Jolinda Garcia dos Santos Clemente (Coxim, 20 de junho de 1926), conhecida como Jô Clemente ou, simplesmente, Dona Jô, é uma filantropa brasileira. É conhecida por ter fundado a Apae de São Paulo (atualmente denominada como Instituto Jô Clemente), sendo considerada como um dos principais nomes na defesa da inclusão da pessoa com deficiência intelectual no Brasil.

Biografia Inicialmente uma dona de casa, Jô casou-se com o médico Antonio Clemente Filho, com quem teve quatro filhos, entre eles José Carlos Clemente, o Zequinha, que nasceu com Trissomia do Cromossomo 21 ou síndrome de down. Ao lado de quatro famílias, fundou em 1961 a Apae de São Paulo após não conseguir escolas que pudessem educar as crianças. A sede inicial era em um sobrado na Zona Sul paulistana.

Inicialmente, a Apae foi criada como um Centro Multidisciplinar para formar fonoaudiólogos, fisiatras e fisioterapeutas. Com o tempo, passou a receber crianças com deficiências neurológicas para que pudessem ser educadas.

Em 1966, organizou a primeira Feira da Bondade, onde conseguiu recursos para construir a sede da Apae em um terreno cedido pela prefeitura de São Paulo.

As edições das Feiras da Bondade tornaram-se um sucesso em São Paulo. Os eventos recebiam mulheres da alta sociedade de São Paulo, que vendiam produtos importados, uma raridade na década de 1960. A última edição do evento aconteceu em 1995.

Outra ação social organizada por Jô Clemente foi o Agulhas da Alta Moda Brasileira, que reunia um desfile, baile e jantar. O evento chegou a reunir banqueiros como Joseph Safra, Lázaro Brandão e Olavo Setúbal, tendo sido realizado até 2002.

A Apae-SP também ficou conhecida por trazer ao Brasil, em 1976, o teste do pezinho, que ajudou a detectar doenças que podem levar à deficiência intelectual.

À medida em que seu filho, Zequinha, envelhecia, Jô passou a se preocupar com o bem-estar de pessoas com deficiência intelectual em fase de envelhecimento. Em 1998, apoiou a construção de um centro especializado em estimular pessoas nessa fase da vida. Zequinha morreu em 2001, aos 52 anos. Era considerado o "símbolo da Apae" e viveu de maneira independente, chegando a morar sozinho e ter vida social ativa numa época em que pessoas com síndrome de down viviam à margem da sociedade.

Jô Clemente afastou-se do comando da Apae de São Paulo em 2008, passando o cuidado da instituição para seu filho, Cássio Clemente. Desde então, seguiu como presidente de honra da organização.

Em 2019, a Apae-SP separou-se da Apae nacional, passando a se chamar Instituto Jô Clemente. O motivo foi o afastamento do conceito de oferecer educação especializada para pessoas com deficiência, serviço que a instituição deixou de oferecer em 2010.

Livro É autora do livro Retalhos da Vida, da Cia Editora Nacional, em que conta lembranças da vida desde a infância.

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