O HMS Vanguard foi um couraçado operado pela Marinha Real Britânica, o último navio de seu tipo construído no mundo e o maior já construído pelo Reino Unido. Seu batimento de quilha ocorreu em outubro de 1941 nos estaleiros da John Brown & Company na Escócia e foi lançado ao mar em novembro de 1944, sendo comissionado na frota britânica em maio de 1946, um ano depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 381 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de pouco mais de 52 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora).

A Marinha Real, no início da década de 1940, esperava ficar em inferioridade numérica diante de uma força combinada de couraçados alemães e japoneses, assim encomendou a construção da Classe Lion. Entretanto, a demora na construção das torres de artilharia triplas de 406 milímetros que seriam usadas nos navios adiaria sua finalização até pelo menos 1943. Por outro lado, havia torres e canhões de 381 milímetros suficientes para que um couraçado com projeto modificado fosse completado antes do previsto. Mesmo assim, a construção do Vanguard foi paralisada repetidas vezes durante a guerra e seu projeto alterado, fazendo com que ele só pudesse ser finalizado depois do fim do conflito.

O couraçado completou seus testes marítimos no final de 1946 e no início do ano seguinte transportou o rei Jorge VI e sua família para a primeira visita oficial de um monarca reinante à África do Sul. O navio e tornou a capitânia da Frota do Mediterrâneo em 1949 e pelo restante de sua carreira geralmente atuou como a capitânia de qualquer unidade que fosse designado para servir. O Vanguard se envolveu em vários exercícios de treinamento junto com forças da OTAN no início da década de 1950 e participou em 1953 de uma revista naval em celebração à coroação da rainha Isabel II. Foi colocado na reserva naval em novembro de 1955 e descomissionado em junho de 1960, sendo desmontado em 1962.

Desenvolvimento Ficou claro para a Marinha Real Britânica no início de 1939 que os dois primeiros couraçados da Classe Lion não poderiam ser entregues antes de 1943 e que a construção de outros navios do tipo seriam necessárias para igualar couraçados alemães e japoneses já em construção. A principal restrição na época era a limitada capacidade disponível necessária para a construção de torres de artilharia e canhões de 406 milímetros. Usar montagens já existentes de 380 milímetros oferecia a possibilidade de contornar esse problema e permitir a construção de um único couraçado mais rapidamente do que uma embarcação da Classe Lion. Essas torres tinham sido originalmente construídas e instaladas nos cruzadores de batalha e na Primeira Guerra Mundial, mas removidas quando estes navios foram convertidos em porta-aviões na década de 1920. A fim de economizar tempo, o projeto da Classe Lion foi modificado para acomodar quatro torres e os trabalhos preliminares de desenho começaram em julho de 1939. Uma popa quadrada foi mantida porque estimou-se que ela melhoraria a velocidade em potência máxima em 0,33 nó (0,61 quilômetro por hora). Isto fez do Vanguard o único couraçado britânico com popa quadrada.

Os trabalhos de projeto foram suspensos em 11 de setembro de 1939, logo depois do começo da Segunda Guerra Mundial, porém foram retomados em fevereiro de 1940 depois de Winston Churchill, o Primeiro Lorde do Almirantado, ter expressado interesse no navio. O projeto foi modificado para aumentar a proteção contra estilhaços de projéteis nas laterais não protegidas do casco, a blindagem do armamento secundário foi aumentada para resistir a bombas semiperfurantes de 230 quilogramas, enquanto a espessura do cinturão de estilhaço adiante e após o cinturão principal foi reduzida em 12,7 milímetros para compensar. Uma pequena torre de comando foi adicionada na parte traseira da superestrutura e quatro montagens de Projéteis Fixos foram adicionadas para complementar os 48 canhões de 40 milímetros em montagens óctuplos já planejadas.

Questões mais urgentes forçaram uma nova suspensão dos trabalhos preliminares em junho, porém foram retomados em outubro, com o projeto sendo novamente modificado devido a recentes experiências na guerra. Uma capacidade de combustível maior foi adicionada e a blindagem melhorada, mas essas alterações aumentaram o calado a ponto de ultrapassar o limite de 10,4 metros do Canal de Suez. Assim, a espessura do cinturão de blindagem foi reduzida em 25 milímetros para economizar peso, mas o principal método para reduzir o calado foi aumentar a boca em 76 centímetros. Isto excedia os limites das docas de Rosyth e Plymouth, o que muito reduzia o número de docas que poderiam lidar com a embarcação, porém essas mudanças foram aprovadas em 17 de abril de 1941 pelo Comissariado do Almirantado. O Vanguard já tinha sido encomendado em 14 de março sob o Programa Emergencial de Guerra de 1940, porém os desenhos só foram entregues para o estaleiro da John Brown & Company dez dias depois.

O projeto do navio foi alterado novamente em 1942, agora com a construção já em andamento, a fim de refletir as lições aprendidas pela perda do e operações com outros couraçados até então. A distância longitudinal entre as duas hélices internas e as duas externas foi aumentada de 10,2 para 15,7 metros com o objetivo de reduzir a chance de um único torpedo destruir os eixos das duas hélices de um lado, enquanto calhas de acesso estanque foram adicionadas em todos os espaços abaixo da linha d'água para impedir inundações progressivas através de portas e escotilhas estanques abertas, como aconteceu com o Prince of Wales. Estas mudanças e a relocação de algumas salas de manuseio de munição de 133 milímetros do convés inferior para o convés do meio adiou a finalização do navio. O requisito de que a primeira torre de artilharia pudesse disparar diretamente à frente a uma elevação de zero graus foi abandonada a fim de permitir o aumento de sua borda livre na dianteira, com sua proa tendo sido redesenhada para que fosse menos propensa a molhar e espirrar água em mares bravios. O suprimento de combustível aumentou de 4,5 para 4,93 mil toneladas com o objetivo de evitar escassez de combustível, como havia acontecido com o e em maio de 1941 durante a perseguição ao couraçado alemão . As montagens de Projéteis Fixos foram removidas e a bateria antiaérea leve aumentou para 76 canhões de 40 milímetros em uma montagem quádrupla e novo óctuplos e 24 canhões Oerlikon de 20 milímetros em doze montagens duplas. Espaço para essas armas foi librado ao remover os dois hidroaviões, catapulta e equipamentos relacionados.

Projeto Características thumb|esquerda|270px|O Vanguard em setembro de 1952 O Vanguard tinha um comprimento de fora a fora de 248,2 metros, uma boca de 32,8 metros e calado de até onze metros. Seu deslocamento padrão era de 45,2 mil toneladas e o deslocamento carregado era de 52 250 toneladas. O navio era muito maior que seus predecessores da Classe King George V, sendo 15,2 metros mais comprido e com um deslocamento de por volta de 6,1 mil toneladas maior. O Vanguard teve um sobrepeso de 2,2 mil toneladas, o que ampliou a diferença. Ele tinha um fundo duplo de 1,5 metros de profundidade e era subdividido em 27 compartimentos principais por anteparas estanques.

Os couraçados da Classe King George V tinham sido construídos praticamente sem nenhuma curvatura na proa para que a primeira torre de artilharia pudesse disparar a uma elevação de zero grau, porém isto fazia com que os navios molhassem muito na frente. Para evitar esse problema, o Vanguard foi reprojetado com uma curvatura significativa na proa. Foi considerado uma embarcação muito boa de se navegar e era capaz de manter uma quilha nivelada mesmo em mares bravios. Sua altura metacêntrica carregado era de 2,5 metros.

Como capitânia, em 1947, a tripulação era de 115 oficiais e marinheiros. Ar-condicionado foi instalado em muitos dos espaços de controle e isolamento com asbesto foi colocado em áreas expostas das laterais, como conveses em anteparas. Aquecimento a vapor para seus armamentos, instrumentos, posições de vigia e outros equipamentos permitia que a embarcação operasse no Ártico. Um Centro de Informações de Ação ficava abaixo do convés blindado e podia rastrear aeronaves ao redor.

Propulsão Os maquinários para quatro hélices da Classe Lion foram duplicados com salas de máquinas e caldeiras alternadas no Vanguard a fim de economizar tempo. O navio tinha quatro conjuntos de turbinas a vapor Parsons de redução única em salas de máquinas separadas. Cada conjunto tinha uma turbina de alta-pressão e outra de baixa-pressão, que giravam uma hélice de 4,5 metros de diâmetro. As turbinas eram alimentadas pelo vapor vindo de oito caldeiras Admiralty em quatro salas de caldeiras, que trabalhavam a uma pressão de 350 libras-força por polegada quadrada (25 quilogramas-força por centímetro quadrado) e uma temperatura de 371 graus Celsius. Os motores foram projetados para produzirem 131,9 mil cavalos-vapor (97 mil quilowatts) de potência para uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora), porém o couraçado conseguir alcançar 137,1 mil cavalos-vapor (101 mil quilowatts) e 31,57 nós (58,47 quilômetros por hora) durante seus testes marítimos em julho de 1946. As hélices originais de três lâminas foram substituídas após os testes por modelos de cinco lâminas em uma tentativa fracassada de melhorar um problema de vibração com as hélices internas.

O Vanguard foi projetado para carregar toneladas de óleo combustível e 434 toneladas de diesel, permitindo uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a uma velocidade de quinze nós (28 quilômetros por hora). Era equipado com quatro turbogeradores de 480 quilowatts e quatro geradores a diesel de 450 quilowatts que proporcionavam um circuito elétrico padrão de 220 volts. Juntos eles podiam gerar 3 720 quilowatts de energia, a produção mais alta de qualquer couraçado britânico.

Armamentos thumb|230px|Animação mostrando o ciclo de carregamento e disparo para uma torre Marco I e canhão de 381 milímetros O armamento principal do Vanguard consistia em oito canhões calibre 42 Marco I de 381 milímetros em quatro torres de artilharia hidráulicas duplas, nomeadas de "A", "B", "X" e "Y" da proa para a popa. As torres foram modernizadas com o projeto Marco I(N) RP12, que aumentou sua elevação máxima de vinte para trinta graus, porém os canhões era recarregados a cinco graus. Eles disparavam projéteis de 879 quilogramas a uma velocidade de saída de 749 metros por segundo, o que proporcionava um alcance máximo de 30,68 quilômetros. Os canhões também eram capazes de disparar os mesmos projéteis usando supercargas, o que aumentava o alcance em quatro quilômetros. Sua cadência de tiro era de dois disparos por minuto. Cada canhão tinha cem projéteis a disposição.

As torres de 381 milímetros tinham sido projetadas durante uma época em que a prática comum era colocar o paiol acima da sala de projéteis, com o custo-benefício de modificar os guindastes de munição para uma arranjo diferente não sendo muito atrativo. Mudanças só foram adotadas depois da Batalha da Jutlândia na Primeira Guerra Mundial, que demonstrou os perigos de expor os paióis a disparos de longa distância. O Vanguard recebeu uma sala de manuseio de pólvora acima da sala de projéteis a fim de imitar o arranjo que os guindastes da torre tinham sido projetados para lidar, enquanto outro conjunto de guindastes movia as cargas propelentes dos depósitos de munição para a sala de manuseio de pólvora. As cargas eram guardas em invólucros para reduzir sua exposição ao fogo.