O USS Springfield foi um cruzador operado pela Marinha dos Estados Unidos. Sua construção começou em fevereiro de 1943 nos estaleiros da Bethlehem Shipbuilding em Quincy e foi lançado ao mar em março de 1944, sendo comissionado na frota norte-americana em setembro do mesmo ano. Ele foi inicialmente construído como o décimo cruzador rápido da Classe Cleveland e armado com uma variedade de canhões, mas posteriormente foi convertido no segundo cruzador de mísseis guiados da Classe Providence equipado com os novos lançadores de mísseis RIM-2 Terrier.
O Springfield entrou em serviço nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial e foi encarregado da escolta de porta-aviões. Nesta função participou de operações da Batalha de Okinawa e em seguida de ataques contra o arquipélago japonês, incluindo ações de bombardeios litorâneos. A guerra terminou em agosto de 1945 e pelos anos seguintes o navio ocupou-se principalmente de exercícios de treinamento de rotina e alguns períodos de serviço na Ásia Oriental. Ele foi descomissionado em janeiro de 1950 e mantido inativo como parte da Frota de Reserva do Pacífico.
A embarcação foi reconstruída como um cruzador de mísseis guiados no final da década de 1950 e recomissionada em julho de 1960. Pela mais de década seguinte o Springfield novamente passou a maior parte de seu tempo realizando exercícios de rotina no Oceano Atlântico e também passando períodos de tempo de serviço no Mar Mediterrâneo e em outros locais da Europa, muitas vezes atuando como capitânia. Foi descomissionado de novo em maio de 1974, sendo mantido na Frota de Reserva do Atlântico até ser removido do registro naval em 1980 e desmontado.
Características
thumb|240px|esquerda|Desenho da Classe Cleveland O projeto dos cruzadores rápidos da Classe Cleveland começou no final da década de 1930. O deslocamento de navios do tipo na época ficava limitado a 8,1 mil toneladas pelos termos do Segundo Tratado Naval de Londres. Entretanto, após o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, o Reino Unido anunciou que iria suspender o tratado pela duração do conflito, uma decisão rapidamente seguida pelos Estados Unidos. Este, apesar de ainda neutro, reconheceu que sua entrada na guerra era provável e que a necessidade urgente de mais navios impedia um projeto totalmente novo, assim a Classe Cleveland teve seu projeto muito baseado na predecessora Classe Brooklyn. A principal diferença foi a remoção de uma torre de artilharia tripla de 152 milímetros em favor de uma torre dupla de 127 milímetros.
O Springfield tinha 185,95 metros de comprimento de fora a fora, boca de 20,22 metros e calado de 7,47 metros. Seu deslocamento padrão era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quatro caldeiras Babcock & Wilcox que queimavam óleo combustível proporcionando o vapor para quatro conjuntos de turbinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 102 mil cavalos-vapor (75 mil quilowatts), suficiente para levar o navio a uma velocidade máxima de 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora). Sua tripulação era composta por oficiais e marinheiros.
Sua bateria principal tinha doze canhões Marco 16 calibre 47 de 152 milímetros em quatro torres de artilharia triplas, duas sobrepostas na proa e duas sobrepostas na popa. A bateria secundária tinha doze canhões de duplo propósito calibre 38 de 127 milímetros em seis torres de artilharia duplas. Duas ficavam à proa e à ré da superestrutura, enquanto as outras quatro ficavam nas laterais da superestrutura. A bateria antiaérea tinha 24 canhões Bofors de 40 milímetros em quatro montagens quádruplas e quatro duplas, mais 21 canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens individuais.
O cinturão principal tinha entre 89 a 127 milímetros de espessura, com a seção mais espessa protegendo os depósitos de munição e as salas de máquinas. Seu convés blindado tinha 51 milímetros de espessura. As torres de artilharia principais eram protegidas com uma frente de 170 milímetros e laterais e teto de 76 milímetros, ficando em cima de barbetas que tinham 152 milímetros de espessura. Sua torre de comando tinha laterais de 127 milímetros.
Carreira O batimento de quilha do Springfield ocorreu em 13 de fevereiro de 1943 na Bethlehem Shipbuilding em Quincy, em Massachusetts. Foi lançado ao mar em 9 de março de 1944 e foi finalizado exatamente seis meses depois, quando foi comissionado em 9 de setembro. Partiu em 7 de novembro para seu cruzeiro de testes marítimos, parando primeiro em Norfolk, na Virgínia, dois dias depois. Em seguida realizou treinos de tiro ao alvo na Baía de Chesapeake por alguns dias e então foi para as Índias Ocidentais Britânicas, no Mar do Caribe. Chegou no Golfo de Pária, em Trinidad, em 21 de novembro e navegou pela região até o dia 21 do mês seguinte, quando zarpou para Boston ao final dos testes.
Segunda Guerra Mundial O Springfield deixou Boston em 10 de janeiro de 1945 para treinamentos para operações na Segunda Guerra Mundial. Estes ocorreram perto das Bermudas e terminaram em 13 de janeiro, com o navio então prosseguindo para Norfolk. Pelos dez dias seguintes participou de treinos de artilharia em Chesapeake, com sua tripulação completando tarefas básicas de manutenção no porto. O cruzador zarpou na manhã de 23 de janeiro como parte do Grupo de Tarefas 21.5, a escolta do cruzador pesado , que estava levando o presidente Franklin D. Roosevelt para Malta, à caminho para a Conferência de Ialta. Os navios chegaram cinco dias depois em um ponto aproximadamente trezentas milhas náuticas (560 quilômetros) ao sul dos Açores, com um segundo grupo de embarcações assumindo a escolta, permitindo assim que o Springfield fosse destacado para se juntar às forças na Campanha do Pacífico. Atravessou o Canal do Panamá em 5 de fevereiro e foi para a base de Pearl Harbor, no Havaí, onde chegou onze dias depois.
Batalha de Okinawa
thumb|250px|O Springfield em 6 de janeiro de 1945 O navio ficou em Pearl Harbor por mais cinco dias reabastecendo em preparação para combate. Seus artilheiros antiaéreos ficaram treinando tiro ao alvo durante esse período. Zarpou para a zona de combate e parou em Enewetak em 2 de março, chegando na base avançada de Ulithi quatro dias depois. Foi para o norte em 14 de março, juntando-se à Força Tarefa de Porta-Aviões Rápido no dia seguinte. Operou como parte da escolta dos porta-aviões pelos três meses seguintes. Os porta-aviões atacaram as ilhas principais de Kyūshū e Honshū entre 18 e 19 de março em preparação para a iminente invasão de Okinawa, mais ao sul. A frota então foi atacar Okinawa diretamente, com uma série de ataques ocorrendo entre 23 de março e 1º de abril. O Springfield contribuiu com a defesa antiaérea durante vários contra-ataques japoneses. Também realizou ações de bombardeio litorâneo da vizinha Minamidaitō.
A invasão começou em 1º de abril e a Força Tarefa de Porta-Aviões Rápido passou a proporcionar suporte para as tropas em terra em uma campanha que durou mais de um mês. O cruzador, durante esse período, foi usado principalmente na defesa contra ataques aéreos japoneses. Estes ataques incluíram amplo uso de táticas kamikaze, com os artilheiros do Springfield tendo abatido pelo menos três aeronaves tentando bater em navios estadunidenses. O Springfield, depois de abater um kamikaze em 17 de abril, foi alvo de um segundo, porém manobras evasivas fizeram o avião errar por pouco e cair no mar a apenas 46 metros de distância.
Foi destacado para bombardear Minamidaitō de novo em 10 e 11 de maio e então retomou suas funções de defesa aérea. Acompanhou os porta-aviões entre os dias 13 e 14 para ataques contra campos de pouso em Kyūshū, uma tentativa de neutralizar as aeronaves atacando a frota. O Springfield permaneceu perto de Okinawa até 28 de maio.
Outras ações thumb|esquerda|250px|A Força Tarefa de Porta-Aviões Rápido em manobras em 17 de agosto de 1945 O Springfield foi destacado em 27 de maio e seguiu para Leyte, nas Filipinas, onde chegou três dias depois para uma manutenção que durou um mês. Depois disso retornou para a frota, que nesta altura tinha começado vários ataques em preparação para a planejada invasão de Kyūshū. Estava presente para ataques contra Tóquio em 10 e 11 de julho, que foram seguidos por ataques no norte do Japão nos dias 13 e 14, incluindo em Hokkaidō. O Springfield participou de uma patrulha em busca de navios mercantes japoneses na noite de 14 para 15 de julho, depois voltou para os porta-aviões para mais ataques em Tóquio e Yokohama. Os porta-aviões atacaram em 18 de julho os poucos navios japoneses ainda flutuando, incluindo os couraçados e . Os porta-aviões atacaram Kobe e Kure várias vezes na última semana de julho, com o Springfield sendo destacado para bombardear alvos no sul de Honshū na noite de 24 para 25 de julho. A Força Tarefa de Porta-Aviões Rápidos voltou a atacar Tóquio no dia 30, enquanto em 9 e 10 de agosto fez mais ataques no norte de Honshū e em Hokkaidō. Os últimos ataques de porta-aviões ocorreram em 13 de agosto.
O Japão se rendeu em 15 de agosto. O Springfield foi condecorado com duas estrelas de batalha por seu serviço na guerra. Ele entrou na Baía de Sagami em 27 de agosto e deu cobertura três dias depois para a entrada da Força Tarefa 31 na Baía de Tóquio, em seguida participou da ocupação do Arsenal Naval de Yokosuka. Voltou para a Baía de Sagami e permaneceu no local até 3 de setembro, quando também foi para a Baía de Tóquio. Depois disso navegou pela Ásia Oriental à medida que as forças japonesas eram desmilitarizadas e eram levadas de volta para casa. O cruzador visitou vários portos, incluindo Sasebo e Yokosuka no Japão; Xangai, Taku, Qingdao e Qinhuangdao na China; e Incheon na Coreia. Estas visitas continuaram até 9 de janeiro de 1946, quando deixou Qingdao rumo San Diego, na Califórnia, onde chegou no dia 25. Foi então para o Estaleiro Naval da Ilha Mare passar por manutenção.
Pós-guerra Pacífico e conversão thumb|250px|O Springfield passou por sua modernização em 30 de outubro de 1958 O Springfield operou pela Costa Oeste dos Estados Unidos durante a maior parte de 1946. Voltou para o Oceano Pacífico em novembro, chegando em Guam no dia 15. Depois navegou pela área, viajando principalmente entre Guam e Saipã nas Ilhas Marianas pelos meses seguintes. Zarpou de volta para a Califórnia em 19 de fevereiro de 1947, parando em Kwajalein entre 25 e 27 de fevereiro e em Pearl Harbor de 11 a 18 de março. Chegou em Los Angeles em 24 de março. Ficou navegando pela Costa Oeste pelo ano e meio seguinte participando de exercícios de treinamento de rotina. Retornou para o Pacífico no final de 1948 e chegou em Yokosuka em 3 de novembro, onde juntou-se à Sétima Frota dos Estados Unidos. Operou com esta unidade até meados de maio, visitando durante este período vários portos na região, incluindo Sasebo, Kure, Hakodate, Otaru e Okinawa no Japão; Qingdao e Xangai na China; e Hong Kong. Voltou para a Califórnia em 1º de junho de 1949 e três meses depois foi colocado em uma doca seca para ser preparado para descomissionado. Foi tirado de serviço e colocado na Frota de Reserva do Pacífico em janeiro de 1950.