A eleição parlamentar letã de 2011 foi realizada em 17 de setembro para renovar a totalidade dos 100 assentos da Saeima, o parlamento unicameral do país.
Antecedentes Este pleito foi convocado de forma antecipada pelo presidente da Letônia à época Valdis Zatlers, que decidiu dissolver o parlamento letão face ao resultado observado no referendo revogatório de 2011, cuja maioria absoluta do eleitorado votou a favor da dissolução da legislatura eleita em 2010, feito inédito na história política do país.
Tal decisão foi motivada pela recusa da maioria dos deputados em autorizar o Departamento de Prevenção e Combate à Corrupção a executar um mandado de busca na casa do então deputado Ainārs Šlesers, líder do LPP/LC, acusado de corrupção, o que foi visto pela opinião pública como como uma tentativa de obstrução de justiça e um gesto de autoproteção dos parlamentares.
Resultados eleitorais O Centro da Harmonia, coligação eleitoral formada por 5 partidos políticos, porém liderados pelo Partido Social-Democrata Harmonia, sagrou-se vencedor do pleito por maioria simples após obter 28.62% dos votos válidos e eleger 31 deputados. Trata-se do melhor desempenho de uma coalizão de partidos pró-Rússia desde a independência da Letônia da antiga União Soviética.
Por sua vez, o Unidade, partido do então primeiro-ministro Valdis Dombrovskis, foi a principal vítima do desgaste político gerado pelo referendo revogatório ao sofrer uma queda acentuada em seus índices eleitorais e caiu para a 3.ª colocação, sendo superado pelo recém-criado Partido da Reforma, liderado justamente pelo presidente do país Valdis Zatlers, que conquistou 21.01% dos votos válidos e elegeu a 2.ª maior bancada parlamentar com 22 deputados.
A Aliança Nacional, partido classificado como representante da extrema-direita, logrou aumentar sua votação para 14.01% dos votos válidos e elegeu 14 deputados, consolidando-se como força política emergente no cenário político letão. Por outro lado, os partidos União dos Verdes e Camponeses e o LPP/LC, que integraram a coalizão do então governo em exercício do Unidade, experimentaram amargas derrotas eleitorais, do qual o último não atingiu a cláusula de barreira de 5% dos votos válidos e perdeu sua representação parlamentar.
PartidoVotos%Cadeiras+/– Partido Social-Democrata "Harmonia"28.62 2 Partido da Reforma21.01Novo Unidade19.00 13 Aliança Nacional14.01 6 União de Verdes e Camponeses12.33 9 Primeiro Partido da Letônia – Via Letã2.44 8Total de votos válidos99.10––Votos inválidos (brancos e nulos)0.90Total de votos registrados100Eleitorado apto a votar59.41
Repercussão pós-pleito Analistas políticos consideraram difíceis as chances da coligação formar um governo estável, visto que suas posições políticas divergem consideravelmente das demais forças políticas do país em razão da proximidade dos sociais-democratas com o Rússia Unida, partido político do presidente da Rússia Vladimir Putin.
Dessa forma, Zatlers e Dombrovskis logo concordaram em formar um governo de coalizão. Com a necessidade de somar mais 9 deputados para alcançar a maioria absoluta no parlamento, foi-se cogitado inicialmente convidar a União dos Verdes e Camponeses (ZZS) para formar governo. Porém, Zatlers rapidamente reconsiderou a ideia e descartou um possível acordo, alegando que o ZZS era um "partido de oligarcas rurais". Após conversas iniciais infrutíferas com a Aliança Nacional (NA), ambos chegaram a considerar abrir conversas com o Centro da Harmonia (SC). Entretanto, o líder da NA Raivis Dzintars reconsiderou a posição inicial de seu partido e permitiu a retomada das conversas, o que resultou em um acordo para formar uma nova coalizão governista em com Dombrovskis mantido no cargo de primeiro-ministro. O novo governo foi confirmado pela Saeima em e entrou em funções.
Parlamentar Letônia