O Béarn foi o primeiro porta-aviões operado pela Marinha Nacional Francesa. Sua construção começou em janeiro de 1914 na Forges et Chantiers de la Méditerranée em La Seyne-sur-Mer originalmente como o quinto e último couraçado da Classe Normandie. As obras foram paralisadas depois do começo da Primeira Guerra Mundial e ele foi lançado ao mar em abril de 1920 a fim de liberar espaço no estaleiro. A Marinha Nacional decidiu convertê-lo em um porta-aviões depois da assinatura do Tratado Naval de Washington em 1922 e o Béarn foi comissionado na frota em dezembro de 1927. Era capaz de transportar mais de trinta aeronaves, contava com bateria antiaérea formada por vários canhões de 75 e 37 milímetros, tinha um deslocamento carregado de quase 29 mil toneladas e alcançava uma velocidade de 21 nós.

O Béarn passou seus primeiros anos de serviço participando principalmente de exercícios de treinamento, também realizando algumas viagens pela África. Ele passou por uma pequena modernização entre 1934 e 1935, retomando suas funções de rotina até o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939. Na guerra, ele inicialmente participou de treinamentos em águas domésticas e então foi internado nas Antilhas Francesas depois do armistício com a Alemanha em maio de 1940. O porta-aviões permaneceu no local pelos anos seguintes até maio de 1943, quando o governo francês ordenou que fosse sabotado, sendo consequentemente deliberadamente encalhado na entrada do porto de Martinica. O Béarn foi depois tomado pelas forças da França Livre e convertido em um navio de transporte de aeronaves.

A embarcação partiu em sua primeira missão de transporte no início de 1945, porém colidiu com outro navio e passou quatro meses em reparo. Em seguida o Béarn transportou pessoal e materiais entre a França Metropolitana e o Norte da África Francês por vários meses. Depois da guerra o porta-aviões foi enviado para a Indochina Francesa carregando materiais, aeronaves e suprimentos para as campanhas de reestabelecimento do domínio colonial. Ele permaneceu no local por um ano até voltar para casa e ser colocado na reserva. Foi reativado dois anos depois para atuar como a capitânia de grupo submarino e antissubmarino da Marinha Nacional, também atuando como embarcação de suporte. O Béarn foi transformado em alojamento flutuante em 1960 e por fim enviado para desmontagem no final de 1967.

Projeto

Características O Béarn tinha 182,5 metros de comprimento de fora a fora e uma boca de 27,17 metros na linha de flutuação e 35,2 metros de no convés de voo. Seu deslocamento padrão de 22,5 mil toneladas e um deslocamento carregado de 28,9 mil toneladas, o que lhe dava um calado de 8,86 metros. Havia casa de cartas retrátil de quatro andares na extremidade de vante do convés de voo; quando retraída dava vistas à vante e para as laterais abaixo do convés de voo. A tripulação era de 45 oficiais e 830 marinheiros.

O projeto original do navio como couraçado era para que seu sistema de propulsão, diferentemente de seus irmãos, fosse de dois conjuntos de turbina a vapor Parsons e 28 caldeiras Niclausse. Entretanto, quando foi tomada a decisão de convertê-lo em porta-aviões, foi decidido também usar o mesmo sistema misto que seria usado nos outros navios da classe. Os maquinários foram tirados daquele que seria o primeiro couraçado da classe, o Normandie. Desta forma, o sistema de propulsão do Béarn era de um conjunto de turbina a vapor que girava as duas hélices centrais e dois motores verticais de tripla-expansão, cada um girando uma das hélices externas; estas duas últimas seriam usadas apenas em baixas velocidades. O objetivo era reduzir o consumo de combustível em velocidade de cruzeiro pois turbinas a vapor eram muito ineficientes em velocidades baixas e moderadas. A potência indicada era de quarenta mil cavalos-vapor (29,4 mil quilowatts) com o vapor de doze caldeiras Normand a óleo combustível que funcionavam a uma pressão de vinte quilogramas-força por centímetro quadrado ( quilopascais), dando ao porta-aviões uma velocidade máxima de 21,5 nós (39,8 quilômetros por hora). A exaustão das caldeiras era canalizada para uma chaminé integrada com a superestrutura de ilha a estibordo do convés de voo. Uma grande câmara de ventilação, chamada de base da lâmpada, foi instalada na lateral do casco abaixo da chaminé para misturar ar frio com a exaustão quente das caldeiras e assim reduzir a turbulência sobre o convés de voo. Podia carregar até 2,1 mil toneladas de óleo combustível para uma autonomia de 6,5 mil milhas náuticas (doze mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). A energia elétrica era produzida por quatro dínamos a vapor de quatrocentos quilowatts, enquanto dois geradores a diesel de 150 quilowatts eram usados quando atracado.

O cinturão de blindagem original da Classe Normandie era inapropriado para um porta-aviões, assim foi substituído por um mais fino, porém mais profundo. Era feito de aço não cimentado e tinha 83 milímetros de espessura, ficando 2,35 metros acima da linha de flutuação e 3,124 metros abaixo. O convés blindado inferior não foi alterado e tinha de catorze a setenta milímetros, mas a espessura do convés blindado superior foi ligeiramente reduzida de 26 para 24 milímetros. As casamatas tinham laterais de cinquenta milímetros e teto de 24 milímetros. Os depósitos de carvão que protegeriam as laterais submersas das salas das caldeiras foram mantidos e ampliados para cobrirem as salas de máquinas e os tanques de combustível de vante, pois a Marinha Nacional Francesa temia que a antepara antitorpedo existente não iria aguentar os torpedos com ogivas maiores desenvolvidos desde que o sistema original foi projetado. Essa antepara era feita de uma placa de aço-níquel de vinte milímetros e uma placa de dez milímetros de aço macio ondulado.

Convés e hangares thumb|240px|esquerda|Um avião de reconhecimento Levasseur PL.101 pousando no Béarn O convés de voo tinha 180 metros de comprimento e uma largura máxima de 27 metros. O convés era feito de duas placas sobrepostas de doze milímetros cobertas por cinquenta a setenta milímetros de teca africana. Inicialmente foi equipado com um equipamento de retenção primitivo, mas este foi substituído na primeira manutenção. Também tinha um guindaste de doze toneladas à ré da ilha que tinha a tarefa secundária de lidar com dois hidroaviões que eram embarcados para uso quando o navio estava atracado.

O Béarn tinha três elevadores elétricos que transferiam as aeronaves entre o convés de voo e o hangar superior. O elevador de vante podia transportar até duas toneladas e media oito metros de comprimento por doze metros de largura e sua intenção era lidar apenas com caças. Este elevador era incomum em que tinha uma configuração de dois andares para que aviões pudessem decolar dele enquanto estivesse na posição abaixada. O elevador central era para uso de aeronaves de reconhecimento com as asas abertas e tinha dez por quinze metros. Podia levar até cinco toneladas, mas era lento e demorava três minutos para completar um ciclo. O poço aberto do elevador tinha pesadas portas em formato de concha no nível do convés de voo a fim de permitir que as operações de voo continuassem enquanto o elevador estivesse no hangar. O elevador de ré era quadrado com laterais de quinze metros e foi projetado para torpedeiros. Podia transportar o mesmo peso que o elevador central, mas era ainda mais lento, demorando cinco minutos para fazer um ciclo, também tendo as mesmas portas de concha no nível do convés de voo.

A embarcação contava com dois hangares, mas apenas o superior de 124 metros de comprimento era usado para operações de aeronaves, já que o inferior era dedicado para oficinas, montagem de aviões e armazenamento de peças e outros equipamentos. Os hangares tinham uma largura nominal de 19,5 metros, mas equipamentos e prateleiras para armazenamento de armas para pronto uso reduziam a largura efetiva para quinze metros. O hangar superior tinha 6,5 metros de altura, exceto na parte de vante, que foi projetada para uso de caças, onde a altura diminuía para cinco metros por conta de um convés adicional para o alojamento do grupo aéreo. Os dois hangares eram subdivididos por quatro cortinas corta-fogo de amianto e equipados com três trilhos no teto para mover os aviões e outros equipamentos. O hangar inferior era equipado com três escotilhas grandes na base dos fossos dos elevadores para acesso ao hangar superior. Os fundos dos elevadores eram equipados com trilhos que se encaixavam com aqueles dos tetos dos hangares; as aeronaves seriam penduradas nos trilhos e os elevadores seriam elevados ou abaixados conforme a necessidade. O Béarn podia armazenar cem mil litros de gasolina de aviação em três compartimentos dentro da cidadela blindada, sendo preenchidos com gás nitrogênio inerte como uma medida para impedir incêndios.

O porta-aviões foi projetado com o objetivo de acomodar até 32 aeronaves, que formariam um esquadrão de doze torpedeiros, um esquadrão de doze aeronaves de reconhecimento e um esquadrão de oito caças. Ele inicialmente entrou em serviço com seis aviões operacionais de cada tipo, mas este número cresceu para nove de cada em 1933 para um grupo aéreo que totalizava de 27 aeronaves. No início de sua carreira também levava dois hidroaviões CAMS 37A que eram usadas apenas quando estava atracado.

Armamento thumb|240px|As duas casamatas de vante estibordo O armamento principal do Béarn era de oito canhões Modelo 1921 calibre 50 de 155 milímetros montados em casamatas nos cantos da superestrutura para defesa contra ataques de superfície. Estas armas disparavam projéteis de 56,5 quilogramas a uma velocidade de saída de 850 metros por segundo. O alcance máximo era de 26,2 quilômetros na elevação máxima de quarenta graus. Os guindastes de munição vieram de seu irmão incompleto Flandre. Cada canhão tinha um carregamento de 250 projéteis.

A defesa antiaérea consistia em seis canhões Modelo 1924 calibre 50 de 75 milímetros, oito canhões Modelo 1925 de 37 milímetros e doze metralhadoras Hotchkiss Modelo 1914 de 8 milímetros; todas essas armas ficavam em montagens únicas localizadas nas laterais do convés de voo. Os canhões de 75 milímetros tinham projéteis de 5,93 quilogramas disparados a uma velocidade de saída de 850 metros por segundo. Tinham um alcance de 14,1 quilômetros a uma elevação de quarenta graus. Seu carregamento era de 450 projéteis por arma. Os canhões de 37 milímetros eram semiautomáticos e tinham uma cadência de tiro de apenas vinte disparos por minuto. Tinham projéteis de 730 gramas disparados a uma velocidade de saída de 810 metros por segundo e com um alcance efetivo de cinco quilômetros. Cada arma tinha um carregamento de 375 projéteis. O Béarn também foi equipado com quatro tubos de torpedo de 550 milímetros instalados acima da linha de flutuação; o carregamento era de oito torpedos Modelo 1923D.

Quatro telêmetros de coincidência de três metros cada montados em plataformas nas laterais do casco proporcionavam os dados usados por dois computadores de controle de disparo Modelo 1923B, que por sua vez controlavam os canhões Modelo 1921 e os torpedos. As únicas partes sem cobertura dos telêmetros eram aquelas bloqueadas pela superestrutura de ilha, pois cada um projetava-se em cinquenta centímetros acima do convés de voo. As armas Modelo 1925 eram controladas por dois diretórios de ângulo elevado equipados com telêmetros OPL de três metros, um a bombordo e outro no topo da extremidade de vante da superestrutura de ilha.

Carreira Construção