e isto aumentou sua tripulação em treze oficiais e 62 marinheiros, mas quando capitânia do segundo em comando a tripulação crescia em três oficiais e 25 marinheiros. Levavam vários pequenos barcos, incluindo um barco de piquete, três barcaças, dois escaleres, dois yawls e dois botes. Eles ficavam guardados à meia-nau próximos das torres de artilharia centrais, o que os expunha os efeitos de disparo. Os barcos normalmente eram desembarcados durante operações de guerra. Equipamentos para operação de um hidroavião foram instalados no Moltke em 1915.

Propulsão O sistema de propulsão consistia em 24 caldeiras Schulz-Thornycroft a carvão divididas em quatro salas de caldeiras e que alimentavam quatro turbinas a vapor Parsons, cada uma girando uma hélice. As duas salas de caldeiras mais de ré eram divididas por anteparas internas a fim de conter inundações, mas restrições de espaço impediram que as duas de vante também fossem subdivididas. Cada caldeira tinha um tambor de vapor e três de água, funcionando a uma pressão de dezesseis atmosferas. Sua exaustão ocorria por duas grandes chaminés espaçadas. O Moltke teve uma cobertura instalada nas suas chaminés depois que ficou evidente que a fumaça interferiria com o primeiro mastro, enquanto o Goeben foi finalizado com coberturas. As caldeiras foram suplementadas após 1916 com borrifadores de óleo de piche para aumentar a taxa de queima do carvão de lignito de baixa qualidade disponível na Alemanha. As turbinas ficavam dividas em pares de alta e baixa pressão. As de baixa pressão giravam as hélices internas e ficavam na sala de máquinas de ré. As de alta pressão giravam as hélices externas e ficavam em salas à vante e nas laterais daquelas de baixa pressão. As turbinas giravam quatro hélices de três lâminas com 3,74 metros de diâmetro. As hélices de estibordo giravam no sentido horário e as de bombordo no sentido anti-horário, quando observadas da popa.