As definições de filosofia visam determinar o que todas as formas de filosofia têm em comum e como distinguir a filosofia de outras disciplinas. Muitas definições diferentes foram propostas, mas há muito pouco acordo sobre qual é a correta. Algumas características gerais da filosofia são amplamente aceitas, por exemplo, que é uma forma de investigação racional que é sistemática, crítica e tende a refletir sobre seus próprios métodos. Mas tais características são geralmente demasiado vagas para dar uma definição adequada de filosofia. Muitas das definições mais concretas são bastante controversas, frequentemente porque são revisionistas, pois negam o rótulo "filosofia" a várias subdisciplinas para as quais é normalmente usado. Tais definições são geralmente aceitas apenas por filósofos pertencentes a um movimento filosófico específico. Uma razão para estas dificuldades é que o significado do termo "filosofia" mudou ao longo da história: costumava incluir as ciências como suas subdisciplinas, que são vistas como disciplinas distintas no discurso moderno. Mas mesmo em seu uso contemporâneo, ainda é um termo amplo que abrange muitos subcampos diferentes.
Uma distinção importante entre as abordagens para definir a filosofia é entre o deflacionismo e o essencialismo. As abordagens deflacionistas a veem como um termo geral vazio, enquanto as abordagens essencialistas sustentam que há um certo conjunto de traços característicos compartilhados por todas as partes da filosofia. Entre estes dois extremos, argumentou-se que essas partes estão relacionadas umas com as outras por semelhança de família, embora nem todas compartilhem os mesmos traços característicos. Algumas abordagens tentam definir a filosofia com base em seu método, enfatizando seu uso de raciocínio puro em vez de evidência empírica. Outras enfocam a amplitude de seu tema, seja no sentido de que ele inclui quase todos os campos ou baseado na ideia de que se preocupa com o mundo como um todo ou com as grandes questões. Estas duas abordagens também podem ser combinadas para fornecer uma definição mais precisa baseada tanto no método quanto no tema.
Muitas definições de filosofia concentram-se em sua estreita relação com a ciência. Alguns a veem como uma verdadeira ciência concentrando-se, por exemplo, nas essências das coisas e não em questões empíricas de fato, em contraste com a maioria das outras ciências, ou em seu nível de abstração ao falar de padrões empíricos muito abrangentes em vez de observações particulares. Mas como a filosofia parece carecer do progresso encontrado nas ciências regulares, vários teóricos optaram por uma definição mais fraca ao ver a filosofia como uma ciência imatura que ainda não encontrou sua base segura. Esta posição é capaz de explicar tanto a falta de progresso quanto o fato de que várias ciências pertenciam à filosofia, enquanto ainda estavam em seus estágios provisórios. Tem a desvantagem de degradar a prática filosófica em relação às ciências.
Outras abordagens veem a filosofia mais em contraste com as ciências como preocupada principalmente com o sentido, a compreensão ou o esclarecimento da linguagem. Isto pode tomar a forma da análise da linguagem e como se relaciona com o mundo, de encontrar as condições necessárias e suficientes para as aplicações de termos técnicos, como uma forma de terapia que tenta dissipar ilusões devido à estrutura confusa da linguagem natural, ou como a tarefa de identificar que compreensão pré-ontológica do mundo já temos e quais condições a priori de possibilidade governam toda experiência. Uma visão da filosofia predominante no discurso antigo a vê como o amor à sabedoria expresso na prática espiritual de desenvolver a capacidade de raciocínio para levar uma vida melhor. Uma abordagem intimamente relacionada sustenta que a articulação de cosmovisões é a tarefa principal da filosofia. Outras concepções enfatizam a natureza reflexiva da filosofia, por exemplo, como o pensamento sobre o pensamento ou como uma abertura para questionar qualquer pressuposto.
Características gerais e fontes de desacordo O problema de definir filosofia diz respeito à questão do que todas as formas de filosofia têm em comum, ou seja, como a filosofia difere da não filosofia ou de outras disciplinas, como as ciências empíricas ou as belas artes. Uma dificuldade se deve ao fato de que o significado do termo "filosofia" mudou muito na história: foi usado em um sentido muito mais amplo para se referir a qualquer forma de investigação racional antes da era moderna. Nesse sentido, incluía muitas das ciências individuais e a matemática, que não são vistas como parte da filosofia hoje. Por exemplo, o livro "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica" de Isaac Newton, que formula as leis da mecânica clássica, leva o termo em seu título. As definições modernas de filosofia, como discutido neste artigo, tendem a se concentrar em como o termo é usado hoje, ou seja, em um sentido mais restrito. Algumas caracterizações básicas da filosofia são amplamente aceitas, como que é um estudo crítico e principalmente sistemático de uma grande variedade de áreas. Outras caracterizações incluem que busca descobrir verdades fundamentais nessas áreas usando uma abordagem raciocinada, enquanto também reflete sobre seus próprios métodos e padrões de evidência. Tais caracterizações conseguem caracterizar muitas ou todas as partes da filosofia. Esta é uma conquista importante, pois o domínio da filosofia é muito amplo, abrangendo quase todos os campos, o que se reflete em suas subdisciplinas denominadas "filosofia de...", como a filosofia da ciência, da mente, do direito, da religião, ou da pornografia. O problema com tais caracterizações gerais é que geralmente são muito vagas: aplicam-se não apenas à filosofia, mas também a algumas disciplinas não filosóficas e, portanto, não conseguem distinguir a filosofia delas.
Para superar essas dificuldades, várias definições mais específicas de filosofia foram propostas. A maioria delas são controversas. Em muitos casos, só são aceitas por filósofos pertencentes a um movimento filosófico, mas não por outros. As concepções mais gerais são às vezes chamadas de concepções descritivas, em contraste com as concepções prescritivas mais específicas. As concepções descritivas tentam dar um relato de como o termo "filosofia" é realmente usado ou o que os filósofos no sentido mais amplo fazem. As concepções prescritivas, por outro lado, visam esclarecer o que a filosofia idealmente é o deveria ser, mesmo se o que os filósofos realmente fazem muitas vezes fique atrás deste ideal. Este assunto é particularmente controversa, pois diferentes movimentos filosóficos muitas vezes divergem amplamente no que consideram boa filosofia. São frequentemente revisionistas no sentido de que muitas supostas partes da filosofia, passadas e presentes, não mereceriam o título de "filosofia" se fossem verdadeiras.
Algumas definições de filosofia enfocam principalmente as características da atividade de fazer filosofia, por exemplo, como esforçar-se pelo conhecimento. Outras se concentram mais nas teorias e sistemas a que se chega desta maneira. Neste sentido, os termos "filosofia" e "filosófico" podem se aplicar tanto a um processo de pensamento, aos resultados desta atividade na forma de teorias, ou mesmo a formas contemplativas de vida que refletem tais teorias. Outra abordagem comum é definir filosofia em relação à tarefa ou objetivo que busca alcançar, como responder a certos tipos de perguntas ou chegar a um determinado tipo de conhecimento.
A dificuldade em definir "filosofia" também se reflete no fato de que as introduções à filosofia muitas vezes não começam com uma definição precisa, mas a introduzem, em vez disso, fornecendo uma visão geral de seus muitos ramos e subcampos, como epistemologia, ética, lógica e metafísica. A disciplina conhecida como metafilosofia tem como um de seus principais objetivos esclarecer a natureza da filosofia. Fora do contexto acadêmico, o termo "filosofia" é às vezes usado em um sentido inespecífico, referindo-se a ideias ou diretrizes gerais, como a filosofia empresarial de uma companhia, a filosofia de liderança de um empresário ou a filosofia de ensino de um professor.
Deflacionismo, essencialismo e semelhança de família Uma distinção importante entre as definições de filosofia é entre deflacionismo e essencialismo. A abordagem deflacionista sustenta que a filosofia é um termo geral vazio. Os reitores e bibliotecários o utilizam por conveniência para agrupar várias formas de investigação. Esta abordagem é normalmente motivada pelas dificuldades duradouras em dar uma definição satisfatória. De acordo com esta visão, a filosofia não tem uma essência precisa compartilhada por todas as suas manifestações. Uma dificuldade com a abordagem deflacionista é que ela não é útil para resolver desacordos sobre se uma determinada teoria ou atividade nova se qualifica como filosofia, já que isto parece ser apenas uma questão de convenção. Outra é que isso implica que o termo "filosofia" é bastante vazio ou sem sentido.
Esta abordagem é oposta pelos essencialistas, que afirmam que um conjunto de características constitui a essência da filosofia e caracteriza todas e apenas suas partes. Muitas das definições baseadas no tema, método, sua relação com a ciência ou com o sentido e a compreensão são concepções essencialistas da filosofia. São controversas, pois frequentemente excluem várias teorias e atividades geralmente tratadas como parte da filosofia.
Estas dificuldades com a abordagem deflacionista e essencialista levaram alguns filósofos a um meio-termo, segundo o qual as diferentes partes da filosofia são caracterizadas por semelhança de família. Isto significa que as diversas partes da filosofia se assemelham umas às outras ao compartilhar várias características. Mas partes diferentes compartilham características diferentes entre si, ou seja, nem todas compartilham as mesmas características. Esta abordagem pode explicar tanto que o termo "filosofia" tem alguma substância, ou seja, que não se baseia apenas em uma convenção vazia, como que algumas partes da filosofia podem diferir muito umas das outras, por exemplo, que algumas partes são muito semelhantes à matemática, enquanto outras quase pertencem às ciências naturais e à psicologia. Esta abordagem tem a desvantagem de deixar a definição de filosofia vaga, dificultando assim nos casos não paradigmáticos determinar se pertencem à filosofia ou não, ou seja, que não há uma distinção clara.
Baseado no método e no tema Dois aspectos importantes para distinguir a filosofia de outras disciplinas são seu tema ou domínio de investigação e seu método. O problema com estas abordagens é geralmente que elas são ou demasiado amplas, ou seja, incluem várias outras disciplinas, como ciências empíricas ou belas artes, em sua definição, ou demasiado estreitas ao excluir várias partes da filosofia. Alguns argumentam que seu método se concentra no conhecimento a priori, ou seja, que a filosofia não depende de observações empíricas e experimentos. Em vez disso, tal abordagem baseia a justificação filosófica principalmente no raciocínio puro, semelhante a como a formulação de teorias matemáticas é baseada em provas matemáticas e em contraste com o método científico baseado em evidências empíricas. Esta forma de fazer filosofia é frequentemente chamada de filosofia de poltrona, pois pode ser feita a partir do conforto da poltrona sem qualquer trabalho de campo. Mas esta caracterização por si só não é suficiente como definição, já que se aplica igualmente bem a outros campos, como a matemática. Dar um relato mais preciso do método, por exemplo, como análise conceitual ou investigação fenomenológica, por outro lado, resulta em uma definição demasiado restrita que exclui várias partes da filosofia.