Joanna da Rocha Santos, mais conhecida como Dona Noca, (São João dos Patos, 18 de dezembro de 1892 - Floriano, 06 de abril de 1970), foi uma empresária e política brasileira, notória por ter sido a primeira mulher prefeita na história do Estado do Maranhão e a segunda na história do Brasil, uma vez que foi nomeada chefe do poder executivo municipal de São João dos Patos em 1934.

Advinda de uma família ligada ao comércio, à produção e à indústria, Dona Noca detinha prestígio na sociedade da época, exercendo atividades e frequentando círculos sociais comumente dominados por homens, em um sistema tipicamente patriarcal.

Vida Pessoal e Familiar

No final do século XIX, mais precisamente em 18 de dezembro de 1892, Joanna da Rocha Santos nasceu na vila de São João dos Patos, no interior do Maranhão, sendo a terceira filha da família Rocha Santos. Filha de João da Rocha Santos Sobrinho e de Feliciana da Rocha Santos, Joanna era fortemente influenciada pela proeminência de seu pai, uma figura culta e polivalente na região, que acumulava as funções de professor de primeiras letras, comerciante e expressivo chefe político local, tendo exercido cargos como o de Intendente e o de Presidente do Conselho Municipal. Entre os componentes da família que dividiam o ambiente doméstico e os negócios com Joanna, destacam-se seus irmãos Alcina Rocha Santos Neiva (ex-prefeita de Pastos Bons-MA), Judith Santos, Antônio Gonçalves da Rocha Santos (ex-deputado estadual), Eurico Santos (ex-deputado estadual) e Celso da Rocha Santos (médico).

miniaturadaimagem|Coronel João da Rocha Santos Sobrinho e sua esposa Feliciana da Rocha Santos, pais de Dona Noca

O patriarca, João da Rocha Santos Sobrinho, era natural da cidade de São Luís-MA, nascido em 27 de novembro de 1862, pertencendo a uma família de origem portuguesa. Em 1886 com 24 anos de idade mudou-se para o povoado São João dos Patos, à época pertencente ao território de Passagem Franca-MA, vindo da vila de Picos (atual Colinas-MA), devido à sua transferência de localidade no cargo de professor público de ensino primário, que ocupava desde sua aprovação em concurso público na capital. Homem de visão e já com experiência no comércio em Caxias-MA, implementou as primeiras indústrias de beneficiamento de arroz e algodão da região do Médio Sertão e foi pioneiro também na navegação cargueira pelo Rio Parnaíba. A matriarca, Feliciana da Rocha Santos, era filha de proeminentes fazendeiros da região sertaneja maranhense.

direita|miniaturadaimagem|Dona Noca jovem

No que diz respeito à sua formação escolar, Joanna recebeu suas primeiras letras e a educação elementar em São João dos Patos, tendo como um de seus primeiros instrutores o próprio pai, em uma época em que o ensino público estruturado ainda era escasso na região e as aulas domiciliares ou particulares dominavam o cenário. Na família era chamada por codinomes carinhosos como “Mainha”, “Dadá” e “Noca”, sendo este último adotado por um círculo mais amplo de relações. Em sua juventude Joanna era tida como “dona de uma personalidade forte” porém “acolhedora”, com boa habilidade no trato com pessoas. Desde cedo participava das reuniões e viagens de negócios do pai, inclusive para outros estados, como, por exemplo, ao Rio de Janeiro, capital à época.

Em família frequentava a Europa em viagens de negócios e turismo. Em uma destas viagens Joanna ficou no sertão e tocou sozinha o comércio, que funcionava na residência da família e a indústria de beneficiamento de arroz e algodão, localizada em frente à sua casa. Aos dezesseis anos ela assumiu protagonismo pleno na liderança dos negócios da família, substituindo com coragem e equilíbrio o pai, que tinha por ela destacada admiração e uma fonte inesgotável de incentivo. Ele defendia a liberdade feminina e a igualdade entre os sexos, ensinando esses valores à “Noca”. A morte do patriarca, João da Rocha Santos Sobrinho, em 22 de fevereiro de 1927, e de dois irmãos, Antônio (1929) e Celso (1931), reforçaram o senso de responsabilidade e o protagonismo dela.

Vida Política

Filiada ao PSD, Joanna exerceu mandato entre 1934 e 1950, período em que se consolidou como importante liderança no município, mantendo influência nas decisões políticas da cidade mesmo após o término do mandato. Em 1954 foi eleita pelo voto popular, exercendo mandato de 1954 a 1959. Para este último mandato, outras fontes registram que ele durou de 1955 a 1961.

direita|alt=Nesta foto é possível ver Dona Noca, o Padre da cidade e demais pessoas na inauguração da estrada|miniaturadaimagem|Estrada entre São João dos Patos e Barão de Grajaú, aberta por Dona Noca com trabalho manual, hoje BR-230

Exerceu também as funções de Promotora de Justiça, Juíza de Paz e Delegada. Sua residência, um casarão histórico e imponente, abrigava a Delegacia, a Prefeitura e o Tribunal local. A Prefeitura permaneceu funcionando em sua residência até o início dos anos 2000.

Teve papel de destaque na Revolta das Oposições Aliadas, que contestava o desfecho das Eleições estaduais no Maranhão em 1950, tendo como objetivo impedir a posse do Governador Eugênio Barros, recém eleito após o TSE anular votos do candidato Saturnino Bello. Dona Noca reuniu 12.000 homens de vários municípios do Sertão Maranhense e rumou para a capital. Sua atuação repercutiu nacionalmente. Foi designada como “fabulosa mulher do sertão maranhense” em matéria na Revista O Cruzeiro e como “coronela do sertão” na Revista do Globo.

Legado e Homenagens

Nos dias atuais, é lembrada pelo protagonismo exercido na política maranhense, possuindo aparelhos públicos como escolas e praças batizados em homenagem a si. A política permanece no sangue de sua família. Teve seu sobrinho neto Celsinho eleito prefeito de São João dos Patos por duas vezes (1997-2000) e (2001-2004) chegando também a assumir o cargo de deputado estadual pelo PTB em 2010.

Ver também Alzira Soriano Celina Guimarães Lígia Borges Müller Figueiredo Maria Teresa Silveira de Barros Camargo

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