O Aperreio do Cabra Que o Excomungado Tratou com Má-querença e o Santíssimo Não Deu Guarida foi o enredo apresentado pela Imperatriz Leopoldinense no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro do carnaval de 2023. O samba-enredo homônimo foi composto por Me Leva, Gabriel Coelho, Miguel da Imperatriz, Luiz Brinquinho, Antonio Crescente, Paulo Aranha e Renne Barbosa. Com o desfile, a escola conquistou o seu nono título de campeã do carnaval carioca, quebrando o jejum de 22 anos sem conquistas. O título anterior da escola foi conquistado no carnaval de 2001.
O enredo da Imperatriz foi inspirado em cordéis de autores nordestinos que narram histórias fantásticas sobre a chegada do cangaceiro Lampião ao céu e ao inferno, mesclando fatos históricos e uma pesquisa iconográfica baseada na estética regional com o conteúdo delirante dos libretos populares. Segundo a história fictícia contada pelo enredo, após morrer, Lampião tentou entrar no inferno, sendo expulso pelo Diabo. O cangaceiro também pediu abrigo no céu, mas não foi aceito pelos santos que lá habitam. Impedido de entrar no céu e no inferno, Virgulino encontrou seu lugar definitivo no imaginário popular do universo das coisas ligadas ao Nordeste do Brasil, inspirando a arte de Luiz Gonzaga, Mestre Vitalino e outros poetas nordestinos. O enredo da escola foi baseado nos cordéis "A Chegada de Lampião no Inferno" e "O Grande Debate que Teve Lampião com São Pedro" de José Pachêco; "A Chegada de Lampião no Céu" de Guaipuan Vieira; "A Chegada de Lampião no Céu" de Rodolfo Coelho Cavalcante; e "Lampião e Padre Cícero num Debate Inteligente" de Moreira de Acopiara. O enredo foi assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, que conquistou seu terceiro título na elite do carnaval carioca.
A Imperatriz foi a quarta escola a se apresentar na segunda noite do Grupo Especial de 2023, na madrugada da terça-feira de carnaval, dia 21 de fevereiro de 2023. O desfile foi amplamente elogiado pela crítica especializada, recebendo adjetivos como "impecável", "exuberante" e "primoroso". A escola foi apontada como uma das favoritas ao título de campeã. Pelo seu desfile, a agremiação recebeu diversas premiações, com destaque para o enredo e a bateria, vencedores de diversos prêmios. A escola também foi eleita a melhor do ano pelo S@mba-Net, Gato de Prata e Super Rádio Tupi. A Imperatriz foi campeã com um décimo de vantagem sobre a vice-campeã, Viradouro. A escola teve oito notas abaixo da máxima, sendo que seis delas foram descartadas seguindo o regulamento do concurso. Com isso, a escola perdeu apenas dois décimos na avaliação oficial.
Antecedentes Retrospecto miniaturadaimagem|267x267px|Desfile da Imperatriz Leopoldinense em 2001
No carnaval de 2001, a Imperatriz Leopoldinense conquistou seu oitavo título de campeã na folia carioca e o primeiro tricampeonato do Sambódromo com um desfile que abordou a história da cachaça e o cultivo da cana-de-açúcar. Nos anos seguintes, a escola alternou bons e maus resultados até o seu rebaixamento em 2019, no dia do seu aniversário de 60 anos, após 41 desfiles consecutivos no Grupo Especial ao terminar na décima terceira colocação, seu pior resultado em 31 anos. O rebaixamento chegou a ser cancelado pela LIESA em junho do mesmo ano, mas foi mantido, pouco mais de um mês depois, numa plenária geral feita pela entidade. Após a decisão, Luiz Pacheco Drummond renunciou ao cargo de presidente da escola alegando problemas de saúde, mas desistiu da renúncia devido às manifestações de torcedores pedindo seu retorno.esquerda|miniaturadaimagem|Leandro Vieira (ao centro) em sua primeira passagem pela Imperatriz, como figurinista, em 2013.|300x300pxPara disputar a segunda divisão do carnaval em 2020, a escola contratou o carnavalesco Leandro Vieira, que já havia passado pela agremiação como figurinista entre os anos de 2013 e 2014. A escola reeditou seu samba-enredo de 1981, com o qual conquistou seu segundo título na elite do carnaval. O enredo, em homenagem ao compositor Lamartine Babo, morto em 1963, foi atualizado por Leandro Vieira. A escola foi a campeã da Série A de 2020 com nota máxima de todos os julgadores, garantindo seu retorno ao Grupo Especial. Após a conquista, Vieira não renovou com a Imperatriz em prol de sua permanência na Mangueira, onde era carnavalesco desde 2016. Para ocupar seu lugar, a Imperatriz acertou o retorno de Rosa Magalhães após onze anos. Antes da definição do enredo para 2021, o presidente da Imperatriz, Luiz Pacheco Drummond, faleceu aos 80 anos, no dia 1 de julho de 2020, vítima de um Acidente Vascular Cerebral. O cargo foi assumido por seu filho, Marquinhos Drummond, durante quatro meses até renunciar alegando motivos pessoais, sendo substituído pela irmã, Cátia Drumond. O enredo escolhido foi uma homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, campeão pela escola em 1980 e 1981, sendo um pedido de Luizinho antes de morrer. Devido à Pandemia de COVID-19, o desfile das escolas de samba de 2021 foi cancelado, sendo a primeira vez, desde a criação do concurso, em 1932, que o evento não foi realizado, obrigatoriamente postergando a preparação do desfile para 2022. Com um novo aumento dos casos de COVID no país, devido ao avanço da variante Ómicron no início do ano, o desfile das escolas de samba que ocorreriam no carnaval de 2022 foram adiados para abril do mesmo ano, durante o feriado de Tiradentes. Abrindo os desfiles no dia 22 de abril de 2022, a Imperatriz obteve o décimo lugar do carnaval de 2022, garantindo sua permanência no Grupo Especial.
Preparação para 2023 Depois do desfile de 2022, a Imperatriz anunciou a saída da carnavalesca Rosa Magalhães. Após seis carnavais e dois títulos conquistados na Mangueira, Leandro Vieira se desligou da escola, se transferindo para a Imperatriz. Para o carnaval de 2023, a Imperatriz renovou parte de sua equipe, contratando o intérprete Pitty de Menezes para substituir Bruno Ribas e Arthur Franco, além do coreógrafo Marcelo Misailidis e do mestre-sala Phelipe Lemos, que retornou à escola após sete anos de seu desligamento. A cantora Iza foi desligada do cargo de rainha de bateria devido a "incompatibilidade de agenda com os compromissos da escola". Moradora do Complexo do Alemão e passista da escola, a estudante de comunicação social Maria Mariá foi escolhida como a nova rainha da bateria Swing da Leopoldina. No dia 3 de junho de 2022, o tema do enredo da escola para o carnaval de 2023 foi divulgado no blog do jornalista Ancelmo Gois, em O Globo. A sinopse do enredo, assinada por Leandro Vieira, foi divulgada pela escola no dia 29 de junho de 2022.
No dia 11 de julho de 2022 foi sorteada a ordem de apresentação das escolas de samba para o desfile de 2023. A Imperatriz foi sorteada para ser a quarta agremiação a se apresentar na segunda noite do Grupo Especial. Ao longo das semanas que antecederam ao desfile, a Imperatriz realizou diversos ensaios em sua quadra e nas ruas próximas à sua quadra, no bairro de Ramos. Na noite do domingo, dia 22 de janeiro de 2023, a escola realizou seu ensaio técnico no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Segundo análise do site especializado Carnavalesco, a Imperatriz realizou um ensaio "sem erros, com irreverência, alegria da comunidade" e "plena sintonia" da bateria de Mestre Lolo com o carro de som comandado por Pitty de Menezes. Lula e o CPX do Alemão miniaturadaimagem|Lula com a bandeira da Imperatriz durante comício no Complexo do Alemão em 2022.|300x300px Em 12 de outubro de 2022, durante a campanha para a eleição presidencial, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que viria a ser eleito presidente dias depois, realizou um comício no Complexo do Alemão, comunidade próxima à quadra da Imperatriz. Integrantes da escola identificados com o político estiveram presentes no comício. Em certo momento, Lula pegou, beijou e balançou a bandeira da escola. Também estavam presentes no evento outros políticos como o então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), Marcelo Freixo (PSB), Alessandro Molon (PSB), Lindbergh Farias (PT), Jandira Feghali (PCdoB), Tarcísio Motta (Psol), Rodrigo Neves (PDT), Benedita da Silva (PT) e Carlos Minc (PSB), além da cantora Valesca Popozuda e da atriz Camila Pitanga. Na ocasião, Lula usou um boné com a sigla "CPX", que significa Complexo. Parlamentares e apoiadores de Jair Bolsonaro (rival de Lula no segundo turno da eleição) espalharam fake news associando a sigla com "cupincha", termo que significaria "parceiro do crime". Rapidamente, ONG's, autoridades, líderes comunitários e moradores reagiram esclarecendo o real significado de CPX. Após a polêmica, o boné com a inscrição "CPX" fez sucesso entre anônimos e famosos. Na Imperatriz, a passista Maria Mariá foi coroada como rainha de bateria da escola ganhando uma coroa banhada a ouro na forma de um boné com a inscrição "CPX". O item foi idealizado pelo carnavalesco Leandro Vieira e confeccionado pelo atelier Aquarela Carioca. Leandro também passou a fazer uso do boné com a sigla. No ensaio técnico da escola, realizado no sambódromo, ritmistas da bateria utilizaram bonés com a inscrição "CPX". esquerda|miniaturadaimagem|Janja durante a posse de Lula. Crítica à roupa da primeira dama rendeu convite da Imperatriz.|300x300px
Janja e a Velha Guarda Ao comentar a posse do presidente Lula, em 1 de janeiro de 2023, em seu Instagram, a youtuber Antônia Fontenelle criticou a roupa usada pela primeira dama, Janja Silva, na cerimônia. Fontenelle disse que a roupa parecia da Velha Guarda da Imperatriz, porque "é uma escola apática, não fede e nem cheira". Após a crítica de Fontenelle, várias escolas publicaram em suas redes sociais notas de repúdio à fala da youtuber. A presidente da Imperatriz, Cátia Drumond, enviou um ofício para a LIESA, solicitando que a youtuber não fosse credenciada para qualquer finalidade ou função, o que foi prontamente atendido pela entidade. A Imperatriz também convidou Janja para ser madrinha da Velha Guarda da escola. A primeira dama aceitou o convite e se reuniu com integrantes da agremiação com o objetivo de estreitar laços com a escola de samba e conhecer os programas sociais realizados pela Imperatriz.
O enredo O enredo da Imperatriz para o carnaval de 2023 foi inspirado em cordéis de autores nordestinos que narram histórias fantásticas sobre a chegada do cangaceiro Lampião ao céu e ao inferno, mesclando fatos históricos e uma pesquisa iconográfica baseada na estética regional com o conteúdo delirante dos libretos populares. O enredo foi baseado nos cordéis "A Chegada de Lampião no Inferno" e "O Grande Debate que Teve Lampião com São Pedro" do cordelista pernambucano José Pachêco; "A Chegada de Lampião no Céu" do poeta piauiense Guaipuan Vieira; "A Chegada de Lampião no Céu" do cordelista baiano Rodolfo Coelho Cavalcante; e "Lampião e Padre Cícero num Debate Inteligente" do cordelista cearense Moreira de Acopiara.
O enredo foi desenvolvido em cinco setores: Setor 1: "Pelas Bandas do Nordeste"
O enredo começa localizando a história no Sertão Nordestino e apresentando o personagem principal da trama, o cangaceiro Lampião, além de sua mulher, Maria Bonita, representados pelo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola.
Setor 2: "A Notícia Corre Céu"