Alfred A. Knopf, Inc. () é uma editora dos Estados Unidos fundada por Blanche Knopf e Alfred A. Knopf Sr. em 1915. Blanche e Alfred viajavam com frequência ao exterior e publicavam escritores europeus, asiáticos e latino-americanos, além de acompanhar as novas correntes literárias dos Estados Unidos. A Random House adquiriu a empresa em 1960, e a Knopf passou a integrar o Knopf Doubleday Publishing Group, divisão da Penguin Random House, pertencente ao conglomerado alemão Bertelsmann.

A editora usa um borzoi em seu cólofon. O logotipo foi criado pela cofundadora Blanche Knopf em 1925.

História

Fundação

thumb|Retrato de Blanche Knopf e Alfred A. Knopf Sr., fotografados por Carl van Vechten em 1932

A Knopf foi fundada em 1915 por Alfred A. Knopf Sr. e Blanche Knopf, com um adiantamento de US$ 5.000 concedido pelo pai de Alfred, Samuel Knopf. O primeiro escritório ficava no Candler Building, em Nova Iorque. A editora foi formalmente incorporada em 1918, com Alfred Knopf como presidente, Blanche Knopf como vice-presidente e Samuel Knopf como tesoureiro.

Desde o início, a Knopf voltou-se para traduções europeias e obras literárias de perfil mais erudito. Entre suas primeiras publicações estavam Four Plays, do francês Émile Augier, Taras Bulba, do russo Nikolai Gogol, Homo Sapiens, do polonês Stanisław Przybyszewski, e Yvette, a Novelette, and Ten Other Stories, do francês Guy de Maupassant. Na Primeira Guerra Mundial, esses livros podiam ser obtidos por preços baixos e ajudaram a estabelecer a Knopf como uma editora norte-americana de obras europeias. Seu primeiro best-seller foi uma nova edição de Green Mansions, romance de W. H. Hudson que chegou a nove impressões em 1919 e vendeu mais de 20.000 exemplares. Seu primeiro romance norte-americano original, The Three Black Pennys, de Joseph Hergesheimer, saiu em 1917.

Década de 1920

thumb|Anúncio da Knopf

No começo da década de 1920, a Knopf passou a empregar técnicas publicitárias pouco usuais para chamar atenção para seus livros e autores. A partir de 1920, produziu um chapbook para divulgar novos títulos. The Borzoi saiu de tempos em tempos ao longo dos anos. A primeira edição foi um volume em capa dura intitulado The Borzoi e, em certos anos, a publicação assumiu formato trimestral sob o título The Borzoi Quarterly. Para promover Moon-Calf, romance de formação de Floyd Dell, a editora pagou homens para percorrer as zonas financeira e teatral de Nova Iorque vestidos como artistas e usando cartazes-sanduíche. Os cartazes traziam um exemplar do livro para consulta e indicavam livrarias próximas aos interessados.

A aparência dos livros e a habilidade da Knopf na divulgação de seus autores levaram Willa Cather a deixar sua antiga editora, a Houghton Mifflin, e assinar com a Alfred A. Knopf. Como Cather ainda estava sob contrato para seus romances, os Knopf propuseram publicar uma coletânea de contos, Youth and the Bright Medusa, em 1920. Cather ficou satisfeita com o resultado e com a publicidade do livro na The New Republic. Ela publicaria dezesseis livros pela Knopf, entre eles One of Ours, que deu à editora seu primeiro Prêmio Pulitzer.

Antes do casamento, Alfred prometera a Blanche que os dois seriam sócios em condições de igualdade. No quinto aniversário da editora, já estava claro que isso não aconteceria. A Knopf publicou um livro comemorativo no qual Alfred era o centro das histórias contadas pelos autores, enquanto o nome de Blanche surgia apenas uma vez, numa observação de que a "Sra. Knopf" havia encontrado um manuscrito. Isso contrastava com os relatos de autores e outras pessoas que viam Blanche como a alma da empresa. Laura Claridge examinou essa relação em The Lady with the Borzoi.

Em 1923, a Knopf também começou a publicar periódicos. O primeiro foi The American Mercury, fundado por H. L. Mencken e George Jean Nathan, que permaneceu com a editora até 1934.

No mesmo ano, a Knopf publicou The Prophet, de Khalil Gibran. A editora já havia lançado obras anteriores de Gibran, que tiveram vendas decepcionantes. No primeiro ano, The Prophet vendeu apenas 1.159 exemplares. As vendas dobraram no ano seguinte e continuaram dobrando, até que o livro se tornou um dos títulos de maior sucesso da empresa. Em 1965, foram vendidos 240.000 exemplares. Perto de completar cem anos, em 2023, The Prophet já havia sido traduzido para mais de cem idiomas e nunca deixara de ser impresso pela Knopf.

Na década de 1920, a Knopf por vezes retirou livros de circulação ou os censurou diante de ameaças de John Sumner. Entre os casos estavam Janet March, de Floyd Dell, e a tradução de 1899 feita por George Egerton de Hunger.

Década de 1930

Samuel Knopf morreu em 1932. William A. Koshland entrou para a empresa em 1934 e permaneceu nela por mais de cinquenta anos, chegando aos cargos de presidente e presidente do conselho. Blanche tornou-se presidente em 1957, quando Alfred passou a presidir o conselho, e trabalhou na editora até morrer, em 1966. Alfred Knopf aposentou-se em 1972 e tornou-se presidente emérito, cargo que ocupou até sua morte, em 1984. Alfred também tinha uma casa de veraneio em Purchase.

Década de 1940

No contexto da Política de boa vizinhança, Blanche Knopf visitou a América do Sul em 1942 para procurar autores e editoras e ampliar o catálogo latino-americano da empresa. Ela esteve entre os primeiros editores a visitar a Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Suas viagens e as de outros editores trouxeram novos escritores da Europa, da América do Sul e da Ásia para a Knopf. Alfred viajou ao Brasil em 1961, o que despertou nele um interesse maior pela América do Sul. Os ativos da Penn Publishing Company foram adquiridos pela Knopf em 1943. Depois da guerra, o filho do casal, Alfred "Pat" Jr., foi contratado como secretário e gerente de livros comerciais.

Década de 1950

Em 1957, Judith Jones entrou para a Knopf. Jones, que havia descoberto Anne Frank: Diary of a Young Girl enquanto trabalhava na Doubleday, adquiriu para a Knopf Mastering the Art of French Cooking, de Simone Beck, Louisette Bertholle e Julia Child. Jones permaneceu na editora e se aposentou em 2011 como editora sênior e vice-presidente, depois de uma carreira que incluiu trabalhos com John Updike e Anne Tyler.

Pat Knopf deixou a editora dos pais em 1959 para criar a Atheneum Publishers com outros dois sócios. A notícia foi publicada na primeira página do The New York Times.

Em um anúncio publicado em 1957 na The Atlantic Monthly, Alfred A. Knopf apresentou o Borzoi Credo. O texto reunia suas convicções sobre a atividade editorial, entre elas a afirmação de que jamais publicara um livro indigno. A última dizia: "Acredito que revistas, filmes, televisão e rádio jamais substituirão os bons livros."

Aquisição pela Random House

Em 1960, a Random House adquiriu a Alfred A. Knopf. A saída de Alfred A. Knopf Jr., que deixou a empresa em 1959 para fundar a Atheneum Books, teria motivado a venda.

Desde a fundação, a Knopf dedicou atenção ao design e à tipografia. Entre os designers e tipógrafos que trabalharam para a editora estão William Addison Dwiggins, Harry Ford, Steven Heller, Chip Kidd, Lorraine Louie, Peter Mendelsund, Bruce Rogers, Rudolf Ruzicka e Beatrice Warde. Os livros da Knopf terminam com uma página sem numeração intitulada "A Note on the Type", que apresenta a origem e a história da família tipográfica usada no volume. A folha de rosto também informa o ano da impressão correspondente daquele livro.

A Knopf publicou livros didáticos até 1988, quando a divisão de escolas e faculdades da Random House foi vendida à McGraw Hill.

Em 1991, a Knopf retomou a série Everyman's Library, publicada originalmente na Inglaterra no começo do século XX. A coleção reúne clássicos da literatura mundial em edições de capa dura a preços acessíveis. Novas linhas foram acrescentadas, entre elas Children's Classics e Pocket Poets.

A Bertelsmann adquiriu a Random House em 1998. No fim de 2008 e começo de 2009, o Knopf Publishing Group foi unido à Doubleday para formar o Knopf Doubleday Publishing Group. Depois da fusão de 2013 com o Penguin Group, a Random House passou a fazer parte da Penguin Random House, então um empreendimento conjunto da Bertelsmann, com 53%, e da Pearson PLC, com 47%.

Muitos livros da Knopf lançados em capa dura saem depois em edições de bolso da Vintage Books. A Vintage Books é um selo irmão da Random House.

Em outubro de 2012, a Bertelsmann iniciou negociações com o conglomerado concorrente Pearson para estudar a união de suas respectivas editoras, Random House e Penguin Group. A fusão foi concluída em 1 de julho de 2013, dando origem à Penguin Random House. A Bertelsmann detinha 53% do empreendimento e a Pearson, 47%. Quando a operação foi concluída, as duas empresas reunidas respondiam por 25% do mercado de livros, tinham mais de 10.000 funcionários, 250 selos editoriais independentes e cerca de US$ 3,9 bilhões em receita anual. A consolidação buscava aumentar o poder de negociação diante da Amazon e enfrentar a retração das livrarias.

Em 2015, a Knopf comemorou seu centenário com a publicação do livro Alfred A. Knopf, 1915–2015: A Century of Publishing.

Pessoas

Editores e editores-chefes

A Knopf teve muitos editores, mas apenas quatro ocuparam o cargo de editor-chefe: Alfred A. Knopf Sr., Robert Gottlieb, Sonny Mehta, que morreu em 2019, e Jordan Pavlin. Outros nomes da equipe editorial foram Harold Strauss, que trabalhava com literatura japonesa, Herbert Weinstock, que editava biografias de compositores, Judith Jones, responsável por traduções, The Diary of Anne Frank e livros de culinária, e Peter Mendelsund, diretor de arte e designer de capas. Também trabalharam na Knopf Bobbie Bristol, Angus Cameron, Ann Close, Charles Elliott, Gary Fisketjon, Lee Goerner, Ashbel Green, Carol Brown Janeway, Michael Magzis, Anne McCormick, Nancy Nicholas, Daniel Okrent, Regina Ryan, Sophie Wilkins e Victoria Wilson. A editora também empregava agentes encarregados de procurar novos escritores.

Autores

A Alfred A. Knopf publicou livros de James Baldwin, John Banville, Carl Bernstein, Elizabeth Bowen, Frederick Buechner, Albert Camus, Robert Caro, Willa Cather, John Cheever, Julia Child, Bill Clinton, Michael Crichton, Miguel Covarrubias, Don DeLillo, Joan Didion, Bret Easton Ellis, James Ellroy, Martin Gardner, Khalil Gibran, Lee H. Hamilton, Kazuo Ishiguro, John Keegan, Nella Larsen, John le Carré, Jack London, Gabriel García Márquez, Cormac McCarthy, Toni Morrison, Alice Munro, Haruki Murakami, Cynthia Ozick, Christopher Paolini, Edgar Allan Poe, Ezra Pound, Anne Rice, Dorothy Richardson, Stephen M. Silverman, Oswald Spengler, Susan Swan, Donna Tartt, Barbara W. Tuchman, Anne Tyler, John Updike, Andrew Vachss, James D. Watson e Elinor Wylie.

Prêmios