Farruquezade (; ) foi um aristocrata iraniano da Casa de Ispabudã e fundador da Reino Bavândida, governando de 651 a 665. Originalmente, um poderoso servo do xainxá , ele, juntamente com vários outros aristocratas poderosos, fez uma conspiração contra o último e encerrou seu governo tirânico. Depois disso, colocaram o filho dele, no trono, mas cujo governo durou apenas alguns meses, antes que fosse morto por uma praga. Foi sucedido por seu filho , que depois de um ano foi assassinado pelo rebelde ex-chefe do exército sassânida (aspabedes) Sarbaro, que usurpou o trono.
Esses eventos enfraqueceram muito o Império Sassânida, mas em 632, quando o neto de Cosroes, subiu ao trono, a ordem foi um pouco restaurada. No entanto, quando a paz estava prestes a chegar, o Império Sassânida foi invadido por árabes muçulmanos, o que resultou na morte de muitos veteranos sassânidas, incluindo o próprio irmão de Farruquezade, Rustãoo Farruquezade. Farruquezade posteriormente sucedeu o último como o aspabedes e o líder da facção pálave (parta), que havia sido formada por seu pai Farruque Hormisda, que foi assassinado em 631.
No entanto, Farruquezade foi incapaz de derrotar os árabes, e em 643, depois de ter visto a perda de Ctesifonte e Ispaã, foi obrigado a fugir com o xá de lugar a lugar até 650, quando se amotinou contra Isdigerdes antes dele ser morto por um de seus servos. Em 651, Farruquezade se tornou o governante do Tabaristão, e governaria a região até seu assassinato em 665 por , um aristocrata carênida, que posteriormente conquistou seus domínios.
Vida
Nome
Embora seu nome verdadeiro fosse "Farruquezade" (que significa "o filho de Farruque" ou "nascido com sorte e felicidade"), também é conhecido em outras fontes por vários outros nomes, como Currazade (Ḫurrazad), Zade Farruque (Zad Farruḫ), Zinabi Abul Farrucã (Zinabi Abu'l- Farruḫan) e Bave (Bav).
Antecedentes e família
thumb|upright=1.05|esquerda|Dracma de
Farruquezade era membro da família Ispabudã, uma das sete grandes casas do Irã, que formava a aristocracia de elite do Império Sassânida; a família traçou sua descendência aos marechais militares (aspabedes) e ocupou cargos importantes no reino. De acordo com uma lenda romantizada sobre a sua origem, uma filha do rei parta / arsácida , chamada Cosme, casou-se com um "general de todos os iranianos"; sua prole recebeu o título de "Aspapetes Pálave" (Aspahpet Pahlav), mais tarde formando o clã. De sua linhagem arsácida, os Ispabudãs afirmavam ser descendentes dos reis caiânidas e Esfendadates.
Sob os sassânidas, os Ispabudãs gozavam de estatuto tão elevado que eram tidos como "parentes e parceiros dos sassânidas". De fato, o pai de Rustão, Farruque Hormisda, era primo-irmão do xainxá , enquanto o seu bisavô Sapor era primo-irmão do xainxá . Embora a pátria hereditária dos Ispabudãs pareça ter sido o Coração, a família com o passar do tempo governou o quadrante noroeste (custe) do Azerbaijão (que não deve ser confundido com a província homônima). Farruquezade era irmão de Rustão Farruquezade.
Guerra com o Império Bizantino e deposição de Cosroes II
thumb|esquerda|Dinar de ouro de
Farruquezade é mencionado pela primeira vez durante o reinado de Cosroes, quando ocupou altos cargos e de acordo com o poeta iraniano Ferdusi estava "tão perto de Cosroes II que ninguém ousou se aproximar dele sem sua permissão". Em 626, Sarbaro e Farruque Hormisda se rebelaram. Em 627, Cosroes enviou Farruquezade para negociar com Sarbaro, que estava acampado perto da capital sassânida de Ctesifonte, mas ele se amotinou secretamente e se juntou a Sarbaro. Ele encorajou os rebeldes a permanecerem indivisos e não temerem a fúria de Cosroes e disse que não havia nenhum nobre (bozorgã) que o apoiasse. Cosroes, no entanto, começou a suspeitar de traição de Farruquezade, mas guardou para si mesmo, porque não queria piorar a situação. Ao mesmo tempo, Farruquezade estava reunindo mais pessoas que se opunham a Cosroes para encenar um golpe de Estado. Em 628, Farruquezade libertou o filho mais velho de Cosroes, Siroes, da prisão e, junto com várias famílias feudais do Império Sassânida, capturou Ctesifonte e aprisionou o xá. Siroes foi então coroado como o novo xá e ficou conhecido por seu nome dinástico de "Cavades II".
thumb|Dracma de thumb|Dracma de
As famílias feudais que derrubaram Cosroes incluíam: Sarbaro, que representava a Casa de Mirranes; a Casa de Ispabudã representada por Farruque Hormisda e seus dois filhos Rustão Farruquezade e Farruquezade; a facção armênia representada por ; e finalmente a facção do canaranges Canara. Cavades II depois ordenou que seu vizir (grão-framadar) Perozes Cosroes executasse todos os seus irmãos e meio-irmãos, incluindo o filho e herdeiro favorito de Cosroes II, Merdasas. Três dias depois, Cavades ordenou que Mir Hormisda executasse seu pai. Com o acordo dos nobres do Império Sassânida, Cavades então fez as pazes com o imperador Heráclio do Império Bizantino, com quem estavam em guerra desde 602. Além disso, também tomou todas as propriedades de Farruquezade e o prendeu em Estacar.
Guerra civil sassânida de 628–632
Após a perda de território necessária para o tratado de paz, a aristocracia amargurada começou a formar Estados independentes dentro do Império Sassânida, iniciando assim a Guerra Civil Sassânida de 628–632. Isso dividiu os recursos do país. Além disso, barragens e canais ficaram abandonados, e uma praga devastadora irrompeu nas províncias ocidentais do Irã, matando metade da população junto com Cavades II, que foi sucedido por seu filho de oito anos, . Enquanto isso, Farruque Hormisda formou uma facção no norte do Irã conhecida como facção pálave (parta), uma facção de partas de várias famílias que se uniram sob ele. Durante a mesma época, no entanto, Perozes Cosroes também formou uma facção no sul do Irã, conhecida como facção parsigue (persa).
thumb|esquerda|Dracma de Borana
Em 27 de abril de 630, Artaxer foi derrubado e morto por Sarbaro, que então usurpou o trono. Quarenta dias depois, Farruque Hormisda o matou e fez da filha de Cosroes, Borana, a nova monarca. Em seu curto reinado, Borana nomeou Farruque Hormisda como ministro antes de ser deposta pelo filho de Sarbaro, Sapor-i Sarbaro, que após um breve reinado foi substituído por Azarmiducte, a irmã de Borana. Segundo ibne Isfandiar, Azarmiducte, sob o conselho dos nobres sassânidas, retirou Farruquezade de sua prisão e o convidou a servir os sassânidas mais uma vez. Farruquezade, no entanto, se recusou a servir sob o comando de uma mulher, preferindo se aposentar em um templo do fogo em Estacar. Essa narrativa, contudo, parece ser uma confusão entre ele e seu pai, que atritaria com a rainha reinante à época. Em 631, Farruque Hormisda, para tomar o poder, pediu Azarmiducte em casamento. Não ousando recusar, ela o matou com a ajuda do aristocrata mirrânida Siauascis, que era neto de Barã Chobim, o famoso aspabedes e brevemente xá. Ela foi, no entanto, logo morta por Rustão Farruquezade, que restaurou Borana ao trono. Mais tarde, em 632, Farruquezade foi novamente convidado a servir os sassânidas, desta vez pelo recém-coroado , que era um rei fantoche do irmão de Farruquezade, Rustão. Farruquezade aceitou e todas as suas propriedades foram devolvidas a ele.
Conquista árabe da Pérsia
A invasão do Irã Ocidental
thumb|esquerda|Dracma de thumb|esquerda|Mesopotâmia sassânida e arredores
Durante o mesmo ano, os árabes, unidos sob a bandeira do Islã, invadiram o Império Sassânida. Em 636, estavam em Cadésia, uma cidade perto de Ctesifonte, o que fez com que Rustão Farruquezade agisse. No entanto, Farruquezade não pôde participar, porque estava servindo como marzobã (general de uma província fronteiriça; "marquês") de Balasagena, uma província distante de capital. Enquanto se preparava para enfrentar os árabes, escreveu uma carta a Farruquezade, que dizia que deveria reunir um exército e ir ao Azerbaijão, lembrando-lhe que Isdigerdes III era a única herança deixada pelos sassânidas. Rustão então partiu de Ctesifonte no comando de uma grande força sassânida para enfrentar os invasores, mas foi derrotado e morto.
Após a morte de seu irmão, Farruquezade o sucedeu como o aspabedes do Coração e Azerbaijão, e como o novo líder da família Ispabudã e da facção pálave. Então reuniu um exército em Azerbaijão e foi para Ctesifonte, onde foi nomeado comandante por Isdigerdes, que fugiu para Hulvã com sua propriedade, família e mil servos. Farruquezade, no entanto, também fugiu para Hulvã após um pequeno e desanimador confronto com os árabes. Em 637, a capital foi capturado pelos árabes. Enquanto isso, Farruquezade, junto com Isdigerdes, o oficial mirrânida Mirranes Razi, Perozes Cosroes e , deixaram Hulvã rumo ao Azerbaijão, mas enquanto se deslocavam para o local, foram emboscados por um exército árabe em Jalula, onde foram derrotados. Mirranes Razi foi morto durante a batalha, enquanto Hormuzã fugiu ao Cuzistão e Perozes COsroes para Niavende. Em 642, os árabes capturaram Niavende e Ispaã, matando Perozes Cosroes, incluindo outros oficiais sassânidas, como e Merdasas. Durante o mesmo ano (ou em 643), Farruquezade levantou outro exército com seu filho Esfendadates e o general dailamita Muta. Foram, no entanto, derrotados em , uma vila em Hamadã. Enquanto isso, Isdigerdes fugiu ao sul do Irã e ficou lá até 648. Não se sabe se Farruquezade estava com Isdigerdes durante sua estadia no sul.
Luta no Coração, governo e morte
thumb|Castelo de Rei, construído sob o Império Arsácida thumb|Norte da Pérsia durante a invasão árabe
Por volta de 650, Isdigerdes, junto com Farruquezade, chegaram ao Coração. Isdigerdes nomeou-o como governador de Merve e ordenou a Baraz, filho de , que lhe desse o controle absoluto da cidade. Maoe, no entanto, o desobedeceu. Farruquezade aconselhou Isdigerdes a se refugiar no Tabaristão. Isdigerdes, no entanto, não aceitou seu conselho. Farruquezade mais tarde fez um motim contra o xá e partiu para Rei, para vingar seu pai contra Siauascis, que era o governante da cidade. A caminho de Rei, encontrou seu aliado Canara, que fez parte da conspiração contra Cosroes e havia participado do confronto de Rustão com os árabes, mas após a derrota fugiu para Tus, cidade que fazia parte de seus domínios. Farruquezade continuou sua jornada para Rei, mas antes de chegar na cidade encontrou o general árabe Anumane ibne Mucrim perto de Gasvim em 651, com quem fez as pazes e concordou em ajudá-lo a lutar contra Siauascis. O exército árabo-Ispabudã se envolveu em uma batalha noturna contra o exército de Siauascis no sopé da montanha nos arredores de Rei. Farruquezade liderou parte da cavalaria de Anumane por um caminho pouco conhecido até a cidade, de onde atacaram a retaguarda do exército mirrânida, causando grande derramamento de sangue. O exército de Siauascis acabou derrotado e ele próprio foi morto. Para dar o exemplo, Anumane ordenou a destruição do bairro aristocrático de Rei, mas a cidade foi mais tarde reconstruída por Farruquezade, que se tornou o governante local.