Jalal Almulque Ali ibne Maomé ibne Amar () foi um governante (cádi) de Trípoli durante a Primeira Cruzada.
Vida
Ali pertencia à casa do Banu Amar, que era mais conhecido por seus saberes do que pela guerra. A dinastia foi fundada por seu tio, , que como cádi de Trípoli se declarou independente do Califado Fatímida em 1070. Ali chegou ao poder em Trípoli após a morte de seu tio em 1072, após uma breve luta pela sucessão com seu irmão, a quem expulsou da cidade. Foi capaz de manter sua precária independência jogando os fatímidas contra os seljúcidas. Em 1081, capturou Jabala do Império Bizantino.
Sob o reinado de Ali, a Primeira Cruzada chegou ao Levante. Após o Cerco de Antioquia, os cruzados começaram a descer para Jerusalém no início de 1099. Encontraram pouca residência enquanto marchavam, com vários governantes locais preferindo fazer as pazes e fornecendo suprimentos em vez de lutar. Ao alcançarem a cordilheira costeira da Síria, que separa o vale fértil do rio Orontes, onde fica Antioquia, e a costa, optaram por seguir marcha pela costa, ainda que Jerusalém ficasse no interior, para que pudessem usar o apoio naval fornecido pelo Império Bizantino e os cruzados que estavam em Antioquia através dos navios de Gênova, Veneza e Inglaterra. Seguir essa rota também evitaria a necessidade de confrontar Damasco, que era uma das maiores cidades muçulmanas do Oriente Médio. Quando passavam pelo fértil vale do Beca em janeiro, entre as atuais Síria e Líbano, foram atacados pela pequena guarnição do dito Forte dos Curdos (Ḥoṣn al-Akrād), cuja agressão foi respondia no dia seguinte por um ataque frontal conduzido por . O avanço inimigo causou pânico na guarnição, e quando os cruzados alcançaram a fortificação, a encontraram vazia e cheia de suprimentos. Este sítio, uma década depois, seria reconstruído e tornar-se-ia a afamada Fortaleza dos Cavaleiros.
A vitória sobre a fortaleza, que era tida pelos locais como impenetrável, provocou comoção entre as lideranças muçulmanas. O emir de Homs rapidamente confirmou seu acordo com Raimundo, enviando presentes na forma de cavalos e ouro, e Ali ibne Maomé igualmente se impressionou. Apesar disso, Raimundo estava ciente de que prosseguir a marcha com a força que dispunha consigo, que não excedia 5 mil cavaleiros, poderia ser potencialmente perigoso sem o apoio dos demais nobres francos que ficaram para trás em Antioquia. Em 14 de fevereiro, quando já avizinhava Trípoli, optou por interromper seu progresso e cercar Arca. Utilizando estratagemas e ataques pontuais, assegurou o domínio dos portos de Tortosa e Margate, e a rendição de vários assentamentos interioranos, mas custou a conseguir a capitulação de seu alvo. A guarnição recusava-se a ceder e, com o emprego de lançadores de projéteis, causou baixas nos cruzados.
Enquanto isso, Godofredo e Roberto II de Flandres juntaram-se aos cruzados restantes e começaram sua marcha em meados do mês. Em 1 de março, Boemundo acompanhou os demais até Lataquia, mas rapidamente retornou a Antioquia para consolidar seu governo contra o avanço dos bizantinos. Seguindo viagem, decidiram sitiar a cidade costeira de Jabala, que à época pertencia a Ali. No começo de abril, Pedro de Narbona os alcançou de Arca trazendo uma mensagem urgente de Raimundo pedindo ajuda. Segundo relatou, os seljúcidas reuniram um exército em Baguedade e estavam se preparando para atacá-lo. É provável que a ameaça tenha sido inventada por Raimundo para convencê-los a seguir seu curso e ajudá-lo, o que surtiu efeito. Com a chegada de novos combatentes, e o prosseguimento do cerco, os líderes muçulmanos locais, inclusive Ali, continuaram mandando subornos para evitar um ataque cruzado, o que teria criado uma espécie de rede de abastecimento muito rentável. Isso, contudo, logo ruiria quando as lideranças muçulmanas deram-se conta da extorsão a qual estavam se sujeitando.
Em 10 de abril, embaixadores bizantinos alcançaram Arca e questionaram Raimundo dos motivos pelos quais deixou Boemundo reter Antioquia, sem o consentimento do imperador bizantino , se isso feria os juramentos dos cruzados antes da expedição iniciar. Já fragilizado pelos acontecimentos recentes, Raimundo optou por ouvir os demais cruzados e levantar o cerco em 13 de maio, sem alcançar o objetivo de conquistar a cidade, para rumar em direção a Jerusalém, e deixou Arca sob controle de Trípoli. Conforme os cruzados se aproximavam da capital de Ali, ele tentou comprar sua imunidade. Ele ofereceu 300 cativos cristãos, compensando-os com besantes e 15 cavalos. Os cruzados deixaram a cidade intocada em 16 de maio. Ali não viveu para ver o longo Cerco de Trípoli, sendo sucedido por seu irmão Facre Almulque ibne Amar.
Bibliografia
Categoria:Muçulmanos envolvidos nas guerras bizantino-árabes Categoria:Berberes do século XI Categoria:Banu Amar