A Igreja Reformada em Moçambique (IRM) é uma denominação cristã reformada fundada em 1909, em Moçambique, por missionários da Igreja Reformada Neerlandesa (NGK).
História
Início
O trabalho missionário inicial da Igreja Reformada Neerlandesa (NGK) no Malawi se espalhou naturalmente entre as mesmas pessoas de língua Chichewa que viviam na Angónia portuguesa do outro lado da fronteira com Moçambique. A estação missionária de Mlanda, no Malawi, onde serviu o Rev. AG Murray, ficava há dois quilômetros desta fronteira.
miniatura|direita|Rev. A. G. Murray.
O Rev. AG Murray não recebeu resposta ao seu pedido para começar a trabalhar lá. Assim, em 1907 viajou para Tete para se encontrar pessoalmente com o governador português que lhe permitiu iniciar o trabalho missionário na área. Todavia, a missão protestante holandesa deveria cumprir algumas condições: não poderia se estabelecer a menos de 20 milhas de qualquer estação missionária católica romana existente ou recém-fundada, o português era a língua de instrução nas escolas da missão, e todos os missionários e professores tinham que ser proficientes em português.
Assim sendo, em junho de 1908, o Rev. AG Murray obteve a permissão necessária e, em 19 de maio de 1909, chegou às margens do rio Chibvomozi na província de Tete.
Estabelecimento em Mphatso (1909)
Apesar de todas essas dificuldades, no ano de 1909, o Rev. A. G. Murray decidiu estabelecer-se em Mphatso. Mudou-se para Mphatso com toda a sua família. Isto demonstrava o seu compromisso com o trabalho missionário. Ele não permitiu que as dificuldades o impedissem de realizar aquilo para que acreditava ter sido chamado por Deus. A sua permanência no local deu esperança às pessoas da região e mostrou que o trabalho estava a estabelecer-se de forma permanente. No mesmo ano, em 10 de dezembro, um dos seus filhos nasceu nesse novo local e recebeu o nome de Danie Theron Murray. O nome foi dado em homenagem ao secretário-geral da missão no Transvaal, que tinha contribuído significativamente para o início do trabalho missionário em Angónia. O nascimento desta criança foi visto como um sinal de esperança de que o trabalho continuaria e de que as novas gerações dariam continuidade à obra de Deus. Mais tarde, três evangelistas foram enviados de Mlanda para ajudar no trabalho de evangelização. Eram eles Bambo Malekano, Jenija e Bambo Tsoka. Foram os primeiros a ajudar o Rev. Murray na propagação do Evangelho em Angónia. Depois desses três evangelistas, outros evangelistas, num total de 60, foram enviados para a região de Angónia para apoiar o trabalho do Senhor. Porém, em 1916, ocorreu uma tragédia. Muitos desses evangelistas foram levados como prisioneiros para a Índia, de onde não regressaram. Isto foi muito doloroso para a nova igreja, mas as pessoas não desistiram. Apesar das dificuldades, o trabalho missionário continuou. Os poucos evangelistas que permaneceram continuaram a trabalhar arduamente.
miniatura|direita|A família do Rev. A. G. Murray.
Estabelecimento da Primeira Igreja (1915) No ano de 1915, foi estabelecida a primeira igreja de Mphatso, tornando-se a primeira igreja na região de Angónia. Isto aconteceu no dia 28 de março. Naquela época, havia 94 cristãos e 249 alunos das classes bíblicas. Este foi o início de grandes acontecimentos que viriam no futuro. A igreja tornou-se uma base para a propagação do Evangelho em Angónia e nas regiões circundantes.
miniatura|direita|Inauguração da primeira Igreja de Mphatso, em 1912.
O trabalho progrediu lentamente. Um grupo de evangelistas do Malawi também participou da evangelização e em 1910 os primeiros adultos foram batizados.
Este novo empreendimento missionário seguiu a mesma abordagem missionária do Malawi. Foi estabelecida uma escola voltada para a leitura da Bíblia, uma classe de catecúmenos em que dois jovens se matricularam (foram os dois primeiros convertidos em 1910), foram criados postos e escolas secundárias e foi fornecida assistência médica elementar. Alguns outros missionários se seguiram e mais estações missionárias foram fundadas, a saber, Fulankhungo em 1912 e Chiputu e Bengu em 1914. A Congregação de Mphatso foi oficialmente formada em 28 de março de 1915, com 95 membros comungantes e 249 catecúmenos.
Devidos ao início da Primeira Guerra Mundial, a Igreja Reformada Neerlandesa (NGK) passou a ser vista com desconfiança pelo governo português. Igualmente, a missão estabeleceu escolas com base na língua Chichewa em vez do português, descumprindo o acordo para a sua permissão de atuação no país.
Consequentemente, em 1922, o governo português proibiu a missão de continuar suas atividades.
Reestabelecimento
Após a independência de Moçambique, a Igreja Reformada Neerlandesa (NGK) voltou ao país para reestruturação da igreja.
Na década de 1970, a denominação se tornou autônomo da igreja-mãe e se espalhou por todo o país, chegando às regiões de Maputo, bem como o Norte e Sul do país. Em 1975, obteve o registro no governo recém independente.
Em 2019, a denominação eram formada por 3 sínodos, 75 congregações, 86 pastores e 80.000 membros.
Doutrina
A denominação subscreve as Três Formas da Unidade (Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort) como seus símbolos de fé. Além disso, reconhece o Credo dos Apóstolos como exposições fiéis das doutrinas bíblicas e afirma a inerrância bíblica.
A denominação também permite a ordenação de mulheres.
Relações Intereclesiásticas
A IRM é membro da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas.
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