José Benedicto da Cruz, mais conhecido como J.B.C., foi um erudito artista sacro-popular brasileiro. Nasceu aos 7 de fevereiro de 1877, em Paraíbuna-SP. Ainda jovem inicia seus ofícios, primeiro como pintor de caiação, e posteriormente atuando em trabalhos artísticos, como pintura, estatuária, marcenaria e alvenaria. Todos os seus trabalhos são de cunho religioso, contratado por igrejas para decoração em pintura, confecção de imagens sacras (muitas vezes de barro), construindo altares em madeira e até mesmo trabalhando em construção e ampliação de igrejas (de taipa e pau-a-pique). Sua maior obra ainda preservada é a Igreja de São Sebastião, em Taiaçupeba.

A maioria de seus trabalhos se perdeu no tempo, e, se não fosse o médico e historiador Eduardo Etzel em seu livro: "JBC - Um singular artista sacro-popular. A obra transcende o homem" o artista certamente teria caído no esquecimento.

No início do século XX JBC começa a trabalhar, de acordo com Etzel, pela região de Salesópolis. Tudo levou a crer que entre este período tenha ganhado a vida através da labuta como pintor de caiação e pedreiro. Nos anos de 1900 JBC, também chamado de Zé Santeiro, começa a pintar pela região do Alto Tietê, trabalhando em Mogi das Cruzes e Biritiba-Mirim. Em Mogi das Cruzes, JBC trabalhou em Taiaçupeba, Quatinga, e na Serra do Itapeti. miniaturadaimagem|251x251px|Igreja de São Sebastião, em Taiaçupeba. © Dorival Martins Jr., 2021 miniaturadaimagem|253x253px|Assinatura de JBC, datando o ano de 1919. Igreja de São Sebastião, Taiaçupeba. © Dorival Martins Jr., 2015 Felizmente algumas de suas obras resistiram ao tempo, como é o caso da Igreja de São Sebastião, no distrito de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes - SP. O templo abriga o maior acervo artístico de JBC ainda preservado. Entre seus trabalhos nesta igreja estão as pinturas do forro, os altares em madeira e alvenaria e até mesmo o coreto em madeira e a ampliação do templo que deu a pequena igreja uma fachada decorada e uma torre de sino.

A Igreja de São Sebastião, em Taiaçupeba, teve como fundadores os lavradores Pedro Thiago Franco Martins e José Nunes, que mobilizaram a comunidade e ergueram uma igreja em taipa de pilão, técnica tradicional da arquitetura paulista. A primeira etapa da obra foi iniciada em 1904, quando a nave principal e parte da estrutura já estavam prontas para uso religioso. É provavelmente JBC quem fica a frente dos trabalhos em taipa. Esta etapa é concluída no ano de 1909, quando o artista assina um frontão no arco do cruzeiro.

O santeiro retorna a Taiaçupeba nos anos seguintes, realizando o trabalho de marceneiro na Igreja São Sebastião, confeccionando o altar-mor, que ele mesmo decora. A igreja é benta no ano de 1916, e sua decoração, concluida aos 20 de junho de 1919, como assina José Benedicto da Cruz no forro da capela-mor da Igreja de São Sebastião (vide imagem ao lado).

Neste período, o artista dividia os trabalhos com a Igreja Matriz de Santa Cruz (Capela do Ribeirão) em Taiaçupeba. A igreja que fica cerca de 5 km da igreja de São Sebastião, rebebeu uma decoração apenas no forro da capela-mor. Nesta, JBC conclui no ano de 1918 (também assinando no forro seu nome e a data de conclusão). esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Vista interna da Igreja de São Sebastião, em Taiaçupeba. © Dorival Martins Jr., 2025 O jornalista e historiador Dorival Martins Jr., bisneto do fundador da Igreja de São Sebastião, Pedro Thiago, mantem um site com a história e um acervo fotografico das pinturas de JBC, chamado: Igreja São Sebastião (Taiaçupeba).

José Benedicto da Cruz ainda retornaria ao povoado de São Sebastião em Taiaçupeba uma última vez. Desta vez como pedreiro e marceneiro, onde ampliou a Igreja de São Sebastião. A obra acrescentou um corredor lateral direito (o esquerdo já existia). Também acrescentou uma torre sineira, além de uma decoração na fachada. Na parte interna, acrescentou um coro, e dois altares laterais em alveraria. O altar em madeira na capela lateral direita também é do artista. Toda esta obra foi concluida no ano de 1928, como assinalado na fachada da igreja. miniaturadaimagem|299x299px|Vista do forro da nave central da Igreja de São Sebastião, em Taiaçupeba. © Dorival Martins Jr., 2025 José Benedicto da Cruz atuou até a década de 1930. Sua última pintura, como apurou Etzel, foi no ano de 1929. Nesta data decorou a capela-mor da Igreja de São Francisco, no Quatinga (já demolida). Nos anos seguintes, trabalhou artisticamente apenas confeccionando imagens.

Em seus últimos anos JBC começou a apresentar um possível quadro de esquizofrenia. Essa hipótese foi levantada pelo seu biografo, Eduardo Etzel, com base nos depoimentos de seus familiares. O artista passou a ser considerado pelas pessoas a sua volta como "fraco da ideia"; perambulava sem rumo pela região; muitas vezes precisava ser contido pela família; permanecia imóvel, sem falar e sem comer. Com o agravamento deste quadro, foi levado de volta para Mogi das Cruzes, onde morreu em 14 de janeiro de 1934, às 23 horas, faltando poucos dias para completar 57 anos. A causa da morte foi: alienação mental e caquexia. Segundo apurou Etzel, esse atestado foi assinado pelo Dr. Lamartine Hugo Ferreira Alves.

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