Cartas Fluminenses foram duas crônicas, em forma de cartas para entidades alegóricas, a Opinião Pública e a Hetaira, que o escritor Machado de Assis, sob o pseudônimo de Job (criado em 1865 para assinar contos destinados ao Jornal das Famílias) publicou no jornal Diário do Rio de Janeiro de 5 e 12 de março de 1867. Em 1861-2 já havia colaborado para esse jornal com os Comentários da Semana e em 1864-5 com a seção de crônicas Ao Acaso. Machado acompanhava a moda da ocasião, iniciada por José de Alencar com as Cartas de Erasmo. Ubiratan Machado, Dicionário de Machado de Assis, Imprensa Oficial do Governo do Estado de São Paulo, 2a edição, 2021, verbete "Cartas fluminenses" e R. Magalhães Júnior, Vida e Obra de Machado de Assis, volume 2, Ascensão, p.4.

As crônicas foram publicadas pela primeira vez em livro no 2o Volume de Crônicas das Obras Completas de Machado de Assis da Editora W. M. Jackson.Ubiratan Machado, Dicionário de Machado de Assis, 2a edição revista e ampliada. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; Lisboa: Imprensa Nacional, 2021, verbete “Cartas fluminenses”. O termo "fluminense", também usado no livro "Contos Fluminenses", designava na época o natural ou habitante da cidade do Rio de Janeiro, hoje chamado de "carioca".

Conteúdo das crônicas

Machado começa a primeira carta apresentando "seu autorretrato, desenhado em traços largos e jocosos":R. Magalhães Júnior, Idem.

Depois de declarar suas convicções monarquistas ("[...] gosto do imperador. Tem as duas qualidades essenciais ao chefe de uma nação: é esclarecido e honesto. Ama o seu país e acha que ele merece todos os sacrifícios.") e aversão ao Republicanismo ("[...] peço aos deuses [...] que afastem do Brasil o sistema republicano, porque esse dia seria o do nascimento da mais insolente aristocracia que o sol jamais iluminou.)", exprime o desejo de que o povo (a "opinião pública" a que se dirige) faça boas escolhas nas eleições legislativas do dia seguinte:

Segundo o deputado Marcelo Almeida, "Essa crônica foi escrita há mais de 140 anos e seu conteúdo permanece tão atual! A análise do caráter do homem público feita por Machado parece ter saído das páginas dos jornais da atualidade.""O realismo político de Machado de Assis", discurso do deputado federal Marcelo Almeida (PMDB-PR), presidente da Frente Parlamentar da Leitura, na sessão solene da Câmara dos Deputados em homenagem ao centenário da morte de Machado de Assis. Disponível na Internet.

"A crônica 'À opinião pública' é um chamamento aos seus leitores do século XIX e aos da atualidade a refletirem sobre quem é a opinião pública, o que é dito em nome dela, quem a apresenta e a constrói para a população.

A segunda carta dirige-se às mulheres que convidam "os passantes para a mercancia do amor", ou seja, as prostitutas, rainhas "por graça do diabo e unânime aclamação da vaidade humana". Designa-as de Hetairas, termo grego para as prostitutas refinadas da Grécia Antiga. Com essa carta, despediu-se do Diário do Rio de Janeiro.

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