thumb|upright=1.5|Mapa animado da evolução territorial da guerra na sua primeira fase, que foi de 24 de fevereiro até 7 de abril de 2022. Esta fase foi caracterizada por ofensivas russas em múltiplas frentes de batalha (norte, sul e leste). O avanço inicial russo de fevereiro até o final de março focou em três frentes de batalha distintas: ao norte, via Bielorrússia e os oblasts russos de Kursk e Voronej, a Rússia avançou sobre os oblasts ucranianos de Kiev, Jitomir, Tchernihiv e Sumy, para tomar as grandes cidades, centros industriais e o coração político da Ucrânia; no leste, eles atacaram a partir dos territórios ocupados de Lugansk e Donetsk e também via Rostov, para assegurar a integridade das duas repúblicas autônomas reconhecidas por Moscou, cercando também Kharkiv para garantir o flanco a nordeste; e no sul, via Crimeia, o Mar de Azov e Donetsk, os russos avançaram por Kherson, tomando a capital da região em seis dias, com o intuito de marchar sobre Mykolaiv e posteriormente ocupar a cidade de Odessa, onde o maior porto ucraniano fica. Ao mesmo tempo, uma segunda força russa no sul avançou sobre o Oblast de Zaporíjia, tomando Melitopol no caminho em direção a Mariupol. No final, perseguir tantos objetivos ao mesmo tempo, somado a resistência das tropas ucranianas e problemas de logística e moral baixa, desgastou as forças armadas russas que, posteriormente, tiveram de abandonar a frente norte e interromper boa parte dos ataques no sul para focar seu poderio militar no leste.
Eventos
Fevereiro 24 de fevereiro miniaturadaimagem|esquerda|Estragos em Kiev causados por ataque de mísseis russos Pouco antes das 6h, horário de Moscou (UTC+3), em 24 de fevereiro, Putin anunciou que havia tomado a decisão de lançar uma operação militar no leste da Ucrânia. Em seu discurso, Putin disse que não há planos para ocupar o território da Ucrânia e afirmou que apoia o direito dos povos que residem no território da Ucrânia à autodeterminação. Putin também afirmou que a Rússia estava buscando a "desmilitarização" e a "desnazificação" da Ucrânia e pediu aos soldados ucranianos que deponham suas armas.
Minutos após o anúncio de Putin, explosões foram relatadas em Kiev, Kharkiv, Odessa e na região de Donbass. Autoridades ucranianas disseram que a Rússia desembarcou tropas em Odessa e Mariupol e lançou mísseis balísticos e de cruzeiro em aeródromos, quartéis-generais militares e depósitos militares em Kiev, Kharkiv e Dnipro. Mais tarde, os militares ucranianos negaram informações sobre o desembarque do exército russo em Odessa. O espaço aéreo sobre o leste da Ucrânia tem restrições ao tráfego aéreo civil como resultado desses desenvolvimentos, com toda a área sendo considerada uma zona de conflito ativa pela Agência de Segurança da Aviação da União Europeia. thumb|Filmagem de uma região do Leste da Ucrânia após o início da invasão russa De acordo com o Ministro de Estado ucraniano, Anton Herashchenko, pouco depois das 6h30 (UTC+2), as forças russas estavam invadindo por terra perto da cidade de Kharkiv e desembarques anfíbios em grande escala foram relatados nas cidades de Mariupol e Odessa; Heraschenko confirmou os desembarques perto de Odessa. Pouco antes das 7h (UTC+2), o presidente Zelenskyy anunciou a introdução da lei marcial na Ucrânia. Às 7h40, a BBC citou outras fontes ao dizer que as tropas também estavam entrando no país a partir da Bielorrússia. A Força de Fronteira Ucraniana relatou ataques a locais em Luhansk, Sumy, Kharkiv, Chernihiv e Jitomir, bem como na Crimeia. Em Henichesk, no sul de Kherson, numa ponte chave que permitia o acesso entre a Crimeia ocupada e a Ucrânia continental, uma coluna de tanques russos foi impedida de progredir quando o soldado engenheiro ucraniano Vitaly Skakun Volodymyrovych a armadilhou e fez explodir. Skakun não conseguiu sair do local a tempo após armadilhar a ponte, tendo avisado os companheiros que explodiria junto com a estrutura. A operação obrigou a coluna a tomar outra rota, atrasando-a consideravelmente, ao mesmo tempo que permitiu que as forças ucranianas reagrupassem. miniaturadaimagem|esquerda|Equipe antitanque das Tropas Aerotransportadas da Federação Russa operando um lançador de mísseis Konkurs, perto do Aeroporto de Hostomel. Por volta das 18h20 (UTC+2), a Usina Nuclear de Chernobil foi invadida por forças russas após uma curta batalha contra tropas da Ucrânia. Segundo Oksana Markarova, embaixadora ucraniana em Washington, 92 pessoas foram feitas reféns em Chernobil pelas forças russas, que não estarão a cumprir os regulamentos em vigor. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, pelo menos 137 ucranianos morreram no primeiro dia de combate, 13 dos quais na pequena ilha de Fidonisi, no mar Negro.
A Guarda de fronteira ucraniana e as Forças Armadas do país relataram dois intensos confrontos perto de Sumy ("na direção de Konotop") e Starobelsk, no Oblast de Luhansk. O general Valerii Zaluzhnyi relatou que quatro mísseis balísticos lançados da Bielorrússia na direção sudoeste caíram na Ucrânia. Enquanto isso, as estações do Metrô de Kiev e do Metrô de Kharkiv foram usados como abrigos antiaéreos para a população local. Um hospital local em Vuhledar (Oblast de Donetsk) teria sido bombardeado, resultando na morte de quatro civis.
25 de fevereiro miniaturadaimagem|Zonas bombardeadas e avanço das forças russas em direção a Kiev, a 25 de fevereiro Na madrugada do dia 25 de fevereiro, o presidente Zelenskyy ordenou a mobilização completa das forças armadas ucranianas por 90 dias. Antes do sol raiar, a capital Kiev foi abalada por pelo menos duas explosões que, segundo o ministro do interior ucraniano, Anton Herashchenko, foram causadas por mísseis balísticos ou de cruzeiro. O governo ucraniano afirmou então que abateu uma aeronave inimiga sobre Kiev, que colidiu com um prédio residencial, incendiando-o. thumb|esquerda|"Kiev tensa enquanto as forças russas avançam", reportagem em vídeo da Voice of America
Analistas militares independentes observaram que as forças russas no norte da Ucrânia pareciam estar lutando fortemente contra tropas ucranianas ao longo de toda a linha de frente. O segundo dia da invasão, os militares da Rússia decidiram focar sua atenção em cercar a capital Kiev e manter o avanço sobre Kharkiv, mas estavam enfrentando feroz resistência, com as perdas em ambos os lados sendo altas. Baseado em posts em redes sociais mostrando imagens de veículos destruídos, parecia que as colunas blindadas russas eram vulneráveis a emboscadas. Em contraste, as operações russas no leste e no sul eram mais bem-sucedidas. As forças russas eram melhor treinadas e tinham equipamento superior, permitindo se provisionar por Donbas, se preparando para avançar sobre as posições ucranianas. Enquanto isso, o avanço militar russo que vinha da Crimeia era dividido em suas colunas, com analistas sugerindo que eles poderiam estar tentando cercar e capturar os defensores inimigos em Donbas, forçando os ucranianos a abandonar suas defesas preparadas e lutar em campo aberto.
Na manhã de 25 de fevereiro, Zelenskyy acusou a Rússia de atacar alvos civis durante seus bombardeios. O porta-voz do governo ucraniano Vadym Denysenko afirmou que 33 áreas de civis foram bombardeadas nas primeiras 24 horas da guerra. O Ministério da Defesa ucraniano afirmou que forças russas haviam penetrado no distrito de Obolon, no norte de Kiev, e estavam aproximadamente a 9 km do Parlamento Ucraniano. Por toda a manhã e começo da tarde do dia 25 de fevereiro, combates intensos foram reportados na zona governamental da capital ucraniana. O Ministério da Defesa então anunciou que todos os civis ucranianos eram elegíveis para se voluntariar para o serviço militar, independentemente da idade.
As autoridades ucranianas relataram que um aumento não crítico na radiação excedendo os níveis de controle foi detectado na Usina Nuclear de Chernobil depois que as tropas russas ocuparam a área, dizendo que isso se deveu ao movimento de veículos militares pesados levantando poeira radioativa no ar. A Rússia alegou que estava defendendo a usina de grupos nacionalistas e terroristas, e que a equipe estava monitorando os níveis de radiação no local.
Zelenskyy indicou que o governo ucraniano "não tinha medo de falar sobre o status de neutralidade." No mesmo dia, Putin disse ao presidente chinês, Xi Jinping, que "a Rússia está disposta a conduzir negociações de alto nível com a Ucrânia."
O edifício dos Serviços de Segurança ucranianos em Chernihiv incendiou-se, após ter sido atingido por mísseis russos. Segundo Ragip Soylu, correspondente da CNN em Kiev, o presidente da câmara Wladimir Klitschko, anunciou que a central termoelétrica que abastece Kiev foi destruída por forças russas ao início da noite. O centro de oncologia de um hospital de Melitopol foi destruído por explosivos russos.
thumb|Bloco de apartamentos em Kiev (rua Oleksandr Koshyts) após bombardeio em 25 de fevereiro
No final do dia 25, O Pentágono informou que a Rússia foi incapaz de estabelecer supremacia aérea sobre o espaço aéreo ucraniano, que analistas dos Estados Unidos previram que aconteceria rapidamente após o início das hostilidades. As capacidades de defesa antiaérea ucranianas foram severamente reduzidas pelos ataques iniciais russos, mas o país ainda tinha habilidade de defender seus céus até certo ponto. Nos primeiros três dias de guerra, aeronaves de ambas as nações continuavam a voar e realizar missões. Analistas militares dos Estados Unidos também afirmaram que o avanço russo na Ucrânia não estava acontecendo tão rápido quanto Moscou havia antecipado, com a Rússia não sendo capaz, nas primeiras 24 horas, de tomar qualquer grande centro urbano, e com os seus centros de comando e controle ainda relativamente intactos. O Pentágono avisou, contudo, que a Rússia havia comprometido apenas um pouco mais de 30% dos 150 000 a 190 000 militares que haviam mobilizado na fronteira. thumb|Soldados russos lutando na Batalha pelo Aeroporto Antonov.
Enquanto isso, com tropas russas perto de Kiev, o presidente Zelenskyy pediu à população que preparasse coqueteis molotov para atacar o inimigo. Vladimir Putin, por seu lado, pediu aos militares ucranianos que derrubassem o governo. O exército ucraniano distribuiu 18 000 armas entre a população de Kiev, com a reserva das forças armadas sendo mobilizada para resistir. No final do dia 25 de fevereiro, algumas informações davam conta de tropas russas já haverem penetrado a região norte de Kiev, tendo dificuldade em avançar com os ucranianos oferendo feroz resistência. Já a importante cidade de Mariupol também estava sob pesado ataque, com os russos desembarcando uma força de infantaria naval na região.
26 de fevereiro miniaturadaimagem|esquerda|Um prédio em Kiev, atingido por um míssil russo
Na madrugada do dia 26, violentos combates ocorreram próximo da cidade de Vasylkiv, a sul de Kiev, onde um importante campo aéreo está localizado. O Estado-maior das forças armadas ucranianas afirmou que um caça Su-27 do país havia abatido uma aeronave de transporte Il-76 cheia de paraquedistas, com um segundo transportador deste tipo sendo derrubado próximo de Bila Tserkva. A prefeita de Vasylkiv, Natalia Balasinovich, afirmou que sua cidade foi defendida com sucesso pelas forças ucranianas e que a luta estava terminando, informação que não pôde ser verificado de forma independente.