miniaturadaimagem|Os troféus da Taça dos Campeões Europeus de 1961 e 1962 expostos no Museu Cosme Damião. O Sport Lisboa e Benfica é um clube de futebol profissional português com sede em Lisboa cuja participação nas competições europeias remonta à década de 1950. Como campeão de Portugal, o Benfica deveria ter participado na edição inaugural da Taça dos Campeões Europeus em 1955, mas não foi convidado pelos organizadores. Dois anos depois, fez a sua estreia europeia contra o Sevilla na competição, a 19 de setembro de 1957.
O Benfica conquistou o seu primeiro título internacional em 1950, ao bater o Bordeaux em solo nacional para conquistar a Taça Latina. O primeiro título europeu europeu veio em 1961, ao derrotar o Barcelona para conquistar a Taça dos Campeões Europeus, sucesso que se repetiu no ano seguinte depois de derrotar o Real Madrid. Após estes sucessos, o clube chegou a mais cinco finais (1963, 1965, 1968, 1988 e 1990), mas não reconquistou o título. Este insucesso foi atribuído a uma suposta maldição (agora quebrada, após a conquista da Liga Jovem da UEFA de 2021–22) pelo técnico húngaro Béla Guttmann. O Benfica também alcançou três finais da Taça UEFA/Liga Europa da UEFA (1983, 2013 e 2014).
Com dois títulos consecutivos da Taça dos Campeões Europeus, um recorde português, o Benfica é a segunda equipa portuguesa mais condecorada em todas as competições da UEFA e detém o recorde português de mais jogos em finais das competições da UEFA, com dez jogos. Adicionalmente, as suas 43 participações na Liga dos Campeões (antiga Taça dos Campeões Europeus) só são superadas pelo Real Madrid e, a partir de maio de 2025, o Benfica ocupa o oitavo lugar no ranking de todos os tempos da competição.
A maior vitória europeia do Benfica veio contra o Stade Dudelange, do Luxemburgo, por 10–0 na Taça dos Campeões Europeus de 1965–66, e a sua vitória agregada de 18–0 (8–0 na primeira mão) constitui um recorde da competição. O defesa brasileiro Luisão detém o recorde do clube com mais jogos na Europa, com 124 jogos, enquanto o avançado português Eusébio é o melhor marcador europeu do clube, com 56 golos.
Contexto
Antes do início das competições organizadas pela UEFA, o Benfica já havia participado na Taça Latina, um torneio internacional disputado entre clubes campeões de Portugal, Espanha, França e Itália. A Taça Latina, criada em 1949 e reconhecida pela FIFA, é considerada uma das precursoras das competições europeias de clubes, era organizada pelas respetivas federações nacionais e tinha um grande prestígio à época. O Benfica participou em várias edições, destacando-se as finais alcançadas em 1950 e Taça Latina de 1957, frente a Real Madrid e Bordeaux.
A primeira competição continental organizada pela UEFA foi a Taça dos Campeões Europeus em 1955. Concebida por Gabriel Hanot, o editor do L'Équipe, como uma competição para os vencedores das ligas nacionais europeias de futebol, é considerada a mais prestigiada competição europeia de futebol. Nesse ano, o Benfica tinha conquistado a Primeira Liga, mas os organizadores da Taça dos Campeões selecionaram o Sporting CP para participar na primeira edição. Outra competição de clubes, a Taça das Cidades com Feiras, foi criada em 1955 e disputada em paralelo com a Taça dos Campeões Europeus. Eventualmente, ficou sob os auspícios da UEFA em 1971, que a rebatizou como Taça UEFA. Desde a temporada 2009–10, a competição é conhecida como Liga Europa da UEFA.
Em 1957, o Benfica venceu o campeonato e garantiu a sua estreia europeia na Taça dos Campeões Europeus de 1957–58. Nos anos seguintes, a UEFA criou competições de clubes adicionais. A primeira, a Taça dos Clubes Vencedores de Taças, foi inaugurada em 1960 para os vencedores das taças nacionais. Fundada em 1973, a Supertaça da UEFA era originalmente uma partida disputada entre os vencedores da Taça dos Campeões Europeus e da Taça das Taças. Desde 2000, tem sido disputado pelos vencedores da Liga dos Campeões (antiga Taça dos Campeões Europeus) e da Liga Europa (antiga Taça UEFA).
A Taça Intercontinental foi uma competição para os vencedores da Taça dos Campeões Europeus (mais tarde Liga dos Campeões da UEFA) e o seu equivalente sul-americano, a Copa Libertadores. Fundada em 1960, a Taça Intercontinental foi organizada conjuntamente pela UEFA e pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). Ela funcionou até 2004, quando foi substituída pelo Mundial de Clubes da FIFA, que inclui os vencedores das principais competições de clubes das seis confederações continentais.
A partir de 2025, a FIFA introduziu um novo formato do Mundial de Clubes, que passou a contar com 32 equipas, incluindo os vencedores das competições continentais das quatro temporadas anteriores. O torneio é disputado de quatro em quatro anos, à semelhança do Mundial de seleções, e representa o mais alto nível competitivo de clubes a nível global.
Taça Latina e Ascenção Europeia O primeiro título europeu do Benfica veio em 1950, quando, comandado por Ted Smith, derrotou o Bordeaux no Estádio Nacional, em Oeiras, Portugal, para ganhar a Taça Latina. Sete anos depois, a equipa chegou à sua segunda e última final da Taça Latina, a qual perdeu com o Real Madrid de Alfredo Di Stéfano.
Depois de uma estreia mal sucedida nas competições da UEFA na Taça dos Campeões Europeus de 1957–58, onde foi elimindado pelo Sevilha na fase inicial, o Benfica contratou o treinador húngaro Béla Guttmann, que levou a equipa à sua primeira final da Taça dos Campeões Europeus a 31 de Maio de 1961. Tendo derrotado Hearts, Újpest Dózsa, AGF Aarhus e Rapid Wien, o Benfica enfrentou o Barcelona na final, onde os golos de José Águas, Mário Coluna e um auto-golo de Antoni Ramallets ajudaram o clube a conquistar a sua primeira Taça dos Campeões Europeus. No ano seguinte, já com Eusébio no plantel, Guttmann guiou a equipa para a segunda vitória consecutiva na Taça dos Campeões Europeus. Depois de derrotar o Austria Wien, 1. FC Nürnberg e Tottenham Hotspur, o Benfica enfrentou o Real Madrid na final a 2 de maio de 1962. Um hat-trick de Ferenc Puskás colocou os campeões espanhóis na frente antes do intervalo, mas dois golos de Coluna e da estrela em ascensão Eusébio viraram o placar para 5–3.
Após duas vitórias consecutivas na Taça dos Campeões Europeus, Béla Guttmann terá se aproximado do conselho de administração do clube pedindo um aumento salarial. Como o seu pedido foi recusado, deixou o clube e terá então proferido a alegada “maldição”. O Benfica substituiu-o por Fernando Riera e, apesar de o treinador chileno ter conduzido a equipa à sua terceira final consecutiva da Taça dos Campeões Europeus, não conseguiu repetir o sucesso de Guttmann. A 25 de maio de 1963, frente ao Milan, as hipóteses do Benfica reduziram-se após uma entrada dura de Gino Pivatelli que lesionou gravemente Coluna. Numa altura em que ainda não eram permitidas substituições, o Benfica disputou o resto do jogo condicionado, e dois golos de José Altafini na segunda parte garantiram o troféu para os italianos. Após um desempenho decepcionante na edição de 1963–64, o Benfica regressou à final na temporada seguinte. Sob o comando do técnico romeno Elek Schwartz, a equipa eliminou o Real Madrid por 5–1 nos quartos de final, antes de enfrentar o campeão em título, a Inter de Milão, na final disputada no Estádio Giuseppe Meazza, em terreno enlameado e encharcado. Um erro de Alberto da Costa Pereira permitiu que um remate de Jair passasse por entre as suas pernas, ditando a derrota e a segunda tentativa falhada do Benfica de reconquistar a coroa europeia.
Na temporada seguinte, o Benfica derrotou o Stade Dudelange por 18–0 no total das duas mãos, estabelecendo um recorde europeu para a maior vitória no total. No entanto, em uma fase posterior da competição, sofreu uma derrota recorde em casa com o Manchester United e foi eliminado, nos quartos-de final. Depois de um ano competindo na Taça das Cidades com Feiras, o Benfica voltou à Taça dos Campeões Europeus, chegando à sua quinta final em 1968. Depois de eliminar a Juventus por 3–0 nas meias-finais, o Benfica enfrentou o Manchester United no Estádio de Wembley a 29 Maio de 1968. Bobby Charlton abriu o placar, mas Jaime Graça empatou aos 79 minutos. Perto do final do tempo regulamentar, Eusébio desperdiçou uma chance cara a cara com Alex Stepney e, no prolongamento, três golos em oito minutos deram à equipa inglesa o seu primeiro título europeu.
Na temporada seguinte, o Benfica foi travado nos quartos de final pelo Ajax de Johan Cruijff após um jogo de desempate disputado em Paris. Depois de vencer o Ajax por 3–1 em Amesterdão e de perder pelo mesmo resultado em Lisboa na segunda mão, o Benfica acabou eliminado ao sofrer três golos no prolongamento do jogo de desempate, realizado em Paris. A eliminatória é frequentemente descrita como uma simbólica "passagem de testemunho": o Benfica, uma das forças dominantes do futebol europeu durante a década de'60, bicampeão e cinco vezes finalista da Taça dos Campeões Europeus, cedeu o protagonismo a um Ajax em ascensão, que viria a dominar a década seguinte sob a liderança de Cruijff e Rinus Michels.
Recorde Competitivo Época Competição Ronda Oponente Casa Fora Agr.1950Taça Latina Lazio 3–0 Bordeaux 3–32–1 (replay) 1955–56Taça dos Campeões EuropeusNão convidado1956Taça Latina Milan 2–4 Nice 2–1 (g.o.)1957 Saint-Étienne 1–0 Real Madrid 1–0 1957–58Taça dos Campeões Europeus Sevilla0–01–3 1–31960–61 Heart of Midlothian3–02–1 5–1 Újpest Dózsa6–21–2 7–4 AGF4–13–1 7–2 Rapid Wien3–01–1 4–1 F Barcelona 3–2 1961Taça Intercontinental Peñarol1–00–5 2pts–2pts (1–2 rep)1961–62Taça dos Campeões Europeus Bye Austria Wien5–11–1 6–2 1. FC Nürnberg6–01–3 7–3 Tottenham Hotspur3–11–2 4–3 F Real Madrid 5–3 1962Taça Intercontinental Santos2–52–3 0pts–4pts1962–63Taça dos Clubes Campeões Europeus Bye IFK Norrköping5–11–1 6–2 Dukla Praha2–10–0 2–1 Feyenoord3–10–0 3–1 F Milan 1–21963–64 Lisburn Distillery5–03–3 8–3 Borussia Dortmund2–10–5 2–61964–65 Aris Bonnevoie5–15–1 10–2 La Chaux-de-Fonds5–01–1 6–1 Real Madrid5–11–2 6–3 Győri Vasas ETO4–01–0 5–0 F Inter de Milão 0–11965–66 Stade Dudelange10–08–0 18–0 Levski Sofia3–22–2 5–4 Manchester United1–52–3 3–81966–67Taça das Cidades com Feiras Bye Spartak Plovdiv3–01–1 4–1 Lokomotive Leipzig2–11–3 3–41967–68Taça dos Campeões Europeus Glentoran0–01–1 1–1 (a) Saint-Étienne2–00–1 2–1 Vasas3–00–0 3–0 Juventus2–01–0 3–0 F Manchester United 1–4 (pro.)1968–69 Valur8–10–0 8–1 Bye Ajax1–33–1 4–4 (0–3 rep) Note: O marcador do Benfica está listado primeiro.
Fim de um Ciclo Europeu Após um período de grande sucesso na década de 1960, durante o qual o Benfica figurava entre os principais candidatos à conquista europeia, o clube começou a atravessar uma fase de renovação. Com a saída de jogadores fundamentais no sucesso europeu, como José Augusto, Mário Coluna, Cruz e Cavém, as equipas latinas perderam o protagonismo no panorama europeu, enquanto clubes ingleses, holandeses e alemães assumiam a dianteira.
Na época de 1969–70, o Benfica foi eliminado na segunda eliminatória pelo futuro finalista Celtic, após perder por 3–0 em Glasgow e vencer pelo mesmo resultado em Lisboa. O desempate foi decidido através de uma moeda ao ar.
Depois de uma eliminação precoce na Taça das Taças de 1970–71, o Benfica alcançou as meias-finais da Taça dos Campeões Europeus de 1971–72, eliminando o Feyenoord por 5–1 em casa nos quartos de final, mas sendo derrotado nas meias-finais pelo futuro vencedor, o Ajax de Johan Cruyff.
Após duas campanhas abaixo das expectativas, o Benfica chegou aos quartos-de-final da Taça das Taças de 1974–75, sendo eliminado pelo PSV Eindhoven após uma derrota por 2–1 em casa.