Zooropa é o oitavo álbum de estúdio da banda irlandesa U2. Produzido por Flood, Brian Eno e The Edge, foi lançado em 5 de julho de 1993 pela Island Records. Inspirado nas experiências vividas pela banda durante a Zoo TV Tour, Zooropa explorou muitos dos temas sobre tecnologia e supersaturação da mídia incorporados na turnê. O disco foi uma continuação das experimentações do grupo com o rock alternativo, EDM e efeitos sonoros eletrônicos que haviam começado com seu álbum anterior, Achtung Baby (1991).
A banda começou a escrever e gravar Zooropa em Dublin, em fevereiro de 1993, durante uma parada de seis meses entre as etapas da Zoo TV Tour. O projeto foi originalmente pensado para ser um extended play (EP) para promover "Zooropa", parte da turnê que estava para começar em maio de 1993, mas durante as sessões, o grupo decidiu lançá-lo como um álbum de estúdio. Pressionado pelo tempo, o U2 escreveu e gravou em um ritmo muito rápido, com canções provenientes de muitas fontes. O álbum não foi concluído a tempo para a retomada da turnê, forçando a banda a viajar entre Dublin e seus destinos de shows em maio, para completar a mixagem e gravação do disco.
Zooropa recebeu comentários favoráveis da crítica em geral. Apesar de nenhum dos seus três singles — "Numb", "Stay (Faraway, So Close!)" e "Lemon" — terem sido grandes sucessos mundialmente, o disco vendeu bem na ocasião do lançamento e alcançou o primeiro lugar em paradas de vários países. O tempo de permanência do álbum nas paradas musicais e as vendas de 7 milhões de cópias, no entanto, foram mais fracos em relação a Achtung Baby. Em 1994, Zooropa ganhou um Grammy Award por "Melhor álbum de música alternativa". Embora o disco tenha sido um sucesso e visualizado por jornalistas musicais como o álbum mais criativo do grupo, a banda o observa com uma mistura de sentimentos.
Antecedentes thumb|left|Zooropa foi inspirado pela intensa multimídia durante a Zoo TV Tour Em 1991, o U2 lançou seu sétimo álbum de estúdio Achtung Baby (1991). O disco foi uma reinvenção musical para o grupo, incorporando influências de rock alternativo, música industrial e EDM em seu som, recebendo críticas favoráveis. O álbum foi promovido pela turnê Zoo TV Tour, em 1992.E Ela foi um evento multimídia que satirizou a televisão e o excesso de estimulação do público, tentando provocar uma "sobrecarga sensorial" em sua audiência. A banda terminou 1992 como um de seus anos mais bem sucedidos, com mais de 2.9 milhões de bilhetes vendidos para os concertos e atingindo 10 milhões de cópias vendidas para Acthung Baby. Foram 70 shows na América do Norte, arrecadando mais de 67 milhões de dólares, um montante facilmente mais elevado do que qualquer outro artista em turnê em 1992.
O grupo concluiu a etapa da turnê americana "Outside Broadcast", em 25 de novembro de 1992, deixando os membros com uma pausa de seis meses antes de retomar a turnê na Europa em maio de 1993, com a etapa intitulada "Zooropa". Ao invés de usar o tempo para descansar, o vocalista Bono e o guitarrista The Edge estavam ansiosos para gravar um novo material. Após um ano agitado em turnê, os dois não queriam voltar para a vida doméstica. Bono disse: "Nós pensamos que pudéssemos viver uma vida normal e, em seguida, voltar para a estrada [em maio de 1993]. Mas acontece que todo o seu modo de pensar, todo o seu corpo esteve voltado para a loucura da Zoo Tv... Então decidimos colocar a loucura em um disco. A cabeça de todo mundo estava girando, então pensamos, por que não continuar assim...?". The Edge também queria distrair-se da emoção que estava sentindo após a separação de sua esposa durante as sessões de Achtung Baby em 1991. Os outros integrantes, o baixista Adam Clayton e o baterista Larry Mullen Jr., finalmente concordaram em se juntar a eles para a gravação.
Gravação e produção Após ter sido o encarregado da engenharia de áudio na gravação de Achtung Baby, Robbie Adams foi convidado pelo U2 para gerenciar a mixagem de som na Zoo TV Tour. Adams gravou também as passagens de som da turnê. Em janeiro de 1993, a banda pediu-lhe para compilar essas gravações e criar loops de partes interessantes que poderiam tocar em estúdio. Após Adams passar algumas semanas montando loops, em fevereiro, o grupo entrou no The Factory em Dublin para começar a compor demos. Bono e Edge estavam mais envolvidos durante este processo inicial, que durou seis semanas. A empresa de serviços de áudio Audio Engineering instalou equipamentos de gravação no estúdio que incluíam um console de mixagem Soundcraft 6000, um gravador multicanal Otari MTR100 e quatro módulos de console Neve. A empresa também forneceu equipamentos externos como um 1176 Peak Limiter UREI, um sintetizador subharmônico dbx 120X-DS, dois compressores Summit e dois LA, um equalizador Focusrite 115HD, uma unidade multi-efeitos Yamaha SPX1000, unidades de reverberação Lexicon PCM-70 e AMS RMX-16 e monitores de áudio Yamaha NS-10 e EGV.
thumb|right|O co-produtor de Zooropa Brian Eno (na foto em 2008) produziu três dos álbuns anteriores do U2 O grupo trouxe Brian Eno e seu auxiliar Mark "Flood" Ellis, que haviam trabalhado em Achtung Baby, para produzir as sessões; o colaborador de longa data de Eno, Daniel Lanois, estava ocupado promovendo seu álbum solo e não estava disponível. Semelhante às sessões de Achtung Baby, Eno trabalhou em turnos de duas semanas. O grupo dava-lhe frequentemente canções em progresso para que ele as ajustasse e adicionasse sua própria personalidade. Inicialmente, a banda não tinha um plano claro de como iria lançar o material das sessões. Na época, Clayton disse: "Eu não sei se o que estamos fazendo aqui é o próximo álbum do U2 ou um monte de esboços que em dois anos vai virar as demos para o próximo álbum do U2". The Edge propôs fazer do novo material um extended play (EP) para promover a próxima etapa da turnê, com talvez quatro músicas novas para a próxima fase da turnê, destinadas aos fãs.
Logo após as sessões começarem, Bono incentivou a banda a trabalhar em um álbum completo. The Edge ficou inicialmente hesitante, mas viu a oportunidade como um desafio para gravar um álbum rapidamente antes de voltar à estrada e provar que a banda não tinha se deteriorado pelo luxo de ter tempo amplo de gravação. Além disso, Bono e o empresário da banda, Paul McGuinness, haviam discutido a possibilidade de lançar um álbum atrás do outro desde o início das sessões de Achtung Baby. No início de março, a banda chegou a um consenso de que seu novo material deveria ser usado para um álbum de estúdio. Assim como eles fizeram para as sessões de Achtung Baby, a banda dividiu o trabalho entre dois estúdios de uma só vez; Adams operou um console de mixagem Soundtracs no The Factory, enquanto Flood utilizava um console SSL no novo Windmill Lane Studios.
Devido ao limite de tempo, o U2 foi forçado a escrever e gravar as músicas em ritmo mais rápido. Eles continuaram sua prática de longa data de fazer sessões de improvisação no estúdio. Eno usou um quadro negro para dar instruções e sugestões para a banda enquanto enquanto eles improvisavam; ele apontou para acordes e deu vários comandos, tais como "segure", "pare", "mude" e "volte", para dirigir suas performances. Flood gravava o material, enquanto Eno alternava entre tocar com o U2 e juntar-se a Flood na sala de controle. No fim de cada semana, os dois comparavam suas notas e compilavam as melhores faixas da semana em uma fita cassete para a banda ouvir. Os produtores editavam juntos suas seções favoritas das improvisações e depois discutiam os arranjos com o grupo. O U2 sugeria alterações e acrescentava letras e melodias, antes de executar os arranjos editados. Para gravar todo o material da banda e testar arranjos diferentes, os engenheiros utilizaram uma técnica que chamaram de "engorda", o que lhes permitiu alcançar mais de 48 faixas de áudio usando 24 canais de gravação analógica, um gravador DAT Fostex D20 e um sincronizador Adams Smith Zeta Three; Adams passou por 180 fitas DAT de duas horas durante as sessões de gravação. A equipe de produção enfrentou problemas com vazamento de áudio no Factory, pois todos os membros do grupo gravavam na mesma sala da mesa de mixagem e Bono frequentemente cantava letras em progresso que precisavam ser substituídas. Gobos e cabines de madeira foram construídas para separar o quanto possível o som dos membros da banda.
As canções originaram e foram inspiradas a partir de uma variedade de fontes. "Zooropa" foi o resultado da combinação de duas músicas juntas, uma das quais a banda descobriu após revisitar uma gravação da passagem de som da turnê. O verso da melodia de "Stay (Faraway, So Close!)" e um instrumental de apoio da faixa que se tornou "Numb" eram originalmente das sessões de Achtung Baby. "Babyface", "Dirty Day", "Lemon" e "The Wanderer" foram escritas durante as sessões de Zooropa. O cantor de música country Johnny Cash gravou vocais para "The Wanderer", durante uma visita a Dublin, e apesar de Bono ter gravado a canção em sua própria voz, ele preferiu a versão de Cash. A equipe de produção e a banda debateram qual versão seria incluída no álbum. Ao longo das sessões, o grupo estavam indeciso em um estilo musical unificado para o lançamento, e como resultado, eles mantiveram três potenciais listas de músicas — uma com as melhores canções, uma com canções "vibes", e uma para álbum de trilha sonora. Bono sugeriu juntar os melhores segmentos de músicas em uma só lista.
Em maio, enquanto a etapa "Zooropa" da turnê se aproximava, o U2 continuou a gravar e ao mesmo tempo ensaiando para a turnê. Seu limite de tempo impediu de trabalhar em arranjos ao vivo para qualquer uma das novas canções. Apesar do ritmo rápido das sessões, o álbum não foi concluído no momento em que tiveram que retomar a turnê. Além disso, Flood e Eno tinham que começar a trabalhar em outros projetos. The Edge lembra que todos diziam ao grupo: "Bem, é um EP. Vocês foram bem, mas é necessário mais trabalho para terminar algumas dessas canções". No entanto, a banda não queria arquivar o projeto, pois achavam que eles estavam em um "rolo criativo" e que eles estariam em um estado de espírito completamente diferente se voltassem a analisar o material depois de seis meses.
O solução do grupo foi voar continuamente de volta para Dublin depois dos shows de maio para terminar a gravação e mixagem durante a noite e durante os dias de folga, antes de retornar para visitar seus destinos. Clayton chamou o processo de "a coisa mais maluca que você pode fazer para si mesmo", enquanto Mullen disse: "Foi uma loucura, mas foi uma loucura boa, oposto à loucura ruim". McGuinness disse mais tarde que a banda quase "se destruiu" durante o processo. O grupo simultaneamente utilizou três salas separadas em Windmill Lane para mixagem, overdub, e edição de som. Adams disse que o ritmo agitado significava que "nunca houve ninguém sentado à espera ou não fazendo nada", enquanto Flood chamou o período de "loucura absoluta". Evitando consoles de automação, os engenheiros aprovaram uma atitude de "performance ao vivo" para realizar a mixagem, com base em experiências passadas por Lanois. A banda e sua produção de mixagem se encorajaram, criando, como Adams afirmou, "uma coisa tipo líder de torcida. Tudo induz uma energia nervosa em você e cria uma grande pressão, e dá a coisa toda um sentimento de performance".