Amor (também conhecido como Amor de Marujo) é um bordado produzido em 1910 pelo marinheiro João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. A obra integra o acervo do Museu Municipal Tomé Portes del-Rei, em São João del-Rei, tendo sido doada à instituição por Antônio Manuel de Souza Guerra.

A peça constitui uma das duas toalhas bordadas atribuídas a João Cândido durante seu período de prisão na Ilha das Cobras, logo após os eventos de novembro de 1910.

Contexto histórico O bordado foi realizado no contexto da repressão à Revolta da Chibata, movimento liderado por marinheiros da Marinha do Brasil contra os castigos corporais e as condições de vida a bordo.

Após a revolta, João Cândido foi preso juntamente com outros participantes, permanecendo encarcerado em condições precárias. Durante esse período, produziu bordados que combinam elementos simbólicos, afetivos e narrativos, associados à experiência do cárcere.

Descrição A obra consiste em uma toalha de rosto em tecido, possivelmente linho, bordada manualmente com linhas coloridas, utilizando a técnica de ponto-corrente.

A composição apresenta duas pombas que sustentam, com o bico, uma faixa com a inscrição “Amôr”. Abaixo, figura um coração atravessado por uma espada, com representação de sangue, acompanhado por elementos naturais como flores, borboletas e um beija-flor.

A iconografia articula temas como amor, sofrimento e sacrifício, compondo uma imagem de forte carga simbólica e afetiva.

Técnica e estilo O bordado é caracterizado como produção de arte espontânea, realizada por um autor não profissional, apresentando traços simples e expressivos.

As peças do conjunto ao qual pertence Amor foram executadas com acabamento em renda de abrolhos e franjas, características comuns a trabalhos têxteis do período.

Proveniência A obra foi presenteada por João Cândido ao militar Antônio Manuel de Souza Guerra, conhecido como “Niquinho Guerra”, que atuava na guarda dos presos durante a repressão à revolta.

Posteriormente, o bordado foi incorporado ao acervo do Museu Thomé Portes del-Rei, onde permanece preservado e exposto.

Conservação O bordado encontra-se em estado de conservação considerado regular, apresentando manchas decorrentes de umidade e sinais de deterioração causados por insetos.

Intervenções posteriores incluíram reparos manuais e a colocação da peça em moldura com vidro, visando sua proteção.

Recepção e exposições A obra foi analisada por José Murilo de Carvalho, que destacou seu caráter simultaneamente "ingênuo" e "dramático", enfatizando sua dimensão expressiva e simbólica.

Amor também integrou a programação da 34ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

Ver também João Cândido Felisberto Revolta da Chibata Cultura material O Adeus do Marujo

Bibliografia

Categoria:Obras de arte do Brasil

Categoria:1910 no Rio de Janeiro Categoria:Bordado