SuperVia Trens Urbanos, ou simplesmente SuperVia, é uma empresa operadora de transporte ferroviário pertencente à Guarana Urban Mobility Incorporated (Gumi), sociedade formada pelos grupos japoneses Mitsui e West Japan Railway Company. Até 29 de maio de 2026, foi responsável pela operação e manutenção das sete linhas do sistema de Trens Urbanos do Rio de Janeiro, que totalizam 104 estações ativas e 270 km de malha ferroviária, agora operados pela TrensRJ. Entre 2011 e 2016, foi responsável por operar o Teleférico do Alemão, que atualmente encontra-se desativado devido à falta de repasses do governo para a sua manutenção.

Linhas

Linha Deodoro Linha Santa Cruz Linha Japeri Linha Paracambi Linha Belford Roxo Linha Saracuruna Linha Vila Inhomirim Linha Guapimirim center|thumb|1001x1001px|System Map Linha Terminal Extensão Estações Deodoro Central do Brasil ↔ Deodoro 19 Santa Cruz Central do Brasil ↔ Santa Cruz 21 Japeri Central do Brasil ↔ Japeri 17 Paracambi Japeri ↔ Paracambi 3 Belford Roxo Central do Brasil ↔ Belford Roxo 19 Saracuruna Central do Brasil ↔ Gramacho ↔ Saracuruna 20 Vila Inhomirim Saracuruna ↔ Vila Inhomirim 8 Guapimirim Saracuruna ↔ Guapimirim 19

Serviços especiais Linha Terminal Tipo Estações Bangu Central do Brasil ↔ Bangu Expresso 8 Campo Grande Central do Brasil ↔ Campo Grande Expresso 12 Gramacho Central do Brasil ↔ Gramacho Expresso 5

Projetos Linha Terminal Extensão Estações Inauguração Itaguaí Santa Cruz ↔ Itaguaí 5 Indefinido Barrinha Japeri ↔ Barra do Piraí 11 Indefinido

História Antecedentes Na década de 1990, a malha ferroviária do Rio de Janeiro havia entrado em profunda decadência como resultado do desinvestimento estatal, a partir daquele período. Em 22 de dezembro de 1994, a CBTU, que administrava os trens suburbanos do Rio de Janeiro desde 1984 por meio da Superintendência de Trens Urbanos do Rio de Janeiro (STU/RJ), transferiu a operação para a Companhia Fluminense de Trens Urbanos (Flumitrens), criada pelo governo estadual para assumir o controle das linhas que haviam sido elaboradas desde o final do século XIX pelas extintas estradas de ferro Central do Brasil (linhas Deodoro, Santa Cruz e Japeri/Paracambi), Rio d'Ouro (Linha Belford Roxo) e Leopoldina (linhas Gramacho, Vila Inhomirim, Guapimirim e Niterói).

Nos quatro anos de gestão estadual, o sistema recebeu investimentos da ordem de 300 milhões para a sua operação. No entanto, a crise e a falta de manutenção continuaram, e os problemas das gestões anteriores se agravaram a ponto de afetar a segurança das operações (acidentes), a pontualidade e a confiabilidade das viagens (constantes avarias e diminuição do material rodante, tendo apenas 78 das 244 composições em funcionamento em 1998), a segurança e limpeza das estações e composições, e facilitou práticas dos próprios usuários do sistema, como vandalismo, surfe ferroviário e calotes. Isto resultou na queda constante e brutal do número de passageiros, que após um pico de 1,1 milhão transportados por dia em 1984, chegou a apenas 350 mil em 1998, ano da sua privatização.

Concessão e investimentos Em 1998, após privatizar a operação da sua rede metroviária e uma série de outras empresas públicas, o governo estadual fez a concessão de 7 das 9 linhas da sua rede ferroviária (ficando de fora as linhas de Niterói e Guapimirim, que continuaram sob controle da Flumitrens, e a partir de 2001, da Central) para a iniciativa privada por um prazo de 25 anos, renováveis por mais 25 anos, mantendo apenas os investimentos e subsídios necessários para o seu funcionamento. Quatro grupos deram as garantias financeiras necessárias a Câmara de Liquidação de Custódia (CLC) e participaram do leilão realizado em 15 de julho na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, sendo eles:

Consórcio Bolsa 2000 (Banco Prosper, Banco Pactual, RENFE e CAF); Consórcio Canari (Grupo MPE e Transurb Technirail); Consórcio Rio Express (Grupo Andrade Gutierrez, Grupo JCA e RATP); Consórcio Tem-Trans (Azienda Trasporti Milanesi e Breda)

O Consórcio Bolsa 2000 levou a concessão do sistema pagando um valor de R$ 279.657.039,28, ágio de 671,42% sobre o lance mínimo, que era de R$ 36,252.000,00, e o excedente foi reinvestido no próprio sistema pelo governo estadual. Em 1.º de novembro de 1998, o governador Marcello Alencar assinou o termo de posse que transferia as linhas Deodoro, Santa Cruz, Japeri (e sua extensão até Paracambi), Belford Roxo e Gramacho (e sua extensão até Vila Inhomirim) da Flumitrens para a SuperVia Trens Urbanos, que assumiu as operações do sistema a partir do dia seguinte. O contrato de concessão previa metas que a SuperVia deveria cumprir em um prazo de 4 anos, que eram:

Diminuição do intervalo de trens: Deodoro (5 minutos), Santa Cruz (15 minutos), Japeri (10 minutos), Belford Roxo (8 minutos) e Gramacho (6 minutos); Modernização das estações Benjamin do Monte, Bonsucesso, Del Castilho, Dom Pedro II, Engenho Novo, Gramacho, Méier, Penha, Ramos, Santa Cruz e Triagem, e reconstrução da Estação São Cristóvão; Modernização do sistema de eletrificação das linhas; Instalação de bilhetagem eletrônica em todas as estações; Instalação de ar condicionado em todas as composições; Reconstrução de muros de proteção das vias férreas nas faixas de domínio; Recuperação de 139 dos 244 trens do sistema;

Em uma década de operação, a concessionária também fez investimentos da ordem de 545 milhões de reais com recursos do Programa Estadual de Transportes e financiamentos do Banco Mundial, que foram investidos na reconstrução de diversas estações, limpeza, conservação, segurança e manutenção das vias, equipamentos e estações, modernização e ampliação do material rodante para 150 trens, eletrificação e substituição das bitolas (métrica para larga) da Linha Gramacho até Saracuruna, e a compra de 20 novos trens Série 2005.

As melhorias levaram a um aumento no número de passageiros transportados, que saltou de 145 mil para 510 mil por dia em 2009, e a pontualidade da viagens saiu de 30% para 90%. Apesar disso, falhas operacionais continuaram a ocorrer, levando a superlotação e reclamações dos usuários, e em outra escala, a tumultos e depredações como as que ocorreram em outubro de 2009 em várias estações, após uma série de panes nas linhas do sistema.

Venda para a Odebrecht, expansão e instabilidade Em 12 de novembro de 2010, a Odebrecht (atual Novonor) adquiriu 61% do controle acionário da SuperVia por meio da sua subsidiária Odebrecht TransPort, deixando os outros quatro fundos de investimento que controlavam a empresa por meio da Rio Trens Participações com 39% das ações. Após a compra, em 30 de novembro, o governo estadual renovou antecipadamente a concessão do sistema, prevista para 2023, com as garantias de que a SuperVia deveria investir 1,2 bilhão de reais em melhorias para atender a demanda de passageiros esperada com a Copa do Mundo FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos de Verão de 2016.

Os novos acionistas assumiram o controle da SuperVia em 22 de dezembro, quando o engenheiro da Odebrecht, Carlos José da Cunha, tomou posse como presidente da empresa. Os aportes financeiros da empresa e do governo estadual, que juntos somaram 2,1 bilhões de reais deram novo fôlego ao sistema de trens, com a reforma e ampliação de estações, e a compra de 120 novos trens para reforçar a operação das linhas. Na mesma época, em 29 de maio de 2011, a SuperVia também assumiu a operação da Linha Guapimirim, única que ainda estava sob controle do governo estadual, e também ampliou a sua oferta de serviços, com a operação do Teleférico do Alemão, inaugurado em 7 de julho, e integrado com o sistema de trens a partir da Estação Bonsucesso, que foi completamente reformada. A operação foi instituída em contrato provisório com o governo estadual, até a elaboração de uma licitação para um operador definitivo. A SuperVia deixou a operação do Teleférico do Alemão em 7 de março de 2016, sendo substituída pelo Consórcio Rio Teleféricos.

Nos anos de 2013, 2014 e 2015, a SuperVia foi eleita como a "Melhor Operadora Ferroviária de Passageiros" pela Revista Ferroviária, e em agosto de 2016, como consequência do aumento de passageiros por conta das Olimpíadas, atingiu seu pico operacional, com 730 mil usuários. Em contrapartida, em 2017, 30% do material rodante contava com mais de 30 anos de operação e não havia passado por renovações, e ainda eram comuns falhas operacionais que se agravaram com o crescimento progressivo dos problemas de segurança pública do Rio de Janeiro, que levaram a incontáveis episódios de furtos de cabos e fiações de sinalização, a atuação de traficantes, milicianos e usuários de drogas, que passaram a controlar as estações de trem próximas a favelas e comunidades mais afastadas da região central da cidade do Rio de Janeiro, além da invasão da faixa de domínio da ferrovia por construções irregulares e descarte irregular de lixo. Todo esse cenário levou a uma nova situação de decadência da rede ferroviária a partir da segunda metade da década de 2010, inviabilizando as operações do sistema por diversas vezes e gerando enormes prejuízos para a concessionária. Em 2018, após uma ação civil pública, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro multou a SuperVia em 50 mil reais diários pela precariedade dos serviços prestados, além de 150 mil reais por danos patrimoniais e morais, individuais e coletivos causados aos consumidores.

Venda para a Mitsui, recuperação judicial e CPI dos Trens Em março de 2018, afetada por escândalos de corrupção que vieram à tona com as investigações da Operação Lava Jato, a Odebrecht começou a se desfazer dos seus ativos, entre eles a sua participação acionária na SuperVia. Após um ano de negociações com diversos grupos interessados, o grupo japonês Mitsui adquiriu 88,67% das ações, através da sua subsidiária, Guarana Urban Mobility Incorporated (Gumi), por um valor estimado em 800 milhões de reais, enquanto a antiga Odebrecht TransPort manteve 11,33% das ações, de um total de 72,8% que possuía antes da venda. A compra foi fechada em 28 de fevereiro de 2019, e o CADE aprovou a transação em 6 de março. Os serviços passaram ao comando da empresa em maio do mesmo ano.

Em 2020, além dos problemas operacionais e da crise financeira, a SuperVia sofreu mais um duro golpe com a queda no número de passageiros em decorrência da pandemia de COVID-19. Como medidas de contenção de gastos, a empresa tirou de circulação 30 composições, o equivalente a 17% da frota operacional, suprimiu a Linha Deodoro, transformando a Linha Santa Cruz numa linha paradora (o que causou uma onda de reclamações dos usuários), e demitiu diversos funcionários. As medidas não foram suficientes para reverter o saldo negativo nas contas da empresa, que acabou entrando com um pedido de recuperação judicial em 7 de junho de 2021, alegando perdas de 474 milhões de reais desde o início da pandemia, e um passivo de 1,2 bilhões em dívidas, que tinham como principais credores a Light e o BNDES.

Em 24 de fevereiro de 2022, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro instaurou uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as precariedades no sistema de trens urbanos. Durante o processo, em 5 de abril, a SuperVia foi multada pela Agetransp (agência reguladora responsável pela fiscalização das concessões estaduais) em 2,2 milhões, por descumprimento das cláusulas firmadas na renovação contratual de 2010, que previam investimentos em infraestrutura nas linhas do sistema. Em um relatório preliminar apresentado em 5 de setembro pelo relator da CPI, deputado Waldeck Carneiro (PSB), foi apontado um estado de "pré-colapso" do sistema, levando em conta todos os problemas supracitados, e culpando também o governo estadual por privilegiar o reequilíbrio financeiro da SuperVia em detrimento da prestação do serviço.