A Marinha do Brasil tem um grande número de projetos ativos e planejados, sob os planos de modernização das Forças Armadas brasileiras, definidas no Livro Branco da Defesa Nacional. A partir de 2010, o Brasil iniciou uma mudança radical na sua política militar, com o objetivo de se consolidar como a maior potência da América Latina. Então, os estrategistas militares do país viram a grande importância na modernização da Marinha, tanto no plano global como na projeção e dissuasão contra possíveis ameaças aos interesses nacionais por potências estrangeiras a partir do ano 2040; o orçamento total estimado para o plano foi estimado em US $ 119 bilhões em 2010.

A análise de cenários desenvolvida em 2005 pelo Pentágono dos Estados Unidos para o ano de 2035, prevê um crescimento permanente da influência do Brasil nas relações internacionais. A intensificação da projeção e sua maior inserção nas decisões globais, conduzem as Forças Armadas a uma nova estrutura compatível com o novo status político-estratégico do país. Em 2023, o orçamento da Marinha caiu de 2,1 para 1,9 bilhões de reais.

Projetos ativos miniaturadaimagem| O Livro Branco da Defesa Nacional

Submarinos nucleares A partir de 2018 no âmbito do programa Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), o Brasil iniciou a construção do primeiro submarino nuclear nacional da classe Álvaro Alberto; os custos estimados relacionados ao desenvolvimento e construção ultrapassaram os US $ 7,4 bilhões em 2020. Há a expectativa de que o primeiro submarino desta classe seja comissionado em meados de 2035. O país planeja seis unidades da classe até 2047.

Submarinos convencionais direita|miniaturadaimagem| Submarino brasileiro Riachuelo (S-40) Em 2009, no âmbito do PROSUB, o Brasil assinou acordos de cooperação com a França para o desenvolvimento conjunto e construção de quatro baseados na classe Scorpène, num negócio de US$10 bilhões, com construção dos quatro submarinos no Brasil e transferência total de tecnologia. Em 2026 o país já havia lançado ao mar as quatro embarcações inicialmente previstas, o S Riachuelo (S-40) em 2018 (comissionado em 01 de setembro de 2022), o S Humaitá (S-41) em 2020 (comissionado em 12 de janeiro de 2024), o S Tonelero (S-42) em 2024 (comissionado em 26 de novembro de 2025) e o S Almirante Karam (S-43) em 2025, com comissionamento previsto para 2026.

Fragatas No âmbito do programa PROSUPER, o Brasil assinou em 2020 um contrato de €2 bilhões com a alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS), para o desenvolvimento conjunto e construção de quatro fragatas de uso geral da classe Tamandaré. Semelhante aos acordos dos Scorpenes, este contrato define a construção dos quatro barcos no Brasil e também a transferência total de tecnologia da Alemanha. Em 2024, a Marinha do Brasil divulgou infográfico do Programa Fragatas Classe Tamandaré prevendo mais quatro navios além dos quatro iniciais, com os indicativos F204, F205, F206 e F207, entretanto, até janeiro de 2026 ainda não foi confirmado este segundo lote. miniaturadaimagem|O NPaOc Apa (P-121), segundo navio da classe

Navios de patrulha O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), está realizando a construção de duas embarcações-patrulha da classe Macaé, os Navios de Patrulha (NPa) designados como Mangaratiba (P-73) e Miramar (P-74) outros três navios foram comissionados em 2009, 2010 e 2022, o Macaé (P-70), Macau (P-71) e NPa Maracanã (P-72).

Em 2012, a Marinha Brasil fez uma compra de oportunidade de três Navios de Patrulha Oceânico (NPOc) da classe Amazonas, de 1800 toneladas, por £133,8 milhões. Os navios foram originalmente construídos para a Marinha de Trinidad e Tobago, que cancelou o pedido.

Navios polar e hospital Em 2020, a Marinha lançou um projeto para a construção de um novo navio polar de pesquisa para o Programa Antártico Brasileiro, a fim de substituir o NApOc Ary Rongel (H-44), em operação desde 1994. A construção do Navio Polar faz parte do Programa de Obtenção de Meios Hidroceanográficos e de Apoio Antártico (PROHIDRO), que prevê a obtenção de navios hidroceanográficos a serem empregados na Amazônia Azul e em águas polares para que a MB possa cumprir as suas atribuições referentes às atividades hidrográficas, oceanográficas, meteorológicas, cartográficas e de sinalização náutica. No dia 13 de junho de 2022, o contrato de construção do navio foi assinado no Arsenal de Marinha do Rio de janeiro (AMRJ), com custo aproximado de R$720 milhões. A embarcação será construída no Estaleiro Jurong-Aracruz (EJA), Espírito Santo. O NApAnt Almirante Saldanha teve sua quilha batida no dia 17 de outubro de 2023, e está com entrega prevista para abril de 2026. O novo navio-hospital, chamado Anna Nery (U-170), está em construção com previsão de comissionamento para 2026.

Helicópteros direita|miniaturadaimagem| CE 725 em voo Desde 2008 a Marinha recebe anualmente novos Eurocopter EC 725 da fábrica Helibras, em Itajubá, Minas Gerais, como parte de um pedido inicial de 50 EC 725 para as Forças Armadas Brasileiras; o acordo era estimado em US $ 1 bilhão na época. Retrieved on 11 July 2009."Brazil’s $1B+ Order for EC725 Cougar Helicopters." Defense Industry Daily, 5 January 2012. A partir de 2018, o Brasil também fez negócios para o SH-60 Seahawk, sendo que em 2020 oito unidades já estavam em operação. A Marinha também tem um programa de modernização do Westland Lynx Mk.21, com atualização das oito unidades com novos motores CTS800 e aviônicos; o helicóptero foi redesignado como Super Lynx Mk.21B. A Marinha iria receber 16 Eurocopter EC 725 sendo 8 UH-15, 3 UH-15A e 5 AH-15B. Em maio de 2022 a marinha trocou a última unidade do AH-15B por 15 H125 Esquilo, esses helicópteros serão destinados ao Programa TH-X. miniaturadaimagem|Lançamento do míssil MANSUP pela F Constituição (F-42)

Armamentos No início da década de 2010 os estrategistas militares brasileiros viram a necessidade do desenvolvimento de um míssil antinavio e um torpedo pesado para uso nos futuros navios e submarinos da Marinha a partir de 2020, e para garantir a independência tecnológica nesses tipos de armamentos. Em 2011 o Ministério da Defesa lançou os programas MANSUP e TPNer para o desenvolvimento dos primeiros mísseis anti-navio nacionais e torpedos pesados. Em 2024 o MANSUP completou seis testes de disparo, e o TPNer ainda está em desenvolvimento. A Marinha recebeu em 2020 o primeiro lote do torpedo francês F21 Artemis para os submarinos classe Riachuelo e o Mark 54 para uso nos Seahawks S-70B.

SisGAAz O Sistema de Gestão da Amazônia Azul, é um sistema de vigilância desenvolvido pela Marinha com o objetivo de fiscalizar a Amazônia Azul, área rica em recursos que cobre cerca de . Esta área abriga uma enorme diversidade de espécies marinhas, valiosos minerais metálicos e outros recursos minerais, petróleo e a segunda maior reserva de terras raras do mundo. O SisGAAz integra equipamentos e sistemas compostos por radares incorporados em terra e embarcações, além de câmeras de alta resolução e recursos como a fusão de informações recebidas de sistemas colaborativos.

Projetos planejados

Porta-aviões Um futuro porta-aviões possivelmente denominado Rio de Janeiro está previsto no programa PAEMB (iniciais para Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil), com o objetivo de ser um porta-aviões totalmente operacional em 2040. O plano foi revisado na última edição do LBDN e aceite pelo Ministério da Defesa, pelo Congresso Nacional e pelo presidente Jair Bolsonaro em 2020. Em 2018, o ex-comandante da Marinha do Brasil, Eduardo Bacellar Leal Ferreira, confirmou os planos de um porta-aviões nacional de 50 mil toneladas, possivelmente utilizando os projetos originais do porta-aviões francês Charles de Gaulle, oferecido ao Brasil em 2012, mas a dúvida residia no sistema de propulsão e os seus custos, estimados em US $ 3,5 bilhões para um porta-aviões convencional com catapultas e US $ 5,25 bilhões para um porta-aviões nuclear, usando uma versão adaptada do reator naval em desenvolvimento para os submarinos da classe Álvaro Alberto. O Brasil também planeja desenvolver o seu próprio porta-aviões nuclear.

Escoltas de maior capacidade Congelado no final do primeiro mandato de Dilma Rousseff, o PROSUPER planejava a compra de até 5 embarcações a partir de 6000 toneladas. Em 2019, através de uma releitura do PROSUPER, a marinha começou a avaliar a compra de navios que já operavam em marinhas estrangeiras; as fragatas Classe ANZAC, da Real Marinha Australiana, e os contratorpedeiros da classe Murasame, da Marinha do Japão. Houve sondagem também no 1º lote de contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, da Marinha dos Estados unidos, e nas fragatas da classe Halifax, da Marinha Real Canadense. A compra de navios usados tinha como orçamento estimado US$1 bilhão. Em 2020, a Thyssenkrupp Marine Systems apresentou à Marinha o seu mais moderno contratorpedeiro de defesa aérea MEKO A-400 de 7200 toneladas, uma versão atualizada das fragatas alemãs da classe F-125. As semelhanças das fragatas da classe F-125 com a fragata da classe Tamandaré causaram uma boa impressão no Almirantado.

Caças A Marinha do Brasil opera seis AF-1 (McDonnell Douglas A-4 Skyhawk), modernizado em 2022, a partir do 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (VF-1), sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (RJ). A Marinha pretende substituí-los a partir de 2028, data em que cessam os contratos de apoio existentes, como forma de garantir a doutrina de operação de aeronaves de asas fixas. É avaliada a aquisição de unidades usadas do F/A-18 e foi demonstrado interesse também em uma futura versão naval do Saab JAS-39 Gripen, já em operação na Força Aérea Brasileira. Outra opção seria o a versão navalizada do Dassault Rafale.

Sistema de defesa aérea de médio alcance O Ministério da Defesa iniciará na década de 2020 a aquisição de um sistema de defesa aérea de médio alcance. Em dezembro de 2020, o ministério aprovou os pré-requisitos. O sistema será operado pelos três ramos das Forças Armadas Brasileiras, a fim de reduzir custos operacionais e facilitar a integração entre todos os sistemas já em operação nas forças. Esta defesa aérea terá que cumprir os seguintes requisitos operacionais: deve ser capaz de engajar efetivamente ameaças aeroespaciais simultaneamente num alcance mínimo de engajamento horizontal não superior a 2000 metros, alcance máximo de engajamento horizontal não inferior a 40 mil metros, alcance mínimo de engate vertical não superior a 50 metros, e alcance máximo de engajamento vertical não inferior a 15 mil metros. O sistema deverá ainda ser capaz de atacar aeronaves de asa fixa, helicópteros, UAVs, mísseis de cruzeiro e bombas guiadas.

Cortes Devido a reduções em investimentos, à natural degradação e obsolescência dos meios e envelhecimento do efetivo e a crise financeira que se instala na Força, o alto comando da Marinha prevê a desativação de 40% de seu efetivo. 43 embarcações estão no fim de sua vida útil e devem ser desativadas até 2028, pois, segundo estimativas do órgão, seriam necessários duzentos milhões a 3,5 bilhões de reais para a manutenção destes meios. Também é estudado pelo alto comando a redução do efetivo militar e a contratação de substitutos temporários, além da realização de concursos para vagas civis a fim de cortar gastos e priorizar o desenvolvimento e entrega de doze embarcações nesse mesmo período.

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