O Mosaico do Espinhaço: Alto Jequitinhonha - Serra do Cabral abrange uma área de aproximadamente 2 milhões de hectares, onde estão localizadas importantes unidades de conservação como o Parque Nacional das Sempre-Vivas e o Parque Estadual do Rio Preto no estado de Minas Gerais, Brasil.

Localização A Serra do Espinhaço estende-se por cerca de 1.200 quilômetros, indo do Quadrilátero Ferrífero no centro-sul de Minas Gerais até a Chapada Diamantina ao norte da Bahia. As montanhas ficam entre o bioma cerrado a oeste, a Mata Atlântica a leste e a caatinga ao norte, distribuídas em 25 municípios. Nas regiões mais altas os campos rochosos abrigam um ecossistema de indispensável biodiversidade. A área engloba 19 Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral e de uso sustentável.

Histórico Em 2005, a UNESCO reconheceu uma grande parte da Cadeia do Espinhaço em Minas Gerais como uma Reserva da Biosfera.AZEVEDO. A. A.; GOULART, M. F.; SILVA, J. A.; VILHENA, C. A. (Org.). Relatório do Mosaico de Unidades de Conservação do Espinhaço: Alto Jequitinhonha – Serra do Cabral - Processo de criação e implantação. Instituto Biotrópicos, 2009. Consultado em 31 de julho 2022 Seguiram-se discussões sobre como conservar melhor os ecossistemas, e as primeiras propostas para um Mosaico de Unidades de Conservação do Espinhaço: Alto Jequitinhonha - Serra do Cabral foram feitas no final de 2007. As atividades oficiais começaram em abril de 2008, coordenadas pelo Instituto Biotrópicos, uma ONG científica e conservacionista, em parceria com o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF) e com o apoio da Conservation International Brasil e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A área pertinente foi definida como 910.000 hectares da porção elevada do Vale do Jequitinhonha e da Serra do Cabral, incluindo unidades de conservação e suas zonas de amortecimento.https://oeco.org.br/dicionario-ambiental/28754-o-que-e-uma-zona-de-amortecimento/ Consultado em 31 de julho 2022 Ela incluiu sete unidades totalmente protegidas e cinco áreas de proteção ambiental em 14 municípios: Itamarandiba, Senador Modestino Gonçalves, São Gonçalo do Rio Preto, Felício dos Santos, Rio Vermelho, Couto de Magalhães de Minas, Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas, Serro, Diamantina, Buenópolis, Joaquim Felício, Bocaiuva e Olhos-d'Água.

Organização O Mosaico do Espinhaço no estado de Minas Gerais foi reconhecido pela portaria 444 de 26 de novembro de 2010, que também criou o conselho gestor.MOS do Espinhaço: Alto Jequitinhonha - Serra do Cabral, ISA: Instituto Socioambiental, Consultado em 31 de julho 2022 O conselho inclui representantes de órgãos públicos e organizações da sociedade civil.Teixeira, Izabella (2010): https://www.icmbio.gov.br/portal_antigo/images/stories/mosaicos/portaria-reconhecimento-espinhaco.pdf Consultado em 31 de julho 2022 É administrado pelo ICMBio. Como ferramenta de manejo integrado para um conjunto de unidades de conservação que se sobrepõem ou estão próximas umas das outras, o mosaico expande as ações de conservação para além do escopo das unidades individuais.

Biodiversidade O Mosaico do Espinhaço abriga ecossistemas de elevada relevância ecológica, especialmente os campos rupestres, considerados um dos ambientes mais biodiversos e endêmicos do Brasil. A região situa-se em uma área de transição entre os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, o que favorece a ocorrência de grande diversidade florística e faunística.

Os campos rupestres do Espinhaço são caracterizados por mosaicos vegetacionais associados a afloramentos quartzíticos e ferruginosos, com elevada taxa de endemismo vegetal. Entre os grupos botânicos mais representativos destacam-se as sempre-vivas (Eriocaulaceae), bromélias, orquídeas e espécies adaptadas a solos rasos e pobres em nutrientes.

A fauna inclui diversas espécies ameaçadas e endêmicas de anfíbios, répteis, aves e mamíferos, muitas delas associadas aos ambientes montanos do Espinhaço. A região abriga mais da metade das espécies ameaçadas de extinção registradas no estado de Minas Gerais.

Geologia e geomorfologia O território do Mosaico do Espinhaço está associado ao Supergrupo Espinhaço, conjunto de formações geológicas originadas entre o Paleoproterozoico e o Mesoproterozoico, compostas predominantemente por quartzitos, filitos, conglomerados e rochas metavulcânicas.

Geomorfologicamente, a região caracteriza-se por serras quartzíticas, escarpas, chapadas e vales encaixados, formando um dos mais extensos conjuntos montanhosos do Brasil. Os processos erosivos sobre rochas resistentes deram origem a relevos ruiniformes, cânions, afloramentos rochosos e extensas áreas de campos rupestres.

A Serra do Espinhaço constitui ainda importante divisor hidrográfico entre as bacias dos rios São Francisco, Jequitinhonha e Rio Doce.

Patrimônio ambiental Em 2005, parte significativa da Serra do Espinhaço em Minas Gerais foi reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera, em razão de sua importância ecológica, paisagística e hídrica.

O mosaico integra diversas unidades de conservação federais, estaduais e municipais, funcionando como instrumento de gestão ambiental integrada voltado à conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.

Além de sua relevância ecológica, a região possui importância cultural e paisagística associada às comunidades tradicionais, ao patrimônio histórico de cidades como Diamantina e às práticas de extrativismo sustentável das sempre-vivas.

Desafios e possibilidades no campo da Educação Ambiental a partir dos livros didáticos na Educação Básica sobre a abordagem da natureza da Serra do Espinhaço Meridional.

Ameaças ambientais Apesar de sua relevância ambiental, o Mosaico do Espinhaço enfrenta diversas pressões antrópicas, especialmente relacionadas à mineração, queimadas, expansão agropecuária e fragmentação dos habitats naturais.

A exploração mineral constitui uma das principais ameaças aos campos rupestres e aos sistemas hídricos da Serra do Espinhaço, podendo provocar perda de biodiversidade, erosão e contaminação dos cursos d’água.

As mudanças climáticas e os incêndios recorrentes também representam riscos crescentes para os ecossistemas montanos da região, especialmente devido à baixa capacidade de regeneração de parte da vegetação rupestre.

Unidades constitutivas O mosaico foi criado com as seguintes unidades de conservação:

Unidade Nível Criado em Área (ha) APA das Águas Vertentes estadual 1998 76,310 Parque Estadual do Biribiri estadual 1998 16,999 Área de Proteção Ambiental Felício municipal 11,476 Estação Ecológica Mata dos Ausentes estadual 1974 498 Parque Estadual do Pico do Itambé estadual 1998 4,696 Área de Proteção Ambiental do Rio Manso municipal 1998 7,331 Parque Estadual do Rio Preto estadual 1994 10,750 Parque Nacional das Sempre-Vivas federal 2002 124,154 Parque Estadual da Serra Negra estadual 1998 13,654 Parque Estadual da Serra do Cabral estadual 2005 22,494

Leitura adicional Scalco, Raquel. (2017). Possibilidades de desafetação e recategorização em unidades de conservação de proteção integral: as UCs da porção central do Mosaico do Espinhaço (Minas Gerais/Brasil). Revista da Anpege. 13. 247-276. 10.5418/RA2017.1322.0010.

Zona de amortecimento, O eco Consultado em 31 de julho 2022

Links da web

Mosaicos de unidades de conservação PDF em português. Consultado em 31 de julho 2022

https://www.researchgate.net/publication/323117976_Possibilidades_de_desafetacao_e_recategorizacao_em_unidades_de_conservacao_de_protecao_integral_as_UCs_da_porcao_central_do_Mosaico_do_Espinhaco_Minas_GeraisBrasil Consultado em 31 de julho 2022

Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros Consultado em 31 de julho 2022

Instituto Socioambiental Consultado em 31 de julho 2022

Mosaico do Espinhaço: Alto Jequitinhonha- Serra do Cabral, ICMBio Consultado em 31 de julho 2022

Mosaico do Espinhaço: Alto Jequitinhonha - Serra do Cabral Consultado em 31 de julho 2022

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