thumb|300px|A divisão em horizontes de um solo agrícola típico (O-, A-, B-, C- e R-, a rocha mãe). Horizonte do solo é a designação usada no âmbito das ciências do solo e das ciências agrárias para cada uma das camadas aproximadamente paralelas à superfície do solo cujas características físicas, químicas e biológicas diferem consistentemente das camadas acima e abaixo. Os horizontes resultam dos processos de pedogénese e são geralmente definidos por características físicas distintivas fáceis de observar, principalmente pela cor e textura. Estas características distintivas podem ser descritos em termos absolutos (pela distribuição de tamanho de partícula da textura ou pelo so de uma escala de cores, por exemplo) ou em termos relativos ao material circundante (ou seja, 'mais grosso' ou 'mais arenoso', ou 'mais claro' ou 'mais escuro' do que os horizontes acima e abaixo). Descrição Um horizonte do solo é o resultado dos processos de formação do solo (pedogénese). As camadas que não passaram por tais processos podem ser simplesmente chamadas de "camadas" e entendidas no contexto dos processos geológicos, nomeadamente como resultado de mecanismos aluvionares, de derrocadas ou outras formas de deposição em camadas de material geológico.
Muitos solos têm uma camada superficial orgânica, que é denominada com a letra "O" maiúscula (as letras podem diferir dependendo do sistema de classificação usado). O solo mineral geralmente começa com um horizonte A. Se existe um horizonte de subsolo bem desenvolvido como resultado da formação do solo, geralmente é chamado de horizonte B. Um horizonte subjacente de material amolecido, mas pouco desenvolvido, é designado por horizonte C. O leito rochoso duro é é geral denominado R. A maioria dos sistemas de classificação dos solos definiu mais horizontes e camadas do que apenas estas cinco, mas ainda assim, estas podem ser consideradas como «horizontes mestres» ou «horizontes principais», sendo a base da estrutura de classificação da quase totalidade dos sistemas.
Os solos com um histórico de interferência humana, por exemplo, através de grandes obras de terraplenagem ou lavoura profunda regular, podem carecer quase completamente de horizontes distintos. Ao examinar os solos no campo, deve-se prestar atenção à geomorfologia local e aos usos históricos aos quais a terra foi submetida, a fim de garantir que os nomes apropriados sejam aplicados aos horizontes observados.
Na generalidade dos sistemas de classificação, os horizontes identificados são indicados com símbolos, que são usados principalmente de forma hierárquica. Os horizontes mestres (horizontes principais) são indicados por letras maiúsculas. Os sufixos, na forma de letras minúsculas e algarismos, diferenciam ainda mais os horizontes, criando subcategorias. Existem muitos sistemas diferentes de símbolos de horizonte em uso em diferentes regiões. Nenhum sistema é o mais correto, pois como construções artificiais, a sua utilidade reside na capacidade de descrever com precisão as condições locais de maneira consistente. Devido às diferentes definições dos símbolos representativos de cada tipo de horizonte, os sistemas não podem ser misturados.
Na maioria dos sistemas de classificação do solo, os horizontes são usados para definir os tipos de solo. Por exemplo, o sistema de classificação alemão usa sequências de horizonte inteiras para definição do tipo. Outros sistemas escolhem determinados horizontes, os «horizontes de diagnóstico», para definição do tipo. Exemplos do uso de horizontes diagnóstico são os sistemas da World Reference Base for Soil Resources (WRB),. da USDA e da CSIRO (Austrália).
Os horizontes diagnósticos são geralmente indicados com nomes, como «horizonte câmbico» (cambic) ou «horizonte espódico» (spodic). O WRB lista 40 horizontes de diagnóstico. Além desses horizontes de diagnóstico, algumas outras características do solo podem ser necessárias para definir um tipo de solo. Alguns solos não apresentam um claro desenvolvimento de horizontes. Estrutura típica de um solo
Na tabela que se segue, os horizontes são listados pela sua posição de cima para baixo ao longo do perfil do solo. Nem todos os horizontes estão presentes em todos os solos.Soil Science Society of America. Internet Glossary of Soil Science Terms, Appendix 2.
Horizonte Características O Camada orgânica superficial — Depedendo do coberto vegetal ou, no caso dos solos agrícolas, das práticas culturais e do tipo de cultivo, a parte superior do solo é frequentemente rica em matéria orgânica não decomposta, por vezes contendo uma camada de manta morta ou de húmus doce, mas a parte inferior pode ser fortemente humificada. Quando exista grande disponibilidade de matéria orgânica, como ocorre em solos florestais e em solos não agricultados com bom coberto vegetal, forma-se nesta camada uma estrutura sob a camada humífera que resulta numa manta de húmus em aerobiose designada por húmus doce. A Solo superficial — Camada de solo mineral com maior acumulação de matéria orgânica e maior presença de vida do solo. Além disso, devido à alteração mais intensa devido ao maior contacto com a atmosfera, são formados e acumulados minerais contendo óxidos (principalmente óxidos de ferro e alumina) e argilas. Apresentam uma estrutura de solo bem definida, mas em alguns solos, os minerais de argila, de ferro, de alumínio, compostos orgânicos e outros constituintes são solúveis e são arrastados para baixo pelas águas de infiltração. Quando esta eluviação é pronunciada, um horizonte de solo subsuperficial E de cor mais clara é aparente na base do horizonte A. O horizonte A também pode ser o resultado de uma combinação de solo que sofreu bioturbação e processos de superfície que separam as partículas finas de solo superficial biologicamente acumuladas. Neste caso, o horizonte A é considerado um "biomanto". Com o horizonte B forma o «solum», «sólum» ou «solo verdadeiro», o conjunto dos horizontes A e B do solo, no qual se inclui o solo arável, ou seja a camada mobilizável nas práticas agrícolas convencionais.Glossário da Pedologia (Português-Inglês, Inglês-Português), traduzido e organizado por António José da Silva Teixeira. Separata da Revista Agronómica, ano XXXV, tomo II, 1947. B Subsolo — Corresponde, aproximadamente à parte do solum subjacente à camada arável. Esta camada normalmente tem menos matéria orgânica do que o horizonte A, pelo que a cor é derivada principalmente da presença de óxidos de ferro. Os óxidos de ferro e os minerais de argila acumulam-se nesta camada como resultado da alteração dos materiais geológicos devido aos processos de meteorização. Nos solos em que as substâncias desçam do solo superficial, esta é a camada onde se acumulam. O processo de acumulação de minerais de argila, ferro, alumínio e compostos orgânicos é referido por iluviação. O horizonte B tem geralmente uma estrutura de solo bem marcada. C Substrato — Camada de rochas não endurecidas pouco alteradas ou não meteorizadas. Esta camada pode acumular compostos mais solúveis como CaCO3. Os solos formados in situ a partir de material não endurecido exibem semelhanças com esta camada que forma os horizontes C. R Rocha mãe (rocha matriz, material parental ou material originário) — Os horizontes R denotam o leito rochoso parcialmente alterado ou não meteorizado na base do perfil do solo. Ao contrário das camadas acima, os horizontes R compreendem em grande parte massas contínuas (em oposição a pedregulhos) de rocha dura que não podem ser escavadas manualmente. Os solos formados in situ a partir do leito rochoso exibem fortes semelhanças com esta camada rochosa.
Conceitos de «horizonte» e «camada» O termo «camada», denotando uma estrutura de origem geogénica ou antropogénica, deve ser distinguido do termo «horizonte do solo». Uma camada é o resultado de processos de génese geológica ou antropogénica, como a sedimentação natural ou o aterro artificial e a terraplenagem. Pode ser reconhecido por uma mudança no material que não é causada pelos processos de formação do solo (por exemplo, areia sobre argila). Os horizontes do solo, por outro lado, são o resultado da pedogénese (formação do solo).
O solo pode ser constituído por uma ou mais camadas (sólidas ou soltas). Como regra, formam-se vários horizontes em cada camada. Contudo, os solos constituídos por estratos muito delgados, ou estratos com pedogénese ainda não avançada, por vezes mostram apenas um único horizonte. Por outro lado, a pedogénese pode fazer com que camadas originalmente existentes deixem de ser reconhecíveis no perfil do solo e que várias camadas apareçam como um único horizonte.
O exemplo a seguir pretende explicar a diferença entre um horizonte (pedogénico) e uma camada (geogénica). No sopé dos Alpes, é frequente encontrar uma camada de loess sobre uma camada de depósitos neogénicos. O loess contém carbonato de cálcio, mas os sedimentos neogénicos apresentam-se muitas vezes livres de carbonatos. A pedogénese ocorreu em ambos os estratos. Na camada de loess há acumulação de húmus, lixiviação de carbonato, alteração dos silicatos primários com a formação de argilominerais e óxidos (especialmente óxidos de ferro) e, finalmente, os efeitos da lessivagem que ao remover argilas produzem uma mudança da cor do solo. Se a camada de loess não for muito espessa, ficou completamente livre de carbonatos no decorrer do Holoceno e deixou de apresentar um horizonte C. Então a sequência do horizonte é Ah / Al / Bt. A formação do solo também ocorre na camada do Neogeno, que muitas vezes começou muito antes do Holoceno. Ocorre meteorização dos silicatos com formação de minerais de argila e óxidos. Os minerais argilosos da fina camada de loess são muitas vezes arrastados para a parte superior da camada do Neogeno. Esta camada tem assim a sequência de horizonte Btv / Bv / ilCv. Toda a sequência do horizonte do solo é: Ah / Al / Bt / IIBtv / IIBv / IIilCv. Os algarismos romanos II designam a segunda camada.
Neste contexto, e feita a destrinça em relação a camadas com origem nos processos meramente geodinâmicos e antrópicos, conclui-se que os horizontes do solo são estruturas presentes nos solos que apresentam características e propriedades uniformes com origem nos processos de pedogénese e que diferem marcadamente das estruturas situadas acima ou abaixo no perfil do solo. O factor distintivo determinante é a sua origem nos processos de formação e desenvolvimento do solo (a pedogénese), os quais geralmente afetam ou permeiam o solo verticalmente de cima para baixo, daí a estrutura dos horizontes ser aproximadamente paralela à superfície do solo.
Os processos de pedogénese são principalmente processos naturais, ou seja, físicos ou químicos de alteração dos materiais geológico e orgânicos pela meteorização (efeitos do calor, frio, precipitação), atividade biológica (do édafon, com destaque para os efeitos das raízes das plantas, da escavação por animais e do efeitos das minhocas e dos micro-organismos do solo), da lixiviação e de outros mecanismos de transporte de substâncias pelas águas de infiltração (com destaque para a iluviação e eluviação e para a lessivagem). Nas regiões povoadas, e especialmente nos solos agricultados, as componentes antropogénicas têm grande influência (realocação do solo, entrada de material, lavoura).
Nomenclatura dos horizontes
Estão em uso múltiplos sistemas de classificação dos solos, nos quais a nomenclatura utilizada para designar os diferentes horizontes do solo difere marcadamente. Estes sistemas também diferem na utilização de horizontes e camadas intermédios, para além dos horizontes mestres atrás apontados, e na utilização de sufixos e de outros qualificativos para distinguir parâmetros físico-químicos e de pedogénese nos diferentes horizontes.World reference base for soil resources 2014. International soil classification system for naming soils and creating legends for soil maps. FAO World Soil Resources Reports, n.º 106, 2015].