miniaturadaimagem|234x234px| Praça Muranów em Varsóvia, 1941. A Batalha da Praça Muranów foi uma batalha, entre a União Militar Judaica (ŻZW) e as tropas da Alemanha Nazista, que ocorreu durante a Revolta do Gueto de Varsóvia, entre 19 e 22 de abril de 1943.

O confronto com as forças alemãs, sob comando de Jürgen Stroop, que estavam destruindo o gueto, e as forças insurgentes judaicas, sob o comando de Paweł Frenkel, ocorreram na Praça Muranów, em Varsóvia, na Polônia ocupada.

Segundo relatos de dois militares poloneses, e Henryk Iwański, a luta foi retomada em 27 e 28 de abril de 1943, e uma unidade do Corpo de Segurança polonês participou do combate.

História

Origens Após o fechamento do gueto de Varsóvia, realizado pelos nazistas no verão de 1942, cerca de 300 mil judeus foram deportados para o campo de extermínio de Treblinka, onde foram assassinados.

Um grupo de jovens ativistas judeus fundou duas organizações militares para combater os nazistas: a Organização Judaica de Combate (ŻOB), ligada a União Judaica Trabalhista da Lituânia, Polónia e Rússia (Bund), de esquerda, e a União Militar Judaica (ŻZW), ligada aos Sionistas-Revisionistas, de direita. Estas organizações, devido as diferenças políticas, não chegaram a um acordo sobre como unir forças (a ŻOB, maior delas, convidou a ŻZW à se juntar às suas fileiras homem a homem, não como uma organização separada).

Segundo Marek Edelman, poucos dias antes do início do levante, os dois grupos armados se encontraram no gueto. Além de Edelman, a ŻOB também foi representada por Mordechai Anielewicz e Icchak Cukierman. Segundo Edelman, os combatentes do ŻZW sacaram seus revólveres e, chantageando os membros do ŻOB, tentaram obrigá-los a se subordinar à sua organização. Houve uma briga seguida de um tiroteio entre os dois grupos, mas ninguém se feriu.

Considerando as fortes tensões, e até mesmo o ódio, na Palestina, entre os Socialistas dominantes e os Revisionistas, a veracidade do que foi dito acima é incerta.

Os combatentes não chegaram a um acordo, mas posteriormente, por razões pragmáticas, iniciaram uma cooperação militar limitada, dividindo o gueto em zonas a serem defendidas caso houvesse uma nova incursão das tropas alemãs.Dawid Wdowiński: And We Are Not Saved.. London: Allen, 1964, p. 80 miniaturadaimagem| Galhardete da União Militar Judaica A área patrulhada pela ŻZW era a região da Praça Muranów situada entre a Rua Muranowska e a Rua Nalewki, no distrito de Muranów, em Varsóvia (este local corresponde atualmente ao cruzamento das Ruas Stawki e Józefa Lewartowskiego). A sede do grupo estava localizada na Rua Muranowska, na casa n. 7, que estava abandonada.Plac muranowski – "Miejsce bitwy w czasie powstania w getcie warszawskim" article from szetl.org.pl

As unidades da ŻOB foram divididas em três grupos - dois protegiam as chamadas "Lojas" - fábricas onde trabalhavam os presos do gueto, localizadas fora do muro do gueto, que foi reduzido após a operação de liquidação. O terceiro grupo, muito maior, estava situado na Praça Muranów, onde seis unidades, cada uma composta por 20 soldados, ocupavam casas na Rua Muranowska, as de números 1, 3, 5, 7-9 e 40.Dawid Wdowiński: And We Are Not Saved.. London: Allen, 1964, p. 82.

As posições da ŻZW estavam em contato com as tropas da ŻOB, que ocupavam as casas nas ruas Zamenhofa, Miła, Gęsia e Nalewki.Maciej Kledzik, „Zapomniani żołnierze ŻZW”, „Rzeczpospolita” 18-04-2008 As unidades da ŻZW na Praça Muranów tinham à sua disposição um arsenal bem equipado, escondido em sua sede na Rua Muranowska.

O historiador judeu, e testemunha ocular, Emanuel Ringelblum, que visitou a casa, ficou impressionado com o arsenal reunido pelo grupo. Ele escreve sobre os preparativos para o levante em seu diário. Ringelblum viu várias armas diferentes penduradas nas paredes, e também testemunhou a compra de um lote de armas por combatentes judeus.Emanuel Ringelblum. „Kronika getta warszawskiego”, Czytelnik, Warszawa 1983.

A batalha Os combates na praça começaram logo após o início do Levante, em 19 de abril de 1943, e duraram pelo menos 3 dias. De acordo com Dawid Wdowiński, soldado e comandante da ŻZW, uma bandeira judaica branco-azulada foi pendurada nas casas da rua Muranowska número 7 e 9, onde era o quartel-general do ŻZW, e lá permaneceu hasteada por 5 dias após o início do levante.Dawid Wdowiński: And We Are Not Saved. London: Allen, 1964, p. 94.

De acordo com outros relatos, havia duas bandeiras tremulando ali: a bandeira judaica branco-azulada e a bandeira polonesa branco-vermelha; isso é confirmado pelos relatos dos historiadores Emanuel Ringelblum, Władysław Bartoszewskiquoted "April 19, 1943. In one of the houses at Muranów Square, two flags were hung: the Jewish one, white and blue, and the Polish one, white and red. (...) Do you remember these flags? Władysław Bartoszewski: Of course. They hanged them so high that they were clearly visible from the tram I was driving from Żoliborz. (...) A special assault group, ordered by SS general Jürgen Stroop, attacked the Jewish positions and on April 20, after a fierce fight, both flags were ripped off. Stroop writes about it in his report. Aleksandra Klich and Jarosław Kurski, interview with Władysław Bartoszewski, "Arcypolskie powstanie żydowskie". "Gazeta Wyborcza". 12.04.2013. e Alicja Kaczyńska, que escreveram esse fato em suas memórias. As duas bandeiras também são mencionadas no relatório de Jürgen StroopJürgen Stroop, Es gibt keinen jüdischen Wohnbezirk in Warschau mehr!, Warschau 1943, p.5. e no relato de Stroop escrito por seu companheiro de prisão do pós-guerra, Kazimierz Moczarski.Kazimierz Moczarski, „Rozmowy z katem”, Społeczny Instytut Wydawniczy „Znak” 2009. miniaturadaimagem|236x236px| Uma fotografia publicada no Relatório Stroop sobre a batalha. A legenda, em alemão, dizia: "Esses bandidos lutaram em uma resistência armada". A foto foi tirada na rua Nowolipie, de fronte para o leste, perto do cruzamento com a rua Smocza. No fundo pode-se ver a parede do gueto com um portão. O primeiro confronto ocorreu quando soldados de uma unidade alemã se aproximaram da rua Nalewki, na manhã de 19 de abril. Os insurgentes abriram fogo contra eles utilizando metralhadoras e revólveres, forçando os nazistas a recuar.

Durante as batalhas, naquele dia, dois comandantes da ŻZW, Paweł Frenkel e Leon Rodal, vestidos como oficiais da SS, abordaram uma unidade de soldados ucranianos agrupados perto da praça e os atacaram de surpresa, quebrando o cerco as tropas judaicas e restaurando o contato com o resto dos insurgentes.Dawid Wdowiński: And We Are Not Saved. London: Allen, 1964, p. 95.

Segundo Kazimierz Iranek-Osmecki, posteriormente chefe da Inteligência do Comando Principal do Exército da Pátria, os alemães, após capturarem o ponto de resistência da ŻOB na rua Gęsia, atacaram as posições da ŻZW na praça Muranów, comandadas por Paweł Frenkel. miniaturadaimagem| Casas 6 a 10 na rua Muranowska durante a Revolta de Varsóvia, em 1944 Na noite de 19 para 20 de abril o comando do ŻZW realizou uma reunião, na qual foi decidido distribuir a reserva de armas entre todos os insurgentes, para que não fossem tomadas pelos nazistas caso fossem capturados.Dawid Wdowiński: And We Are Not Saved. London: Allen, 1964, p. 95.

Combates pesados continuaram nos dias seguintes, e quando Jürgen Stroop assumiu o comando das unidades nazistas elas se tornaram ainda mais intensas. Sob as ordens de Stroop os alemães usaram táticas de destruição das casas, as queimando e bombardeando-as com canhões de grosso calibre.

Os insurgentes, usando passagens ocultas entre as construções, atacaram os alemães de surpresa, mas perderam toda capacidade de comunicação, e só podiam se comunicar à noite.

No quarto dia de batalha a unidade da rua Muranów se juntou ao grupo da ŻZW na rua Świętojerska, que foi capturado por uma unidade blindada alemã.Dawid Wdowiński: And We Are Not Saved. London: Allen, 1964, p. 96. De acordo com Wdowiński, no quinto dia do levante uma bandeira ainda estava hasteada na casa de comando da Praça Muranów, e os insurgentes ainda se defendiam atirando pelas janelas.

Pouco se sabe sobre o destino das unidades da ŻZW no gueto depois que perderam a comunicação entre si. Em 21 de abril um grupo da ŻZW ainda lutava nas ruas Franciszkańska e Miła.

Algumas unidades se retiraram naquele dia para fora dos muros do gueto, tentando, com a ajuda da organização polonesa "Miecz i Pług", sair de Varsóvia para se refugiar em uma floresta perto de Otwock. Entretanto, foram denunciados pelo MiP (organização infiltrada por agentes da Gestapo) aos alemães, e morreram lutando na estrada para Otwock.Dawid Wdowiński: And We Are Not Saved. London: Allen, 1964, p. 96.Barbara Engelking, Jacek Leociak: Getto Warszawskie. Przewodnik po nieistniejącym mieście.. Warszawa: IFiS PAN, 2001, p. 737.

Algumas das unidades permaneceram no gueto e continuaram combatendo. Em 2 de maio de 1943 um grupo refugiou-se em um apartamento na rua Grzybowska, onde foram cercados e mortos.

Relato de Władysław Zajdler De acordo com Władysław Zajdler, em 27 de abril, a batalha na Praça Muranów recebeu o apoio de de 18 pessoas, o esquadrão "W" do Corpo de Segurança (uma organização autônoma associada ao Exército da Pátria), comandado por Henryk Iwański "Bystry". A unidade consistia em uma equipe chefiada por Władysław Zajdler "Żarski" e uma divisão sob o comando de Lejewski "Garbarz".Władysław Zajdler. Wypad do getta. Fragment walk na placu Muranowskim.. „Za Wolność i Lud”. 8, 1962.

Segundo Zajdler, no dia 27 de abril os poloneses chegaram por um túnel, trazendo consigo armas, munições e alimentos. Mas, devido ao esgotamento total dos insurgentes, eles substituíram a unidade da ŻZW sob o comando de David Apfelbaum na posição central entre a Praça Muranów e a Rua Nalewki (atual Rua Bohaterów Getta), repelindo ataques alemães e letões apoiados por blindados. Żarski relatou:"Em 26 de abril de 1943, por meio de um oficial de ligação membro da União Militar Judaica, recebemos o relatório do comandante de divisão Dawid Moryc Apfelbaum, que fora ferido e demandava ajuda na forma de armas e munições. As unidades judaicas recuperaram o acesso a um túnel que se estendia sob a estrada e dava no porão de uma casa fora dos muros do gueto, na Praça Muranów, número 7 (...) O quartel-general do Corpo de Segurança ordenou que organizássemos a passagem de nosso grupo de combate para a região do gueto. O grupo deveria se juntar à batalha, repelir os nazistas das cercanias do túnel e ajudar no transporte de mulheres e crianças feridas para o lado "ariano". (...) Um ataque da infantaria da SS se iniciou sob a cobertura de dois tanques. Granadas e balas dos combatentes poloneses e judeus, lutando ombro a ombro, caíram sobre os nazistas. O ataque foi repelido. Os combatentes recolheram as armas conquistadas".Stanisław Wroński, Maria Zwolakowa, „Polacy i Żydzi 1939–1945”. Książka i Wiedza, Warszawa 1971, p.192.Três subordinados de Henryk Iwański, seu irmão e dois de seus filhos, foram supostamente mortos nas intensas batalhas defensivas durante todo o dia, assim como dez combatentes judeus, entre eles Dawid Apfelbaum. O próprio Iwański foi ferido e, junto com outras 30 pessoas também feridas, foi evacuado por um túnel por seus soldados.Stanisław Wroński, Maria Zwolakowa, „Polacy i Żydzi 1939–1945”. Książka i Wiedza, Warszawa 1971, p.192. Segundo algumas pesquisas, "junto com a ŻZW, naquele dia, uma unidade do Corpo de Segurança, sob o comando do capitão Iwański (...) combateu no gueto, sofrendo algumas perdas (incluindo a morte de seu filho)".