Moara Tupinambá
Moara Brasil Xavier da Silva (Belém, 1 de janeiro de 1983), conhecida artisticamente como Moara Tupinambá, é uma artista visual, ilustradora, curadora e ativista indígena brasileira . Pertencente ao povo Tupinambá, é membra da Aldeia Tucumã Tupinambá, localizada na região do Baixo Tapajós, no Pará, mas vive e trabalha em contexto urbano em Campinas, São Paulo .
Sua produção artística é multiplataforma e envolve desenho, pintura, colagem digital, instalação, vídeo, fotografia e literatura. A poética de Moara investiga as cartografias da memória, identidade, ancestralidade e os processos de reafirmação Tupinambá na Amazônia, articulando arte, política e educação com uma perspectiva anticolonial .
Moara Tupinambá é um artista que apropria-se de linguagens ocidentais para descolonizá-las em sua obra, e por meio da fotomontagem tem ganhado notoriedade no sistema da arte contemporânea.
Em 2026 foi indicada ao Prêmio Pipa, um importante e maior prêmio dado aos artistas contemporâneos do Brasil. E em 2022, ganhou um Prêmio no Instituto Tomie Ohtake, na edição mulheres.
Biografia e Formação Nascida em Belém do Pará, também referida por ela como Mairi (nome ancestral da região), Moara Tupinambá possui formação diversificada. Graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 2009. Posteriormente, obteve formação técnica em Vestuário e Têxtil pelo SENAI de São Paulo (2011) e especializou-se em ilustração e processos criativos pela Sala Ilustrada (2016) .
Moara é também coordenadora e criadora do GEMTUPY - Grupo de Estudos Maenry Tupinambá, e desenvolve atividades de arte e educação na Aldeia Tucumã Tupinambá.
Carreira Artística e Exposições A artista tem ganhado notoriedade no circuito de arte contemporânea, especialmente por suas fotomontagens e colagens digitais que resgatam e valorizam a memória e a presença indígena . Em 2024, passou a ser representada pela AM Galeria de Arte .
Entre suas principais participações em exposições e eventos artísticos, destacam-se:
•Bienal das Amazônias (2023): Participou com a obra "Manto Tupinambá de Maery", sob curadoria de Vânia Leal, Sandra Benites e Keyna Eleison .
•Museu de Arte de Rua (MAR) de São Paulo (2024): Inaugurou o mural "A Vovó Samaúma" na Escola Florestan Fernandes, em Vila Perus. O mural, inspirado no mito Tupi-Guarani da Terra Sem Males, foi o primeiro grafite indígena realizado em contexto escolar na capital paulista .
•Exposição Individual "Maenry, Tupinambá: eu existo!" (2024-2025): Série de fotomontagens criadas em colaboração com a Aldeia Tucumã Tupinambá, apresentada inicialmente em Belém com apoio do Museu do Amanhã e em Campinas .
•Bienal de Montevidéu (2025): Participação com a obra "Manto Tupinambá de Maery" .
•Ocupação Ailton Krenak (2025): Atuou na consultoria criativa do evento promovido pelo Itaú Cultural .
•Exposição "Atlântico-Floresta" no Museu de Arte do Rio (MAR): Participação com a obra "Sikié" (da série Yuíre), explorando os diálogos entre expressões visuais afro-diaspóricas e de povos originários .
Além de exposições, Moara Tupinambá também atua como palestrante, tendo participado do TEDxCampinasWomen, onde abordou temas de raízes, identidade, memória e ancestralidade.
Literatura e Publicações Como escritora e ilustradora, Moara Tupinambá contribui para a literatura indígena contemporânea. É autora do livro O Sonho da Buya-wasú (2020), publicado pela Editora Miolo Mole, no qual utiliza técnicas mistas de colagem e ilustração para narrar a jornada de reconexão de uma jovem indígena com suas origens .
Também participou de publicações conjuntas, como a antologia de quadrinhos Territórios Compartilhados (2025), organizada por Eá Borum Krenak, e ilustrou obras como A origem do milho kurâ e Dibuiá.
Prêmios e Reconhecimentos A trajetória artística e ativista de Moara Tupinambá tem sido reconhecida por diversas instituições:
•Prêmio 67º Salão Paranaense (2021): Concedido pelo Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) .
•8º Prêmio de Artes Instituto Tomie Ohtake (2022): Premiada na edição voltada a mulheres artistas .
•Prêmio de Melhor Animação (2025): Recebido na Mostra Audiovisual Vidas Indígenas, do Museu da Pessoa
Categoria:Artistas do Pará Categoria:Brasileiros de ascendência tupinambá