D. Bárbara Micaela de Ataíde (Penafiel, Rans, Honra de Barbosa, 23.09.1655 - Vila do Conde, c. 1714) foi uma Religiosa portuguesa, Abadessa do Convento de Santa Clara de Vila do Conde, a ela se devendo a construção do Aqueduto que liga Terroso, na Póvoa do Varzim, àquele Convento.

Biografia Era filha de D. Francisco de Azevedo e Ataíde (c. 1616 - Lisboa, 13.02.1669), senhor da honras de Barbosa e Ataíde e Governador das Armas de Entre Douro e Minho durante a guerra da Restauração, e de sua mulher e prima, D. Maria de Brito e Alcáçova.

Entrou para o Convento de Santa Clara em 1704 e, logo em 19 de dezembro de 1705, já como Abadessa, contratou o engenheiro militar Manuel Pinto de Villalobos e o capitão Domingos Lopes, natural do Porto, para delinearem um novo projeto de aqueduto para o Convento.

De facto, o abastecimento de água do mosteiro era um sério problema, existente desde a sua fundação no início do século XIV, que já fora objeto de uma tentativa fracassada de resolução, por meio de um aqueduto, entre os anos de 1626 e 1636.

O desenho do Aqueduto foi da responsabilidade do referido Manuel Pinto de Vilalobos. A direção das obras foi adjudicada a João Rodrigues, mestre pedreiro natural de Ponte de Lima. Porém, pouco tempo depois, o mestre abandonou os trabalhos, por falência, pelo que as Clarissas entregaram a execução do projeto ao mestre de obras Domingos Moreira, natural de Moreira da Maia.

Para a construção do aqueduto, D. Bárbara Micaela contou com a ajuda de suas irmãs, D. Antónia de Ataíde e Alcáçova e D. Ângela Maria de Ataíde e Alcáçova, ambas Freiras e Abadessas do Convento de Santa ClaraAugusto-Pedro Lopes Cardoso, op. cit., pp. 115 - 119 e do seu irmão, D. Manuel de Azevedo de Ataíde e Brito, senhor da honra de Barbosa e Mestre de campo general do exército português, que peticionou com sucesso o Rei no sentido de dispensar do serviço militar os mancebos que quisessem trabalhar na condução dos materiais.Augusto-Pedro Lopes Cardoso, op. cit., p. 118, nota 388

Em Outubro de 1714 a água chegou pela primeira vez ao claustro do mosteiro.

O aqueduto, com 999 arcos, é considerado aquele que possui o “maior número de arcos do mundo”.

D. Bárbara Micaela escreveu memórias sobre a construção do aqueduto, que deixou no Livro de Receita e Despesa do seu abadessado.Augusto-Pedro Lopes Cardoso, op. cit., p. 118 Foi abadessa de 1704 a 1707, tendo-lhe depois sucedido no cargo as suas irmãs acima referidas, D. Antónia (1707 – 1710) e D. Ângela (1710 – 1713). miniaturadaimagem|A Torre da Honra de Barbosa, no termo de Penafiel, onde D. Bárbara Micaela de Ataíde nasceu

Toponímia A cidade de Vila do Conde homenageou-a, atribuindo o seu nome a uma rua.

Na imprensa A edição em espanhol da Revista National Geographic, publicada em abril de 2015, classificou o Aqueduto de Santa Clara como "o terceiro mais belo do mundo", numa lista liderada pelo aqueduto romano de Pont du Gard, em França.

Família

Bibliografia

Cardoso, Augusto-Pedro Lopes, "D. Francisco de Azevedo e Ataíde: Subsídios para a sua biografia", 2021, Imprensa da Universidade de Coimbra, ISBN 978-989-26-2104-3

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