O fuzil Lebel Modelo 1886 (em francês: Fusil Modèle 1886, ou simplesmente Fusil Lebel) é um fuzil de infantaria de 8mm ferrolhado que entrou em serviço no exército francês em 1887, para substituir o fuzil Gras Mle 1874. O Lebel recebeu também a designação "Fusil Mle 1886 M93" por conta duma modificação de ferrolho que foi adicionada em 1893. O fuzil Lebel tem a distinção de ser a primeira arma de fogo militar a usar munição de pólvora sem fumaça. A nova pólvora propelente — "Poudre B" — era à base de nitrocelulose e foi inventada em 1884 pelo químico francês Paul Vieille.

O Tenente-Coronel Nicolas Lebel contribuiu com uma bala de camisa de metal de 8mm de ponta chata ("Balle M" ou "Balle Lebel"). Doze anos depois, em 1898, uma bala de latão maciço pontiaguda (spitzer) e culote de tronco-cônico chamada "Balle D" foi mantida para todas as munições Lebel de 8mm.

O Lebel é um fuzil de repetição que pode conter oito cartuchos em seu carregador tubular dianteiro, um cartucho no elevador e mais um cartucho na câmara; somando um total de dez tiros realizados. Cada estojo foi protegido contra percussão acidental dentro do carregador tubular por uma tampa de primer e por uma ranhura circular ao redor do alojamento da cápsula, o qual prenderia a ponta da bala pontiaguda seguinte. Apresentando um ferrolho superdimensionado com alças de trancamento frontal e um receptor enorme, o fuzil Lebel tinha um desenho durável capaz de desempenho de longo alcance.

Apesar de características obsoletas, como seu carregador tubular e a forma da munição 8mm Lebel, o fuzil Lebel permaneceu a arma básica da infantaria francesa durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Ao todo, 3,45 milhões de fuzis Lebel foram produzidos pelas três fábricas estatais francesas entre 1887 e 1916.

Visão geral O Mle 1886 é um fuzil de repetição com capacidade de oito cartuchos em seu carregador tubular, um cartucho no transportador e mais um cartucho na câmara. O "fuzil Lebel" tem a distinção de ser a primeira arma de fogo militar a usar munição de pólvora sem fumaça.

O novo propelente, "Poudre B", era à base de nitrocelulose e havia sido inventado em 1884 pelo químico francês Paul Vieille. O tenente-coronel Nicolas Lebel contribuiu com uma bala jaquetada de metal de 8 mm de ponta chata ("Balle M" ou "Balle Lebel"). Doze anos depois, em 1898, uma bala de ponta de bronze sólida ("Spitzer") e do tipo "Boat tail" chamada "Balle D" foi mantida para todas as munições Lebel de 8 mm. Cada estojo foi protegido contra percussão acidental dentro do carregador tubular, por uma "tampa" de espoleta e por um sulco no copo da espoleta que se encaixava na ponta do próximo projétil armazenada no carregador. Apresentando um ferrolho superdimensionado com travas frontais e um receptor enorme, o fuzil Lebel era um design durável capaz de bom desempenho a longo alcance. Apesar dos primeiros recursos obsoletos, como o carregador tubular e o formato do cartucho com aro 8mm Lebel, o fuzil Lebel permaneceu como a arma básica da infantaria francesa durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Ao todo, 3,45 milhões de fuzis Lebel foram produzidos pelas três fábricas estatais francesas entre 1887 e 1916.

Operação, características e acessórios Quando o Mle 1886 está em operação, o ferrolho é girado para cima para a posição vertical até que as duas linguetas de travamento dianteiras opostas sejam liberadas do receptor. No final da fase de abertura do ferrolho, uma rampa na ponte receptora força o ferrolho para trás, proporcionando assim uma extração alavancada do estojo disparado. O fuzil é equipado com uma coronha de madeira de duas peças e possui um carregador tubular com mola na extremidade dianteira. A mira em distâncias intermediárias é feita com uma rampa graduada entre 400 e 800 metros. A mira traseira tem uma "escada" de encaixes ajustável de 850 a 2.400 metros. Quando essa "escada" é virada para frente é exibida a mira fixa comumente usada em combate de até 400 metros. O fuzil Mle 1886 tem capacidade para 10 cartuchos (oito no compartimento inferior do tubo, um no transportador e um na câmara). O fuzil Lebel possui um corte de alimentação do carregador no lado direito do receptor. Quando ativado, impede a alimentação de cartuchos do carregador.

O fuzil Lebel Mle 1886 era fornecido com uma baioneta do tipo "espada" quadrangular em forma de agulha longa, a "Épée-Baïonnette Modèle 1886", com um comprimento de 52 cm. (20 pol.). Com sua seção transversal em forma de X, a baioneta espada foi otimizada para perfurar, projetada para penetrar facilmente em roupas grossas e couro. A baioneta foi apelidada de "Rosalie" pelos soldados franceses que a utilizaram durante a Primeira Guerra Mundial.

thumb|center|450px|A baioneta "Épée-Baïonnette Modèle 1886" ou "Rosalie".

Origens e desenvolvimento Historicamente, o Lebel Mle 1886 foi a primeira arma de fogo militar a usar munição de pólvora sem fumaça. Esse novo propelente, feito de nitrocelulose estabilizada, era denominado "Poudre B" ("Pó B") que acabava de ser inventado em 1884 por Paul Vieille (1854-1934). A "Poudre B" era três vezes mais poderosa que a pólvora negra, com o mesmo peso, e praticamente não deixava resíduos de combustão que causavam incrustação. Por este último motivo, a nova pólvora possibilitou a redução do calibre. O aumento da velocidade da bala no cano exigia uma bala mais forte do que a bala de chumbo mais antiga. Novos cartuchos foram projetados onde o chumbo era recoberto por uma fina camada de metal maleável.

Pouco depois, em janeiro de 1886, o ministro da Guerra francês, General Boulanger, solicitou a aplicação urgente desses dois avanços técnicos para o projeto de um novo fuzil de infantaria. Ele nomeou o General Tramond como encarregado do projeto, que deveria ser concluído em um ano. Em primeiro lugar, o cartucho "11 mm Gras" foi redesenhado em um estojo de 8 mm, uma transformação realizada por Gras e pelo tenente-coronel Desaleux. O mecanismo de repetição, derivado do fuzil de repetição francês "Mle 1884 Gras-Kropatschek", foi implementado por Albert Close e Louis Verdin no arsenal de Chatellerault. As duas alças de travamento dianteiras opostas do ferrolho, inspiradas nas duas travas traseiras do ferrolho do fuzil Vetterli suíço anterior, foram projetados pelo Coronel Bonnet. A bala jaquetada "Balle M" de 8 mm de ponta plana foi sugerida por Tramond e projetada pelo tenente-coronel Nicolas Lebel, que deu nome ao fuzil (e cartucho). Porém, Lebel não liderou a equipe responsável pela criação do novo fuzil. Ele protestou amigavelmente durante sua vida que Tramond e Gras eram os dois oficiais superiores que, em conjunto, mereciam esse crédito. No entanto, seu nome, que designava apenas a "Balle M" como "Balle Lebel", informalmente passou a denominar toda a arma.

thumb|center|450px|Ilustrações do funcionamento do "Modèle 1886".

O fuzil Lebel seguiu a mesma ação de ferrolho do Gras Mle 1874 de 11 mm e do fuzil Kropatschek Mle 1878 naval francês, projetado por um austríaco, Alfred von Kropatschek, e compartilhava o carregador tubular deste último na extremidade dianteira. Dois fuzis de repetição por ação de ferrolho de infantaria, ainda com câmara para o cartucho de pólvora negra 11 mm Gras, seguiram o fuzil "Mle 1878": os fuzis "Mle 1884" e "Mle 1885". O último tinha uma coronha de duas peças e um receptor de aço maciço e se assemelhava muito ao que viria a ser o "Mle 1886 Lebel".

Em 1893, uma versão melhorada do M1886 Lebel foi designada Fusil Mle 1886 M ("modifié") 93. A melhoria mais útil foi uma modificação da "cabeça" do ferrolho para que desviasse do rosto do atirador quaisquer gases quentes que escapassem de um estojo de cartucho rompido . O pino percussor e o botão traseiro já haviam sido modificados em 1887, enquanto a haste de empilhamento permanecia inalterada. Por último, a fixação da mira traseira no cano foi substancialmente melhorada durante a modificação de 1893.

O fuzil Lebel foi fabricado por três arsenais do governo: Châtellerault, Saint-Étienne e Tulle. Ele apresentava uma coronha de duas peças e um receptor enorme projetado para suportar as pressões mais altas desenvolvidas pelos novos cartuchos à base de pólvora sem fumaça. Entre 1935 e 1940, uma versão de comprimento de carabina (cano de 17,7 polegadas) do Lebel foi emitida para tropas coloniais no Norte da África. Esta versão curta de carabina do Lebel, chamada de "Mle 1886 M93-R35", foi montada em grande número (cerca de 50.000) na Manufacture d'Armes de Tulle (MAT), começando em 1935. Usava todas as peças do Lebel, exceto um recém fabricado cano mais curto de comprimento da carabina. Uma vez que o novo carregador tubular da carabina teve que ser encurtado também, a capacidade do carregador era de apenas três cartuchos.

O design do fuzil Lebel não era isento de deficiências. Enquanto a munição tinha que ser carregada uma de cada vez, os fuzis de serviço de outros países estavam sendo carregados com clips verticais, os chamados "pentes" em um ritmo muito mais rápido. O carregador tubular também afetava muito o equilíbrio da arma ao ser disparada, o que pode ser considerado outra deficiência.

thumb|center|450px|O fuzil Lebel modèle 1886.

Concorrentes e sucessores Após a sua introdução, o fuzil Lebel provou ser muito superior ao Mauser M-71/84, o substituto do Exército Alemão do Mauser Model 1871. A França terminou seu programa de rearmamento com o Lebel em 1889, apenas 18 meses depois que a Alemanha completou seu programa de substituição de fuzis com 780.000 M-71/84. O novo fuzil francês alarmou Bismarck. Testes no Arsenal Spandau no inverno de 1887-1888 descobriram que o Lebel podia disparar 43 cartuchos de munição de pólvora sem fumaça por minuto em comparação com apenas 26 de munição de pólvora negra para o M-71/84. A inferioridade do Mauser M71/84 e sua munição de pólvora negra de 11 mm foi uma das razões pelas quais Bismarck se opôs a ir à guerra com a França naquele inverno, apesar de ser pressionado pelo Ministro da Guerra Waldersee (outra razão era que a nova artilharia de campo "De Bange" francesa, agora equipada com canhões por retrocarga, após as lições da guerra de 1870, superavam em número e em performance os canhões de campo Krupp C64 principalmente em sua cadência de tiro).

O fuzil Mle 1886 provou ser uma arma robusta e útil, mas que se tornou rapidamente desatualizada devido aos avanços nos designs de fuzis militares e munições. Já em 1888, a "Gewehr-Prüfungskommission" introduziu em resposta um fuzil de ferrolho roativo completamente novo com um carregador de caixa do tipo "en-bloc" com mola: o fuzil Gewehr 88 "Kommissionsgewehr". Acima de tudo, ele foi projetado em torno do primeiro cartucho militar sem aro usando a nova munição de pólvora sem fumaça: o cartucho 7,92×57mm Mauser. O primeiro Gewehr 88 foi seguido 10 anos depois pelo fuzil Gewehr 98 Mauser de grande sucesso, que ainda disparava o mesmo cartucho, mas com melhorias balísticas.